O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Elio Gaspari, o Roberto Freire do jornalixo tupiniquim, convoca protestos de rua pra 2014



 por Saul Leblon

Em sua coluna natalina, neste 25 de dezembro de 2013, na Folha, o jornalista Elio Gaspari convoca protestos de rua para 2014.
É a sua explícita contribuição à campanha conservadora no próximo ano.

‘Em 2014 vem prá rua voce também’, diz o título da coluna que arremata com a seguinte exortação: ‘Em 2014 a turma que paga as contas irá às urnas. Elas poderão ser um bom corretivo, mas a experiência deste ano que está acabando mostra que surgiu outra forma de expressão, mais direta: "Vem pra rua você também".

Gaspari engrossa o coro daqueles que, a exemplo dele, sabem que só o impulso de acontecimentos anormais pode devolver o poder ao conservadorismo ao qual se filiam, nas eleições do próximo ano.
Reconheça-se no panfleto encartado na Folha o predicado da coerência: Gaspari se mantém fiel à cepa na qual foi cevado e graças a qual deixou o batente das redações para viver das memórias da ditadura.
O artigo é uma extensão dessa trajetória.
É como se o autor psicografasse vozes e agendas às quais serviu como uma tubulação expressa quando a ditadura militar agônica buscava erguer a ponte dos anos 80, para trocar o uniforme pela gravata, sem macular a essência do poder.
Gaspari, sub-chefão de Veja, então, ao lado de Roberto Guzzo, aderiu ao esforço de erguer linhas de passagem sem rupturas de destino.

Secretárias pressurosas emitiam a convocação em sustenidos de urgência pelos corredores da revista nos anos 80: 'Eliiooooo, o Heitor, o Heitor!.
Era algo religioso.
O telefonema-chave chegava invariavelmente um ou dois dias antes do fechamento da edição semanal.
'Heitor', mais especificamente, o coronel Heitor Aquino Ferreira, acumulava credenciais do outro lado da linha .
Elas justificavam a ansiedade incontida no trinado das secretárias.
Sua ficha corrida incluía o engajamento, cadete ainda, na conspiração para derrubar Juscelino, em 1955; a ativa participação golpista para derrubar Jango, em 64; a prestação de serviços para injetar músculos no SNI; a ação lubrificante à passagem de Daniel Ludwig, o bilionário do projeto Jari, pelos corredores do poder militar. E assim por diante.
Com base nesse saldo foi nomeado secretário de dois ditadores: Geisel e Figueiredo.
Elio e Heitor tinham mais que a cumplicidade na missão específica da travessia do quartel para a urna.
Fluxo e vertedouro identificavam-se num traço de caráter, digamos, olfativo: ambos eram bons farejadores dos ventos da história.
Elio começou a carreira no jornal Novos Rumos, ligado ao partidão (PCB); rápido sentiu a friagem vinda do polo oposto e foi servir ao colunista social e reacionário de carteirinha, Ibrain Sued; pós golpe, ascendeu como turbojato na carreira.

A pretensiosidade é outro traço que dá liga à parceria.

 
Na conspiração golpista de 64, o capitão Aquino Ferreira usava um codinome afetado: 'Conde de Oeiras'.
Nos telefonemas ao jornalista Elio Gaspari --destinatário dos pressurosos arrulhos das secretárias de Veja nos anos 80, o já coronel Heitor considerava desnecessário o anonimato.
Tampouco Elio recomendava discrição às telefonistas.
Eram tempos em que pertencer a certos círculos fazia bem ao currículo e ao ego.
Ser o mensageiro, a tubulação dos bastidores da ditadura dava prestígio e holerite.
Ademais de alimentar uma sensação de impunidade quase cínica.
Quando os telefonemas de Brasília agitavam as pautas e o arremate dos fechamentos de Veja, Heitor servia como homem de confiançae porta-voz do general Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil do ditador Geisel.
Foi nessa condição de emissário e serviçal que ele reuniu as famosas 40 pastas de documentos da ditadura, entregues entre 1982 e 1987 ao jornalista amigo selando um troca-troca feito de empatia e propósitos comuns.
Os arquivos serviriam de lastro aos livros que Gaspari lançaria com a sua versão sobre o ciclo da ditadura.
Era essa a carga simbólica que os chamados de Heitor propagavam pelos corredores da Veja, um ou dois dias antes do fechamento. Às vezes no mesmo dia; não raro mais de uma vez ao dia.
O destinatário dos telefonemas das sombras, a exemplo de outros protagonistas de um enredo à espera de um filme, agora convoca as massas às ruas em 2014.
De certa maneira, presta-se ainda ao papel de duto de Heitor, já morto, psicografando lições, limites e agendas à democracia brasileira.
Teimosa, ela insiste em afrontar os perímetros sociais e econômicos delimitados nos anos 80, nos gloriosos dias da transição segura e gradual, abraçada pela dupla de democratas.
O artigo deste Natal carrega a ansiedade abusada de quem vê nas urnas de 2014 a última chance de reverter um processo no qual 'bruxos' de farda e megalomaníacos de redação perdem a prerrogativa de ditar o que é bom para o país e para a democracia.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL!!!!!!!



O MVIVA deseja para os seus milhares de leitores diários do Brasil e do mundo, um Feliz Natal!, cheio de luz nos corações e repleto de Paz.
 
Que neste dia o coração de todas as pessoas transbordem de puro Amor, de perdão...

e, inspirados pelos valores deixados pelo grande Mestre Jesus, encham-se de alegria e muita felicidade!.

Raúl Castro pede 'relações civilizadas' com os EUA

Raúl Castro | Foto: AP
Presidente cubano diz que reformas no país devem acontecer devagar
O presidente de Cuba, Raúl Castro, fez um pedido para que se estabeleçam "relações civilizadas" com os Estados Unidos, dizendo que os dois países devem respeitar suas diferenças.
O líder cubano, irmão de Fidel Castro, afirmou ainda que os EUA deveriam abandonar suas exigências de mudança do regime, para que os dois países possam continuar trabalhando para melhorar suas relações.
Seus comentários ocorrem depois de um aperto de mão público com o presidente Barack Obama no funeral de Nelson Mandela, na África do Sul, no início de dezembro.
Os EUA romperam relações com Cuba em 1961, depois da revolução na ilha, e mantém um embargo econômico contra o país.

'Respeito mútuo'

Em um discurso público incomum, o presidente Castro revelou que funcionários cubanos e americanos se reuniram diversas vezes durante o último ano, para discutir assuntos práticos como imigração e um reestabelecimento de um serviço de correio entre os países.
Isso demonstra que as relações podem ser civilizadas, disse Castro.
No entanto, ele advertiu que "se realmente queremos avançar nas relações bilaterais, teremos que aprender a respeitar mutuamente nossas diferenças e nos acostumarmos a conviver pacificamente com elas". Caso contrário, disse ele, os cubanos estariam dispostos a outros 55 anos como os anteriores.
"Não pedimos que os Estados Unidos mudem seu sistema político e social, nem aceitamos negociar o nosso", afirmou Castro aos deputados durante a última sessão do ano da Assembleia Nacional.
As relações entre os dois vizinhos melhoraram um pouco recentemente, mas ainda há obstáculos para uma reconciliação, disse a correspondente da BBC em Havana, Sarah Rainsford.

Reformas

Desde que Raúl Castro recebeu o poder de seu irmão Fidel, em 2006, ele deu início a um programa de reformas econômicas que ajudaram a relaxar as tensões com os EUA.
Castro e Obama | Foto: AP
Aperto de mão entre líderes gerou expectativa de melhores relações entre Cuba e EUA
No entanto, os críticos dizem que as mudanças estão sendo muito lentas.
"Os que nos pressionam para andarmos mais rápidos querem nos levar ao fracasso", argumentou Castro em seu discurso.
As reformas, segundo ele, pretendem "atualizar" o modelo socialista, mas não devem incluir pacotes de ajuste econômico, ao modelo europeu.
"Nunca admitiremos em Cuba terapias de choque revolucionárias como as que estamos vendo na rica e dita culta Europa, que mergulhariam o país em um clima de divisão e desestabilidade que sirva de pretexto para aventuras intervencionistas contra a nação."
Entre as mudanças mais recentes está o anúncio do fim das restrições à compra e venda de carros particulares novos e usados.
Agora, qualquer indivíduo com dinheiro suficiente poderá comprar um veículo de uma concessionária estatal. Até então, só pessoas que tinham autorizações especiais podiam fazê-lo.
O líder cubano não mencionou o aperto de mão com Barack Obama, mas a cena gerou expectativas sobre um avanço nas relações bilaterais.

Deputados pro- Alckmin e do PSDB barram investigações sobre o vergonhoso cartel na Assembleia Legislativa e São Paulo

PAULO GAMA

A base de sustentação do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo conseguiu blindar o Palácio dos Bandeirantes contra investigações sobre o cartel que atuou em licitações do Metrô e da CPTM durante sua administração e em outros governos tucanos.
Sem número suficiente de deputados para instalar uma CPI, a oposição tentou convocar autoridades, empresários e consultores envolvidos com o cartel a prestar depoimentos em duas comissões.
Desde agosto, foram apresentados 38 requerimentos para que fossem chamadas 26 pessoas. Dessas, só três foram ouvidas pelos deputados.
As comissões em que os pedidos foram feitos –de Transportes e Infraestrutura, ambas com maioria governista– adiaram a análise de vários pedidos indefinidamente, rejeitaram outros e ainda transformaram convocações em convites, o que desobriga o convidado de comparecer.
"Eles estão obstruindo justamente para dificultar o processo investigativo", disse o líder dos petistas na Assembleia, Luiz Cláudio Marcolino.
Os deputados governistas dizem que não houve blindagem e que as três pessoas ouvidas eram as mais relevantes: o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e os atuais presidentes do Metrô, Luiz Antonio Pacheco, e da CPTM, Mário Manuel Bandeira.
"As pessoas mais importantes foram chamadas, e todos os deputados puderam tirar suas dúvidas. Foi tão transparente que nenhum questionou qualquer resposta dada por eles", disse João Caramez (PSDB), presidente da Comissão de Transportes.
O requerimento que levou Fernandes à Assembleia foi uma concessão da base de Alckmin para enfraquecer o discurso do PT, que usava o argumento de que as comissões não investigavam o caso para tentar criar uma CPI.
Para adiar a análise dos requerimentos, os aliados do governador se valem de uma norma do regimento da Assembleia que permite que cada deputado peça vistas do pedido uma vez, adiando a votação por uma semana.
A oposição usa a mesma tática para adiar votações e evitar que pedidos sejam derrubados nos dias em que há maioria governista presente na reunião da comissão.
Entre as pessoas que deixaram de depor está Pedro Benvenuto, ex-assessor da Secretaria de Transportes Metropolitanos acusado de repassar informações do Metrô e da CPTM a um consultor.
Sua convocação foi transformada em convite a pedido de um deputado do PPS e aprovada, mas ele não compareceu no dia marcado.
Os presidentes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Vinicius Carvalho, e da Siemens, Paulo Stark, e o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) também ignoraram convites das comissões e não compareceram.
Estão pendentes na pauta da Comissão de Transportes pedidos para ouvir os executivos da Siemens que denunciaram o cartel ao Cade, entre eles Everton Rheinheimer, que disse à Polícia Federal que políticos do PSDB receberam propina do esquema.
A comissão derrubou ainda requerimentos para ouvir João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM que recebeu US$ 836 mil numa conta na Suíça, e José Fagali Neto, consultor que recebeu informações de Pedro Benvenuto.
Para os governistas, os pedidos feitos pela oposição são "eleitoreiros" e "não passam de politicagem". "Se deixar por conta deles, todo dia tem dois ou três servidores pra ser ouvidos", disse Dilador Borges (PSDB), da Comissão de Infraestrutura. "Não nos podemos dar o luxo de ficar ouvindo as pessoas por ouvir."
A oposição também tentou evitar constrangimentos. Quando o tucano Caramez pediu que o presidente do Cade fosse chamado para explicar suas ligações com o PT, foi a vez de o deputado petista Gerson Bittencourt pedir o adiamento do requerimento.


Fonte: Folha

Snowden mira Brasil e Alemanha como prováveis destinos

Em declarações às imprensas dos dois países, delator do caso NSA disse que aceitaria asilo tanto no Brasil como na Alemanha.
Snowden em Moscou, onde pode permanecer até meados de 2014
O ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden parece considerar Brasil e Alemanha como seus destinos favoritos depois de sua estada na Rússia, país que lhe concedeu asilo até meados de 2014.
No final de semana, tanto a imprensa brasileira como a alemã divulgaram declarações do delator em que ele afirma que aceitaria asilo nos dois países.
Numa troca de e-mails com o programa Fantástico, da Rede Globo, Snowden afirmou que aceitaria asilo no Brasil, mas sem a condição de fornecer informações sobre o programa de espionagem americano.
Também numa troca de e-mails, só que com a revista alemã Stern, Snowden afirmou que aceitaria ir para a Alemanha se recebesse uma oferta de asilo do país. "Tenho grande respeito pela Alemanha", declarou.
Ele disse ainda não temer uma extradição para os Estados Unidos. "Ninguém no governo alemão realmente acredita que os Estados Unidos iriam penalizar a Alemanha por conceder asilo a um destacado crítico da espionagem ilegal", afirmou. "Isso prejudicaria mais os Estados Unidos do que a Alemanha."
Ao Fantástico, Snowden adeclarou que, "se o governo brasileiro quiser defender os direitos humanos, será uma honra para mim fazer parte disso".
"Mas nunca vou trocar informações por asilo", observou, acrescentando não acreditar que o governo basileiro tenha interesse nisso. Snowden elogiou o Brasil como "uma das mais interessantes e vibrantes democracias do mundo".
AS/lusa/ots

DW.DE

25 anos após a morte de Chico Mendes, qual seu legado na Amazônia?





Chico com a mulher Ilsamar

Publicado originalmente na BBC Brasil.
A pouco mais de 40 km da capital do Acre, Rio Branco, uma área de cinco mil hectares de um antigo seringal em uma região progressivamente tomada pela pecuária representa bem a situação vivida por seringueiros do Estado 25 anos após a morte do líder ambientalista Chico Mendes.
O que sobrou de floresta do seringal Capatará – que chegou a ter 62 mil hectares de mata nativa, mas hoje é principalmente usado como pasto – está localizado a poucos quilômetros de distância da Reserva Extrativista Chico Mendes, uma das maiores unidades de conservação do país.
No Capatará, ao menos 130 famílias vivem um impasse, esperando uma definição sobre se serão obrigadas a sair ou se poderão permanecer na área, agora ocupada por uma grande propriedade rural.
Mas, se na época de Chico Mendes, jagunços armados faziam o trabalho de retirar os seringueiros, agora os mandados de reintegração de posse são o método mais usado para assegurar a integridade das fazendas.
“Eu acho que nossa luta hoje está pior do que no tempo de Chico. Os fazendeiros estão mais fortes e dominam todos os órgãos que deveriam defender a causa do trabalhador sem-terra. Nosso movimento (dos trabalhadores rurais) está enfraquecido por as lideranças serem cooptadas pelo governo”, declara José Apolônio, que foi amigo de Chico Mendes e agora é organizador do movimento de resistência das famílias do seringal.
“Muitas das pessoas que estão aqui já moravam por estas bandas quando tudo era floresta. Seus filhos e netos lutam para ter um pedaço de terra que lhes é de direito. Estas famílias chegaram antes do fazendeiro”, diz.
Resistência
No início dos anos 1980, Chico Mendes começava na cidade de Xapuri os primeiros movimentos de resistência à “invasão” da floresta pelos “paulistas”, como ficaram conhecidos os fazendeiros de outros Estados que emigravam para o Acre.
Semanas após o assassinato de Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade acriana de Brasileia, em 1980, o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de Chico Mendes, declarou: “a onça vai beber água”.
A declaração foi vista como uma ameaça e rendeu a Lula e a Chico o enquadramento na Lei de Segurança Nacional.
O regime militar brasileiro estava em seus últimos anos, mas ainda tinha força suficiente para manter a ordem. Com o lema “uma terra sem homem para homem sem terra”, os militares incentivaram a ocupação do Norte. Os seringais falidos do Acre eram vendidos e transformados em pasto.
Em seu movimento de resistência, a estratégia mais conhecida de Chico Mendes foram os “empates”, correntes humanas formadas na frente de homens e máquinas que tinham por missão derrubar as árvores.
A luta de Chico Mendes lhe garantiu prestígio internacional, bem como a conquista de alguns inimigos. E foi um deles, Darly Alves, o responsável por elaborar o plano da emboscada contra o líder seringueiro.
No dia 22 de dezembro de 1988, com a toalha pendurada no ombro, Chico se preparava para tomar banho no banheiro localizado no lado de fora da casa.
Quando apareceu na porta, o tiro de espingarda foi disparado; a bala o atingiu no peito. Ele ainda conseguiu voltar para o interior da casa, onde morreu. O crime chamou a atenção do mundo. Jornalistas de todo os lugares ocuparam a pequena cidade de Xapuri.
Dias depois soube-se que o autor do disparo foi Darci Alves, filho de Darly.
Em extinção
Hoje, o seringueiro é quase uma figura em extinção no Acre. A falência da economia extrativista levou os povos da floresta a investir na agricultura de subsistência e criação de animais, como o próprio gado.
O extrativismo sucumbiu ante a força da pecuária introduzida na região. Dados mais recentes do IBGE apontam que o Acre tem três milhões de cabeça de gado, número quase quatro vezes superior à população do Estado, de 776 mil habitantes.
Para os fazendeiros, as mudanças no Estado trouxeram dinamismo à economia do Acre. “Não fosse a pecuária introduzida há 40 anos, certamente o Acre estaria numa situação bem mais pobre. A pecuária salvou o Acre da falência do extrativismo, que tem se mostrado inviável até hoje”, diz Assuero Veronez, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária.
De acordo com Veronez, a pecuária ainda é a grande atividade econômica, sendo buscada até mesmo pelos moradores das reservas extrativistas.
Quanto aos conflitos agrários, Assuero considera que eles têm raízes diferentes dos que ocorriam na década de 1980. “Antes nós tínhamos um movimento de resistência contra o desmatamento por seringueiros que lá estavam. Hoje, ocorre invasão de propriedade, o que é muito ruim para o Estado”, declara.


A reserva extratitivista Chico Mendes

Mas, para muitos filhos e netos de seringueiros, a realidade de pobreza é a mesma, independentemente das mudanças na economia do Acre.
A possibilidade de ser expulso do seringal Capatará preocupa Adalcimar Alves da Silva, 36 anos, um dos 14 filhos de Graça Alves, que chegou ao local quando tudo ainda era mata.
Assim como os irmãos, ele nasceu e cresceu na floresta, mas está apreensivo com a possibilidade de ver a polícia na porta de casa com a ordem de despejo, mesmo com sua mãe tendo a titularidade de sua área.
“Eu nasci no Capatará, me criei aqui, não sei fazer nada além de plantar e colher minha produção. Se eu for para a cidade com mulher e filhos, passarei fome”, afirma.
Novos acrianos
Além dos ex-seringueiros, pessoas de fora disputam com fazendeiros da região e ex-seringueiros a posse das terras.
Com um facão na mão, a agricultora Albertina da Silva Moraes vai cortando os galhos da árvore no caminho até seu roçado. Lá ela mostra a plantação de milho e mandioca responsável por assegurar a renda do mês.
Ela é uma das “posseiras” que chegou ao Capatará há menos de cinco anos. À espera de um assentamento do Incra, ela preferiu invadir uma área a aguardar uma intervenção do órgão federal.
Com sua espingarda pendurada no ombro, Antônio José Bandeiras Farias, 35 anos, saiu de Rio Branco há três anos para ocupar o Capatará às margens do rio Acre.
“Eu não tenho profissão, não sei o que fazer na cidade. Roubar eu não vou, então trouxe minha família para cá para vivermos da terra”, diz.
Em uma região conhecida como Ramal do Cacau, no município de Bujari (distante 20 km da capital), a tensão entre posseiros e seringueiros se traduziu em violência, com uma morte sendo atribuída à briga pela terra.
Em outubro, adultos e crianças expulsas do Ramal do Cacau passaram a morar debaixo de uma ponte na BR-364. Sem ter para onde ir, voltaram ao local mesmo com o risco de sofrerem algum tipo de violência por parte de jagunços.
Antônio e Alberdina e os sem-terra do Cacau fazem parte das três mil famílias que estão à espera de serem assentadas pelo Incra.
De acordo o Instituto de Terras do Acre (Iteracre), o Estado tem hoje pelo menos sete áreas de conflito agrário, mas todas apenas no âmbito judicial.
O governo trabalha com a possibilidade de ter, até o fim de 2015, todas as famílias sem-terra assentadas; a prioridade, de acordo com o Iteracre, são as famílias acrianas há algum tempo no banco de espera.
“Nós não temos disputas armadas pela terra no Acre. Em comparação ao que aconteceu na época do Chico, há um clima de paz”, diz Glenilson Araújo, diretor-presidente do órgão.

Fascístas,tremei! ONU diz que SUS é referência internacional

Todos sabem, ONU inclusa, que o sistema de saúde brasileiro ainda precisa melhorar muito. A avaliação positiva da ONU se dá em relação ao estágio de desenvolvimento do Brasil e à sua arrecadação fiscal per capita. Nestes pontos, o Brasil ainda está bem atrás dos países desenvolvidos.
A ONU analisou a trajetória do sistema, e a participação dele no processo de redução das mortalidades por doenças. O estudo completo da ONU pode ser baixado aqui (14 mega).
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Saiu no site da ONU: Sistema de saúde público brasileiro é referência internacional, diz Banco Mundial

O Sistema Único de Saúde do Brasil – conhecido como SUS – lançou os alicerces de um sistema de saúde melhor para o país, contribuindo para o bem-estar social e a melhoria da qualidade de vida da população, é o que afirma o livro “20 anos de Construção do SUS no Brasil”, recentemente lançado pelo Banco Mundial.
O livro busca analisar a trajetória do programa desde sua criação, destaca progressos trazidos pelo SUS e aponta que, com base nessa experiência e apesar de todas as dificuldades inerentes a um país em desenvolvimento, o Brasil é hoje referência internacional na área de saúde pública e exemplo para outros países que buscam sistemas mais igualitários de saúde.
Com a criação do SUS, o Brasil foi um dos primeiros e poucos países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a prever na legislação o acesso universal aos serviços de saúde, reconhecendo a saúde como direito do cidadão e dever do Estado.
O livro destaca que os esforços para a ampliação dos gastos em saúde e de uma melhor alocação dos recursos federais e estaduais, privilegiando as áreas e populações mais pobres do país, contribuíram para uma forte ampliação do acesso da população aos serviços básicos de saúde, com importante impacto na redução da mortalidade.
Entre os desafios do SUS, o estudo identifica que o aporte de recursos à saúde precisa ser equacionado e que a capacidade gerencial do sistema ainda é um obstáculo importante. Além disso, há questões reconhecidas sobre as quais é preciso evoluir, como a melhora da qualidade e da coordenação do cuidado e a continuidade da expansão na cobertura da atenção primária.
 
 
 Blog do Porter

sábado, 21 de dezembro de 2013

A primeira muçulmana no governo alemão



A Social-democrata Aydan Özoguz (a segunda da direita para a esquerda) é a nova secretária 
de Estado para Migração, Refugiados e Integração.

Os pedidos de entrevista se acumulam sobre a mesa, mas Aydan Özoguz prefere esperar. Ela só quer falar com a imprensa após tomar posse oficial como secretária de Estado para Migração, Refugiados e Integração – algo inédito na Alemanha. Ela é a primeira mulher de origem turca e muçulmana a assumir um cargo-chave no gabinete de governo.
O presidente do Partido Social-Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, afirmou estar "extremamente feliz" com a decisão, ao anunciar a nomeação em 15 de dezembro, na sede de seu partido. O líder social-democrata classificou a escolha de Özoguz como um sinal claro destinado a encorajar cidadãos com origem estrangeira.
Carreira meteórica
A política, de 46 anos, fez uma carreira meteórica. Filha de turcos, nascida em Hamburgo, estudou administração e literatura inglesa e espanhola e adotou a cidadania alemã. Ela começou sua carreira política em 2001 como vereadora. Desde o começo, seu tema principal tem sido a política de integração de estrangeiros. Em 2009, foi eleita deputada federal, tornando-se vice-presidente do SPD em 2011.
Mesmo assim, sua nomeação dentro de um governo da chamada "grande coalizão" unindo conservadores democrata-cristãos e social-democratas é tida como uma surpresa. A Secretaria de Estado que ela vai comandar estava nos últimos anos nas mãos da democrata-cristã Maria Böhmer, alvo frequente de críticas duras da própria Özoguz, que acusava a antecessora de ser "hesitante" e "pouco confiável" em sua política de integração. A social-democrata agora quer imprimir uma nova marca na pasta.
Reações positivas
A Comunidade Turca na Alemanha definiu como "histórica" a decisão. "Ela é bastante versada no que se refere à questão da integração", elogiou o presidente da entidade, Kenan Kolat. Ele acredita, entretanto, que existe o perigo de que ela possa sentir, em seu novo cargo, a necessidade de se distanciar de suas origens. Por isso, propõe que no futuro cargos em outros ministérios também sejam oferecidos a pessoas com ascendência estrangeira.
A ONG alemã Pro Asyl chamou a decisão de "sábia". "É bom que o cargo seja agora exercido por uma social-democrata, como contrapeso ao Ministério do Interior, chefiado por um democrata-cristão", disse o presidente da entidade, Günter Burkhardt. Ele espera que Özoguz se dedique com mais afinco que a antecessora ao acesso de refugiados à Alemanha. "Falta segurança jurídica para os requerentes de asilo", aponta Burkhardt. "Esse tipo de questão foi negligenciado no governo anterior."
Mas é improvável que a nova ministra realmente consiga mudar muita coisa. Seu ministério tem, na prática, status de secretaria de Estado, estando diretamente subordinado à Chancelaria Federal, órgão diretamente ligado ao chefe de governo e similar à Casa Civil no Brasil. Seus departamentos e unidades relevantes são distribuídos na Alemanha entre outros órgãos governamentais, como o Ministério do Trabalho e o Ministério do Interior. Özoguz pode assessorar o governo e responder pelos temas de sua alçada diante da opinião pública. Mas não tem poder para propor suas próprias leis.

POLICIA FEDERAL ESTOURA CONTABILIDADE OCULTA DOS DEMOCRATAS QUE O PROCURADOR GURGEL ENGAVETOU




Investigação do MPF revela esquema de caixa 2 envolvendo a governadora Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte, única do DEM, e o presidente do partido, Agripino Maia; esquema é revelado em reportagem da revista Istoé que chega nesta sexta (20) às bancas; recursos do governo do Rio Grande do Norte saíam dos cofres públicos para empresas que financiam campanhas do DEM por meio de um esquema de concessão de incentivos fiscais e sonegação de tributo, que contava com empresas de fachada e firmas em nome de "laranjas"; escutas telefônicas mostram Agripino Maia cobrando a liberação de recursos para um aliado; caso, que chegou à Procuradoria Geral da República em 2009, foi arquivado pelo então procurador Roberto Gurgel.

A edição de Natal da revista Istoé às bancas não traz notícias boas para o DEM, principalmente para a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, e ao presidente do partido, Agripino Maia. Ambos estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal por caixa 2 durante a campanha eleitoral de 2006.  O caso entra no alvo do MPF num momento complicado para a governadora Rosalba Ciarlini, que já teve seu mandato suspenso pelo TRE, por uso da estrutura governamental em 2012 para beneficiar uma aliada que era candidata a prefeita. Rosalba permanece no cargo por força de uma liminar.

Confira matéria na íntegra: Caixa 2 democrata (Josie Jeronimo)

Ministério Público Federal investiga esquema envolvendo a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, e o presidente do DEM, Agripino Maia. Escutas telefônicas revelam transações financeiras ilegais durante campanha.
Pequenino em área territorial, o Rio Grande do Norte empata em arrecadação tributária com o Maranhão, Estado seis vezes maior. Mas, apesar da abundância de receitas vindas do turismo e da indústria, a administração do governo potiguar está em posição de xeque. Sem dinheiro para pagar nem mesmo os salários do funcionalismo, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) responde processo de impeachment e permanece no cargo por força de liminar. Sua situação pode se deteriorar ainda mais nos próximos dias.
O Ministério Público Federal desarquivou investigação iniciada no Rio Grande do Norte que envolve a cúpula do DEM na denúncia de um intrincado esquema de caixa 2. Todo o modus operandi das transações financeiras à margem da prestação de contas eleitorais foi registrado em escutas telefônicas feitas durante a campanha de 2006, às quais ISTOÉ teve acesso. A partir do monitoramento das conversas de Francisco Galbi Saldanha, contador da legenda, figurões da política nacional como o presidente do DEM, senador José Agripino, e Rosalba foram flagrados.
A voz inconfundível de José Agripino surge inconteste em uma das conversas interceptadas. Ele pergunta ao interlocutor se a parcela de R$ 20 mil – em um total de R$ 60 mil prometidos a determinado aliado – foi repassada. A sequência das ligações revela que não era uma transição convencional. Segundo a investigação do MP, contas pessoais de assessores da campanha eram utilizadas para receber e transferir depósitos não declarados de doadores. Uma das escutas mostra que até mesmo Galbi reclamava de ser usado para as transações. Ele se queixa:“Fizeram uma coisa que eu até não concordei, depositaram na minha conta”.
Galbi continua sendo homem de confiança do partido no Estado. Ele ocupa cargo de secretário-adjunto da Casa Civil do governo. Em 2006, o contador foi colocado sob grampo pela Polícia Civil, pois era suspeito de um crime de homicídio. O faz-tudo nunca foi processado pela morte de ninguém, mas uma série de interlocutores gravados a partir de seu telefone detalharam o esquema de caixa 2 de campanha informando número de contas bancárias de pessoas físicas e relatando formas de emitir notas frias para justificar gastos eleitorais.
Nas gravações que envolvem Rosalba, o marido da governadora, Carlos Augusto, liga para Galbi e informa que usará de outra pessoa para receber doação para a mulher, então candidata ao Senado. “Esse dinheiro é apenas para passar na conta dele. Quando entrar, aí a gente vê como é que sai para voltar para Rosalba.” O advogado da governadora, Felipe Cortez, evita entrar na discussão sobre o conteúdo das escutas e não questiona a culpa de sua cliente. Ele questiona a legalidade dos grampos. “Os grampos por si só não provam nada. O caixa 2 não existiu. As conversas tratavam de assuntos financeiros, não necessariamente de caixa 2”, diz o advogado de Rosalba.
Procurado por ISTOÉ, o senador José Agripino não nega que a voz gravada seja dele. No entanto, o presidente do DEM afirma que as conversas não provam crime eleitoral. “O único registro de conversas do senador José Agripino refere-se à concessão de doação legal do partido para a campanha de dois deputados estaduais do RN”, argumenta.
No Rio Grande do Norte, José Agripino é admirado e temido por seu talento em captar recursos eleitorais. Até mesmo os adversários pensam duas vezes antes de enfrentar o senador com palavras. Mas o poderio econômico do presidente do DEM também está na mira das investigações sobre o abastecimento das campanhas do partido. A ­Polícia Federal apura denúncia de favorecimento ao governo em contratos milionários com a Empresa Industrial Técnica (EIT), firma da qual José Agripino foi sócio cotista até agosto de 2008. 
Nas eleições de 2010, o senador recebeu R$ 550 mil de doação da empreiteira. Empresa privada, a EIT é o terceiro maior destino de recursos do Estado nas mãos de Rosalba. Perde apenas para a folha de pagamento e para crédito consignado. Só este ano foram R$ 153,7 milhões em empenhos do governo, das secretarias de Infraestrutura, Estradas e Rodagem e Meio Ambiente. 
Na crise de pagamento de fornecedores do governo Rosalba, que atingiu o salário dos servidores e os gastos com a Saúde, a população foi às ruas questionar o porquê de o governo afirmar que não tinha dinheiro para as despesas básicas, mas gastava milhões nas obras do Contorno de Mossoró, empreendimento tocado pela EIT.
De acordo com a investigação do MPF, recursos do governo do Estado saíam dos cofres públicos para empresas que financiam campanhas do DEM por meio de um esquema de concessão de incentivos fiscais e sonegação de tributo, que contava com empresas de fachada e firmas em nome de laranjas. O esquema de caixa 2 tem, segundo o MP, seu “homem da mala”. O autor do drible ao fisco é o empresário Edvaldo Fagundes, que a partir do pequeno estabelecimento “Sucata do Edvaldo” construiu, em duas décadas, patrimônio bilionário. No rastreamento financeiro da Receita Federal, a PF identificou fraude de sonegação estimada em R$ 430 milhões.
O empresário é acusado de não pagar tributos, mas investe pesado na campanha do partido. Nas eleições de 2012, Edvaldo Fagundes não só vestiu a camisa do partido como pintou um de seus helicópteros com o número da sigla. A aeronave ficou à disposição da candidata Cláudia Regina (DEM), pupila do senador José Agripino. Empresas de Edvaldo, que a Polícia Federal descobriu serem de fachada, doaram oficialmente mais de R$ 400 mil à campanha da candidata do DEM. Mas investigação do Ministério Público apontou que pelo menos outros R$ 2 milhões deixaram as contas de Edvaldo rumo ao comitê financeiro da legenda por meio de caixa 2. 
 
 
Fonte: Análise de Conjuntura

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

HOJE O COMPLEXO DE VIRA-LATAS É DA OLIGARQUIA, NÃO DO POVO BRASILEIRO

Jacek Yerka

Se dependesse dos nossos conservadores, o Brasil não teria se industrializado e estaria na rabeira das nações. E eles ainda estão firmes e fortes, pontificando na grande mídia. Essa análise mergulha no pathos da nossa elite dirigente, desde sempre voltada de costas para o Brasil.     
 
O complexo de vira-latas, ontem e hoje

  por Roberto Amaral (*)

 
“A ponte Rio-Niterói é, portanto, uma linda obra turística, cuja prioridade não se justifica em um país de escassos recursos que se defronta com necessidades berrantes que aí estão nesta mesma região do País, clamando pela ação do Governo”.
(Eugênio Gudin, O Globo, 2/3/1974)
Nelson Rodrigues
Foi Nelson Rodrigues, em crônica às vésperas da Copa do Mundo de 1958 (Manchete esportiva, 31/5/1958), quando a seleção brasileira partia desacreditada para a disputa na Suécia, quem grafou o conceito de “complexo de vira-latas”, resumo de um colonizado e colonizador sentimento de inferioridade em face do estrangeiro e do que vem de fora, seres e coisas, ideias e fatos.

Impecável a definição, cujas raízes nos levam à empresa colonial e ao escravismo, à dependência cultural às diversas Cortes que sobre nós reinaram e ainda reinam.


Peca, porém, o teatrólogo genial e reacionário militante ao atribuir tal “complexo” a um fenômeno nacional, como se fosse ele um sentimento de nosso povo, de nossa gente, pois nada é mais povo brasileiro do que o torcedor de futebol.


Esse sentimento existe, mas regado pela classe dominante brasileira, desde a Colônia, que sempre viveu de costas para o país e com os sonhos, as vistas e as aspirações voltadas para a Europa. Terra de “índios desafeitos ao trabalho”, de “negros manimolentes e banzos” e “europeus de segunda classe”, nosso destino, traçado pelos deuses, era a de eternos coadjuvantes. História própria, industrialização, destino de potência… ah, isso jamais!


Nem no futebol, pois havíamos perdido as copas de 1950 e 1954 justamente porque éramos (eram nossos jogadores) um povo mestiço.

Pensar grande, pensar na frente, projetar-se no mundo e na História, isso é coisa de visionários ou políticos “populistas”.


Tal cantochão reacionário foi construído pelos pensadores dos interesses dominantes (desde os que no Império advogavam o “embranquecimento da raça” e por isso, só por isso, chegaram a admitir a abolição da escravatura), e ainda hoje é o refrão da direita impressa.

Para essa gente, o destino de nosso país era o de exportador de café e importador de manufaturas (“porque produzir aqui se podemos importar o produto estrangeiro, melhor e mais barato?”), e agora é o de exportador de soja e minério in natura. Amanhã, que os fados nos protejam, o destino que nos devotam é de exportadores de óleo bruto, como o Iraque, o Irã, a Venezuela, a Arábia Saudita…

Eles têm saudades da política do "café com leite"

O único engenho concedido ao nosso povo é o carnaval, comercializado pela tevê monopolizada. Mas dizem ao nosso povo os jornalões que não temos capacidade de construir meia dúzia de estádios.



Mesmo o futebol entrou em questionamento, depois que o Santos caiu de quatro nos gramados japoneses. A grande imprensa agora prescreve que o futebol brasileiro precisa reaprender com o catalão, repleto de atletas estrangeiros, inclusive, brasileiros…

Um bom representante desse pensamento conservador – que no Império ceifou pioneiros como Mauá – é Eugênio Gudin, criador (ao lado de Octavio Gouvêa de Bulhões) do ensino da economia em nosso país, e fundador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas. Monetarista e anti-desenvolvimentista, anti-varguista e anti-juscelinista, iluminador do moderno neoliberalismo brasileiro, combatia a intervenção do Estado na economia, o apoio (com incentivos ou o que fosse) à industrialização, e defendia com unhas e dentes, desconsiderando a realidade objetiva, o equilíbrio financeiro e a austeridade fiscal.

Eugênio Gudin
Gudin, como a maioria dos economistas, gostava de falar em “custo de oportunidade”, que procura medir o que poderia ter sido feito em saúde, educação e mais isso e mais aquilo, com os gastos de determinada obra ou melhoramento. Por exemplo, quanto poderíamos ter investido em saúde se não investíssemos na transposição do São Francisco, em que pese ao preço de deixar à míngua milhões de brasileiros do semi-árido nordestino…

Por isso, Gudin, como a classe dominante e a direita impressa, foram contra Brasília e mesmo contra a ponte Rio-Niterói, e são, agora, contra o trem-bala que ligará Campinas-São Paulo ao Rio de Janeiro.

Ainda na ditadura, um falecido jornalão carioca insurgiu-se contra as obras do metrô em nossa cidade, sob o tacanho argumento de “que ainda não haviam sido esgotadas as possibilidades do trânsito de superfície”.

Chateaubriand, nosso Cidadão Kane, mobilizou sua cadeia de jornais e rádios para combater os investimentos da União na triticultura gaúcha “porque era muito mais barato importar trigo dos EUA’”, que então renovavam seus estoques de guerra.

Agora mesmo há os que julgam desperdício os investimentos em hidroelétricas e em Angra III.


Ora, em país que de tudo carece, tudo é urgente e igualmente tudo é adiável. Mais importante do que o “custo de oportunidade” é a oportunidade do investimento, ainda que signifique o atraso de obras e serviços “inadiáveis”.

Getúlio Vargas criou a Petrobras

Assim foram os investimentos dos anos 50 na Petrobras (que Gudin e outros consideravam um desperdício, até por que “o Brasil não possuía petróleo”) e a seguir os investimentos da estatal em pesquisa, de que a prospecção em águas profundas é apenas um dos frutos. Aos míopes daquele então, pergunto: que seria o Brasil de hoje dependente da importação de petróleo? Que será o Brasil de amanhã sem energia elétrica?

Aí então é que não podemos pensar em saúde e educação universais. Mas, para os áulicos do conservadorismo, tudo o que significa investimento com vistas ao futuro deve ser adiado, como supérfluo. Daí o desmantelamento tecnológico de nossas forças armadas, daí o atraso da indústria nuclear, daí o atraso na indústria espacial, daí o atraso na produção de fármacos, na recuperação das ferrovias.

Paremos aqui, pois o rol é interminável.

[...]

(*) Esta matéria foi originalmente publicada em 23 de dezembro de 2011, quando Roberto Amaral ainda era  ex-ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula.

A morte do braço financeiro de Kassab no auge do escândalo da máfia dos fiscais

Jordão (à esquerda)
 


Rubens Jordão morreu no último dia 22 de novembro, aos 58 anos. Cometeu suicídio. Você, provavelmente, não soube disso e, talvez, não tenha ideia de quem se trata. Mas a notícia é importante porque Jordão era uma figura política importante — nos bastidores.

Jordão era presidente em exercício do Diretório do PSD em São Paulo e um dos principais articuladores do chamado Espaço Democrático, a fundação que o partido criou para “estudos” e “formação política”.
Era mais do que isso: o coordenador financeiro de Gilberto Kassab. Sua morte ocorreu no auge do escândalo da fraude dos fiscais do ISS. Naquele dia 22, por exemplo, os jornais noticiaram que uma testemunha ouvida pelo Ministério Público havia dito que um delegado vendia informações para a quadrilha. Três dias antes, a prefeitura afastara o subprefeito interino de Pinheiros, Antonino Grasso, ex-secretário de Kassab.

Jordão era engenheiro e empresário. Numa nota publicada no site da legenda, Kassab declarou: “Perdemos um grande amigo e um colaborador inestimável”.
Fez parte do grupo de ex-colegas da Poli que acompanhou a carreira do ex-prefeito de São Paulo. A turma de 12 amigos se encontrava semanalmente para tomar um chope no centro da cidade. Leal, tinha um perfil mais baixo. Foi, nominalmente, secretário adjunto de Esportes (o titular era Walter Feldman). Mas, de acordo com fontes do PSD, era o homem com quem os aliados do prefeito tratavam quando precisavam de recursos.
Rubens Jordão foi um dos principais organizadores da campanha vitoriosa de Kassab para a prefeitura em 2008. Pela competência, Kassab o nomeou presidente do comitê financeiro de José Serra em 2012.

O falecimento de Jordão, no momento mais agudo do tiroteio em torno de um esquema que teria custado aos cofres públicos 500 milhões de reais, foi tratado de maneira discreta e silenciosa — como ele. Na página do PSD, Guilherme Afif Domingos deixou o seguinte recado: “Ele tinha papel essencial nos trabalhos desenvolvidos pelo Espaço Democrático, sempre com muito entusiasmo e dedicação, e vai fazer muita falta”.

REGINALDO ROSSI: O CANTOR MAIS SINCERO DO BRASIL, VIAJOU PARA CANTAR NO CÉU


 Eduardo Bueres
Lembro com muita - de verdade - saudade daqueles bailinhos, onde a gente dançava bem agarradinhos ao som das baladas românticas deste cabra do Recife - que, ao contrário dos seus colegas hipócritas, sempre abriu mão daquela  máscara de moço  bonzinho - Esse bom artista e cantor, que encantava as plateias com sua  voz escrota e fanhosa, meteu o punhal envenenado das suas canções no coração dos românticos de todas as idades e classe social do Brasil. Vai deixar muita saudade. Por essa razão, nessa sexta triste, mesmo sendo um buarqueano convicto, vou levar a patroa pelo braço para algum lugar onde eu possa ouvir com muito gelo no coração e na boca, um dos seus lamentos mais famosos: " Garçom...aqui nesta mesa de bar...."

Viva o Reginaldo Rossi!
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"Demarcação agora é guerra ! " - declaram indígenas de Yvy Katu



Indígenas dizem que estão "prontos para morrer" e exigem que o governo federal finalize o processo de demarcação da terrra, declarada em 2005.

Ruy Sposati de Japorã (MS)

Um dia depois da suspensão de uma das quatro reintegrações de posse contrárias à permanência de cinco mil Guarani Ñandeva no tekoha Yvy Katu, na última terça-feira (17), os indígenas anunciaram que não cumprirão as outras decisões judiciais, estão "prontos para morrer" e exigem que o governo federal finalize o processo de demarcação da terrra, declarada em 2005.
"Nós estamos há mais de 78 dias e 78 noites acampados em nossa própria terra e vamos ficar por mais dois mil anos e depois para sempre. Nós não vamos sair", escreveram os indígenas em carta aberta à Presidência da República e ao Ministério da Justiça, entregue nesta quarta-feira ao Ministério Público Federal (MPF).
Sobre a decisão do Tribunal Regional Federal da 3a. Região, a comunidade afirmou: "nós não ficamos aliviados com essa decisão da Justiça, porque ela não muda nada. Nós continuamos mobilizados, resistindo contra ações dos latifundiários".
Menos de 2
Os indígenas argumentam que o território em processo de demarcação representa uma parcela muito pequena do território de Japorã, município onde fica a maior parte de Yvy Katu - apesar dos Guarani representarem metade dos moradores da cidade. "Nós somos 50% da população do município", explica a liderança indígena Valdomiro Ortiz, "e no entanto, não estamos lutando por metade do território de Japorã. Ao contrário! Os 7,5 mil hectares não são nem 6% o território total da cidade. Isso é pelo que estamos lutando".
"Juntando com a reserva [totalizando 9,4 mil hectares] e dividindo por todo mundo, dá menos de 2 hectares pra cada um. Estamos lutando por menos de 2 hectares de terra por indígena aqui em Yvy Katu. Se isso dá vida digna pra todo mundo? Claro que não dá. Mas é por esses 2 hectares que estamos lutando, e não por uma cidade inteira", aponta.
Valdomiro relata que há exatos 10 anos, no dia 18 de dezembro, ocorreu o famoso episódio do confronto com fazendeiros na ponte sobre o rio Iguatemi. Na ocasião, ruralistas e fazendeiros alegaram protesto pacífico na ponte par tentar expulsar os Ñandeva do território recém-retomado. Desarmados, os indígenas tentaram impedir a passagem se posicionando na frente dos fazendeiros, que dispararam armas de fogo. Com uma reza, relata, um ñanderu chamou uma tempestade de vento e trovões que afastou os invasores, e os indígenas permaneceram no local.
"Durante esses 10 anos, nós sofremos muito. E a Justiça sempre prometendo que estava dando um jeito de solucionar o conflito, de demarcar, e que daqui 6 meses, daqui um ano estaria resolvido... Se passaram 10 anos e nada", recorda Valdomiro. "Agora, hoje, nós estamos aqui de novo. Perdemos alguns companheiros, mas não vamos parar. Pelo menos, podemos tomar banho no nosso rio. Está tudo devastado, mas pelo menos podemos tomar banho".
Na opinião da liderança, os proprietários de terras que incidem sobre território indígena devem ser ressarcidos. "Nós defendemos que os fazendeiros que adquiriam suas terras de boa fé recebam, sim. E deixem logo a comunidade em paz".
"No dia em que a gente tiver velhinho, quando não puder nem se arrastar mais no chão, os nossos filhos e os nossos netos vão estar no nosso tekoha. Apesar de tanta ameaça, apesar do cansaço, do sono, fome e sofrimento, podemos dizer que estamos felizes por sentirmos que estamos vencendo aos poucos", conclui.
Leia na íntegra o documento dos indígenas:

Carta aberta à Presidência a Presidência da República e Ministério da Justiça

Recebemos a notícia da suspensão da reintegração de posse de uma das 14 fazendas em Yvy Katu. Não ficamos nem felizes nem tristes com isso. Isso não muda nada para nós Guarani.
Para nós essas 14 fazendas não existem. Toda essa terra faz parte de um mesmo tekoha, um mesmo território, chamado tekoha Yvy Katu.
Nós não ficamos aliviados com essa decisão da Justiça, porque ela não muda nada. Nós continuamos mobilizados, resistindo contra ações dos latifundiários, e exigindo a demarcação de nosso território.
Nós estamos há mais de 78 dias e 78 noites acampados em nossa própria terra e vamos ficar por mais dois mil anos e depois para sempre. Nós não vamos sair.
Terra indígena nunca foi de fazendeiro. Terra indígena sempre foi terra indígena.
Se os fazendeiros querem comprar terra, vão comprar em outro lugar. Se querem cobrar pela terra, paguem antes pela floresta que estava aqui e que foi acabada.
Nós temos nossa reza e os nossos guerreiros. Estamos esperando os guerreiros dos brancos.
Estamos prontos para morrer. Demarcação agora é guerra.
Nossa reza é quente como se fosse o sol. Nossa reza vem da natureza, do antepassado e do sonho. Nos sonhos, já vimos a terra lutar contra o branco, a árvore lutar contra branco.
Nós, comunidade Yvy Katu e Conselho Aty Guasu, exigimos que a Justiça suspenda todas as reintegrações de posse e o governo federal finalize a demarcação de toda a nossa terra tradicional. Enquanto isso, vamos continuar lutando, e banhando a terra de sangue, se for necessário.
Não existe acordo. Não adianta pressionar. Não vamos ficar apenas com 10% de Yvy Katu. Agora é 100%. Parece que ninguém está acreditando em nossa luta. Será que estamos falando à toa? Já carregamos muito indígena Guarani e Kaiowá ensanguentado no braço. Vocês estão esperando mais uma morte para se importarem com Yvy Katu?


Tekoha Yvy Katu, 18 de dezembro de 2013
Lideranças do tekoha Yvy Katu e Conselho do Aty Guasu