O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MURDOCH E ASSANGE: FRONTEIRA TÊNUE?

http://www.markpeterdavis.com/.a/6a00e0098c505188330153913466f3970b-450wi

 A mídia comandada pelos megaempresário australiano Rupert Murdoch foi justamente execrada por conta de seus métodos "heterodoxos" de obter informações. Mas  os mesmos métodos seriam lícitos quando usados para desmascarar os donos do poder? É a velha discussão sobre os fins que justificam os meios. Esse excelente artigo de Nicholas Lemann põe os pingos nos iii.

As relações perigosas entre mídia e poder

Neste artigo faltou apenas - apenas? - discutir a relação dos jornalistas com os donos da mídia. Sim, porque falar em "nós, jornalistas", assim no abstrato, sem mencionar as relações com quem controla o veículo, é algo que nem os norte-americanos têm condições de fazer...     
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Uma imprensa ruim


Por Nicholas Lemann
The New Yorker, 1/8/2011

Jack Lemon (esq.) e Walter Ratthau em Primeira Página
Nós, jornalistas, devemos parecer criaturas estranhas para o resto do mundo. Adoramos The Front Page [A Primeira Página, livro de Hecht e McArthur, 1992] e Scoop! [Furo!, de Evelyn Waugh, 1938], que nos apresentam como preguiçosos, sem princípios e, irremediavelmente, escravos de informações fraudulentas. Hildy Johnson faz amizade com um suspeito de assassinato que fugiu da cadeia e esconde-o numa escrivaninha com tampa retrátil na redação, para que ninguém o possa entrevistar – excelente! William Boot consegue uma informação exclusiva durante um golpe de Estado na nação de Ishmelia porque o restante dos jornalistas deixou a cidade seguindo uma pista falsa e Boot era tão azarado que não conseguiu juntar-se a eles – adorável!

Mas se os jornalistas se divertem sendo pouco convencionais e autogozadores, o que explica nossa tendência igualmente forte (principalmente nos Estados Unidos) a reivindicar portentosamente os pais da nação, a Primeira Emenda [da Constituição], o quarto poder e o direito público à livre expressão? Seriam os jornalistas vigaristas adoráveis ou cruzados dos direitos humanos? Ou seriam pessoas que se concederam o direito de mudar para ambas essas identidades num pulo?
Furo!, e Evelyn Waugh
No caso da imprensa de Rupert Murdoch – agora sem um de seus jornais de grande circulação, mas afora isso mantendo-se firme – dá para perceber sua autocomiseração sobre o escândalo das escutas clandestinas, ainda que suas declarações públicas oscilem, alternadamente, entre remorso e desafio. A News Corporation pertence a uma região da imprensa que gosta de se imaginar confortável e despretensiosamente sentada na tradição de The Front Page/Scoop, num contato mais próximo com os gostos do público do que com os do establishment e resistente a um olhar próprio que define a cultura dos jornalões. Há uma suspeita palpável, na corporação, de que a indignação com o escândalo esconde inimizade ideológica e concorrência comercial.


Murdoch: o vilão
O anonimato e a informação não-pública
Existe alguma coisa que não esteja suficientemente clara nesta discussão? A resposta tem relação com duas questões que correspondem às duas metades da alma jornalística – a do vigarista e a do santo. A primeira é se o escândalo das escutas clandestinas representa um tipo particularmente atroz de má conduta da imprensa, e não sua indecência comum. A segunda é se a violação das fronteiras normais de comportamento decente em busca de grandes matérias tem, de fato, um aspecto redentor de interesse público.

A resposta à primeira pergunta é fácil: sim! O caso dos grampos que desencadeou o escândalo aconteceu dentro de uma cultura de redação (e, possivelmente, uma cultura da empresa) na qual as invasões tecnologicamente incentivadas da privacidade das pessoas se tornaram tão comuns quanto o bloco de anotações de um repórter. E também – desculpem-me se pareço afetado – não é aceitável subornar policiais e autoridades públicas para servirem como colaboradores informais. É igualmente repelente o ecossistema de tipo mafioso que apóia o estilo de jornalismo do News of the World, no qual mesmo os políticos de primeiro escalão acham que passarão por graves consequências pessoais se não alimentarem o monstro esfomeado.

O encanto dos jornalistas de The Front Page – vale a pena lembrar – tinha a ver com a sua atividade, com todo o seu cinismo ríspido como uma força do bem para a sociedade – revelando o suborno, e não envolvendo-se com ele, e ajudando a absolver os falsamente acusados, e não manchando os inocentes.
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Mas aí as coisas ficam mais complicadas. Repórteres têm uma necessidade poderosa, tão irrefreável como o instinto de sobrevivência, de tornar público coisas que não o são. Quase todas as entrevistas contêm pelo menos algumas perguntas intrometidas. Toda a entrevista num escritório inclui um olhar furtivo aos papéis deixados em cima da mesa. O intercâmbio do anonimato em troca de uma informação não-pública é uma transação essencial: não é suborno financeiro, mas, definitivamente, é uma troca de itens de valor, principalmente quando o vazamento significa uma vantagem tática para quem vazou.
Quando os jornalistas não pressionam persistentemente pela revelação, são condenados a ficar à mercê dos poderosos, mas o processo de pressionar, em sua realidade cotidiana, é semelhante a qualquer outro existente no mercado – e não tão exaltado quanto o fazem parecer os discursos de depois do jantar.

Como a informação é obtida...

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Tirando sangue das pedras


Julian Assange: heroi?
É difícil argumentar que a imprensa (que, na era da internet, é uma entidade cada vez mais difícil de definir) tem um trunfo perpétuo quando se trata de decidir o que merece ser tornado público. É óbvio que o escândalo das escutas clandestinas demonstra o absurdo desse absolutismo. O pluralismo da informação é visto mais como análogo ao pluralismo político: assim como é saudável políticos exaltados brigarem de maneira feia no Congresso, é bom para a sociedade ter a imprensa e outras entidades, em especial governamentais, lutando por quanto deve ser tornado público.

O caso da imprensa em relação a si própria é sempre mais forte quando aplicado a questões de importância pública. O WikiLeaks (que o colunista Bret Stephens, do Wall Street Journal, teve dificuldade em distinguir do escândalo das escutas clandestinas), produziu informações importantes sobre o funcionamento de nossas instituições políticas, diplomáticas e militares – de maneiras que podem levar a uma democracia mais rica. As mensagens do correio de voz de Milly Dowler não produziram.

Portanto, a questão do assunto é fundamental ao se tratar do comportamento sobre fronteiras e violação por parte da imprensa. O escândalo das escutas clandestinas, como o próprio nome sugere, é essencialmente sobre como a informação é obtida e só depois, de forma secundária, sobre a natureza dessa informação. Será que nunca é aceitável interceptar chamadas telefônicas pessoais, mesmo em casos de nítida importância pública?

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Privacidade não deveria ser indefensável

Aqui, nos Estados Unidos – pelo menos a parte mais estabelecida dela – tem um padrão que funciona como um guia cotidiano para o comportamento, mesmo quando parece desafiar a lógica. Uma pilha de técnicas de coleta de informação – o que inclui arrombar e entrar, roubar e grampos clandestinos – é imperdoável e jamais pode ser diretamente realizada por organizações jornalísticas; mas se outras pessoas derem a essas organizações jornalísticas o fruto desse trabalho, então está tudo bem em publicá-las.


Bradley Manning é um traidor, mas Nick Davies, do Guardian (que recebeu os “diários de guerra” de Manning e do WikiLeaks), é um patriota; e Julian Assange fica numa nebulosa zona intermediária. Promotores que se utilizam de mandados de busca antes de qualificarem qualquer acusação são sórdidos. Os jornalistas que publicam transcrições das mensagens de Eliot Spitzer a um serviço de prostituição são modelos de profissionalismo. Presume-se que a santificação ritual ocorre no momento em que informações obtidas de maneira questionável passam para as mãos de um repórter. 


Isso não representa qualquer esforço. O caso das escutas clandestinas deveria inspirar mais do que o regozijo de ver Rupert Murdoch e sua escolta de assessores e parentes numa situação complicada; as questões que levanta não se limitam aos jornalistas de tabloides. O caso deveria tornar a despertar a consciência de todo mundo de que a privacidade pessoal não deveria ser indefensável contra as intromissões de instituições poderosas.
Os jornalistas estão numa posição indispensavelmente boa para expor abusos de poder, mas uma credencial de imprensa não é um passe para viagens moralmente ilimitadas. Se o escândalo levou os jornalistas a refletirem sobre seu próprio poder, e sua capacidade de abusar desse poder, isso seria algo de bom.

(*) Nicholas Lemann é professor de Jornalismo e decano da Universidade de Columbia, Nova York, EUA

A Primeira Página, de Billy Wilder








NUMERO DE VEREADORES NO PARÁ DEVERÁ CRESCER 40,8%

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A população do Pará poderá eleger em 2012 pelo menos 127 vereadores a mais do que nas eleições de 2008, quando foram escolhidos 1.368. E a diferença pode ser ainda maior se mais municípios aderirem à Emenda Constitucional 58/2008, que permite às câmaras municipais ampliarem o número de vagas com base na população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O prazo para estas alterações termina no dia 30 de junho de 2012, data-limite para realização das convenções partidárias do próximo pleito.
A Emenda Constitucional 58/2008 prevê aumentos que variam de nove até 55 vereadores em cidades com população entre 15 mil a 8 milhões de habitantes. Porém, para efetivar esta alteração, é preciso que a mudança seja feita por meio de uma revisão da Lei Orgânica de cada município, utilizando como parâmetro o número de habitantes. Em todo Brasil, 2.153 municípios podem alterar sua legislação porque ainda não alcançaram o limite máximo estipulado por lei.
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) fez um levantamento desta situação em 1.857 cidades brasileiras e os números são impressionantes: pelo menos metade das Câmaras Municipais já aumentou o número de vagas. E dos 49,9% dos municípios que ainda não fizeram a alteração, 61,6% pretendem fazê-lo para 2012. A Câmara Municipal de Belém que possui 35 vereadores informou à pesquisa que ainda não alterou seus quadros, mas tem interesse em criar mais duas vagas, alcançando assim o limite máximo estipulado por lei.
população do Pará poderá eleger em 2012 pelo menos 127 vereadores a mais do que nas eleições de 2008, quando foram escolhidos 1.368. E a diferença pode ser ainda maior se mais municípios aderirem à Emenda Constitucional 58/2008, que permite às câmaras municipais ampliarem o número de vagas com base na população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O prazo para estas alterações termina no dia 30 de junho de 2012, data-limite para realização das convenções partidárias do próximo pleito.
O Liberal

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Morre Steve Jobs, fundador da Apple e um dos homens que mudou o mundo

Steve Jobs (Foto: Moshe Brakha/AP)

Criador da Apple impôs visão de simplicidade no mercado da tecnologia.

Da experiência com drogas às brigas, conheça a trajetória do empresário.Steve Jobs, fundador da Apple, morre aos 56 anos nos Estados Unidos (Foto: Moshe Brakha/AP)

Morreu nesta quarta-feira (5) aos 56 anos o empresário Steven Paul Jobs, criador da Apple, do estúdio de animação Pixar e pai de produtos como o Macintosh, o iPad, o iPhone e o iPad.
Idolatrado pelos consumidores de seus produtos e por boa parte dos funcionários da empresa que fundou em uma garagem no Vale do Silício, na Califórnia, e ajudou a transformar na maior companhia de capital aberto do mundo em valor de mercado, Jobs foi um dos maiores defensores da popularização da tecnologia. Acreditava que computadores e gadgets deveriam ser fáceis o suficiente para ser operados por qualquer pessoa, como gostava de repetir em um de seus bordões prediletos era "simplesmente funciona" (em inglês, "it just works"), impacto que foi além de sua companhia e ajudou a puxar a evolução de produtos como o Windows, da Microsoft.
A luta de Jobs contra o câncer desde 2004 o deixou fisicamente debilitado nos anos de maior sucesso comercial da Apple, que escapou da falência no final da década de 90 para se transformar na maior empresa de tecnologia do planeta. Desde então, passou por um transplante de fígado e viu seu obituário publicado acidentalmente em veículos importantes como a Bloomberg.
Foi obrigado a lidar com a morte, que temia, como a maioria dos americanos de sua geração, desde os dias de outubro de 1962 que marcaram o ápice da crise dos mísseis cubanos. "Fiquei sem dormir por três ou quatro noites porque temia que se eu fosse dormir não iria acordar", contou, em 1995, ao museu de história oral do Instituto Smithsonian.
"Ninguém quer morrer", disse, posteriormente, em discurso a formandos da universidade de Stanford em junho de 2005, um feito curioso para um homem que jamais obteve um diploma universitário. "Mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. E, por outro lado, a morte é um destino do qual todos nós compartilhamos. Ninguém escapa. É a forma como deve ser, porque a morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente da vida. Limpa o velho para dar espaço ao novo."
Home da Apple (Foto: Reprodução)Na página da Apple, foto em homenagem ao
fundador (Foto: Reprodução)
Homem-zeitgeist
 
A melhor invenção da vida, nas palavras do zen-budista Jobs, deixa a indústria da tecnologia órfã de seu "homem-zeitgeist", ou seja, o empresário que talvez melhor tenha capturado a essência de seu tempo. Jobs apostou na música digital armazenada em memória flash quando o mercado ainda debatia se não seria mais interessante proteger os CDs para fugir da pirataria.
Ele acreditou que era preciso gastar poder computacional para criar ambientes gráficos de fácil utilização enquanto as gigantes do setor ainda ensinavam usuários a editar o arquivo "AUTOEXEC.BAT" para configurar suas máquinas. Ele viu a oportunidade de criar smartphones para pessoas comuns ao mesmo tempo em que o foco das principais fabricantes era repetir o sucesso corporativo do BlackBerry.
Steve Jobs anunciou que deixará cargo de presidente da Apple 
(Foto: Reuters) Sob o comando de Jobs, a Apple dizia depender muito pouco de pesquisas de mercado. “Não dá para sair perguntando às pessoas qual é a próxima grande coisa que elas querem. Henry Ford disse que, se tivesse questionado seus clientes sobre o que queriam, a resposta seria um cavalo mais rápido", afirmou, em entrevista à revista "Fortune" em 2008. Em 2010, quando perguntado sobre quanto a Apple havia gasto com pesquisa com consumidores havia sido feito para a criação do iPad, Jobs respondeu que "não faz parte do trabalho do consumidor descobrir o que ele quer. Não gastamos um dólar com isso."

Nem sempre esta habilidade garantiu o sucesso da Apple, como na primeira versão da Apple TV, computador adaptado para trabalhar com central multimídia que não conseguiu um volume de vendas relevantes. Mas Jobs conseguia minimizar os fracassos: no caso da Apple TV, ele dizia que se tratava de um "hobby", um projeto pessoal que não fazia tanta diferença nos planos da empresa.
Perfeccionista e workaholic, Jobs gostava de controlar todos os pontos da produção da Apple, resistindo, inclusive, à decisão de terceirizar gradativamente a fabricação dos produtos da companhia para fabricantes chineses - plano proposto e executado pelo agora novo comandante da companhia, Tim Cook, e que se mostrou acertado.
Conhecido como um “microgerente”, nenhum produto da Apple chegava aos consumidores se não passasse pelo padrões Jobs de qualidade e de excentricidade. Isso incluía, segundo relatos, o número de parafusos existentes na parte inferior de um notebook e a curvatura das quinas de um monitor. No dia do anúncio de que Jobs estava deixando o comando da Apple, Vic Gundotra, criador do Google Plus, contou que recebeu uma ligação do presidente da Apple no domingo para pedir que fosse corrigida a cor de uma das letras do ícone do atalho do Google no iPhone.
Steve Jobs durante apresentação de produto
da Apple nos EUA (Foto: Reuters)
Na busca por produtos que fossem de encontro com seu padrão de qualidade pessoal, Jobs era criticado em duas frentes. Concorrentes e boa parte dos consumidores que tentavam fugir da chamado "campo de distorção da realidade" criado pela Apple reclamavam das diversas decisões que faziam dos produtos da companhia um "jardim fechado", incompatíveis com o resto do mundo e restritos a normas que iam além de restrições tecnológicas. Tecnicamente sempre foi possível instalar qualquer programa no iPhone, mas a Apple exige que o consumidor só tenha acesso aos programas aprovados pela companhia.
Internamente, entre alguns de seus funcionários, deixou a imagem de "tirano". Alan Deutschman, autor do livro “The second coming of Steve Jobs", afirma que, ao lado do "Steve bom", o mago das apresentações tão aguardadas pelo didatismo e capacidade de aglutinar o interesse do consumidor, também existia o “Steve mau”, um sujeito que gostava de gritar, humilhar e diminuir qualquer pessoa que lhe causasse algum tipo de desprazer.
Ao jornal “The Guardian”, um ex-funcionário que trabalhou na Apple por 17 anos comparou a convivência com Steve com à sensação de estar constantemente na frente de um lança-chamas. À revista “Wired”, o engenheiro Edward Eigerman afirmou: “mais do que qualquer outro lugar onde já trabalhei, há uma grande preocupação sobre demissão entre os funcionários da Apple”. A mesma publicação contou que o diretor-executivo não via problemas em estacionar sua Mercedes na área da empresa reservada aos deficientes físicos -- às vezes, ele ocupava até dois desses espaços.
Jobs também sempre precisou de um "nêmesis", um inimigo que ele satanizava e ridicularizava em público como contraponto de suas ações na Apple. O primeiro alvo foi a IBM, com quem disputou o mercado de computadores pessoais principalmente no início dos anos 80. Depois, a Microsoft, criadora do MS-DOS e do Windows. Mais recentemente, Jobs vinha mirando o Google, gigante das buscas na internet cujo presidente chegou a fazer parte do conselho de administração da Apple, e que investiu no mercado de sistemas para smartphones com o Android. Jobs ordenou que a Apple lutasse, mesmo que judicialmente, contra o programa que ele considerava um plágio do iOS, coração do iPhone e do iPad.
Steve Jobs (Foto: Kimberly White/Reuters)Steve Jobs (à direita), ao lado do antigo sócio
Steve Wozniak (Foto: Kimberly White/Reuters)

Do LSD ao Mac
 
O sucesso empresarial de Jobs é ainda um dos principais resquícios da transformação da contracultura dos anos 60 e 70 em mainstream nas décadas seguintes. A companhia que hoje briga para ser a maior do mundo foi fundada após Jobs ir à Índia em 1973 em busca do guru Neem Karoli Baba. O Maharaji morreu antes da chegada de Jobs, mas o americano dizia que havia encontrado a iluminação no LSD.
"Minhas experiências com LSD foram uma das duas ou três coisas mais importantes que fiz em minha vida", disse, em entrevista ao "New York Times". Depois, afirmou que seu rival, Bill Gates, seria "uma pessoa (com visão) mais ampla se tomasse ácido uma vez". O LSD foi a mesma droga que fascinara o inventor do mouse e precursor do ambiente gráfico, Douglas Englebart, cerca de dez anos antes de Jobs.
Coincidentemente foram o mouse e o ambiente gráfico os inventos que chamaram a atenção de Jobs na fatídica visita ao laboratório da Xerox em Palo Alto, em 1979. É uma das histórias mais contadas e recontadas do Vale do Silício, e as versões variam entre acusações de espionagem industrial à simples troca pela Apple de patentes que a Xerox não teria interesse em desenvolver por ações da companhia, que abriria seu capital no ano seguinte.
Fato é que a equipe de Jobs voltou da visita encantada com a metáfora do "desktop" utilizada pelo Xerox Alto. A integração entre ícones representando cada uma das funções do computador, acessadas por meio de uma seta comandada por um mouse, foi a base do Apple Lisa e, posteriormente, do Macintosh.
Steve Jobs (Foto: Robert Galbraith/Reuters)Steve Jobs, em uma das últimas aparições à frente
da Apple (Foto: Robert Galbraith/Reuters)

Com o "Mac", enfim, Jobs conseguiu colocar em prática a visão de que havia desenvolvido em parceria com o amigo e sócio Steve Wozniak, responsável pela criação das soluções técnicas que fizeram dos primeiros computadores da Apple máquinas que mudaram o cenário da computação "de garagem" que vinha se desenvolvendo nos Estados Unidos nos anos 70. Agora, 8 anos após a fundação da empresa, Jobs e "Woz" apresentavam um computador que não era feito para "o restante de nós".
"Algumas pessoas acreditam que precisamos colocar um IBM PC sobre cada escrivaninha para melhorarmos a produtividade. Não vai funcionar. As palavras mágicas especiais que você precisa aprender são coisas como 'barra Q-Z'. O manual para o WordStar, processador de texto mais popular, tem 400 páginas. Para escrever um livro, você precisa ler um livro - e um que parece um mistério complexo para a maioria das pessoas", afirmou Jobs em entrevista publicada pela Playboy americana de fevereiro de 1985.
Na frase, Jobs demostra que queria enfrentar a IBM, gigante nascida no início do século e que, depois de dominar o mercado de servidores corporativos, queria tomar também o setor de computadores pessoais. Para ele, as máquinas da IBM eram feitas "por engenheiros e para engenheiros", e havia a necessidade de criar algo para o "restante", ou, como diria a famosa campanha "Pense diferente" da Apple de 1997, um computador para "os loucos, os desajustados, os rebeldes (..), as peças redondas encaixadas em buracos quadrados".
Saída da própria empresaMas o sucesso do Mac - que viria posteriormente a impulsionar a adoção de ambientes gráficos até mesmo entre os computadores da IBM (com o Windows, criado pela Microsoft) - não evitou que Jobs acabasse demitido de sua própria companhia. As disputas internas entre equipes que queriam investir no mercado corporativo e as que apostavam apenas no consumidor fizeram com que John Sculley, vindo da Pepsi à convite do próprio Jobs, convencesse o conselho de administração de que era hora da empresa se livrar de seu fundador.
Durante a década em que esteve fora, Jobs fez dois investimentos que acabaram, de maneiras diferentes, alavancando o mito em torno de seu "toque de midas". No primeiro, pagou US$ 10 milhões pela problemática divisão de computação gráfica da LucasFilm, empresa de George Lucas responsável por franquias do cinema como Star Wars e Indiana Jones. A nova empresa foi batizada de Pixar, e após emplacar sucessos como “Toy story”, “Vida de inseto”, “Monstros S.A.” e “Procurando Nemo”, acabou sendo adquirida pela Disney por US$ 7,4 bilhões em 2006. No processo, Jobs se transformou no maior acionista individual da companhia de Mickey Mouse.
O outro investimento foi a semente não apenas do retorno de Jobs à Apple, mas teve relação direta com o surgimento da World Wide Web, invenção que impulsionou o crescimento da internet no mundo. Com a NeXT, Jobs desenvolveu computadores poderosos indicados para o uso educacional e desenvolvimento de programas. Um terminal NeXT foi usado por Tim Berners-Lee como o primeiro servidor de web do mundo, em 1991. Em dezembro de 2006, a Apple adquiriu a NeXT, manobra que serviu para incorporar tecnologias ao grupo e trazer Jobs de volta para o comando da companhia.
Steve Jobs (Foto: Kimberly White/Reuters)Steve Jobs com seu sucessor no comando da
Apple, Tim Cook (Foto: Kimberly White/Reuters)

O retorno de Jobs marca o início de uma era de crescimento para a Apple incomum na história do capitalismo americano. A sequência de sucessos - alguns atrelados a mudanças no paradigma de mercados importantes - inclui o MacBook, o tocador digital iPod, a loja virtual iTunes, o iPhone e o iPad. A maioria destes produtos veio de ideias impostas pelo próprio Jobs. À revista “Fortune”, em 2008, Jobs falou sobre sua tão aclamada criatividade - "sempre aliada ao trabalho duro", como ele mesmo enfatizou. "Não dá para sair perguntando às pessoas qual é a próxima grande coisa que elas querem. Henry Ford disse que, se tivesse questionado seus clientes sobre o que queriam, a resposta seria um cavalo mais rápido."
Nesta segunda passagem, Jobs reforçou ainda o legado de um empresário ímpar, que impunha uma visão holística na criação, desenvolvimento e venda de seus produtos, Do primeiro parafuso ao plástico que embalaria a caixa de cada aparelho, passando por custo, publicidade, estratégia de vendas.
Sigilo na vida pessoal
A mesma discrição que Jobs impunha na vida profissional - os lançamentos da Apple sempre foram tratados como segredo, aumentando a gerar um movimento de especulação que acabava servindo como publicidade gratuita - foi adotada em sua vida pessoal. Por isso, a luta do executivo contra o câncer no pâncreas foi tratada com muito sigilo, dando margem a uma infinidade de boatos.
Em 2004, Jobs fez tratamento após descobrir um tipo raro da doença. Durante o ano de 2008, Jobs foi aparecendo cada vez mais magro e os boatos aumentaram, até que ele anunciou em janeiro de 2009 seu afastamento da diretoria da empresa para cuidar da saúde. No início de 2011, novo afastamento, até que, em agosto, Jobs deixou de vez o comando da Apple. "Eu sempre afirmei que se chegasse o dia em que eu não fosse mais capaz de cumprir minhas obrigações e expectativas como CEO da Apple, eu seria o primeiro a informá-los disso. Infelizmente, este dia chegou", afirmou, em comunicado.
Steve Jobs apresenta o iPhone 4, em junho de 2010 (Foto: 
Robert Galbraith/Reuters)Steve Jobs apresenta o iPhone 4, em junho de
2010 (Foto: Robert Galbraith/Reuters)

A vida reservada fez, por exemplo, que Jobs não tivesse contato direto com sua família biológica. Nascido em 24 de fevereiro de 1995 em San Francisco, filho dos então estudantes universitários Abdulfattah John Jandali, imigrante sírio e seguidor do islamismo, e Joanne Simpson, foi entregue à adoção quando sua mãe viajou de Wisconsin até a Califórnia para dar à luz.
Segundo o pai biológico, os sogros não aprovavam que sua filha se casasse com um imigrante muçulmano. Lá, ele foi adotado por Justin e Clara Jobs, que moravam em Mountain View. Seus pais biológicos depois se casaram e tiveram uma filha, a escritora Mona Simpson, que só descobriu a existência do irmão depois de adulta.
Do pai adotivo, herdou a paixão de montar e desmontar objetos. Assim como Paul, Steve não chegou a ser um especialista em eletrônicos, mas ao aprender os conceitos básicos conseguiu se aproximar das pessoas certas no lugar certo. Vivendo no Vale do Silício, conheceu Steve Wozniak, gênio criador do primeiro computador da Apple. Trabalhou na Atari até decidir criar, com Woz, sua própria empresa.
Em mais uma conexão com a contracultura, Jobs teria tido um relacionamento de curta duração com a cantora folk Joan Baez, ex-namorada do ícone da música Bob Dylan, talvez o maior ídolo do empresário.
Casado com Laurene Powell desde 1991, Jobs deixa quatro filhos: Reed Paul, Erin Sienna, e Eve, nascidos de seu relacionamento com Laurene, e Lisa Brennan-Jobs, de um relacionamento anterior com a pintora Chrisann Brennan.



Do G1, em São Paulo.

TOTAL SOLIDARIEDADE A FRANSSINETE FLOREZANO

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Toda solidariedade a Franssinete Florenzano

A jornalista Franssinete Florenzano, editora do blog Uruá-Tapera e do jornal de mesmo nome foi exonerada do Tribunal de Contas do Estado por motivos políticos.

Franssi é uma jornalista competente, uma profissional honrada e dedicada ao seu trabalho. Há muito tempo vem sendo perseguida pelos poderes sujos do estado do Pará. Em episódios sucessivos, tem tido seu trabalho de jornalista cerceado. Dentre outros, pelo ex-deputado federal Vic Pires Franco (DEM); pelo atual governador Simão Jatene (PSDB), durante a campanha de 2010; pelo vereador Raimundo castro, presidente da Câmara Municipal de Belém e, ainda, pelo vereador Gervásio Morgado (PP). Recentemente, começou a receber ameaças anônimas.

A demissão da jornalista é resultado da pressão do vereador Morgado sobre o TCE.

Gervásio Morgado, por sua vez, não é um vereador competente. É o autor da proposta de mudar o nome da Travessa Apinagés, o autor de inúmeros atos de perdão de dívidas para com a prefeitura e o mesmo que foi fotografado bebendo cerveja em plena Câmara Municipal.

Esse tipo de situação exige que as pessoas se posicionem. Defender a Franssi é defender a sociedade, pois o trabalho dela é exemplo do jornalismo que interessa à sociedade, ao bem público, ao interesse comum. Um exemplo do jornalismo que não pactua com os interesses pessoais e empresariais que tomam a comunicação e a política, traindo, nelas, sua função elementar.

Essa situação é um abuso de poder político e nos leva a perceber o quanto o estado do Pará tem-se tornado refém desses interesses e de seus poderes sujos.

Não temos jornais, rádios ou TVs, mas temos a internet - e justamente é isso que tem incomodado a gente como Gervásio Morgado. Façamos uso dela: de nossos blogs, do Twitter, das redes sociais, enfim, para ajudar a evidenciar a maneira como as elites paraenses, na sua covardia, ganância e arrogância - sim, e na sua ignorância, é claro - têm abusado de prerrogativas públicas e do poder econômico para cometer injustiças e arbitrariedades.
Hupunnemata

CUBA FAZ VIGILIA CONTRA TERRORISMO DE ESTADO

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Havana, 5 out (Prensa Latina) Centenas de cubanos, especialmente jovens e estudantes, farão hoje uma vigília até a meia-noite em homenagem às vítimas do terrorismo de Estado que sucessivos governos estadunidenses têm praticado contra o país caribenho.
O evento patriótico, no Monte de las Banderas da Tribuna Antiimperialista José Martí - ao lado do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana - realizar-se-á em espera do Dia das Vítimas do Terrorismo de Estado, amanhã quinta-feira.

Os participantes recordarão aos milhares de conterrâneos falecidos ou incapacitados como consequência de atos terroristas auspiciados pela Casa Branca desde o triunfo da Revolução, em janeiro de 1959.

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Também se exigirá a libertação imediata e sem condicionamientos dos cinco antiterroristas cubanos presos nos Estados Unidos há mais de 13 anos após serem condenados a penas de prisão que incluem a duas cadeias perpétuas.

Gerardo Hernández, Fernando González, René González, Antonio Guerrero e Ramón Labañino foram presos em setembro de 1998 quando monitoravam no sul da Flórida as ações de grupos violentos anticubanos.

De acordo com o relatório publicado nos jornais Granma e Juventude Rebelde, a rádio e a televisão transmitirão o início às 22:00 hora local (02:00 GMT) e seu encerramento à meia-noite.

A comemoração do Dia, tomada no ano passado por disposição governamental, coincide com a explosão em pleno vôo de um avião de Cubana de Aviação que ocasionou a morte de seus 73 passageiros sobre a costa de Barbados, em 6 de outubro de 1976.

Da autoria intelectual do fato ficaram responsabilizados os terroristas Luis Posada Carriles, atualmente livre nos Estados Unidos, e o falecido Orlando Bosch, quem viveu tranqüilamente em Miami desde 1989 até sua morte neste ano.



SOLIDÁRIOS
Fonte: PRENSA LATINA

Record responde à “banana” de Datena


Emissora responde "banana" que Datena mandou em seu programa

O apresentador José Luiz Datena atacou a Record em seu programa Brasil Urgente (Band), após nota publicada na coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (4).

A nota dizia que a emissora tentaria penhorar os bens do apresentador e que o pedido teria sido feito à Justiça na semana passada.

Datena respondeu com uma “banana” para a Record e disse que a nota do jornal era uma tentativa da emissora de intimidá-lo.

A Record emitiu nesta quarta-feira (5), um comunicado oficial em resposta às acusações do apresentador.

Leia o comunicado oficial na íntegra:

"A Rede Record vem a público repudiar os ataques que sofreu por parte do apresentador José Luiz Datena.

A emissora recorreu à justiça para garantir direitos previstos em contratos e documentos assinados pelo próprio apresentador de livre e espontânea vontade. Os acordos foram rompidos de forma unilateral pelo apresentador.

Antes mesmo de uma sentença sobre o assunto, Datena usa constantemente de concessão pública, um programa de televisão, para ofender a justiça e, este sim, tenta intimidar a nossa empresa que, democraticamente, espera a decisão da magistratura.

A Record reafirma a sua confiança na justiça e informa que, apesar da falta de serenidade das ofensas que vem sofrendo, pretende se manifestar apenas nas ações e processos que estão em andamento no Poder Judiciário."

Fonte;R7

A divisão do Pará e o Fundo de Participação dos Estados



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Cláudio Puty (*)

Alguns defensores da divisão do estado do Pará tentam convencer a opinião pública de que, se essa medida for aprovada, os três novos entes federativos (o Paráremanescente, Carajás e Tapajós) serão beneficiados com a ampliação dos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
A esses mercadores de ilusões poderíamos objetar com o aforismo que dá título a uma peça de Luigi Pirandello: “assim é, se lhe parece”. Mas acontece que tal suposição não tem nenhuma sustentação na realidade; o próprio ministro Carlos Ayres de Britto, no acórdão do Supremo Tribunal Federal sobre o plebiscito do Pará, lembrou que “o fundo destinado aos estados terá nova divisão. A parte de cada estado vai diminuir”.


O Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) está previsto na Constituição Federal (art. 159, inciso I, alínea “a”). Segundo esse dispositivo constitucional, o FPE é formado por 21,5% do produto da arrecadação da União dos impostos de renda (IR) e sobre produtos industrializados (IPI). Em 2009, isso representou um repasse de R$ 45,3 bilhões – equivalentes a 1,4% do PIB brasileiro (se descontados os 20% redirecionados para o Fundeb, o repasse líquido ficou em R$ 36,2 bilhões). O montante líquido equivale a 13% de toda a receita tributária nacional.

O FPE é um importante fator de redistribuição da renda nacional, porque promove a transferência de parcela significativa de recursos arrecadados em áreas mais desenvolvidas para áreas mais carentes do país: 85% dos recursos são destinados aos estados da região Norte e Nordeste e 15% aos estados das regiões Sul e Sudeste. Esse repasse representa cerca de um quarto da receita corrente dos estados do Nordeste e 30% dos estados do Norte.


O coeficiente de participação do Pará no FPE é 6,1120 – para comparação, o coeficiente do Amazonas é 2,7904; o da Bahia, 9,3962, o de São Paulo 1,000 e do Distrito Federal, 0,6902.

Esses coeficientes foram definidos na Lei Complementar nº 62, de 28 de dezembro de 1989, com claro caráter transitório. O § 1º do art. 2º estabelece que os coeficientes individuais de participação do FPE deveriam ser aplicados apenas nos exercícios fiscais de 1990 a 1992. Depois desse ano, a previsão era de que o censo do IBGE reorientaria a distribuição, mas isso nunca foi feito e a Lei Complementar continua em vigor com os mesmos coeficientes de rateio de 1989. O rateio do FPE foi ‘congelado’ em 27 cotas por uma medida confessadamente excepcional e o que era provisório virou permanente.

Em fevereiro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que essa tabela rígida de rateio do FPE é inconstitucional e que ela só poderá ser aplicada até o exercício de 2012. O STF entendeu que a LC 62/89 omitiu os critérios do rateio do FPE; eles foram arbitrados politicamente em torno em uma tabela que ignora a evolução sócio-econômica do país. Mas ao mesmo tempo, a corte reconheceu que a imediata suspensão dos rateios segundo essa tabela deixaria os estados sem poder receber os repasses; por isso, deu um prazo de quase três anos para que o Congresso Nacional elabore uma nova lei para regulamentar a matéria.


Apostar que a criação de três estados aumentará a capacidade de financiamento público de cada novo ente federativo mediante o FPE é uma temeridade. Deveríamos, em vez de comprar tais ilusões, aumentar nossa arrecadação direta, diminuindo a dependência de tais transferências. E isso será possível não com o desmembramento do Pará, mas com a diversificação da nossa base produtiva, a intensificação da verticalização do setor mineral e a aprovação de uma tributação sobre minerais primários.


(*) Deputado federal (PT-PA), presidente da Comissão de Finanças e Tributação

Publicado em O Liberal, 02/10/11.

Aziz Ab’Saber volta a defender criação do Código da Biodiversidade, em vez de um limitado Código Florestal




                                                  O Professor Ab'Sáber.Crédito: http://www.revistaau.com.br
Para ele, é necessário considerar o zoneamento físico e ecológico de todo o País, como a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos, o cerrado brasileiro, os planaltos de araucárias, as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, conhecidas como os pampas gaúchos, e o Pantanal mato-grossense.

Diante da diversidade do território brasileiro, o geógrafo Aziz Ab”Saber, de 87 anos, voltou a defender a criação de um Código da Biodiversidade, em vez de um limitado Código Florestal.
“O Código Florestal está errado no nome. Em vez de Código Florestal, precisamos é de um Código da Biodiversidade. Pois o Brasil tem caatinga, tem cerrado, tem mata atlântica e outros”, disse o geógrafo ao participar do lançamento oficial do abaixo-assinado, realizado ontem (3) no Teatro Oficina (SP), contra as obras do Rodoanel na Serra da Cantareira, situada ao norte da cidade de São Paulo, com 64,8 mil hectares de área.
Segundo Aziz, um dos principais erros das autoridades que lideram a revisão do Código Florestal, considerado favorável “a classes sociais privilegiadas”, é a chamada “estadualização dos fatos ecológicos de seu território específico”.
Conforme Aziz, no atual texto do Código Florestal as áreas de preservação da Amazônia (4,2 milhões de km²) foram reduzidas a 20%. Ou seja, o desmatamento legal da Amazônia pode chegar até 80% das propriedades rurais silvestres.
“Veja o absurdo disso, um americano, ou outra pessoa qualquer, que comprar um milhão de hectares da Amazônia pode cortar até 800 mil hectares. É preciso explicar isso para os jovens que estão começando, a estudantes dos ensinos secundário e fundamental, o que isso significa para o País. Como uma pessoa que tem 500 mil hectares de área da Amazônia pode cortar 80% disso?”, indaga Aziz, membro do conselho efetivo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e presidente de honra da entidade.
Aziz chama a atenção, também, para o fato de o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator do Código Florestal, ter colocado em suas propostas a permissão para aqueles que tiverem até 400 hectares de área “cortar tudo”. “Imagine cortar 200 hectares aqui, 100 ali, 300 acolá. O que vai ser no futuro em relação a esse tema. Eu fico desesperado com isso. A idiotice dos políticos… (é grande)”, mencionou, ao criticar mais uma vez o fato de parlamentares não terem consultado a área científica sobre o assunto.
Segundo as conclusões do professor, a biodiversidade animal certamente seria a primeira a ser “afetada” radicalmente com a prática de tal iniciativa.
O professor também criticou a execução das obras do Rodoanel de São Paulo, em andamento. “A construção dessa obra será uma catástrofe para a Serra da Cantareira, será a obra mais canibalesca que pode ocorrer com essa serra”, alertou.
Segundo Aziz, a execução dessas obras devem prejudicar a estrutura rochosa da região, provocando futuros deslizamentos de terras tal como ocorreu recentemente nas regiões serranas do Rio de Janeiro.
Ao concordar com Aziz, o biólogo Mauro Vitor, ex-diretor do Instituto Florestal de São Paulo, disse que a obra do Rodoanel é uma agressão à biosfera. “Essa obra não é saudável nem ao homem, nem à natureza”, alertou.
Reportagem de Viviane Monteiro , do Jornal da Ciência/SBPC, JC e-mail 4357, publicada pelo EcoDebate, 05/10/2011
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Ricardo Teixeira, o bufão

Ricardo Teixeira: com que direito ele se permite chantagear?
Ricardo Teixeira está aborrecido - ele e seus parceiros mais próximos - com a Globo.
Acha que a emissora não deveria ter divulgado reportagem com denúncias contre ele.
Teixeira é um bufão.
Além de bufão, é arrogante.
Arrogante, arroga-se o direito de ensaiar, desde já, uma espécie de chantagem.
Arrogante, arroga-se o direito e o poder de mandar e desmandar no futebol brasileiro.
Arrogante, avança no sentido de mandar em jornalismos que ousam - por três minutos que sejam - mostrar quem ele verdadeiramente é.
Teixeira virá a Belém para o jogo contra a Argentina no dia 28?
Ninguém sabe.
Mas se vier, os paraenses poderiam fazer como já o fizeram e vêm fazendo torcedores de outros Estados: externar a mais veemente repulsa a Ricardo Teixeira.
Ele precisa saber que, muito embora se arrogue poderes que não tem, é preciso que alguém lhe diga claramente quem ele é.
A Globo já fez isso.
Tomara que continue a fazê-lo cada vez mais.



Espaço Aberto

Europeus consideram Brasil uma potência. Já a mídia brasileira...



O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, disse na terça-feira, dia 4, que o Brasil é considerado uma potência pelos europeus. Segundo ele, é fundamental a cooperação do Brasil no combate aos impactos da crise econômica internacional. Para Durão Barroso, apenas um “esforço conjunto” será capaz de impedir o agravamento da crise que ele chamou de “global”.

“Na Europa, vemos o Brasil como potência. Nós vimos o Brasil atuante como algo que pode reforçar, que pode ajudar no esforço global desses problemas [causados pela crise econômica internacional]”, disse Durão Barroso, na 5ª Cúpula Brasil-União Europeia, nas presenças da presidenta Dilma Rousseff e de vários ministros brasileiros.

Em seguida, Durão Barroso acrescentou que acredita “em um plano de esforço conjunto”. De acordo com ele, será intensificado o “diálogo político” com o Brasil. O presidente da Comissão Europeia disse ainda que há intenção de ampliar as parcerias entre europeus e o Mercosul (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina).

Para o presidente da comissão, isso será um “ganho para ambas as regiões”. Segundo ele, o Mercosul investe mais nos 27 países da União Europeia do que a Rússia, China e Índia juntos. De forma semelhante, reagiu o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que destacou o papel desenvolvido pelo Brasil no cenário político e econômico internacional.

“Há planos ambiciosos. Minha expectativa é complementar as relações econômicas e comerciais”, disse Rompuya. “O Brasil é um importante, valioso e estratégico parceiro”, acrescentou ele, lembrando que as políticas adotadas no Brasil são “expressivas”.

Miguel Nicolelis fala sobre estudo publicado na Nature


Ilustraçao de Katie Zhuang
Estadão
O estudo publicado hoje na Nature demonstra com macacos que é possível recriar a sensação de textura através de microestimulação no córtex cerebral. Pode explicar como isso funcionaria em seres humanos?

A ideia é criar um sexto sentido. Ele vai possibilitar que o paciente recobre a sensação táctil ao usar uma veste robótica, podendo identificar o tipo de terreno que está pisando ou a textura de um objeto que segura com uma mão biônica. Nós treinamos o cérebro de dois macacos a aprender um novo código, para reconhecer texturas.

Como a nova descoberta será integrada à veste robótica que pode possibilitar que quadriplégicos voltem a andar?

A veste terá sensores de pressão que criarão um padrão, e esse padrão será traduzido em um estímulo elétrico proporcional a textura dos terrenos ou objetos. Tudo isso é entregue ao cérebro, que funciona como um reconhecedor de padrões e associa a nova sensação. Partindo da mesma lógica, outras pesquisas podem levar identificação da temperatura, por exemplo, tornando as próteses biônicas mais sensíveis.

O nosso experimento provou pela primeira vez que é possível criar uma interface cérebro-máquina-cérebro, possibilitando que criemos um exoesqueleto robótico para que pacientes paralisados possam receber feedbacks do mundo exterior e com isso recobrarem a sensação táctil através de sensores. Já havíamos feito uma previsão teórica de que isso era possível, mas ainda não havíamos feito uma demonstração que provasse, e isso muda com o estudo publicado na Nature. Vencemos um grande desafio tecnológico: os estímulos são enviados ao cérebro ao mesmo tempo em que registramos a atividade elétrica do córtex. Ao mesmo tempo que os sinais elétricos do cérebro podem ser usados para controlar o avatar do corpo, o órgão pode receber um feedback do que esse avatar encontra no espaço virtual.

Na pesquisa, os macacos controlaram com os sinais elétricos dos seus cérebros um cursor em um tela, que movimentaram e usaram para indicar padrões de textura. Houve algum estranhamento dos animais na interação direta com o computador?

Pelo contrário. Agora nós temos a evidência de que os animais assumem esses corpos virtuais como se fosse o corpo deles. Em poucos minutos eles já sentem que estão habitando esse novo corpo. Eles conseguiram identificar os padrões muito rapidamente, por isso acreditamos que seres humanos devem ter uma resposta ainda mais rápida. O cérebro gera um modelo que incorpora todas as ferramentas que ele usa e molda o corpo que é reconhecido como sendo próprio. Temos a confirmação disso com esse estudo, pois o animal passa a usar o corpo virtual realmente como se fosse o deles.

O que tudo isso muda no projeto Walk Again e no plano de fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014?

Estou propondo ao governo e tenho sinalização de eles querem participar de um projeto de seis anos para demonstrar o projeto Walk Again para o mundo, envolvendo a Copa do Mundo e as Olimpíadas a ser realizadas aqui no Brasil. Queremos fazer demonstrações gradualmente mais complexas do exoesqueleto robótico desenvolvido no Walk Again e que fará um tetraplégico voltar a andar.

Quais os próximos passos para a concretização do projeto?

O governo federal deve anunciar nos próximos dias um apoio para trazermos o projeto para Natal, para Campus do Cérebro. Lá nós já temos um avatar realístico do corpo completo de um macaco, agora teremos que criar um modelo igual para o ser humano. Com ele poderemos e treinar os pacientes quadriplégicos a interagir com um avatar do corpo. Será como o 'Flight Simulator' (jogo de simulação e treino para pilotos de avião) do avatar que será usado depois pela pessoa.

http://bcove.me/xtlx60t2


Blog do Saraiva

Protestos nos EUA Entram na 3ª Semana e se Espalham pelo País



 Desempregados e com fome: não era esse o futuro que esperavam.
Centenas de manifestantes que protestam contra a crise econômica e a proteção que o governo norte americano dá aos bancos que já provoca fome e deixam milhões de desempregados vagando pelas ruas de todas as cidades, continuam pela terceira semana em Wall Street, apesar de episódios de repressão da polícia de Nova York no final de semana, e do movimento ser ignorado pela mídia local e mundial, entre elas a “engajada” Rede Globo, capitaneada pela dupla William Bonner e Fátima Bernardes que no JN de ontem disse haver um movimento em Wall Street, mas “contra o sistema financeiro”.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMLUBnowsQzgerqc1EyGgzwQ8QOvlZpoY76lsZkLgpp-n_jcDD2oSyBNjqG-_EypU0pVpGz1FK1TcqOgsx7qMzKQN9k2qwLk7OsBmyXYE1twdmNUu0zcEx7HfMtnIQL79-YLMC9VREhDej/s1600/William+Bonner+e+Fatima+Bernardes+by+Marcus+Baby+006A.jpg
Ora, o que o Bonner e Bernardes estão fazendo é garantindo a "bolacha" da sua família, pois Kammel não perdoa!... Lembro de quando os norte americanos invadiram o Iraque. William Bonner colocou Marcos Uchoa no “front” – sem capacete, naquela época protegido pelas tropas invasoras – das quais passou a fazer parte – , enviando através da internet depoimentos entusiasmadíssimos sobre o número de iraquiano mortos.
http://veja.abril.com.br/260901/imagens/especial8.jpg
A mobilização "Ocuppy Wall Street" (Ocupe Wall Street), iniciada em 17 de setembro, ganhou ao longo dessas semanas o apoio de movimentos em diversas outras cidades dos Estados Unidos, como Boston, Chicago e Los Angeles, e até do Canadá, como Toronto.

Os manifestantes têm se alimentado do apoio de figuras famosas, como do ator Alec Baldwin, que circula pelos protestos. Baldwin criticou a repressão da polícia nova-iorquina e postou vídeos na internet que mostram policiais jogando gás de pimenta num grupo de mulheres manifestantes. "Isso é inquietante. Eu acho que a Polícia de Nova York está com um problema de imagem", disse Baldwin, de acordo com a Agência Estado, citando a Associated Press.

John Hildebrand, um jovem de 24 anos de Norman, Oklahoma, disse que chegou a Nova York no sábado, vindo de avião, e afirmou que é professor desempregado. "Minha revolta é com a influência corporativa sobre a política", ele disse.

"Eu gostaria de eliminar o financiamento corporativo das campanhas políticas". Ele disse que voltará para Oklahoma, onde pretende começar um protesto parecido. Um manifestante, William Stack, disse que enviou um e-mail à Prefeitura de Nova York pedindo que todas as acusações contra os detidos sejam retiradas.

"Não é um crime pedir que nosso dinheiro seja gasto para atender às necessidades do povo e não em empréstimos enormes para as grandes empresas", ele escreveu. "Os verdadeiros criminosos são os executivos de Wall Street, não as pessoas que marcham por empregos, saúde e uma suspensão na execução das hipotecas".

Deputado Bordalo contesta falta de recursos do Estado(PA) p/ Educação Pública

                                                    
A alegada falta de recursos para pagar o piso integral dos professores estaduais foi confrontada pelo líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Carlos Bordalo, com a informação de que o Pará tem R$ 222 milhões do Fundo Nacional para o Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb) sem utilização.
O deputado obteve a informação através do acompanhamento do balanço contábil do Executivo permitido aos membros da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO) da Alepa. Eles possuem uma senha que permite o acesso às contas.
Segundo Bordalo, o governo anterior deixou R$ 40 milhões do Fundeb não aplicados em 2010. Somando o saldo deste ano, se chega a R$ 222 milhões, valor muito superior aos R$ 4,5 milhões mensais necessários para completar o piso salarial dos professores. 
A cifra também o faz questionar a não execução do Plano de Cargos Carreiras e Remuneração (PCCR) dos servidores estaduais da Educação, cujo custo é estimado em R$ 18 milhões mensais.
'Como é que o governo diz que não tem dinheiro para pagar o piso e o PCCR. E esses R$ 222 milhões?', enfatiza Bordalo, que, a partir do acompanhamento contábil, identificou, ainda, reduções nos gastos estaduais com Educação.
De acordo com ele, o governo estadual gastava 24,30% do orçamento com Educação, em 2010. Este ano, o gasto é de 20,31%. Somente a verba do Fundeb tinha 100% de aplicação em pessoal, enquanto, hoje, esse percentual é de 71%.


Blog da Ana Júlia