O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Santos critica Uribe e diz que acordo com Farc é "sonho" dos colombianos


O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reiterou nesta segunda-feira (03/09) a sua disposição em concretizar um acordo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para acabar com os conflitos no país.

Presidente Santos

O presidente colombiano voltou a ser criticado neste domingo por seu antecessor, Álvaro Uribe, que é contra o diálogo com as Farc
Em seu programa de rádio “Em linha com o presidente”, Santos afirmou que “terminar com o conflito responsável por causar tanta dor” é um “sonho de todos os colombianos”.
“Todas as guerras sempre acabam com algum tipo de acordo, de diálogo. Por 
isso queremos por fim a este conflito através de um acordo ou diálogo, sem repetirmos os erros do passado”, afirmou o mandatário.
Durante o programa, Santos também criticou seu antecessor, Álvaro Uribe, de quem foi ministro da Defesa, ao dizer que ele estava errado ao buscar a paz por meio da guerra.
Comandante "Timochenko"

Desde que foi tornado público o diálogo com as Farc, Uribe tem feito duras críticas à estratégia do governo. Na semana passada, o ex-presidente disse que a política de segurança de Santos permite que a guerrilha volte a ser “provocadora e triunfante”.
Neste domingo (02/09), Uribe publicou um texto em seu Twitter, no qual diz que a nomeação de Santos como seu ministro da Defesa teve justamente o objetivo de colocá-lo como o seu sucessor. No entanto, ele volte a criticar o atual presidente. “O discurso da paz não pode ser a desculpa para o não cumprimento do dever de dar segurança aos cidadãos.”
Crítica ao Brasil
Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, as Farc criticaram o Brasil por ajudar a logística de libertação de reféns o grupo. Em ritmo de rap, a música questiona o governo de Dilma Rousseff por ter vendido à Colômbia as aeronaves utilizadas nas operações.
Em outras partes da declaração, que também reúne críticas à ingerência norte-americana no país, o principal líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, também conhecido como "Timochenko" ou "Timoleón Jiménez", diz que negociará com Santos “sem rancores ou arrogância”. O vídeo foi o primeito posicionamento da guerrilha após o anúncio do diálogo com o governo colombiano.

PAPO FURADO


Em artigo publicado no domingo no Estadão e O Globo, o ex-presidente tucano FHC fala grosso e se assanha no que pretende ser um “julgamento” dos dois mandatos de Lula à frente da Presidência da República, mas as pesquisas e as urnas continuam não lhe dando razão. 
Faz críticas totalmente sem sentido e sem autoridade. Fala do Pré-Sal, do Etanol, elogia o fim da CPMF (uma das causas dos problemas com a saúde no país), passa boa parte do artigo falando mau da Petrobras (e se esquece da Petrobrax, que por sinal ninguém mais esquece), fala que os governos Lula não promoveram reformas importantes (mas também se esquece que são os tucanos e seus aliados demos os principais responsáveis pelo fato de a reforma política não andar no Congresso) e ainda critica a política energética de Lula. 
Como nos outros tantos casos, esquece-se que foi no seu governo tucano que o país viveu a crise do apagão e as privatizações desastradas, que agora estamos saneando. 
Vocês têm dúvidas que, se fosse um tucano a governar o país, estaríamos em situação similar (ou pior) à da Europa?


Pesquisas apontam situação de empate técnico entre a candidata do PCdoB, Manuela D'Ávila, e o atual prefeito, José Fortunati (PDT). Datafolha aponta Fortunati com 36% e Manuela com 32%. Já o Ibope coloca Manuela na frente com 42%, contra 39% de Fortunati. Adão Villaverde, candidato do PT, que aparece em terceiro com índices que variam de 5 a 7%, recebeu o apoio neste final de semana da ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à presidência, Marina Silva.

Porto Alegre - A candidata do Partido Comunista do Brasil (PC do B), Manuela D’Ávila, aparece em primeiro lugar na pesquisa Ibope para a prefeitura de Porto Alegre, contratada pelo Grupo RBS e divulgada sábado (1º). A deputada federal tem 37% das intenções de voto, enquanto o atual prefeito José Fortunati, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), aparece em segundo, com 35%, o que configura uma situação de empate técnico, com ligeira vantagem para Manuela.

O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado estadual Adão Villaverde, aparece em terceiro lugar, com 5% de intenções de voto e, em quarto, vem Roberto Robaina, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com 1% na pesquisa estimulada. Na espontânea, Manuel tem 32%, Fortunati, 31%, e Villaverde, 4%.

A pesquisa do Ibope também fez uma simulação de segundo turno, mas considerou apenas a disputa entre as candidaturas de Manuela e Fortunati, gerando um protesto, inclusive, da parte da candidatura Villaverde. Nesta simulação, a deputada comunista venceria com 42%, contra 39% do atual prefeito de Porto Alegre.

Os números do Ibope são semelhantes aos do instituto Datafolha, divulgados na última quarta-feira e que também apontaram uma situação de empate técnico, só que, neste caso, com uma vantagem para a candidatura de José Fortunati, que tem 36% contra 32% para Manuela. Na simulação de segundo turno realizada pelo Datafolha, Fortunati e Manuela aparecem empatados com 43%. Ainda segundo o Datafolha, o candidato do PT aparece com 7% das intenções de voto.

Marina Silva apoia candidato do PT
A ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata pelo PV à presidência da República Marina Silva, anunciou neste final de semana seu apoio à candidatura de Adão Villaverde (PT) para a prefeitura de Porto Alegre. O anúncio foi feito após encontro entre os dois, sábado, no Rio de Janeiro. Segundo nota distribuída pela assessoria do candidato, o apoio de Marina deve-se às “propostas apresentadas pelo candidato que revelam o mais absoluto compromisso com a sustentabilidade”.

Entre essas propostas está o projeto Lixo é Luz, que é o de transformar os resíduos sólidos em energia elétrica através de biodigestores, implantados em um futuro Ecoparque, para gerar biogás. Cada usina de biogás poderia atender 30 mil residências, ou cerca de 120 mil a 150 mil pessoas. Outra é a criação de condições para a inclusão do uso da bicicleta como meio de transporte individual e a adoção de políticas que coloquem o aeromóvel, o catamarã e os ônibus como integrantes do sistema modal de mobilidade urbana na capital. 

"Existem aqueles que assinam com a mão e aqueles que assinam com o coração e com a vida. Eu sempre procuro apoiar esses últimos”, disse Marina ao declarar apoio ao candidato. No encontro, Villaverde presenteou Marina com uma edição do Atlas Ambiental de Porto Alegre, produzido por Rualdo Menegat, Maria Luiz Porto, Clovis Carlos Carraro e Luís Alberto Dávila Fernandes e que mostra a evolução geológica e a história natural da cidade.

VI Congresso da Juventude Comunista no R.J. - Bonde da Cultura: "Vamos derrubar o sistema"

Apresentação do Bonde da Cultura, da comunidade Jorge Turco, em Coelho Neto, no Rio de Janeiro, no VI Congresso da União da Juventude Comunista (UJC).


Como surgiu a ideia do Bonde da Cultura?
Surgiu a partir de um grupo de amigos, que inconformados juntaram poesia, música, discussão política, entre outras coisas e começaram juntos a lutar pela transformação da realidade local. 
Pode-se dizer que tudo começou em 2009, quando voluntariamente,  estes amigos iniciaram a militância comunitária no Morro do Jorge Turco (em Coelho Neto), onde alguns participantes do Bonde residem. Faziam trabalho cultural voluntário na biblioteca comunitária na sede de um clube chamado NOVO ORIENTE/CECINO (um antigo clube de futebol amador da década de 1960), que na época transformaram em uma espécie de Centro Cultural.
Quem compõe as letras das músicas?
Os próprios integrantes do Bonde da Cultura.
De onde vem a inspiração?
Do dia-a-dia vivido em uma sociedade capitalista. Num país onde os índices de desigualdade social afetam milhões pessoas que estão a nossa volta. Essa inspiração vem também da esperança de viver em um mundo mais justo, com a humanidade emancipada da dominação vigente. Um mundo onde o bem comum predomine. Faz-se questão de afirmar que há um caráter favelado, de resistência e que há uma veia comunista na inspiração do pessoal do Bonde, no discurso deles.
Onde e como se apresentam?
Se apresentam aonde for dado espaço, contanto que o discurso possa ser realizado na íntegra, sem restrições que limitem a expressão artística. Mas  uma vez negado o espaço nos ambientes formais de cultura, a proposta do Bonde é abri-los. A rua esta aí, é o palco da arte pública, e a arte do Bonde é pública! As universidades têm aberto as portas através de vários militantes e grupos estudantis. Mas já se apresentam em eventos políticos da esquerda, ações sociais, manifestações, aniversários, festas em favelas, morros e outros espaços que abrem as portas para o trabalho do Bonde. Enfim, onde tem luta o Bonde pode e deve estar. Mas também realizam e promovem eventos, desde 2009, que explicitam a proposta do Bonde em termos de cultura. É fomentação cultural!
Qual é o público que assiste ao Bonde?
Recentemente, o público de um vagão do Metrô Rio os assistiu, mas não tinham o convite da empresa.
No entanto, o público mais frequente tem sido universitários, militantes políticos e ativistas sociais e parte da galera do movimento Hip Hop. Mas tem-se uma boa inserção com o publico da comunidade deonde se originam os integrantes do Bonde. E atuam muito na internet através do Facebook também. Pretendem expandir os locais de sua apresentação/atuação, pois acham que a politização que levam através das músicas devem alcançar prioritariamente as massas, o povo. É uma obrigação alertá-lo e fazer com que a indignação acenda a chama revolucionária. A cultura, com suas diversas formas artísticas, é uma importantíssima arma da luta de classes.

‘Bush e Blair devem ser julgados por crimes de guerra’: palmas para Desmond Tutu



Tutu

Qualquer guerra é ruim. Porque você está lá para matar outras pessoas.
Não exatamente com estas palavras, Tolstoi em Guerra e Paz, seu épico sobre o embate entre as forças napoleônicas e russas no início dos anos 1800, faz uma defesa soberba do pacifismo.
Tenho falado sobre algumas crenças fundamentais do Diário, como a liberdade de expressão e o compromisso ambientalista com futuras gerações na questão de salvar o planeta da predação. Em breve, numa nova etapa que se aproxima na vida do Diário, juntarei todas as nossas convicções vitais.

Mas acrescento hoje o pacifismo à lista. Como sempre, essa crença aparecerá personificada em alguém que a simboliza. Neste caso, é o arcebispo sul-africano Desmond Tutu.
Tutu, esta semana, fez história, mais uma vez. Palavras suas ditas e escritas deram um chacoalhão moral no mundo, com repercussão imediata e internacional.
Primeiro, ele se recusou a participar de um seminário na África sobre liderança porque estaria ao lado de Tony Blair, primeiro-ministro britânico que se aliou imediatamente a George W Bush para declarar sob premissas mentirosas uma guerra sinistra em que tudo deu errado: a do Iraque.
Depois, num artigo hoje no jornal Observer, Tutu foi adiante: defendeu a idéia – justíssima – de que Bush e Blair respondam por seus crimes de guerra num tribunal internacional. Tutu notou a diferença de tratamento que líderes ocidentais e o “resto” recebem depois de fazerem guerras indefensáveis.
A Guerra do Iraque é exemplar, neste sentido. Bush e Blair a justificaram com base na informação – desmentida pelo tempo e pelas evidências – de que Saddam Hussein tinha armas de alto poder de destruição e estava pronto a empregá-las.
Não tinha. Jamais foram encontradas essas armas, por mais que as forças militares pró-Estados Unidos as procurassem para provar o que fora afirmado. Milhares de civis iraquianos – crianças, mulheres, velhos, homens inocentes – morreram em decorrência dessa mentira sanguinária. Ao contrário do que Bush e Blair afirmaram, imediatamente os iraquianos – não estamos sequer falando dos leais a Saddam — pegaram em armas contra os invasores. (Coube ao Wikileaks, no grande vídeo sobre o ataque a inocentes nas ruas de Bagdá, mostrar a realidade do Iraque que a mídia ocidental não via ou não queria ver.)
A reação do público britânico à proposta de Tutu tem sido entusiasmada. Um dos comentários de leitores mais recomendados pelos internautas no Guardian dizia o seguinte: “Estava tendo um dia de merda. Até ler Tutu.” Outro amplamente recomendado: “Os dois – Bush e Blair – deveriam ir ao tribunal acorrentados e levando chute na bunda.” Um outro internauta lembrou que, para obter da aprovação do Parlamento à Guerra do Iraque em 2003, Blair disse que as armas superdestrutivas, aspas, de Saddam alcançariam o solo britânico em 45 minutos.
Blair, que depois da Guerra do Iraque virou um conferencista milionário no circuito internacional de palestras, tentou se defender. Disse, por exemplo, que a mortalidade infantil diminuiu depois de Saddam Hussein. O que ele não disse é que a maior razão da alta taxa de mortalidade infantil no Iraque foi o boicote indiscriminado que Estados Unidos e Reino Unido lideraram contra o Iraque.
Parêntese: numa decisão estapafúrdia, o governo do Rio de Janeiro contratou os serviços de Blair para dar uma consultoria caríssima para os Jogos Olímpicos de 2016. Blair não teve participação nenhuma na organização. Apenas, em seu governo Londres foi escolhida. A mídia brasileira não questionou isso em nenhum momento, que me lembre. A britânica caiu matando. Fim do parêntese.
Desmond Tutu abriu os olhos de todos nós duas vezes nesta semana. Melhor: deu uma bofetada moral em todos nós. Só não vai enxergar a verdade incontestável de suas palavras quem não quiser.
Clap, clap, clap. Aplausos. De pé. Entusiasmados.
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domingo, 2 de setembro de 2012

ELEIÇÕES 2012 - BELEMENSES SE PREPARAM PARA ELEGER EDMÍLSON RODRIGUES NO PRIMEIRÍSSIMO TURNO

Depois de se distanciar durante todo o período eleitoral atual - eu disse todo! -  do segundo colocado na disputa pela prefeitura de Belém,o candidato esquerdista (Psol-PSTU-PCdoB) Edmílson Rodrigues, segundo apontam as pesquisas mais recendentes,incluindo esta do IBOPE,cheirando a leite, pode ser levado á vitoria por desejo da maioria dos cidadãos da capital paraense, ainda no primeiríssimo turno. Caso consiga fechar essa fatura, será uma vitória histórica, praticamente sem antecedentes no norte Brasil, onde o poderoso coronelato comanda o caixa alto e grosso das duas maquinas eleitorais tidas como invencíveis, ou seja: o governo do Estado e a prefeitura de Belém. Já existem rumores na rede, ainda não confirmados, dando conta que, a assessoria do lider esquerdista vem recebendo sinais enviados por lideranças de partidos que hoje são adversários, visando apoio no segundo turno, caso venha á ocorrer; tudo para garantir espaço na futura administração. Até onde o blog apurou, todas as propostas estão sendo categoricamente rejeitadas, nada esta na mesa. A população sabe que são as ratazanas da direitona paraense, que já começam a ficar desesperadas, e partem em busca de abrigo.É muita gente!.Também é consenso nos gabinetes dos adeversários a opinião que, passada a decisão  para o segundo turno, desfeita  o cerco midiático implacável do PIG local,somado ás desvantagens em nível de tempo de propaganda (basicamente só da para o psolista dizer: 'meu nome é Edmilson'), seja lá quem for o candidato - O jardísta Priante; o niilísta Zenaldo ou o reserva de tucano Jordy; ou o candidata 'água'  Ani.... o que?, há, tá, Anivaldo Vale - quando chegar a hora do 'mano á mano', no tatame do debate derradeiro, serão 'jantados' pelo competente e tranquilo professor arquiteto.   
 

Eduardo Bueres/militanciaviva



Fonte: Blog da Edilza Fontes

sábado, 1 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE BELÉM

 

A campanha eleitoral em Belém tem lances inacreditáveis. 
Anteontem à noite, durante jantar numa churrascaria de adesão ao candidato a prefeito Zenaldo Coutinho(PSDB), apoiado pelo governador Simão Jatene, a CTBel - diz que a mando do prefeito Duciomar Costa, que tenta turbinar a candidatura de Anivaldo Vale(PR) -, multou e guinchou todos os veículos que lotavam o canteiro da avenida. 
Foi um corre-corre e debandada geral.

QUANDO A VÍTIMA É CULPADA

O cidadão anônimo contra os tanques: que fim levou?
  Em junho de 1989, correu mundo a foto de um cidadão que se colocou à frente dos tanques do Exército chinês que rumavam à Praça da Paz Celestial em Pequim para reprimir as manifestações estudantis contra o regime comunista. 

Nunca se soube quem era o rebelde desconhecido, nem seu destino. Surgiram muitas teorias; alguns disseram que ele teria sido morto pela polícia, ao lado dos outros milhares de estudantes assassinados durante aquele episódio que ficaria conhecido como o “Massacre da Paz Celestial”. Outras versões dizem que o rebelde sem rosto teria sido executado dias após o incidente; ou fuzilado meses depois do protesto. Há quem diga ainda que ele está vivo, escondido no interior da China ou em Taiwan. A verdade não veio à tona até hoje, mas aquela imagem se tornou uma das mais icônicas do sangrento século XX.

Rachel contra o bulldozer: o motorista foi pior que o tanquista chinês   
Mas há outra imagem igualmente dramática e com final trágico que não teve a mesma divulgação na grande mídia. Trata-se da militante pacifista americana Rachel Corrie, que em 2003, aos 23 anos, foi para Israel protestar contra a demolição de casas de palestinos expulsos pelas chamadas Forças de Defesa de Israel – nome das Forças Armadas do país. Na Faixa de Gaza, ela se colocou na frente de um trator bulldozer que trabalhava na demolição das casas. Mas, ao contrário do tanquista chinês, o motorista do buldozer não parou; ele não apenas atropelou deliberadamente a militante, como deu marcha à ré para passar sobre seu corpo novamente.  

Rachel Corrie
No último dia 27, a Justiça israelense deu seu veredicto: ela decidiu que o militar que dirigia o bulldozer não teve culpa, nem comportamento negligente. O tribunal inclusive sugeriu que Rachel foi a culpada por sua morte. Essa situação mostra que, sob a liderança de Netanyahu e Lieberman, Israel jogou na lata do lixo o legado do humanismo judeu. A exceção ficou por conta do grupo Jewish Voice, formado por judeus democratas que se opõem à política de repressão israelense ao povo palestino. Eles iniciaram uma campanha para que os investidores americanos vendam ações da Caterpillar, a fabricante dos tratores usados pelo Exército israelense para demolição casas e edifícios palestinos. Não dará em nada, mas é um gesto digno de inconformismo. É o que resta.  


MENEGHEL: A ESTRATÉGIA PARA LIBERTAR UM ASSASSINO

Por Luis Nassif

O calvário do professor Geraldo Barbosa começou no dia 14 de abril passado, quando seu filho, Alexandre Drumond Barbosa, delegado da Polícia Federal, foi barbaramente executado pelo ruralista Alessandro Meneghel por motivo futil.
Desentenderam-se por causa de uma moça, em um bar de Cascavel.
Meneghel entrou em sua caminhonete, voltou com uma espingarda calibre 12 e fuzilou o jovem Alexandre Drummond Barbosa. O policial caiu no chão, sacou seu revólver para tentar se defender. Meneghel continua atirando, agora com uma pistola calibre 12. O policial rola no chão, na tentativa de escapar dos tiros. Em vão. É alvejado com 40 tiros por um assassino frio. Meneghel dá a ré no veículo, passa por uma rua paralela e, depois, pela cena do crime, para se certificar se o policial estava morto (assista o vídeo no pé do post).
Como Meneghel é influente na região, para evitar que houvesse manipulação no inquérito da Polícia Civil, a PF localizou um vídeo da cena de assassinato e disponibiliza na Internet.
Logo depois, veio a informação de que a família do assassino contratou o perito Ricardo Molina, o polêmico Molina que foi contratado pela Globo para provar que José Serra tinha sido atingido por um objeto de alta periculosidade, o Molina do caso PC Farias e tantos outros episódios nebulosos.
Aí o velho professor Geraldo Barbosa, aposentado do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais, especialista em ótica, iniciou seu penoso trabalho. Baixou o vídeo da Internet e começou a reconstituição, tentando melhorar a imagem. Assistiu centenas de vezes o filho sendo assassinado, cada detalhe, a agonia de tentar fugir dos tiros de um assassino covarde e cruel. Centenas de vezes chorou até não ter mais lágrimas para chorar. Pediu ajuda dos seus antigos orientados do Departamento. Com o único poder de que dispõem - o conhecimento técnico - efetuaram cálculos matemáticos para mostrar a exata posição do veículo, os ângulos do disparo.


Agora, o assassino está prestes a fazer valer sua influência de ruralista rico, político temido, cabo eleitoral cobiçado.
Primeiro, conseguiu sua transferência de uma prisão mais dura (PEC) para outra quase aberta (PIC). A transferência foi solicitada pelo diretor da PEC, Gilberto Pedro Rossin, em carta ao diretor da PIC, André Luiz Romera.
Este se diz "favorável ao presente pedido, desde que, o referido preso, apresentando problemas de comportamento na PIC seja de imedia (?) recambiado à PEC". Depois, envia uma carta ao juiz Paulo Damas (Juiz de Direito da Vara de Execuções Penais) solicitando a transferência e declarando a concordância dos dois diretores.
No mesmo documento entre os dois diretores, o Juiz Paulo Damas, em 23 de julho de 2012, acrescenta sua autorização numa única palavra: AUTORIZO. Nenhuma explicação acompanha sua autorização.
Rumores da cidade dão conta que a ida da PEC para PIC teria sido autorizada devido ao fato do assassino já ter sido condenado em outro processo a 5 anos e 19 dias em regime semi-aberto.
Depois disso, o assassino conseguiu ser transferido para uma clínica privada por 30 dias, para avaliação de saúde, apesar dos exames na prisão não indicarem qualquer necessidade. A transferência foi autorizada pelo mesmo juiz Paulo Damas.
Há rumores de que estaria sendo combinado com um médico uma "operação de coluna" que proporcionaria ao réu as condições legais para ficar em casa por um longo período de tempo. Ou para fugir.
Impotente, o professor Geraldo acompanha, lance por lance, a saga do coronelato no país.
Que a morte brutal de seu filho não tenha sido em vão.

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