O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sujeito que quer acarear Dilma com Youssef está condenado por desvio de dinheiro




Fernando Brito

O deputado André Moura ( que não é Moura, mas Luís Dantas Ferreira) que, por ordem de Eduardo Cunha, lançou a estranha e pirotécnica ideia de fazer uma “acareação” entre a Presidenta Dilma Rousseff e o bandido Alberto Youssef não foi devidamente apresentado ao país pela imprensa.
Por isso, transcrevo trechos do release (fresquinho, do dia 23 passado) publicado pelo Supremo Tribunal Federal:
“A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, na sessão de hoje (23), denúncias do Ministério Público em três inquéritos contra o deputado federal André Luís Dantas Ferreira, conhecido como André Moura (PSC-SE), envolvendo crimes conexos – apropriação, desvio ou utilização de bens públicos do Município de Pirambu (SE) 9…)
Segundo as denúncias, após deixar a Prefeitura, Moura teria continuado a usufruir de bens e serviços custeados pela administração municipal, como gêneros alimentícios, telefones celulares, veículos da frota municipal e servidores que atuavam como motoristas. Em um dos inquéritos (3204), foi recebida também a denúncia pelo suposto crime de formação de quadrilha. Por se tratar de condutas interligadas, o relator dos processos, ministro Gilmar Mendes, propôs que os processos fossem julgados em conjunto. A decisão de receber as denúncias foi unânime.(…)
(O deputado) teria indicado a maior parte dos secretários municipais e mantido carros e celulares da Prefeitura à sua disposição, além de fazer compras em mercados pagas pelo erário, indicar vários funcionários fantasmas, entre eles sua esposa (Lara Adriana, também denunciada) e receber repasses mensais da Prefeitura entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, conforme a acusação.(…)Nas eleições de 2006, Moura foi candidato a deputado estadual e, durante a campanha, segundo relato de Juarez dos Santos, as exigências ilícitas se agravaram, quando Moura teria encomendado repasse de R$ 1 milhão entre abril e setembro.
Moura caiu na Lei da Ficha Limpa, por já ter condenações de segunda instância e está no cargo porque obteve liminar do STF para concorrer.
Seria interessante fazer, isso sim, uma acareação entre o deputado e o prefeito que ele achacava, que o acusa até de ser o mandante de um atentado a tiros.
É um sujeito assim que quer dar (e dá, com a ajuda da mídia) lições de moral ao Brasil.

sábado, 18 de julho de 2015

A reação aos ataques da direita golpista

 
Por Jandira Feghali, no site Vermelho:

O PSDB chega ao poder na década de 90 e viabiliza um projeto de venda das principais estatais do Brasil jamais imaginado pelos corações patriotas. A Era FHC promoveu o maior ataque privatista ao patrimônio nacional. Puseram despudoradamente à venda gigantes como a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional e a Telebrás. Ao todo foram “incineradas” 125 empresas em todo país.

A Vale, por exemplo, foi vendida em 1997 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por míseros US$ 3,558 bilhões, a mesma quantia que atualmente costuma lucrar em apenas um único trimestre. Não foi uma venda, mas uma verdadeira entrega, quase uma “doação”.

Mesmo distantes da Presidência da República, após quatro fracassos seguidos nas urnas, tentam a qualquer custo avançar em seu projeto entreguista em prol de empresas internacionais. Parece piada que alguns partidos brasileiros hajam de acordo com os interesses imperialistas de outros países, principalmente os Estados Unidos. Um alinhamento fervoroso.

Ao menos cinco projetos de lei, todos de autoria da oposição na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, tramitam atualmente com o objetivo de reduzir a exploração da Petrobras nos campos do pré-sal. Se aprovados, reduziriam drasticamente o lucro da empresa brasileira e extinguiriam investimentos do Governo Federal em saúde, educação e aportes para o Fundo Social, regras já avalizadas pelo Parlamento. O impacto, segundo especialistas, seria de R$ 150 bilhões.

Além disso, a empresa deixaria de investir em conteúdo nacional, de forma que a construção de novas plataformas e outros projetos poderiam ser encomendados lá fora, gerando menos empregos e tecnologia aqui. Parece má-fé diante das dificuldades na economia: recentemente, mais de mil empregados de estaleiros no Rio de Janeiro foram demitidos.

É fato que a oposição se tornou uma máquina de ataque ao Brasil. Diante da prolongada ressaca das urnas e do desespero pelo poder, flertam com o golpismo de grupos que atentam contra os pilares mais básicos da democracia. Ou seja, além de tentar retomar a entrega de nossas riquezas, os tucanos, atentam contra o Estado Democrático de Direito ao fazer coro a grupos que pedem o retorno da Ditadura ou impeachment – bandeira sem sustentação técnico-jurídico. A intolerância, o preconceito, inclusive de gênero e o ódio têm sido a tônica.

Nossa voz tem sido de resistência na defesa da democracia, do mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff e a soberania do país. Este é um chamado público a todas as forças progressistas que reconhecem e valorizam o voto, a liberdade de expressão e a importância da manutenção do patrimônio brasileiro.

É o momento de nos unirmos contra todos os golpes e na defesa de nosso país. Na política e na vida, é preciso ter lado, com a coragem necessária para impedir que os derrotados nas urnas voltem ao poder sem a legitimidade do voto popular, mas no tapetão.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Danou-se!!! : Pessoa cita repasse de R$ 1 milhão a ministro do TCU

Resultado de imagem para the big bag of money
247 - Trecho da delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa, ao Ministério Público Federal prejudica ainda mais a credibilidade do Tribunal de Contas da União (TCU), que já teve o nome envolvido anteriormente, também pelo empreiteiro. Aos procuradores da Operação Lava Jato, Pessoa afirmou que repassou R$ 1 milhão para o advogado Thiago Cedraz, filho do presidente do TCU, Aroldo Cedraz. O destino do dinheiro, segundo Pessoa, era outro membro da corte, o ministro Raimundo Carrero.
Carrero era o relator do processo que apurava supostas irregularidades na licitação de uma das unidades da usina de Angra 3, no Rio, obra realizada pela UTC. Pessoa relatou em depoimento dado no dia 26 de maio ter sido procurado por Thiago Cedraz, e o advogado disse que estava precisando de dinheiro, "deixando antever que a importância solicitada, no valor de 1 milhão de reais, seria ao ministro Raimundo Carreiro, do Tribunal de Contas da União, relator do processo de Angra 3 no TCU", diz o MPF.
Após o pagamento, a licitação da usina de Angra 3 avançou e publicou-se o resultado da concorrência respectiva, da qual saíram vencedoras as empresas que compunham os consórcios Angra 3 e Una 3 – esse último integrado pela UTC, de Ricardo Pessoa. Na delação, cujo trecho sobre essa denúncia a TV Globo teve acesso, Ricardo Pessoa afirmou que, após o repasse de 1 milhão, não houve problema com o contrato de Angra 3 no TCU, ou seja, "tudo fluiu".
De acordo com o empreiteiro, "o valor de 1 milhão solicitado por Thiago Cedraz e que seria destinado, conforme acreditava, a Raimundo Carrero, foi retirado da sede da UTC por Luciano Araujo", que é sócio de Thiago Cedraz. Os dois advogados estão entre os alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal nesta terça-feira 14 na Operação Politeia, que tem como base investigações da Lava Jato.
Em outro depoimento, Ricardo Pessoa já havia revelado o pagamento de R$ 50 mil por mês a Thiago Cedraz para obter, no TCU, informações de interesse da UTC. 
Carrero nega propina
A assessoria do TCU informou que a atuação no caso do ministro Raimundo Carrero foi regular e que ele agiu "com todo o rigor". "O ministro agiu com todo o rigor técnico que o caso exigia, tendo recomendado correções, exigido acompanhamento por parte da unidade técnica do tribunal e inclusão do empreendimento no rol de obras constantes do planejamento de fiscalização de obras do TCU. O Acórdão 3.238/2012-Plenário foi aprovado de forma unânime pelos Ministros presentes à sessão do Plenário do TCU, que foi acompanhada pelo Procurador-Geral do Ministério Público junto ao Tribunal", afirmou o TCU.

Delegado da PF relata pressão de colegas na Lava Jato





Jornal GGN - Um delegado da Polícia Federal, enviado a Curitiba para apurar vazamentos na Operação Lava Jato e uma escuta instalada na cela de Alberto Youssef sem autorização judicial, disse que sofreu pressões dos colegas no Paraná durante suas investigações. Em despacho interno, Mário Fanton afirma que presenciou uma "participação direta" de dois delegados "para quererem ter ciência e manipular as provas". Fanton sugeriu ao Ministério Público Federal a reanálise das provas, incluido a sindicância da escuta clandestina, e também que o MPF "conduza diretamente a presente investigação ou com grande proximidade a um novo delegado a se indicar, pois não acreditamos mais nas provas antes constituídas" 
Delegado da PF relata pressão de colegas em investigação no Paraná: Olicial investigava escuta colocada na cela de Alberto Youssef na sede do órgão em Curitiba. Agentes disseram à CPI que grampo foi instalado sem autorização judicial; PF não comenta caso

Um delegado da Polícia Federal que foi a Curitiba apurar vazamentos da Operação Lava Jato relatou ter sofrido pressão dos colegas do Paraná no trabalho e recomendou que a sindicância sobre a escuta na cela do doleiro Alberto Youssef fosse refeita.
O relato está em um despacho interno do delegado Mário Fanton de maio deste ano, no qual ele afirma ter presenciado "uma participação direta do DPF [delegado de Polícia Federal] Igor [Romário de Paula]" e de outra delegada "para quererem ter ciência e manipular as provas".
O caso da escuta na cela de Youssef voltou aos holofotes depois que dois policiais federais disseram à CPI da Petrobras, no último dia 2, que o equipamento foi instalado sem autorização judicial e captou conversas do doleiro.
As declarações contrariaram sindicância interna da PF do ano passado, que apontou que a escuta era inativa.
Depois disso, a CPI aprovou a convocação dos delegados da Lava Jato, incluindo Igor, para esclarecimentos. O caso é objeto de nova investigação interna da PF, conduzida por Brasília.
DESCONFIANÇA
Fanton foi a Curitiba depois que a sindicância interna havia terminado. Esse não era o foco inicial de sua missão, mas ele também apurou fatos relacionados à escuta.
Seu objetivo na superintendência era apurar boatos de que ocorriam vazamentos das investigações para a confecção de um dossiê com o objetivo de anular a Lava Jato.
Sua atuação provocou insatisfação e desconfiança dos delegados da operação.
Nesse período, Fanton obteve novo depoimento do agente Dalmey Werlang, um dos que falou à CPI, no qual ele mudou a versão sobre a escuta e apontou ilegalidade.
O delegado Fanton escreveu: "Sugiro que o MPF [Ministério Público Federal] reanalise as provas, inclusive a sindicância da escuta clandestina, se possível refazendo-a, e conduza diretamente a presente investigação ou com grande proximidade a um novo delegado a se indicar, pois não acreditamos mais nas provas antes constituídas".
Em outro trecho, Fanton conta que foi informado pelo delegado Igor de que a PF de São Paulo não havia prorrogado sua permanência em Curitiba e, quando entrou em contato com SP, responderam-lhe que sequer houve pedido de renovação da missão.
A Folha pediu para ouvir o delegado Igor por meio da PF em Curitiba. O órgão respondeu que não iria comentar o caso. A PF em Brasília também não comentou.

O sanatório geral da política




Luis Nassif

Tem-se um país pronto para alçar voo, com uma sociedade civil complexa, estrutura universitária, de pesquisas, grandes empresas, diversidade regional, mercado de capitais, múltiplas vocações econômicas.
Mas há um vácuo político e uma imprevisibilidade total sobre os desdobramentos da crise.

***
Vamos a uma análise dos principais personagens:
Fernando Henrique Cardoso - ainda é o principal mentor dos grupos de oposição. Mas seu único objetivo é a revanche com Lula. O resto – país, PSDB, aliados – que exploda.
Lula – entrou na chamada sinuca de bico. Tem que preservar Dilma e o PT, mas, ao mesmo tempo, teme afundar com ambos. Sua decantada intuição travou.
PT – desde a prisão dos principais líderes, uma militância sem comando. com os parlamentares votando sistematicamente contra bandeiras que levantou um dia. A única bandeira capaz de unir a todos é a perspectiva de um impeachment de Dilma.
PSDB –não existe mais como partido. Tem votado sistematicamente contra o rigor fiscal e contra um conjunto de leis que ele próprio patrocinou. Há um grupo com articulação com mídia e empresariado (FHC-Serra), um governador que tenta se articular, mas sem possuir familiaridade para os grandes arranjos políticos (Geraldo Alckmin) e um garotão sem noção (Aécio). Debaixo deles, um bando de tresloucados.
Aécio Neves –colocado na linha de frente por FHC para o chamado fogo de exaustão no governo Dilma desgastou-se sozinho. É figura descartável, assim que formar-se um consenso sobre os rumos da crise.
PMDB - os presidentes da Câmara e do Senado precisam acumular poder para escapar do risco de prisão. Ou sentam no trono ou vão para o calabouço. A única âncora de bom senso é o vice-presidente Michel Temer.
Grupos de mídia- a palavra de ordem é impeachment, e se colocam todos a produzir clima para tal. A ponte quebrou, exageramos, e toca a produzir artigos de bom senso relativo. Todos disciplinadamente andando em manada ao sabor da falta de rumo.
Presidência da República - poucas vezes na história se teve uma quadra tão medíocre e sem noção. Dilma só se valeu da palavra de presidente para defender a si própria das insinuações e dos abusos do inquérito. Não montou nenhuma estratégia consistente para poupar a economia dos reflexos da Lava Jato, nem se abriu para fora do seu gabinete, para preparar projetos minimamente articulados com a opinião pública.
Procurador Geral da República - hoje em dia, qualquer réu pode acertar contas com qualquer adversário. Basta tornar-se delator e mencionar o nome do desafeto em um interrogatório. Os bravos procuradores e delegados da Lava Jato se encarregarão de levar para a mídia. Foi necessário o Ministro Teori Zavascki chamar os procuradores à razão, para o PGR agir.
STF (Supremo Tribunal Federal) – só tem dois Ministros com coragem de investir contra as ondas: Marco Aurélio Mello, e sua tradição de remar contra a corrente; e Gilmar Mendes, e sua tradição de atuar de forma vergonhosamente partidária.
Grupos econômicos – o “road show” de Dilma nos EUA mostrou que ruim com ela, pior sem ela, péssimo com o impeachment. Mas, sem Dilma apresentar um projeto consistente, ficam ao sabor das manchetes.
Repito: quem disser que sabe o que sairá dessa miscelânea estará mentindo.

Varoufakis: é o novo Tratado de Versailles



Antes eram tanques. Agora os germânicos ela usam os bancos

O ex-ministro da Fazenda grego Yanis Varoufakis definiu o acordo em que o primeiro ministro Tsipras entregou a rapadura a Merkel como o desfecho de “a política da humilhação”, em entrevista que deu a uma rádio austríaca e reproduzida no Guardian.
“É um acordo impossível. Simplesmente não é viável”, ele disse sobre o acordo de Tsipras.
Os banqueiros quiseram – disse Varoufakis – se vingar da Grécia, – veja que o Krugman usou a mesma linguagem, “vingança”:
“A troika (FMI, Banco Central Europeu e a União Europeia, na verdade, instrumentos do poder da Alemanha – PHA) vai obrigar Tsipras a engolir cada uma das palavras de críticas à troika que ele pronunciou nos últimos cinco anos. Tsipras sabe que está desgraçado se fizer e desgraçado se não fizer,”disse Varoufakis à rádio austríaca.
“Esse acordo não tem nada a ver com Economia, nada ver com a ideia de botar a Grécia nos trilhos da recuperação econômica.”
Para se referir aos EU$ 50 bilhões de ativos que a Grecia se comprometeu a entregar aos bancos, ele disse:
“Esse é um novo Tratado de Versailles que ronda a Europa. Em 1967, o Golpe de Estado que destruiu a democracia grega veio sob a forma de tanques. Bem, dessa vez foram os bancos.”
Ao se referir a um tratado que ronda a Europa e não apenas a Grécia, Varoufakis ampliou o problema para Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e França, que podem ser os próximos na linha de tiro da Merkel.
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“Versailles” não é a fazendola do Aecím em Minas, “a minha Versailles”, que fica perto do aeroporto do Titio.
O Tratado de Versailles, depois da I Guerra, impôs pesadas reparações à derrotada, a Alemanha.
Os vencedores, a Inglaterra à frente, queriam obrigar a Alemanha a entregar o sangue e a alma.
Lord Keynes advertiu que aquilo ia dar errado, num antológico ensaio “As Consequências Econômicas da Guerra”.
E não deu outra.
Um cabo austríaco iniciou a carreira política com a denuncia de Versailles: eu não pago.
Adolf Hitler não pagou e bombardeou a Inglaterra.
Bem que Keynes tinha dito: era preciso reduzir a dívida da Alemanha.
Como agora, queria Tsipras: os bancos tinham que aceitar uma perda.
Merkel não quis.
Merkel domina a Europa.
Como sempre, só quem pode com ela é a Rússia.
Isso cheira mal.


Paulo Henrique Amorim

Gilmar, Cunha, Paulinho e Aloyzio: os 4 catões da República


Fundada no moralismo mais acendrado, a crise política atual permitiu a ampliação de poder 
de quatro homens probos, figuras símbolos de um período em que o país purga seus pecados e 
consagra os virtuosos.


Luis Nassif

O primeiro é Gilmar Mendes, Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Gilmar tem por hábito montar seminários do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público) contando com patrocínios de grandes grupos com causas no STF. Nunca se declarou impedido nem de solicitar os patrocínios nem de julgar as causas.
Mas não o julguem mal por isso. Só um homem extremamente probo - como ele - pode se dar ao luxo de arrostar o pecado sem pecar. É o Santo Antão do Supremo.
O segundo é Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Esse é um probo injustamente acusado pelo Ministério Público Federal, que confundiu propina com pagamento de dízimo.
O terceiro é Paulinho da Força. Foi injustamente acusado de receber propinas para impedir a continuação de uma greve no canteiro de obras do pagador. Não foi nada disso. Provavelmente trata-se de um prêmio em dinheiro concedido "ao pacificador do ano", pela inexcedível contribuição à paz social no país. É o nosso Ghandi redivivo.
No encontro dos três – Gilmar, Cunha e Paulinho – a Folha supôs que o tema principal fosse o impeachment de Dilma. Mas Gilmar esclareceu que “o tema central da conversa foi o Código de Processo Civil” (http://migre.me/qLquI).
Qual o interesse no Código Civil de dois acusados pela Lava Jato? Uma medalha da Madre Tereza para quem adivinhar. Muito provavelmente queriam saber das brechas processuais para estancar os inquéritos. Como, por exemplo, entrar com pedido de habeas corpus em dia de plantão de Gilmar Mendes no STF. Afinal, Gilmar é um conhecido “garantista”.
O quarto é o senador Aloyzio Nunes. Acusado de receber doações da UTC, foi categórico: "é uma acusação kafkiana, porque não tenho nenhuma influência na Petrobras". A UTC teve obras contratadas pelo governo de São Paulo no período em que Aloyzio foi vice-governador. Mas a troco de quê o repórter vai incomodar o senador com questão tão irrelevante (http://migre.me/qLqdg)? Aloyzio é a encarnação de Henry Fonda em "O Homem Errado", clássico de Hitchcock.
Cada cruzada moralista tem os catões que merecem. E não é papel dos jornais decepcionarem os leitores mais sonhadores. Pobre do país que não precisa de catões, dirão os muito crentes.

A verdadeira missão do Jornal Nacional



Hahaha
Provocou merecidas gargalhadas uma foto que circulou na internet. Nela, Bonner, num palco, aparece sob o que nos meio jornalísticos se chama de “missão” do Jornal Nacional.
Presume-se que Bonner estivesse falando a estagiários da Globo, ou algo do gênero.

 

O lado bom da imagem é que ela encheu de risos muitos brasileiros pelo completo ridículo de seu conteúdo.
Bem, ali está a palavra “isenção”.
O JN, segundo sua missão, se compromete a ser isento.
Em minha carreira, redigi muitas missões de revistas, e preciso fazer uma autocrítica. Foram provavelmente as piores coisas que escrevi.
A isenção do JN só aparece em sua missão.
Como seria escrita a missão do JN se o objetivo fosse retratar a realidade?
“Nossa missão é defender os interesses dos nossos patrões e de seus amigos e sócios.”
Pronto. Numa linha estaria tudo resolvido.
Nenhum jornalista do JN cometeria o pecado, por exemplo, de sugerir uma investigação que tivesse Aécio no centro.
Ou que falasse que sonegação é crime.
Ou mesmo que mostrasse o outro lado da discussão sobre a terceirização.
Declarações e princípios são realmente engraçados na mídia brasileira.
Entre no site da Veja e vá aos blogueiros. Ali, você vai encontrar as regras para fazer comentários.
Um deles me chama a atenção pela obtusidade profunda: você está proibido de escrever em caixa alta.
Quem inventou isso?
Mas o mais interessante é que a verdadeira regra que vigora não está escrita: você tem que concordar com o que os blogueiros escrevem, em qualquer circunstância.
Escreva polidamente como um diplomata, mas discorde da essência de um artigo: você não será publicado.
Tente, se quiser comprovar.
Algum tempo atrás, meu filho Pedro ficou incomodado com uma paulada gratuita que recebi de Reinaldo Azevedo por ter criticado Diogo Mainardi.
Inocente, garoto de bons propósitos, Pedro escreveu um email – educadíssimo — a Reinaldo Azevedo defendendo o pai.
Anos depois, Pedro está ainda esperando ser publicado.
Não é censura, naturalmente. Isto é para os outros. A direita quando censura não pratica censura. Lindo isso.
É assim que você vê centenas de comentários em RA com o milagre da unanimidade.
O dia a dia das empresas jornalísticas, nos últimos tempos, também é frequentemente tão cômico quanto as missões.
Ao assumir a presidência da Abril, o executivo Alexandre Caldini reuniu as principais lideranças da casa e disse: “Quem não acredita em revista pode deixar esta sala agora.”
Se a verdade imperasse, nem Caldini ficaria na sala.
Acabo de ler que a edição impressa europeia da Newsweek – outrora, durante décadas, a segunda maior revista do mundo, com circulação de mais de 3 milhões de exemplares – vai fechar.
Já é uma notícia banal na mídia: a morte de revistas. A rigor, já nem é notícia.
Passados alguns meses da posse de Caldini, provavelmente quase nenhum dos alegadamente crentes em revistas daquela reunião sobreviveu à dura realidade.
E eis a vida como ela é.
De volta ao tema inicial, a missão do JN, a turma da redação, como tolas não são tolas, sabem o que devem entender daquilo que lhes foi apresentado por Boner.
Não vou entrar na cabeça de Boner, mas imagino que ele também saiba qual a verdadeira missão do JN.
Se não sabe, é aquilo que um dia ele disse que os espectadores são: um Simpson.

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Molecagem explícita ! : antipatrióticos do PSDB vai ao STF para sabotar ajuste fiscal

Brasília 247 – O PSDB ingressou nesta quarta-feira com ação no Supremo Tribunal Federal pedindo que o tribunal declare inconstitucional a decisão da equipe econômica de parcelar em seis vezes o pagamento do abono salarial.

"A presidente Dilma já reduziu direitos trabalhistas e agora tenta atrasar o pagamento do abono para fazer caixa e tentar cobrir o rombo das contas públicas às custas daqueles que mais precisam. O PSDB não aceita este proceder e exige que os direitos dos trabalhadores sejam preservados", disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que ingressou com a ação.

A decisão da equipe econômica é um dos pilares do ajuste fiscal, uma vez que dos R$ 19,1 bilhões de gastos com o benefício previstos para este ano, R$ 9 bilhões ficariam para 2016. Medidas de ajuste, como essa, têm sido tomadas por vários governadores.

É o caso, por exemplo, do governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, que decidiu adiar os pagamentos das restituições referentes à Nota Fiscal Paulista. Com a mudança, os valores referentes a gastos feitos entre janeiro e junho, que seriam restituídos em outubro de 2015, estarão disponíveis apenas em abril de 2016. A restituição referente ao período de julho a dezembro, que seria paga em abril, foi adiada para outubro de 2016 – neste caso, no entanto, os tucanos não deram um pio.

Ontem, num ato falho, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que seu partido faz "oposição ao Brasil". Hoje, disse que o aumento do Judiciário é "impagável" mas defendeu o voto tucano a favor do reajuste como iniciativa para demonstrar que "não há governo" – sob Aécio, tucanos apostam no quanto pior, melhor.

SALÁRIO MÍNIMO: 75 ANOS COM MAIOR VALOR DE COMPRA



Brasil comemora nesta quarta-feira 8 o aniversário do salário mínimo, que chega aos 75 anos com o maior poder de compra das últimas três décadas; nos últimos 11 anos, durante os governos Lula e Dilma, a remuneração aumentou 76%; na avaliação da cientista política, historiadora e professora da Fundação Getúlio Vargas Dulce Pandolf, ele pode ser considerado fator fundamental para a redução da desigualdade no País; com valor fixado em R$ 788, o poder de compra é estimado em 2,22 cestas básicas; "É a maior média anual registrada desde 1979 e resume bem as conquistas de todos os trabalhadores brasileiros nos últimos 12 anos", avaliou o ministro do Trabalho, Manoel Dias; "Mesmo diante do quadro econômico atual, são boas notícias, que merecem ser mostradas nesta data", acrescentou.
Agência Brasil - Ao completar 75 anos de vigência no Brasil, o salário mínimo registra o maior poder de compra e pode ser considerado fator fundamental para a redução da desigualdade no país. A avaliação é da cientista política, historiadora e professora da Fundação Getúlio Vargas Dulce Pandolfi.
Ela lembrou que o salário mínimo foi criado pela Lei nº 185 de janeiro de 1936 e surgiu como um direito social em meio à chamada Era Vargas. A partir daí, começou a ser implementada uma legislação focada no trabalhador, que resultou na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada em 1943.
"Nos últimos anos, o país registrou grandes avanços. Na realidade, quando se fala que a desigualdade social diminuiu, a razão principal é ter um salário mínimo com poder de compra maior. O valor real dele aumentou muito. Claro que ainda temos uma quantia baixa, mas este é o período com seu maior poder de compra", avaliou.
Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos indicam que cerca de 46,7 milhões de brasileiros – entre empregados domésticos, trabalhadores rurais e beneficiários de programas sociais – têm como remuneração básica o salário mínimo.
O aumento real do mínimo, nos últimos 11 anos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, foi 76,5%. Com o valor fixado em R$ 788, a partir de 1º de janeiro deste ano, o poder de compra é estimado em 2,22 cestas básicas.
"É a maior média anual registrada desde 1979 e resume bem as conquistas de todos os trabalhadores brasileiros nos últimos 12 anos", avaliou o ministro Manoel Dias, por meio de nota. "Mesmo diante do quadro econômico atual, são boas notícias, que merecem ser mostradas nesta data", concluiu.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rosseto, avaliou o salário mínimo como um extraordinário ganho para garantir renda básica aos trabalhadores e aposentados. "É um reconhecimento do trabalho e a preservação, portanto, de uma qualidade de vida básica", disse.
Em um cenário de crise mundial, deflagrada em 2008, a política de valorização do salário mínimo no Brasil da última década obteve reconhecimento internacional. Segundo o último relatório da Organização Mundial do Trabalho (OIT), entre 2000 e 2011, o Brasil saltou de 14º para 4º lugar no ranking dos países que mais valorizaram o salário mínimo. Em 2000, a remuneração era de U$ 80,5 dólares. Já em 2011, o salário mínimo atingiu U$ 324,9, um aumento de mais de 300% em relação ao início da década.

BABAQUICE TEM LIMITE!: O DERROTADO EMBUSTEIRO SOFRE MAIS DELÍRIOS DURANTE ENTREVISTA




Que nome tem a doença do golpe? Golpite?.Pois o derrotado Aécio está com golpite aguda. Tão forte que está tendo delírios.
Em entrevista para rádios e teve alguns delírios e não falou coisa com coisa.
Primeiro falou que "golpista era o PT". Ninguém entendeu como o PT poderia ser golpista se ganhou a eleição nas urnas e quer apenas respeito ao resultado, enquanto o PSDB do Aécio é que quer virar a 
mesa.
Em outro delírio disse que "foi reeleito presidente da República" na convenção tucana. Na verdade ele foi reeleito presidente do PSDB, o partido dele. O delírio deve ser a obsessão dele em querer tomar a faixa de presidente, sem vencer nas urnas.
Em outra declaração confusa ele disse "nós somos o principal partido de oposição AO Brasil". 
Bem... aí talvez não seja exatamente delírio... e sim um ato falho de sinceridade, pois o tucano em diversas oportunidades aposta no "quanto pior, melhor".

terça-feira, 7 de julho de 2015

O RATO CARDOZO: O CREPÚSCULO DE UM ZÉ RUELA




Por: Fernando Brito

A Folha anuncia que o Ministro da Justiça pretende deixar o cargo.
Diz que é pelas “pressões do PT”.
Conversa.
Cardozo é petista há tempo suficiente e acumulou responsabilidades dirigentes no partido para 
conhecer bem o partido e ter, dentro dele, apoio suficiente se sua atuação como ministro existisse.
E não existe.

Sua gestão, para o bem e para o mal, marcou a completa ausência do poder público do debate 
jurídico e da coordenação política do aparelho policial e das relações com o Judiciário e o Ministério 
Público.
Cardozo sempre disfarçou sua abulia sob o manto da “liberdade de atuação institucional” da Polícia 
Federal e da total falta de articulação com quem quer que seja.
Foi um ministro capaz de fazer com que o Ministério da Justiça, que já foi o mais importante 
instrumento político dos governos da República, parecer uma repartição inútil.
Aconselhou, participou e foi responsável pelo momento de maior abulia de uma administração 
atacada, sitiada, solapada e agredida por todos os lados e de todas as formas, sobretudo a do desvio 
inaceitável dos ritos policiais e judiciais.
Sob sua gestão, sem nenhum tipo de reação, a Polícia Federal transformou-se, por vários de seus 
integrantes e dirigentes, um núcleo de conspiração, sem nenhuma providência. Ao ponto de 
autoridades policiais nem mesmo se pejarem de formar grupos no Facebook, chamando de “anta” a 
Presidenta da República ou brincar de dar tiros ao alvo em seus retratos.
Até na área da legislação penal, a aprovação – parcial ainda, felizmente, do maior retrocesso em 
matéria de civilização já visto neste país é uma espécie de corolário às avessas de sua passagem pelo 
Ministério da Justiça.
Isso não é democracia nem isenção. É zona. Ou se preferirem algo mais gentil, deixar à matroca.
Não se alegue que a abulia provém de Dilma. Pode ser, mas um auxiliar capaz e digno deste nome a 
estimularia a reagir e não se prestaria a ser o agente do “fazer nada”, enquanto a baderna 
institucional se espalha em sua área.
E não é por isso que, agora, manda vazar que “está de saco cheio” e pretende sair.
Tudo, no Ministro Cardozo, é falso e vaidoso.
Tanto que a mesma matéria da Folha, onde se aventa sua renúncia ao cargo, registra:
” Eles acreditam que o ministro busca, na verdade, um afago de Dilma para permanecer no governo 
fortalecido, em meio ao tiroteio petista contra sua permanência.”
É duríssima a disputa entre ele e o ministro Aloízio Mercadante pelo posto de figura mais canhestra e 
narcísica desta administração.
A saída de José Eduardo Cardozo, parafraseando o clichê, preenche uma lacuna na atuação do 
governo ou, no máximo, implicaria na substituição do do nada por coisa alguma.
Politicamente, porém, representaria um golpe – mais um – na cambaleante autoridade da Presidenta, 
que já percebeu que, como seus auxiliares não a defendem, tem de defender sua própria honra, o que 
lhe traz desgastes e polêmicas sobre os limites de suas declarações, como a feita em Nova York 
sobre a natureza dos delatores.
Até mesmo figuras lamentáveis como Eduardo Cunha e Renan Calheiros são capazes de se defender 
e o fazem.
Porque quem não se defende está fadado a, merecendo ou não, cair.
Ou, como faz agora o quase-ex-dândi da Justiça, podendo, pular do barco adernado.
O que, aliás, diz muito de sua natureza.

Altman: “o que a Grécia ensina ao Brasil?”

247 – O jornalista Breno Altman, diretor do Opera Mundi, discorre sobre as ações do partido Syriza em meio à crise da Grécia e pergunta o que o país europeu pode ensinar ao Brasil, em um momento em que o governo brasileiro é criticado por praticar um ajuste fiscal que prejudica os direitos dos trabalhadores.
"Estratégias de mudanças sem conflito são eficazes apenas em períodos de bonança, quando a interseção entre transformação e paz se amplia porque o Estado tem mais recursos para investir na melhoria da vida dos pobres sem afetar a fortuna e os interesses dos ricos. Nas épocas de escassez, esta zona de conforto desaparece", diz ele.
"As forças progressistas, quando seguem esta senda conciliatória sem base objetiva, geralmente são tragadas pela paralisia, sofrendo todos os males do enfraquecimento político, incluindo a desmoralização perante eleitores e apoiadores", observa Breno Altman, acrescentando que "o resultado prático, nestas circunstâncias, é deixar o terreno fértil para a ofensiva das forças mais reacionárias".
Segundo ele, "a política de esquerda somente pode triunfar quando se transforma em mobilização popular, principal alicerce de qualquer mudança efetiva".
Leia aqui a íntegra do artigo.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

“Condições impostas à Grécia são revoltantes”




Publicado na BBC Brasil.


As nações europeias credoras são as “culpadas” pela situação da Grécia desde que o país foi obrigado a pedir volumosos empréstimos para cobrir suas dívidas, e as condições impostas ao 
governo de Atenas são “revoltantes”.
Esse é o resumo da crise na Grécia feito pelo prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz, durante 
uma entrevista exclusiva à BBC Mundo.
 
Stiglitz tem sido uma das vozes mais críticas da ortodoxia de grandes economias e de órgãos financeiros internacionais.
O poder executivo grego já afirmou que rejeita as condições impostas para que o país siga recebendo ajuda financeira e que fará um referendo em 5 de julho sobre a aceitação ou não das demandas europeias.
Muitos acreditam que a situação atual pode ser, na verdade, a antessala da saída grega da zona do euro.
Dirigentes da União Europeia garantem que foram feitos enormes esforços para se chegar a um acordo com a Grécia, para que fosse possível ampliar a ajuda financeira a Atenas e evitar o colapso de seu sistema econômico.
Stiglitz afirma, no entanto, que a Grécia pode tirar boas lições sobre como se recuperar da crise ao analisar a decisão da Argentina, em 2001, de declarar default (calote) de sua dívida externa.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista com o prêmio Nobel:

BBC Mundo – Vence nesta terça-feira o prazo da Grécia para pagar o FMI. Há alguma possibilidade de acordo para se evitar o calote?
Stiglitz – É concebível que o restante da Europa e a Alemanha acordem e se deem conta de que suas exigências à Grécia são absolutamente revoltantes. Então, é possível, mas é muito pouco provável. A exigência (por parte dos credores) de que a Grécia chegue a um superavit fiscal de 3,5% antes de 2018 é uma garantia de que o país seguirá vivendo sob uma depressão.Para mim, é óbvio que a austeridade fracassou. O povo grego foi o primeiro a dizer: ‘Nos negamos a renunciar 
à nossa democracia e aceitar essa tortura da Alemanha’. Mas, com sorte, outros países como Espanha e Portugal, vão dizer o mesmo.

BBC Mundo – Como na Argentina, a Grécia declarou um ‘corralito’ (limite de saques) bancário e agora discute se segue o caminho de Buenos Aires, que em 2001 optou por cessar um dos maiores pagamentos da história. O exemplo argentino pode trazer alguma lição para a Grécia?

Stiglitz – Creio que é possível tirar uma importante lição do êxito argentino. Depois do calote, a Argentina começou a crescer a uma taxa de 8% ao ano, a segunda mais alta do mundo, depois da China.
Estive na Argentina e pude ver o êxito e o impacto no padrão de vida. A experiência argentina prova que há vida depois de uma reestruturação da dívida.
O euro foi apenas parcialmente bem-sucedido por oito anos. Foi uma experiência curta e, em minha opinião, fracassada se não houver uma mudança dramática na maneira em que eles operam.

BBC Mundo – O sr. já disse que as exigências da Europa para o resgate financeiro da Grécia são um ‘ataque à democracia’ do país. Com isso, o sr. não está, de alguma maneira, ignorando uma possível culpa do governo grego para que o país chegasse a essa situação?

 

Stiglitz – Ainda que a Grécia tenha sua parcela de culpa na situação (que levou aos problemas fiscais descobertos em 2010), a desastrosa situação em que o país se encontra desde então é de responsabilidade da Troika (formada pelo FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central 
Europeu).
Pense no que poderia ter acontecido se em 2010 a Grécia e os países europeus tivessem tentado fechar um plano para a dívida que permitisse que Atenas retomasse seu crescimento.
Espero que essa crise ajude a mudar a maneira pela qual o mundo enfrenta as crises das dívidas soberanas dos países.
Cada país tem uma lei de falência, pois sabe que os indivíduos precisam de uma nova oportunidade, já que às vezes a oferta de empréstimos é excessiva, às vezes se aceita empréstimos demais. Isso também acontece com os países.

DILMA CRITICA 'ESTRANHO VAZAMENTO SELETIVO'



Em Washington, onde concedeu entrevista ao lado do presidente Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff disse que não vai demitir ministros baseada em denúncias veiculadas pela imprensa e acrescentou que condenar sem provas é uma prática da Idade Média; "Estranhamente, há um vazamento seletivo que alguns têm. E aí, durante um tempo, podem falar o que quiser porque aqueles que são mencionados não têm como se defender, porque não sabem do que são acusados", disse, sobre o vazamento da delação de Ricardo Pessoa; Dilma alfinetou o juiz Sérgio Moro ao dizer que não se pode condenar alguém sem provas; "A obrigação da prova é ser formada com fundamentos e não simplesmente com ilações ou sem acesso às peças acusatórias. Isso é um tanto quanto Idade Média, então não é isso que se pratica hoje no Brasil".
 
Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff voltou a criticar hoje (30) o que considera "vazamento seletivo" de depoimentos de delação premiada de investigados da Operação Lava Jato. Ela disse que não vai demitir ministros baseada em denúncias veiculadas pela imprensa e acrescentou que condenar sem provas é uma prática da Idade Média.
"Estranhamente, há um vazamento seletivo que alguns têm. E aí, durante um tempo, podem falar o que quiser porque aqueles que são mencionados não têm como se defender, porque não sabem do que são acusados", criticou Dilma, em entrevista ao lado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, após reunião de trabalho na Casa Branca.
No fim de semana, jornais publicaram trechos da delação premiada do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, em que o executivo cita dois ministros próximos da presidenta Dilma Rousseff – da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva – como beneficiários do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.
"Nunca demiti ministro, ou aceitei ministro nomeado pela imprensa ou demitido pela imprensa. E, assim sendo, vou aguardar toda a divulgação dos fatos para avaliar a situação. Agora, em princípio, acredito que seja necessário pelo menos que todos nós tenhamos acesso a mesma coisa. O governo brasileiro não tem acesso aos autos", reclamou.
Dilma acrescentou que é preciso respeitar o direito à defesa, conquistado com a democracia e que não se pode condenar alguém sem provas. "A obrigação da prova é ser formada com fundamentos e não simplesmente com ilações ou sem acesso às peças acusatórias. Isso é um tanto quanto Idade Média, então não é isso que se pratica hoje no Brasil".
A presidenta também defendeu a Petrobras. Disse que as denúncias de corrupção que envolveram alguns diretores não podem ser generalizadas para toda a estatal e que agora a empresa está bem gerida. "A Petrobras não é uma empresa sub judice. A Petrobras é uma empresa em pleno uso da sua atividade".

PICADEIRO DE CIRCO: MARCO AURÉLIO, DO STF: “NUNCA VI TANTA DELAÇÃO”



Ao comentar a Operação Lava Jato nesta quarta-feira, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, ressalta que agora "as coisas já não são varridas para debaixo do tapete", mas faz uma ressalva: "devo admitir que eu nunca vi tanta delação"; ele diz esperar que "todas elas tenham sido espontâneas"; em entrevista concedida nesta semana, Marco 
Aurélio já havia feito críticas ao uso do instituto da colaboração premiada; segundo ele, o número de delatores no caso (que agora chega a 18) "já revela algo estranho"; nos EUA, a presidente Dilma Rousseff lembrou da ditadura e declarou "não respeitar delator".
 

247 – A Operação Lava Jato aponta uma tendência de "corrigir rumos", uma vez que "as coisas já não são varridas para debaixo do tapete", avaliou nesta quarta-feira 1º o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal.
O magistrado, porém, faz uma ressalva quanto ao uso da delação premiada na investigação: "devo admitir que eu nunca vi tanta delação". Ele disse ainda esperar "que elas, todas elas, tenham sido espontâneas".
É a segunda crítica do ministro em apenas uma semana sobre o instituto da colaboração premiada na investigação conduzida pelo juiz Sérgio Moro, do Paraná. Na última entrevista, publicada há dois dias, ele afirmou que o número de delatores no caso "já revela algo estranho".
Desde o início das investigações, foram acertados 18 acordos de delação premiada entre os réus e a Procuradoria-Geral da República. O acordo prevê uma pena mais branda aos envolvidos em troca da revelação do que sabem sobre o esquema de corrupção.
Os dois últimos acordos foram firmados pelo empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, cujas denúncias atingem PT e oposição, e por Milton Pascowitch, apontado como lobista e intermediário de pagamentos feitos ao partido e ao ex-ministro José Dirceu.
Nessa semana, nos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff rebateu denúncias reveladas na delação de Pessoa apontando um "estranho vazamento seletivo". Lembrando da época da ditadura, quando segundo ela, tentaram transformá-la em uma delatora, Dilma disse ainda que "não respeita delator".

"Jornalista" expôs indigência da Globo ao mundo !


A Vintriloga achou que tinha abafado. No Jornal Nacional, Bonner classificou a triste intervenção como "uma bricadeira" da jornalista pau-mandado. Dilma saiu-se bem, apesar da intenção maldosa e niilista da emissora.
 
por : Paulo Nogueira

A miséria jornalística e mental das Organizações Globo foi brutalmente exposta ao mundo ontem, na entrevista coletiva concedida por Obama e Dilma sobre o encontro de ambos.
A jornalista Sandra Coutinho da Globo fez uma pergunta que, jornalisticamente, é a quintessência da obtusidade.
Aqui, o vídeo.
Presumivelmente, o real autor da questão foi Ali Kamel, diretor de jornalismo da emissora e célebre por um livro em que declara, triunfal: “Não somos racistas”. Uma ex-apresentadora disse que todas as perguntas revelantes na Globo são obra de Kamel.
O primeiro erro técnico foi atribuir a Obama, na pergunta, uma opinião que é da Globo, mas não dele.
Ela afirmou que os Estados Unidos veem o Brasil como uma potência regional, e não mundial.
De onde ela tirou isso, ou Kamel?
O Brasil é a sétima economia mundial, queira a Globo ou não. E nos últimos anos, sobretudo com a ascensão de Lula, ganhou ressonância mundial.
A Globo jamais iniciaria a pergunta daquela forma se o presidente fosse FHC ou Aécio.
E um bom jornalista nunca colocaria uma opinião dele mesmo na boca de qualquer pessoa.
Pesquise: quando Obama, ou alguma outra autoridade do governo americano, disse algo parecido?
Foi tão boçal a voz da Globo na coletiva que Obama, embora a pergunta não fosse para ele, tomou o microfone.
Sandra Kamel, chamemos assim, não se limitou a uma asneira numa só pergunta. Também conseguiu incluir nela a crise econômica e política do Brasil como se isso fosse realmente uma coisa incomum num mundo cor de rosa.
Ora, os próprios Estados Unidos desde 2008 estão atolados em dificuldades econômicas.
Obama pareceu saber mais sobre o Brasil que a Globo. Notou que problemas no Congresso estão longe de ser exclusividade do governo Dilma.
Ele próprio enfrenta um Congresso extraordinariamente hostil desde que chegou à Casa Branca. Foi épica sua luta para aprovar o projeto de saúde que lhe era tão caro, o Obamacare.
Sinal da realidade paralela vivida pela Globo e seus jornalistas, Sandra Coutinho festejou sua intervenção patética no Twitter.
“Muita emoção conseguir fazer uma das quatro perguntas da coletiva de Dilma e Obama!”, escreveu.
Fora tudo, Sandra não fez qualquer esforço. Como mostra o vídeo da entrevista, a palavra lhe foi dada por Dilma, num gesto que mostra a característica subserviência de governos brasileiros, petistas ou não, à Globo.
As palavras mentecaptas de Sandra Coutinho registraram, mundialmente, não apenas o que a Globo pensa sobre o Brasil.
Mais que tudo, elas captaram, ao vivo, a indigência jornalística e intelectual da emissora.