O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Município mexicano pega em armas para expulsar "Cavaleiros Templários"




Membro de grupo de autodefesa formado em cidade do Estado mexicano de Michoacán, dedicado a expulsar o crime organizado.

A tensão e o silêncio são intensificados pelo ruído cada vez mais insistente e próximo dos helicópteros militares que sobrevoam o morro de Tancítaro, a poucos quilômetros de Uruapan, no vale dos Reyes.
 
Em Pareo, uma pequena comunidade perto de Tancítaro, vários caminhões do Exército mexicano estão saindo do povoado. Uma caminhonete, com os símbolos de um grupo de autodefesa comunitária, está jogada ao lado da rodovia, com os pneus e a parte dianteira explodidos, atacados por granadas e metralhadoras. Os furos de bala nas portas e janelas são numerosos.
Um policial comunitário usando camiseta branca carrega uma escopeta e uma pistola e indica uma pequena plantação de abacate de um lado da rodovia. “Aí estão os mortos. Os Templários nos atacaram, filhos da mãe. Aí estão, jogados. Ânimo, jornalistas!”. De fato, ali estão dois corpos jogados entre os abacateiros. Alguns moradores retiram deles armas, cartuchos e jalecos para poderem reutilizá-los. Continua o ruído dos helicópteros, que não deixam de voar sobre essa pequena comunidade remota.
Entrar no povoado de Pareo é impactante. Centenas de policiais comunitários, “os brancos”, pela cor de suas camisetas, circulam armados até os dentes, sorridentes, alegres. Na pequena praça, as pessoas do povoado se reúnem e escutam as palavras do homem-símbolo das autodefesas, doutor José Manuel Mireles, o líder carismático que conseguiu se tornar porta-voz e um dos coordenadores-gerais do conselho das autodefesas de seu município, Tepalcatepec, desde o levante armado da cidade.

Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
Um dos cavaleiros templários mortos pela polícia comunitária na retomada da cidade de Pareo, no Estado mexicano de Michoacán

Alto, bigodudo, chapéu negro, rádio pendurada na camiseta e microfone na mão, ele explica às pessoas de Pareo que não precisam ter medo, que os Templários não vão voltar, que a autodefesa vai continuar ali. Nessa fase, um grupo de autodefesa precisa se formar aqui, construir barricadas, resistir aos ataques do crime organizado. Os habitantes de Pareo estão contentes, mas, ao mesmo tempo, espantados. Não querem pedir a palavra em público pelo medo dos possíveis falcões (dedos-duros) presentes. Sabem do que são capazes os Cavaleiros Templários e temem sua vingança.
O cartel foi formado após uma divisão no grupo La Familia, outro grupo criminoso que opera em Michoacán e com o qual travam uma guerra desde a morte em dezembro de 2010 de um dos fundadores desta organização, Nazario Moreno.“Mas também estávamos fartos”, grita uma senhora. “Não aguentávamos mais esses delinquentes”. Sua filha está gravando o discurso de Mireles com um tablet, e, enquanto isso, chora e sorri. “Choro de felicidade”, me diz, “porque não acreditava que poderíamos nos libertar desses mafiosos. Não posso deixar de chorar”.
Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi "Não consigo deixar de chorar", diz jovem moradora de Pareo após ação da polícia comunitária que expulsou cartel criminoso
Enquanto os caminhões do Exército deixam o povoado, María, a senhora, explica como, durante a manhã, os soldados tinham desarmando os comunitários. “Supúnhamos que iriam nos ajudar, mas, quando chegamos, os soldados começaram a tirar as armas dos policiais comunitários. Então nós, mulheres, começamos a gritar que não era justo, que iríamos ser mortos pelos Templários, e as recuperamos. E fizemos o correto, porque esses cachorros nos emboscaram, lançaram granadas contra nós. Agora esses militares vão embora. Melhor assim.”
A ofensiva das autodefesas é percebida em muitos lugares, como em Pareo, como uma verdadeira libertação. A população, esmagada durante anos pelo crime organizado, vê nessa polícia cidadã uma revanche por muito tempo inesperada e uma possibilidade de voltar a ter uma vida normal.
Na praça central de Pareo, depois do levante armado, José Manuel Mireles descansa depois do discurso para a comunidade. Segundo ele, está em marcha uma verdadeira batalha. “O cerne da guerra, o objetivo de todos esses municípios armados, é acabar com o crime organizado, onde quer que se encontre e em qualquer de seus níveis e em qualquer de suas modalidades. Porque ele existe em nível municipal, estatal e federal. E modalidades há muitas, desde os batedores de carteira até os bandidões de colarinho branco que estão no governo do Estado ou nas grandes empresas falsas que existem no Estado de Michoacán.”
Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi Mireles fala à população: "o cerne da guerra, o objetivo de todos esses municípios armados, é acabar com o crime organizado.
“Nós respeitamos todas as instituições legalmente constituídas na República, nada além disso, no nosso Estado”, esclarece o doutor com força, para explicar que os comunitários não são paramilitares. “Nossa guerra é única e exclusivamente contra o crime organizado. Mas sabemos que todas as instituições e secretarias do Estado estão contaminadas pelo crime organizado. E, se em algumas delas o crime é mais forte que as próprias instituições, também queremos acabar com elas.”
Autonomia
Nas ruas de Pareo barricadas começam a ser montadas, as pessoas se animam e aparece um jovem acusado de ser falcão. Na praça, é decidido o que vai acontecer com ele. Há os que querem matá-lo, entregá-lo ao “governo”, prendê-lo para informações. A namorada dele o defende, tentando explicar que se trata de um erro; um mal-entendido. Que ele não é nenhum falcão.

Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi
Caracterizados pela camiseta branca, policiais comunitários são membros da comunidade e lutam para expulsar criminosos
Mireles já não participa dessa ação, que deve ser resolvida pela gente de Pareo com autonomia. “Nós estamos fazendo o que as instituições governamentais não fizeram durante mais de 12 anos. Se as instituições estivessem fazendo seu dever, nós não teríamos razão de existir. Eu sou médico, os outros são agricultores, camponeses, plantadores de abacate, comerciantes. O que estamos fazendo é temporário”, explica.
“Enquanto esperamos que o governo federal, o Exército e o próprio Estado de Michoacán comecem a trabalhar para fazer o que obriga a Constituição, ou seja, fornecer segurança a toda a nação. Isso é o que nós estamos fazendo. Nós somente nos armamos para tentar restabelecer o estado de direito em Michoacán. Se o Estado não reagir e começar a apoiar o nosso movimento social com programas sociais, com mudanças institucionais, vamos ter de aceitar o desaparecimento dos poderes do Estado de Michoacán, para que o Senado da República em seu momento ponha governantes interinos, deputados interinos, presidentes interinos, até que seja feita uma nova eleição para mudar todo o aparato governamental do Estado de Michoacán e seja restabelecido o Estado de direito.”

Juan José Estrada Serafin/Opera Mundi


Soldados do exército mexicano chegam a Pareo após grupo de autodefesa expulsar membros dos 'Cavaleiros Templários'

O tempo acaba, é necessário desalojar as centenas de policiais comunitários e deixar prontas as barricadas antes que a luz se vá. Já não se escutam helicópteros voando. Mireles está orgulhoso e reafirma o valor do que está fazendo. “Se nós, que somos apenas civis, tomamos a decisão de nos armar para defender nossas vidas e nossas propriedades, já comprovamos que, em mais de oito meses, sem nenhuma organização, sem nenhuma estrutura paramilitar, temos um sucesso tão grande que já não há roubos, não há assassinatos, não há sequestros, não há estupros em nosso territórios”.
Para se despedir, confirma: “Esta é uma guerra. Declarada, aberta e pública contra o crime organizado, como quer que se chame, seja o Cartel dos Zetas, dos Templários, da Família, o cartel que seja. Nós não estamos formados para defender nenhum cartel, muito menos para formar um cartel. Estamos formados para combater essa guerra.”
  
 Fonte: Blog do Porter

sábado, 4 de janeiro de 2014

Mujica se desprende cada vez mais do atraso latino-americano



A ousadia de Mujica

Por Cynara Menezes, em CartaCapital

Em um episódio de 1995 do desenho animado Os Simpsons, Homer, o patriarca da família e símbolo da classe média americana, localiza, em um globo terrestre, o pequeno Uruguai, ao sul da América do Sul, e erra a pronúncia do país: “You Are Gay”. 
 
Quase duas décadas mais tarde e após três anos de um governo de esquerda, o ex-guerrilheiro tupamaro José “Pepe” Mujica deu a nosso vizinho de 3,4 milhões de habitantes tanto destaque no mapa que até Homer, sinônimo no Brasil do telespectador médio do Jornal Nacional da Rede Globo, seria hoje capaz de reconhecê-lo.
Mujica é, segundo definições mundo afora, “o político mais incrível”, “o líder que faz sonhar”, “o presidente mais pobre do planeta”, que abriu mão de 90% do salário e preferiu morar em sua chácara em vez de na residência oficial. A revista americana Foreign Policy o listou entre os cem pensadores mais importantes de 2013, por redefinir o papel da esquerda no mundo.
 
“Quando o presidente venezuelano Hugo Chávez morreu, em março, muitos acharam que o crescente movimento de esquerda latino-americana morreria com esse populismo de camisas vermelhas. Poucos meses depois, entretanto, o movimento encontrou um novo e pouco provável guia em José Mujica, presidente do Uruguai”, anota a publicação. “A controversa agenda de Mujica, que o fez ganhar tanto amigos quanto detratores, gerou um novo debate sobre o futuro da esquerda latino-americana. Ao estabelecer uma ruptura entre o claro antiamericanismo de Chávez e também com o profundo conservadorismo social da América Latina, Mujica aponta para um possível caminho futuro para seus camaradas.”
 
Pepe despertou uma verdadeira Mujicamania até mesmo entre quem tenta esquecer seu passado de guerrilheiro que sequestrou e assaltou bancos durante a ditadura uruguaia e que passou 10 de seus 14 anos de prisão na solitária, edulcoração semelhante à produzida pela mídia mundial em relação a Nelson Mandela.
Mujica não dá, porém, sinais de pretender interromper os seus projetos “revolucionários”, em nome da conciliação ou da governabilidade. Na campanha presidencial, nunca amenizou o discurso para conquistar ou acalmar o eleitorado conservador. “Se chego a segurar o manche, vou expor minhas ideias. Vou propô-las e, se não aceitarem, que me apresentem outro projeto”, disse, em longa entrevista ao veterano jornalista uruguaio Samuel Blixen no livro El Sueño de Pepe. “Nós, os esquerdistas, vivemos tempo demais prisioneiros de um marxismo mecanicista, que não é culpa do velho Marx, mas do que veio depois.”
Postas em prática, as ideias surpreendem o mundo pelo viés progressista. Enquanto, no Brasil, religiosos chantageiam e encurralam o governo, na terra de Mujica, só neste ano, foram legalizados o aborto até o terceiro mês e o casamento gay.
 
Para culminar, a legalização da maconha, aprovada pelo Senado por 16 votos a favor e 13 contra na terça-feira 10 e que agora vai à sanção do presidente, é uma experiência única. O Estado controlará a produção e a comercialização em farmácias a 1 dólar o grama. Os usuários poderão cultivar até três pés da planta em suas próprias casas e organizar cooperativas de consumo.
O objetivo é acabar com o tráfico da erva no Uruguai e reduzir a criminalidade. Segundo o presidente, a maconha não será legalizada, mas regulada, em substituição a um mercado à margem das regras. A oposição criticou a transformação do país em um “laboratório” e ameaçava recorrer a um referendo para derrubar o projeto. Rival de Mujica em 2009, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle ironizou e sugeriu a criação de uma “Petrobras da erva”.
A Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes, órgão das Nações Unidas responsável por supervisionar o cumprimento de convenções sobre drogas, condenou a decisão e afirmou que a lei viola os tratados internacionais assinados pelo Uruguai.
 
URUGUAY-Jose  MUJICA-MARIJUANA
Uruguayan President Jose Mujica says the country is spending $US80 million a year on fighting drugs but seizes just $US5 million worth of contraband. Picture: AFP
Em nota, Raymond Yans, presidente da entidade, declarou “surpresa” com a aprovação e se reportou a uma convenção de 52 anos atrás. “O objetivo principal da Convenção Única de 1961 é proteger a saúde e o bem-estar da humanidade. A Cannabis está submetida a controle por esta convenção, que exige dos Estados signatários limitar seu uso a fins médicos e científicos, devido a seu potencial para causar dependência.”
Um documento interno da ONU, divulgado pelo jornal britânico The Guardian no começo de dezembro, revela, porém, uma insatisfação crescente dos países que assinaram a convenção. A Noruega e o México criticam os maus resultados da guerra às drogas e da proibição. Para a Suíça, a repressão tende a afastar os consumidores dos serviços de saúde pública que previnem as doenças transmissíveis pelo sangue. O Equador solicitou “esforços especiais” no sentido de reduzir a demanda.
Diante das críticas, Mujica ressaltou o caráter inovador da legislação e manteve-se firme. “Vamos ter dificuldades? Certamente, mas a quantidade de mortos por ajustes de contas por causas vinculadas ao narcotráfico representa uma dificuldade muito maior”, disse, em entrevista ao uruguaio La República. “Iniciamos um caminho para combater o vício por meio da educação e identificando os que consomem e tendem a se desviar do caminho.
Einstein dizia que não há maior absurdo que pretender mudar os resultados repetindo sempre a mesma fórmula. Por isso queremos experimentar outros métodos.”
 
Tanto o líder uruguaio quanto sua mulher, a também ex-tupamara e senadora pela Frente Ampla Lucía Topolansky, confessaram ter pouco ou zero conhecimento sobre a maconha até assumirem o projeto pela legalização. “Nós dois, como temos certa idade (ela, 69, ele, 78), éramos perfeitos ignorantes no assunto. Éramos. Agora não”, disse Topolansky, cotada para o posto de vice na chapa do provável candidato à sucessão de Mujica, o ex-presidente Tabaré Vázquez.
Quando a notícia sobre a legalização apareceu nas agências internacionais, surgiram as primeiras reações contrárias na vizinhança. No Peru, especialistas temiam que a liberação aumentasse a produção de drogas no país de Ollanta Humala. Segundo levantamentos de especialistas, a maconha a ser produzida pelo sistema estatal uruguaio não daria para cobrir nem a metade da demanda de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
 
“O Uruguai, minúsculo em população, pode funcionar como um ‘país-laboratório’ perfeito. O potencial impacto negativo para os países vizinhos, se vier a acontecer, deverá ter proporções muito pequenas”, opina o psiquiatra Luís Fernando Tófoli, professor da Unicamp. “Ao se colocar em perspectiva o tamanho do passo dado na direção de poupar as vidas perdidas na guerra contra o tráfico, é um risco que vale a pena ser corrido.”
 
Houve quem recebesse a brisa vinda do Sul com franco entusiasmo. O ministro das Relações Exteriores, Luis Almagro, contou que as embaixadas uruguaias têm recebido consultas de estrangeiros interessados em fixar residência no país onde a maconha é livre, mas esclareceu: não será permitido o “turismo da Cannabis” nos moldes da Holanda. E o potencial econômico da produção e comercialização começa a atrair as atenções de centenas de produtores agrícolas e investidores estrangeiros, segundo o jornal uruguaio El Observador.
 
Para o ex-presidente mexicano Vicente Fox (foto acima), hoje um ativista e futuro investidor da maconha liberada, a legalização foi um “dia de festa”. “Parece-me que o Uruguai vai ganhar uma grande reputação. A medida é correta, vai evitar ser um território com violência e narcotráfico como no México. É uma decisão muito vanguardista.” Em maio, o ex-presidente se associou ao ex-executivo da Microsoft Jamen Shively, que registrou a primeira marca de maconha, a Diego Pellicer, em homenagem a um antepassado de Shively.
 
Até o momento, a dupla conseguiu reunir os 10 milhões de dólares necessários para investir em uma casa de distribuição de Cannabis no estado de Washington, um dos dois estados americanos onde é permitida a venda de maconha para uso recreativo. O outro é o Colorado. Em 18 estados, o uso medicinal é permitido. Presume-se que apenas nos EUA o negócio da maconha poderá movimentar 20 bilhões de dólares anuais.
 
Obviamente, a ideia do socialista Mujica, ao chamar para o Estado a produção e comercialização da maconha, não é transformar o vício em negócio. Ao contrário. O presidente do Uruguai conquistou fãs ao redor do mundo por sua posição anticonsumo, como ficou explícito no célebre discurso na Assembleia das Nações Unidas, em setembro. “A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado”, criticou. Não seria com a maconha, uma planta, que Mujica iria agir diferente, em busca de divisas para sua nação.
A principal dúvida recai sobre o modelo estatal de produção e comercialização. “Acho excessivamente regulamentado, diante de uma planta tão ‘anárquica’. Pode incentivar a desobediência civil a alguns pontos, como a necessidade de cadastro ou o limite de cultivo. Mas ainda é cedo para julgar”, pondera Tófoli. “O plano está posto. Vamos vê-lo em funcionamento na sociedade uruguaia para podermos criticar, sugerir melhoras e, principalmente, pensar como proceder no Brasil.”
 
Em um subcontinente dividido entre a névoa do socialismo do século XXI e uma esquerda desenvolvimentista à moda dos anos 60 do século passado, Mujica mostra-se uma liderança sintonizada às demandas da modernidade.
Logo ele, mais parecido a um personagem saído de algum romance latino-americano do século XIX. 
 
Free ilustration by: militanciaviva!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O AZARADO MUNICÍPIO DE ANANINDEUA COMPLETA 70 ANOS DE TRISTONHA EMANCIPAÇÃO

Não há motivos para comemorar nada!. Nada mesmo à ser comemorado na nossa amada e, ao mesmo tempo, azarada cidade de Ananindeua, que hoje comemora 7o anos de emancipação. 

A despeito de pertencer a chamada Região Metropolitana e estar umbilicalmente ligada a Belém, principal capital do norte do Brasil, a população deste município sofre come se fosse cá um leprosário em nível político. Basta consultar as últimas estatísticas do IBGE para constatar a situação complicada no campo da segurança pública, saúde, mobilidade, educação, saneamento. 

A população não percebe nenhuma mudança a curto, médio ou longo prazo para melhor. A impressão geral é que a principal vocação da cidade é assumir a perversa condição de curral eleitoral gigantesco para péssimos políticos conservadores. Ananindeua é o segundo maior feudo eleitoral do Estado do Pará é  um paraíso eleitoral de ouro para políticos incompetentes
O atual prefeito Manoel Pioneiro do PSDB, fazendeiro milionário, nascido em Minas Gerais, que governa o município pela terceira vez e, tecnicamente, pode emplacar 16 anos de ditadura niilista, sepultou o sonho de uma geração inteira, que esperou durante todo este período pela construção de um hospital pronto socorro de urgência e emergência, de um posto de coleta de sangue - hemopa; de um hospital municipal para atendimento de parturientes, uma vez que, para nascer, as gestantes precisam deslocar-se para Belém. 

479.800 moradores, 4598 empresas instaladas, terceira maior cidade da Amazônia, Ananindeua apresenta índices similares aos mostrados pela FAO no Haití. 

Para ser ter uma ideia, o Stélio Maroja, um dos mais antigos e conhecidos conjuntos residenciais do município, que encontra-se situado de frente para a arterial 18, extensão à grande Avenida Independência, obra que esta sendo construida com verba do PAC pelo governo estadual, comandado por Simão Jatene, aliado e chefe político do prefeito fazendeiro Manoel Pioneiro, não dispõe de água encanada. 
Vergonha que o milionário prefeito Manoel Pioneiro esconde. Moradores do Conjunto Stélio Maroja, tristemente ainda vivem na idade média, não possuem água encanada e tratada.

Os moradores do residencial vivem na idade média, são revoltados com esta situação; precisam se valer de poços artesianos, alguns contaminados, faz tempo, e vivem batalhando diariamente com as péssimas condições de uma rede sanitária, por conta de saneamento precário que não da vazão ao fluxo de dejetos gerados nos sanitários, que vivem entupidos. No primeiro mandato o fazendeiro mandou jogar uma fina capa de asfalto nas principais SNs, sem preocupar-se com as obras subterrâneas, para justificar o envio do carne de pagamento do IPTU. 
Dulciomar, Jatene e Manoel Pioneiro
O prefeito milionário tem que atentar que esta tratando com a saúde de milhares de moradores, vidas que estão colocadas em risco pela péssima qualidade da água que as famílias ali consomem, que não é tratada, nem potável. Para terminar aquilo que é interminável em termos de denuncia real, numa balança imaginária, o município pesaria mais em quantidade de lixo acumulado, que de pessoas. 
Ananindeua,(Foto: Revista Veja)
Caso alguém desse voz ao povo, ouviríamos trata-se de um escárnio parido da cabeça de um prefeito milionário, o fato de um município pobre e miserável contratar um famoso cantor de São Paulo, de primeira linha, por melhor que ele seja, a um custo de 300.000,00 trezentos mil reais - em detrimento de ótimos artistas locais que, não custariam para os cofres públicos nem um décimo deste valor -, diante de uma situação social tão triste em setores vitais. 

 O que Manoel Pioneiro sabe mas não diz é que, a população de Ananindeua, não precisa de circo, nem cachaçada coletiva eventual na avenida, nem de músicos caríssimos para se fazer feliz; precisa de progresso real e bons gestores, coisa que ele não é.
 O cantor Luan Santana, ele bem poderia bancar do seu próprio bolso, em respeito a tudo aquilo o que ele é hoje e, por tudo que acumulou de experiência; idem em consideração e reconhecimento à tudo aquilo o que esta pobre cidade já lhe proporcionou  de muito, muito bom...

ELEIÇÕES 2014 - AS NOVAS REGRAS ESTRAM EM VIGOR


Eleições 2014: Entrou em vigor no dia 1º de janeiro as regras para o próximo pleito eleitoral. Em 5 de outubro deste ano, serão realizadas eleições gerais para escolha de presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

De acordo com a Justiça Eleitoral,  fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público Eleitoral poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa.

Também ficam vedados os programas sociais executados por entidade nominalmente vinculada a candidato ou por esse mantida, ainda que autorizados em lei ou em execução orçamentária no exercício anterior.

Já a partir de 8 de abril, até a posse dos eleitos, é proibido aos agentes públicos fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição.

A maioria das ações estão proibidas a partir de 5 de julho, quando faltarão três meses para as eleições. Os agentes públicos não podem, por exemplo,  nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex oficio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito.

No entanto, há exceções. É permitido, por exemplo, haver nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança;  nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República; e nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até 5 de julho de 2014.



A partir de 5 de julho, com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado,  também é vedado aos agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais e estaduais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral.

Também não se pode fazer pronunciamento em cadeia de rádio e de televisão, fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo.

Outra proibição é a contratação de shows artísticos pagos com recursos públicos na realização de inaugurações e o comparecimento de qualquer candidato a inaugurações de obras públicas.

Quem descumprir estas regras, previstas dos artigos 73 a 78 da Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições) pode ficar sujeito ao pagamento de multa e os candidatos podem ter o registro ou o diploma cassados.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

VIROU FUGITIVO: SE ESCONDE HOJE O GRANDE EX-CANTOR BELCHIOR


A divina tragédia de Belchior



por Marcelo Bortoloti - Revista Época
 
 Capítulo 1
 
“No trevo, a 100 por hora”
 
Edna Prometheu é o pseudônimo da produtora cultural Edna Assunção de Araújo, de 46 anos. Morena, de cabelos encaracolados e baixa estatura, não é uma mulher de beleza estonteante. Militante de organizações de extrema-esquerda, é definida por seus amigos como “idealista utópica”. No começo de 2005, ela estava em São Paulo, no ateliê do artista plástico cearense Aldemir Martins, já morto, quando entrou pela porta o músico Belchior. O cantor de “Paralelas” também pinta quadros e frequenta o ambiente artístico. Edna queria organizar uma exposição de Aldemir no Ceará. Belchior disse que tinha amigos por lá, poderia ajudar. Trocaram telefones.

Os dois acabaram organizando juntos a exposição em Fortaleza, naquele mesmo ano. Na volta, Edna ligou para um amigo e contou a novidade: “Estamos namorando”. A partir daí, a vida plácida de Belchior derrapou no trevo a 100 por hora, como diz a letra de “Paralelas”. Para ficar com Edna, ele abandonou a então mulher, Ângela, com quem estava casado havia 35 anos, mãe de dois dos quatro filhos que tem. Afastou-se dos amigos e foi gradativamente deixando de fazer shows, até sumir sem dar explicações, em 2009. “Essa figura nefasta está fazendo uma lavagem cerebral nele”, afirma Jackson Martins, ex-empresário de Belchior. “Depois dela, sua vida só andou para trás”, diz o artista plástico cearense Tota, amigo de Belchior.
 
O desaparecimento de Belchior, há cinco anos, surpreendeu a todos, família e amigos. Ninguém poderia esperar tal atitude. Ele deixou para trás a agenda de shows e todo o patrimônio, incluindo roupas, documentos, quadros, automóveis e apartamento. O sumiço transformou Belchior em figura cult. A pergunta “onde está Belchior?” ecoou na internet e teve até repercussão internacional. Surgiram blogs sobre o tema. Campanhas nas redes sociais pediram a volta do músico. E apareceram montagens cômicas – “memes” – em que Belchior aparece em locais inusitados como a ilha do seriado Lost. Suas músicas no YouTube, que antes tinham 5 mil acessos diários, hoje batem 500 mil.
 

O sucesso no mundo virtual não trouxe nenhum benefício para o Belchior de carne e osso. Aos 67 anos, ele vive escondido com Edna em Porto Alegre. Não pode sair em público, pois é procurado pela polícia. Pesam contra Belchior dois mandados de prisão pelo não pagamento de pensões alimentícias. Uma devida à ex-mulher Ângela, com quem tem dois filhos já maiores de idade, e outra à mãe de uma filha de 19 anos que teve fora do casamento. Além das pensões, Belchior abandonou todos os demais compromissos e é cobrado na Justiça em processos que correm à revelia. O ex-secretário particular de Belchior, Célio Silva, ganhou um processo trabalhista contra ele no valor de R$ 1 milhão. Não há mais como recorrer. As contas de Belchior estão bloqueadas, e os imóveis que tinha comprometidos. Sem dinheiro, ele já se abrigou numa instituição de caridade no Rio Grande do Sul e morou de favor na casa de fãs que nem conhecia.
O mais intrigante na espantosa história de Belchior é que ele aparentemente não agiu movido por depressão, dívidas ou golpe publicitário, como se pensou no princípio. A influência da mulher é apontada pela maioria dos amigos como o motivo do seu comportamento. Ainda assim, não há unanimidade. “Edna não conseguiria sozinha virar a cabeça de alguém inteligente como Belchior. São dois sonhadores, juntaram suas utopias. Deixaram de acreditar neste mundo materialista, objetivo e mesquinho e partiram para um caminho de desapego”, diz o artista plástico José Roberto Aguilar, de 72 anos, amigo do casal.


O desaparecimento de Belchior, há cinco anos, surpreendeu a todos, família e amigos. Ninguém poderia esperar tal atitude. Ele deixou para trás a agenda de shows e todo o patrimônio, incluindo roupas, documentos, quadros, automóveis e apartamento. O sumiço transformou Belchior em figura cult. A pergunta “onde está Belchior?” ecoou na internet e teve até repercussão internacional. Surgiram blogs sobre o tema. Campanhas nas redes sociais pediram a volta do músico. E apareceram montagens cômicas – “memes” – em que Belchior aparece em locais inusitados como a ilha do seriado Lost. Suas músicas no YouTube, que antes tinham 5 mil acessos diários, hoje batem 500 mil.


O sucesso no mundo virtual não trouxe nenhum benefício para o Belchior de carne e osso. Aos 67 anos, ele vive escondido com Edna em Porto Alegre. Não pode sair em público, pois é procurado pela polícia. Pesam contra Belchior dois mandados de prisão pelo não pagamento de pensões alimentícias. Uma devida à ex-mulher Ângela, com quem tem dois filhos já maiores de idade, e outra à mãe de uma filha de 19 anos que teve fora do casamento. Além das pensões, Belchior abandonou todos os demais compromissos e é cobrado na Justiça em processos que correm à revelia. O ex-secretário particular de Belchior, Célio Silva, ganhou um processo trabalhista contra ele no valor de R$ 1 milhão. Não há mais como recorrer. As contas de Belchior estão bloqueadas, e os imóveis que tinha comprometidos. Sem dinheiro, ele já se abrigou numa instituição de caridade no Rio Grande do Sul e morou de favor na casa de fãs que nem conhecia.

 O mais intrigante na espantosa história de Belchior é que ele aparentemente não agiu movido por depressão, dívidas ou golpe publicitário, como se pensou no princípio. A influência da mulher é apontada pela maioria dos amigos como o motivo do seu comportamento. Ainda assim, não há unanimidade. “Edna não conseguiria sozinha virar a cabeça de alguém inteligente como Belchior. São dois sonhadores, juntaram suas utopias. Deixaram de acreditar neste mundo materialista, objetivo e mesquinho e partiram para um caminho de desapego”, diz o artista plástico José Roberto Aguilar, de 72 anos, amigo do casal.
 
Belchior nasceu numa família simples no interior do Ceará. Foi o mais bem-sucedido entre 23 irmãos. Estudou medicina na capital. Abandonou o curso depois de quatro anos, para ingressar na carreira artística. Estourou nos festivais na década de 1970 e compôs músicas com letras poderosas, como “A palo seco”. Seus sucessos foram gravados por Elis Regina, Jair Rodrigues e Roberto Carlos. Belchior é um artista com vasta cultura, domina cinco idiomas, conhece filosofia e gosta de física quântica. Até os anos 2000, lançava em média um disco por ano. “Ele era uma máquina, chegava a fazer três shows por noite. Era uma pessoa completamente dedicada à carreira”, diz o parceiro e ex-sócio Jorge Mello.
Tudo isso ficou para trás. O sumiço de Belchior lembra o caso do escritor russo Liev Tolstói. Aos 82 anos, ele abandonou tudo para viver como camponês. Tolstói teve um fim trágico – morreu de pneumonia depois de viajar na terceira classe de um trem durante o inverno soviético. Belchior, quanto mais se afasta da vida em sociedade, mais se afunda em dificuldades mundanas.
 
Capítulo 2
 
“Onde nada é eterno”
Depois que conheceu Edna, Belchior percorreu uma trajetória descendente em que, aos poucos, se despojou de todos os bens e obrigações. No final de 2006, ainda com a carreira aquecida, pediu que o empresário Jackson Martins parasse de agendar novos shows. Pretendia passar um tempo se dedicando à pintura e à tradução do poema Divina comédia, de Dante Alighieri, para uma linguagem popular. No início do ano seguinte, deixou o apartamento em que vivia com Ângela, mas continuou morando em São Paulo com Edna, num flat alugado. Desde então, a família diz não ter mais notícias dele. Belchior não era um marido muito presente, ficava até dois meses sem aparecer em casa. Teve duas filhas fora do casamento. Uma delas com uma fã que morava em São Carlos, no interior de São Paulo, com quem saiu uma única vez. A outra era fruto de um caso com uma estudante de psicologia no Ceará. Belchior pagava pensão alimentícia para a primeira. A família da segunda menina, hoje com 16 anos, não o acionou na Justiça.

As complicações começaram a aparecer em 2008. Ângela cobrava na Justiça uma pensão mensal de R$ 7 mil. Belchior se recusou a pagar. Na época, deixou de pagar também a outra pensão. Seus amigos notaram uma diferença de comportamento. “Ele parecia estranho. Me ligou perguntando sobre amigos que não vemos há 30 anos, num tom de voz que não era o seu”, diz Jorge Mello. Em outubro daquele ano, abandonou um carro no estacionamento do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Belchior continuou em São Paulo até março de 2009, quando deixou o flat sem quitar os últimos meses de aluguel. Na garagem, ele largou um segundo carro, e em seu apartamento ficaram roupas, rascunhos de música, cartões de crédito e o passaporte. Belchior também abandonou tudo na casa alugada onde funcionava seu escritório: coleção de quadros, discos, documentos e o computador onde estava parte da tradução da Divina comédia, projeto que lhe consumira três anos. Seu secretário, Célio Silva, continuou abrindo o escritório, na esperança de que retornasse.

Belchior viajara com Edna para o Uruguai, onde descansava num vilarejo. Foi processado por Célio e por todos os credores que ficaram em São Paulo. Não se defendeu. Foi representado por defensores públicos até nos processos de pensão alimentícia. Como consequência, suas contas foram bloqueadas, e apareceram dois mandados de prisão contra ele, já que não pagar pensão é um crime passível de cadeia. “Como não tive contato com ele, a defesa ficou restrita a questões formais”, diz a defensora Claudia Tannuri, escolhida para defendê-lo no processo movido pela ex-mulher Ângela. Belchior nem sequer se importou com o destino de seus pertences. As roupas que estavam no flat foram doadas à caridade. A filha mais velha recolheu os documentos. Os carros foram levados para depósitos públicos. A dívida com os estacionamentos já ultrapassava seu valor. O proprietário do imóvel onde funcionava o escritório lacrou o lugar e recolheu os pertences. Seus quadros se perderam com a umidade.
Como na música “Divina comédia humana”, “em que nada é eterno”, Belchior e Edna perambularam durante todo esse período de hotel em hotel – várias vezes, sem pagar a conta. Amigos culpam Edna pela iniciativa. O primeiro hotel em que isso aconteceu foi o Gran Marquise, em Fortaleza. Os dois ficaram hospedados ali ainda em 2006. Saíram sem pagar dois meses de estadia, no valor de R$ 8 mil. Depois, repetiram a prática em pelo menos quatro locais. No Icaraí Praia Hotel, em Niterói, deixaram uma conta de R$ 4 mil. “Alguns funcionários tiveram de arcar com parte da dívida, já que permitiram que ele ficasse hospedado mais de uma semana sem pagar a conta”, diz o atual gerente, Germano Lopes. No Royal Jardins Boutique, em São Paulo, a conta pendurada foi de R$ 12 mil. “Eles deixaram um cheque caução, mas não tinha fundos”, diz Elly Shimasaki, gerente na ocasião.

O caso mais recente foi no hotel Cassino, na cidade de Artigas, no Uruguai, onde o casal se hospedou entre julho de 2011 e novembro de 2012. Os últimos meses ficaram sem pagamento, restando uma dívida de R$ 35 mil. Lá, Belchior deixou para trás roupas e um laptop.
“É uma lástima que um artista brasileiro dessa importância tenha agido assim”, diz o gerente uruguaio Ricardo Rodrigues. O hotel entrou com uma queixa criminal contra o casal.
Capítulo 3
“Sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco”

 
Nos últimos anos, Belchior se manteve à distância de qualquer atividade remunerada. Em 2009, quando o desaparecimento ganhou repercussão nacional, a montadora General Motors ofereceu um cachê milionário para ele aparecer num comercial. Belchior deveria dizer que, com o novo carro da GM, até ele voltava. Belchior recusou o convite e ficou bastante chateado com o teor da proposta. O empresário Jackson Martins diz que recebe constantes pedidos para shows, mas não consegue localizá-lo desde 2007. “Pago as dívidas dele se ele voltar”, diz. Outro empresário que trabalhou com Belchior por quase 30 anos, Hélio Rodrigues, diz que o desaparecimento fez aumentar o interesse do público. “Depois do escândalo, ele consegue lotar qualquer casa de espetáculo. Com dois shows em São Paulo, eliminaria as dívidas”, diz.
 
Hoje, a maior pendência de Belchior é o processo trabalhista ganho pelo secretário Célio, no valor de R$ 1 milhão. A causa está julgada. Um apartamento de propriedade do músico em São Paulo está em execução. A dívida da pensão para a ex-mulher Ângela soma cerca de R$ 300 mil. Mas cresce a cada dia, já que Belchior continua obrigado a pagar R$ 7 mil por mês. “O sumiço só agravou a situação dele. Se não tem dinheiro, deveria enfrentar juridicamente o processo, argumentando que não pode pagar”, diz Paulo Sato, advogado de Ângela. A pensão atrasada da filha que mora em São Carlos gira em torno de R$ 90 mil. As dívidas com hotéis cobradas na Justiça somam R$ 47 mil. Não são impagáveis, desde que Belchior volte a se apresentar.
A derradeira fonte de renda de Belchior eram os direitos autorais de suas músicas. Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), nos últimos cinco anos foram depositados R$ 367 mil referentes à execução pública de suas obras. Parte do dinheiro ficou retida quando as contas bancárias foram bloqueadas. Desde então, Belchior não contou com nenhum outro tipo de renda.
 
Capítulo 4
“Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho”

Em janeiro deste ano, Edna e Belchior procuraram a Defensoria Pública em Porto Alegre. A história ganhou ingredientes ainda mais estranhos. Os dois alegavam que o bloqueio das contas e os mandados de prisão impediam que ele trabalhasse e voltasse a ganhar dinheiro para pagar as dívidas. Belchior aparentemente estava disposto a voltar. Mas o comportamento do casal era confuso. Edna falava desbragadamente, enquanto Belchior ficava quase sempre calado. “Durante um mês, me informei sobre os processos que tramitam em São Paulo. Fizemos um pedido judicial para a suspensão da execução, até que ele conseguisse se restabelecer. Nesse meio-tempo, Belchior sumiu”, diz a defensora pública Luciana Kern, que o atendeu.

Nesse mesmo período, Edna ligou para o jornalista gaúcho Juremir Machado, que não conhecia. Disse que Belchior estava escondido na cidade e precisava de ajuda. Ela queria que Juremir os levasse à sede regional da TV Record para fazer uma denúncia delirante. Juremir notou algo de incomum no casal. Eles se escondiam atrás de pilastras e ficavam olhando a movimentação nas ruas antes de entrar em algum lugar, como se fossem seguidos. Na retransmissora da TV, Edna afirmou ter um dossiê contra a TV Globo. O programa Fantástico noticiara o desaparecimento de Belchior em 2009 e a fuga do hotel uruguaio, em 2012. “Ela dizia que Belchior era difamado pela Globo e queria justiça. Falou até que havia uma tentativa de matá-lo”, diz a jornalista Vânia Lain, que recebeu os dois. Eles disseram que voltariam na semana seguinte trazendo os documentos, mas desapareceram.
 
 
 
Em Porto Alegre, Belchior e Edna ficaram inicialmente hospedados num hotel simples no centro, pago com ajuda dos funcionários do Tribunal de Justiça, primeira porta em que o casal bateu quando chegou à capital gaúcha. Depois, foram abrigados no Centro Infantojuvenil Luiz Itamar, instituição de caridade na região metropolitana. Dali, foram levados ao advogado Aramis Nacif, ex-desembargador do Estado, que poderia ajudar Belchior com os processos. “Ele dizia que um agente apareceria, mas nunca apareceu”, diz Nacif. Durante um mês, o casal ficou abrigado na casa de praia do filho dele. “Eles não tinham dinheiro algum. Edna apresentava um sentimento de perseguição muito grande, parecia ter algum distúrbio psicológico”, diz. Foi nesse momento que Belchior conheceu o advogado Jorge Cabral, na casa de quem se hospedou por quatro meses.
Cabral tomou um susto ao perceber que um músico importante como Belchior estava ali. E os convidou para ir a um sítio de sua propriedade, em Guaíba, local mais agradável. Belchior e Edna continuavam sem dinheiro. Nesse período, o advogado levou mantimentos, roupas, itens de higiene pessoal e até tintura para Belchior pintar os bigodes de preto.

No sítio de Cabral, Belchior não bebia nem comia carne vermelha. Passava os dias tomando chá, caminhando e cuidando das ovelhas. Fazia muitas anotações em papéis, que escondia numa pasta. Durante esse período, gastou duas canetas inteiras. Leu cerca de 40 livros. Não apresentava sinais de depressão. Parecia, segundo Cabral, alheio aos problemas que o cercavam. “Eu imaginava que ele era apenas um compositor nordestino, mas encontrei um artista plástico, um pensador, um filósofo”, diz Cabral. Ele pretende escrever um livro sobre a experiência.
Belchior só não gostava de falar sobre sua situação. Recusava-se a tocar violão e cantar. Edna impedia que ele fosse fotografado. O casal também não tomava nenhuma providência para resolver os problemas jurídicos. “A gente esperava que a situação se resolvesse, mas não acontecia nada. E aquilo não condizia com um homem lúcido, com memória fantástica, que fala várias línguas e tem uma quantidade enorme de músicas gravadas”, diz Jorge Cabral.
“Esse tempo que ele falou que daria na carreira já está longo demais. Só queremos notícias dele”, diz a irmã, Ângela Belchior. Belchior não apareceu nem no enterro da mãe, que morreu em 2011. Por telefone, a ex-mulher Ângela soa reticente. Não gosta de falar sobre um assunto tão delicado com a imprensa. Ela conta que, desde 2007, Belchior não entra em contato nem com os filhos. “Não entendo. Os empresários dele não entendem”, diz.

Em julho deste ano, Cabral pediu que o casal saísse, dado que Belchior e Edna não davam sinal de acabar com aquela situação de total dependência. Ele os deixou na porta da sede regional da União Brasileira de Compositores, com R$ 50 no bolso. Na União, Belchior tentou desbloquear o pagamento de seus direitos autorais, comprometido pelos processos na Justiça. Não conseguiu.
Belchior foi visto pela última vez na entrada do prédio, um edifício moderno num bairro de classe média de Porto Alegre, em frente a uma avenida bastante movimentada. Carregava uma pequena mala nas mãos e material de pintura debaixo do braço. Belchior – na belíssima letra de “Comentário a respeito de John”, ele cantava “eu prefiro andar sozinho” – estava, como sempre, ao lado de Edna. 
 
Free ilustration by: militanciaviva!

O novo prefeito de Nova York e sua opção pelos pobres

 
Por : Paulo Nogueira

Diz o NY Times: “Ele deu voz aos nova-iorquinos esquecidos – os 46% que vivem na pobreza ou perto dela, os 50 000 sem teto, os milhões que estão fora das áreas de segurança econômica e afluência aristocrática.”

O Times estava se referindo a Bill de Blasio, 52 anos, democrata que se elegeu espetacularmente prefeito de Nova York. Surgido do nada dentro do mundo político americano, Blasio venceu as eleições com 40 pontos de diferença sobre o candidato republicano. Não foi uma vitória, foi um esmagamento.
Blasio se elegeu com a seguinte plataforma: combater a desigualdade social, combater a desigualdade social e ainda combater a desigualdade social.
Para isso, em sua plataforma estavam coisas como o aumento dos impostos para os ricos.
Pausa para uma reflexão: você vê algum candidato à presidência no Brasil falando em aumentar imposto dos ricos?
Bem, Blasio foi duramente atacado pela plutocracia novaiorquina. Vasculharam seu passado e brandiram contra ele um passado ativista no qual ele se colocou a favor dos sandinistas na Nicarágua. Até sua lua de mel em Cuba foi usada contra Blasio.
Mas os novaiorquinos não ouviram a elite financeira. E abarrotaram Blasio de votos numa vitória que, para muitos, simboliza o retorno aos Estados Unidos de uma coisa chamada ‘esquerda’. Blasio se declara um “socialista democrático”.
Blasio é uma figuraça. Ele é casado com uma mulher negra que, antes do casamento, só tivera relacionamentos lésbicos. Os dois têm dois filhos adolescentes, um menino e uma menina.
O garoto tem um cabelo afro que acabou virando destaque na mídia americana. Um vídeo em que o menino fala do pai viralizou nos Estados Unidos.
Blasio, de origem italiana, teve uma infância conturbada. O pai perdeu uma perna numa guerra e mesmo assim, ao voltar, foi perseguido pelo Estado, sob a acusação de ser comunista.
O homem se perdeu: passou a beber, se divorciou e se afastou da família. Acabou por se matar com um tiro de rifle no peito. “Com ele aprendi o que não fazer”, diz Blasio. Ele tirou o sobrenome paterno em sua vida profissional e ficou com o da mãe.
Blasio conta que teve conversas interessantes com empresários que o viam com desconfiança. A um deles, cujo avô era um homem sem nada, ele lembrou que em outros tempos gente pobre tinha oportunidade de ascender. “O empresário, ao lembrar do avô, entendeu o meu ponto”, diz Blasio.
Obama, que apoiou Blasio, foi uma enorme decepção para os pobres americanos.
Blasio parece ser diferente. Tem mais conteúdo e foi eleito para mitigar a desigualdade social. Ele falou muito na parábola de Dickens de “duas cidades” dentro de uma só, uma riquíssima e outra miserável. (É uma imagem absolutamente adequada ao Brasil.)
Num gesto notável, estendeu a mão para a comunidade islâmica de Nova York, alvo de espionagem constante depois do Onze de Setembro. Disse que a perseguição e o preconceito vão acabar em sua gestão.
Os novaiorquinos deram uma chance à sorte ao escolhê-lo maciçamente e preterir o candidato republicano sob o qual as “duas cidades” permaneceriam e, com elas, a pobreza abandonada de milhões de pessoas.
Parabéns, mais que a Blasio, aos novaiorquinos.

Final de ano na sagrada Ilha do Mosqueiro foi um fiasco por conta da poluição sonora

 
O que era para ter sido uma das melhores viradas do Ano Novo, com direito a fogos de artifício e oferendas no mar, transformou-se num roteiro de filme de terror da Boca do Lixo. 
 
Os habitantes e visitantes da aprasível Mosqueiro viveram na pele, ou melhor, nos ouvidos, o terror promovido por donos de carros particulares ignorantes que, na ausência total de qualquer tipo de fiscalização por parte da Secretaria de Meio Ambiente, sob as ordens do secretário de segurança pública, José Fernandes, promoveram um terrorismo sonoro na pracinha do Chapéu Virado, principal ponto de encontro do Distrito para celebração do evento. 

A bagunça e a arruaça deslavada varou a madrugada e somente encerrou por volta da quatro horas da manhã, quando os mauricinhos e vândalos foram vencidos pelo álcool. Retiraram-se para voltar a atacar pela manhã na orla,cientes que não seriam molestados. Quem veio de de fora dos Estado e passou pelo sufoco, sem falar nos impotentes moradores do entorno, jurou jamais retornar para Ilha, pelo menos nesta data. Este é um dos piores efeitos sofridos que uma população pode sentir quando se encontra desassistida  por autoridades incompetentes em seu planejamento. 
Por absoluta  falta de falta de planejamento desta dupla, Coutinho X Jatene, a virada de ano na aprazível ilha do Mosqueiro foi um caos
Onde estava a Guarda Municipal do risonho prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, responsável pela manutenção da ordem na praça e na Orla do Distrito e seu chefe político, governador Simão Jatene?. 
 
Será que essa dupla levaria as suas famílias para viver e participar de um reveion do terror em nível de poluição sonora pelo qual passou as famílias que estavam na Orla de Mosqueiro?. 
A maioria dos canalhas não se importam se é o ouvido humano o único sentido que jamais descansa
Todos culpam a educação dos bandidos do decibéis descontrolados, mas, certamente, se tivesse havido um planejamento mínimo por parte da SEMMA - Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ligada a Prefeitura de Belém, comandada por Coutinho, que deveria esta presente fiscalizando com a ajuda de decimelímetros e multando os agressores sonoros, ou da DEMA Delegacia de Meio Ambiente, comandada por Jatene (será que ela existe mesmo?), não teriam existido os excessos escancarados que tanto desconforto e mal estar provocou à maioria das famílias que escolheram  - equivocadamente -  passar a virada do ano no principal balneário ligado a  principal capital do norte do Brasil.

VAI UM BASEADOZINHO AÍ...? - WASHINGTON E COLORADO LIBERAM O CONSUMO RECREATIVO DA MACONHA



Os usuários de maconha nos Estados Unidos finalmente poderão, a partir deste 1º de janeiro, consumir o produto legalmente com fins recreativos em dois estados do oeste do país, Washington e Colorado.
Uma lei aprovada em novembro prevê nos dois estados a abertura dos primeiros “coffee shops”, onde os consumidores poderão comprar até 28 gramas de maconha a cada vez de forma legal, desde que tenham pelo menos 21 anos.
A lei é uma novidade no continente americano, onde até pouco tempo imperava uma combinação de proibição e repressão aos consumidores, além de um combate armado aos produtores e traficantes, sobretudo nas Américas Central e do Sul.
Mas as coisas estão mudando. Em maio, a Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgou um documento no qual incentiva a análise de uma eventual legalização da maconha como forma de luta contra o narcotráfico.
E em 10 de dezembro, o Senado do Uruguai aprovou a legalização da produção e venda da maconha no país, sob controle do Estado.
Na América do Norte, o México, que trava uma batalha violenta contra o narcotráfico, também estuda a possibilidade, enquanto o Canadá, até agora muito repressivo, flexibilizou sua política e considera aplicar uma simples multa aos consumidores de maconha, ao invés de um processo.
Nos Estados Unidos, uma pesquisa recente mostrou que menos de 40% dos alunos que cursam o último ano do ensino médio consideram a maconha perigosa, contra 44% um ano antes. No total, 23% admitiram ter fumado maconha no mês anterior à pesquisa, número que sobe a 36% quando considerados os últimos 12 meses.

Deputado Gabriel Guerreiro faleceu no Rio de Janeiro

Deputado paraense Gabriel Guerreiro
No Blog do Nelson

O deputado oriximinaense Gabriel Guerreiro, não resistiu a um infarto e faleceu nesta manhã dia 02/01/2014 no Rio de Janeiro, onde estava a passeio.
A informação acaba de chagar no Blog através do Blogueiro oriximinaense Hamilton Souza.
Ainda não temos infirmações mais detalhadas do ocorrido - a qualquer momento, mais informações. 
Outras informações começam a chegar e dão conta de que a Assembleia Legislativa do Pará está providenciando a remoção do corpo do deputado do Rio de Janeiro para Belém - é provável que chegue na capital do Pará na madrugada desta sexta (3).
Natural do Município de Oriximiná, Guerreiro estava no seu sétimo mandato eletivo e chegou a ser Deputado Federal Constituinte na década de oitenta.
Geólogo com atuação na área de desenvolvimento sustentável do Pará Gabriel foi professor e Coordenador do Curso de Geologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), e ocupou outros cargos administrativos e técnicos em órgãos estaduais e de representação de classe profissional.

Al Qaeda, mais viva do que nunca, mesmo após a morte de Bin Laden, assume controle de zonas de cidades importantes no Iraque



Grupo insurgentes vinculados à rede terrorista Al Qaeda obtiveram o controle nesta quinta-feira (02/01) de metade da cidade iraquiana de Fallujah (centro do país e a 69 km a oeste da capital Bagdá) e algumas áreas de Ramadi, na mesma região. As informações são da agência de notícias France Presse através de fontes das forças de segurança iraquianas e testemunhas.
 
"Metade de Fallujah está nas mãos do EIIL (Estado Islâmico do Iraque e Levante) e outra metade nas mãos de homens armados ligados aos clãs tribais", segundo fonte do ministério do Interior.
Uma testemunha em Fallujah, cidade que possui mais de 300 mil habitantes, afirmou que os insurgentes estabeleceram postos de controle no centro e na zona sul de Fallujah.
"Em Ramadi a situação é parecida - algumas zonas estão controladas pelo EEIL e outras por homens armados tribais", afirmou a fonte ministerial a respeito da capital da província de Anbar.
Um correspondente da France Presse em Ramadi observou dezenas de caminhões com homens armados na zona leste da cidade que cantavam o hino do EEIL. A letra afirma que o "Estado Islâmico permanece" e "nosso estado é vitorioso".
Os militantes exibiam bandeiras negras com as palavras "Alá Rasul Mohamed", utilizadas pelos grupos jihadistas.
Os confrontos foram iniciados na segunda-feira (30/12) em Ramadi, após o desmantelamento pelas forças oficiais de um acampamento de opositores sunitas, e prosseguiram por mais dois dias.
Na quarta-feira (1º), os manifestantes enfrentaram as forças oficiais e incendiaram várias delegacias.
A violência chegou a Fallujah onde a polícia abandonou a maioria de suas posições na quarta-feira e os insurgentes queimaram algumas delegacias.
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, anunciou na terça-feira (31) a retirada do exército das cidades conturbadas da província de Anbar, mas mudou de ideia no dia seguinte.
As forças armadas permaneciam nesta quinta-feira (02) nas proximidades de Ramadi.
O fim do acampamento dos opositores foi uma vitória para Maliki, que há muito tempo desejava acabar com o que chamava de "sede da liderança da Al Qaeda".
Fruto de uma mentira, a desastrosa intervenção dos norte-americanos é a responsáveis pela extensão deste conflito no Iraque, que esta longe do seu fim, em parte pelo modelo cruel de ação escolhido pelos invasores ocidentais que não os diferencia daqueles a quem combatem. Desde a guerra Vietnamita, já deveriam ter aprendido que, dinheiro e poder bélico, são suficiente para ganhar batalhas, jamais para vencer uma guerra.(Mviva)

Mas a operação teve um alto custo para a segurança em Anbar. O fim do local representou o fim de um sinal físico da discriminação denunciada pelos sunitas, mas o conflito do grupo com as forças de segurança permanece sem solução.

“Zapatismo foi um movimento indígena com características ocidentais”


Mulheres zapatistas
 
 

Pesquisador de revoltas recentes ao redor do mundo, o geógrafo britânico David Harvey reconhece a influência dos zapatistas nos novos levantes que têm surgido. Mas ele pondera que algumas das suas características são ignoradas pela esquerda em diversos países.
Geógrafo de formação, o professor britânico David Harvey é um dos grandes pesquisadores da obra de Karl Marx.
O estudioso concedeu uma entrevista à reportagem de CartaCapital, na qual fala sobre o legado do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que há vinte anos tomou o controle de parte da pobre província mexicana de Chiapas.
Harvey destaca as novidades trazidas pelo levante, como a ênfase no direito das mulheres. Ele, porém, se diz “cansado” das pessoas acharem que a revolução “sairá de Chiapas”. Para o geógrafo, a esquerda deve achar uma forma própria de se organizar na cidade. Leia abaixo as falas do geógrafo sobre o levante:
Movimento indígena com características ocidentais
O zapatismo é retratado às vezes como somente um movimento indígena. Mas ele não é isso. É um movimento indígena com caraterísticas ocidentais. Um movimento horizontal, mas com formas militares hierarquizadas. Ou seja, é uma forma híbrida.
Obviamente o zapatismo teve um impacto muito grande na esquerda. A esquerda mundial ficou muito impressionada com suas formas horizontais de governança, mas falhou em reconhecer que a parte militar dessa organização a modificou muito.
Direitos das mulheres
Os zapatistas abordaram muitas questões importantes para essas sociedades (indígenas), como os direitos das mulheres, de uma maneira muito importante. Foi muito excitante ver a questão de gênero, em toda sua dimensão, ser propriamente abordada e articulada pelos zapatistas. [Diversas das figuras mais proeminentes do movimento eram mulheres e, logo após o levante, os zapatistas fizeram uma serie de reivindicações específicas em relação a elas].
Os direitos das mulheres estavam arraigados muito neste movimento, o que não é necessariamente verdade em outras populações indígenas e na esquerda. Mais uma vez, nessa questão, eles tinham características especiais.
Teologia da libertação
O movimento era uma combinação brilhante de pensamento indígena com perspectivas do iluminismo ocidental. Particularmente, havia uma influência de doutrinas do catolicismo, como dos franciscanos [conjunto de ordens católicas com forte presença na América Latina]. Eu acho que foi a expressão de ideias como respeito e dignidade, vindas de Chiapas, que agarraram a imaginação do mundo.
Foi uma combinação peculiar, onde a posição do subcomandante Marcos foi extremamente crucial. Não só em termos de organizar a parte militar, mas também de apresentar suas ideias ao mundo, que muito dificilmente poderiam ser entendidas. Então, quando ele falava de respeito e dignidade, ele estava em uma longa história da teologia da libertação, por exemplo. E as pessoas responderam a isso.
Ação fora do Estado

Havia também a característica de que aquele não era um partido político, não queria tomar o poder do Estado. Os zapatistas só queriam autonomia, e isso foi atraente para muitas pessoas ao redor do mundo. Eles estavam, desta forma, se protegendo da exploração. Quando se faz isso, você mantém-se fora dos limites, mas isso também gera muitos problemas. Eles precisam de recursos, eles precisam de armas, é uma história muito complicada.
Subcomandante Marcos
 A revolução não sairá de Chiapas
As vezes eu fico um pouco cansado porque em partes da Europa e da América do Norte as pessoas acham que a revolução vai sair de Chiapas e salvar a nós todos. Meu argumento é que a gente não pode simplesmente tirar aquilo do México e trazer para cá, nós temos de inventar nossas próprias maneiras de fazer política, de acordo com as nossas próprias circunstâncias.
Nós não estamos vivendo em Chiapas, nós estamos vivendo em Pittsburgh, em Detroit, em São Paulo. E a gente precisa pensar nas nossas próprias formas de se organizar em grandes cidades como essas.