O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

PT amarelou de vez? - Cunha recua na CPI do Cachoeira



Pressionado pela reação em bloco dos grandes meios de comunicação, relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), disse que aceita retirar de seu texto os pedidos de investigação contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e de indiciamento contra o diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Jr. O PT amarelou?
247 - Os parlamentares da CPI do Cachoeira tiveram uma oportunidade de ouro para discutir como se fabricam escândalos no País. O caso Carlinhos Cachoeira expôs relações perigosas -- e próximas demais -- entre a revista Veja e um bicheiro, e havia indícios de que Cachoeira estaria na gênese das primeiras denúncias do mensalão (releia "Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão"). Não bastasse, o escândalo surgiu quando a Inglaterra inquiria o magnata da mídia Rupert Murdoch, por causa dos grampos de seu News of the World. Mas orecuo do relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), abrindo mão do pedido de indiciamento de Policarpo Júnior, jogou a oportunidade fora de vez.
Nas primeiras reuniões da comissão de inquérito, parecia inevitável a convocação não apenas de Policarpo, como também de Roberto Civita, o comandante do Grupo Abril. O medo na Abril era tão grande que até Fábio Barbosa, presidente executivo do grupo, foi escalado para ir a Brasília e negociar a não convocação de Civita (que se tratava de um câncer) e Policarpo (relembre em O que Fábio Barbosa foi fazer em Brasília?).
Fábio Barbosa procurou vários líderes políticos, e até o ex-ministro José Dirceu. Já João Roberto Marinho, da Rede Globo, foi ao vice-presidente da República, Michel Temer. Se houve acordo sobre o assunto, não e sabe. Mas o fato é que nem Civita nem Policapo foram convocados; e, com a condenação dos principais réus petistas no julgamento do mensalão, Veja, que falava na CPI como cortina de fumaça contra a Ação Penal 470, reacelerou as turbinas e soltou fogos.
Quando tudo já estava perdido para o PT, o partido ainda tentou aprovar um relatório com o indiciamento de Policarpo Júnior, que nem sequer fora convocado para depor à comissão. Nem isso, contudo, os amendrotados petistas vão conseguir. 
 
 
Blog do Poter

OCDE REBAIXA PAÍSES RICOS E ELEVA O BRASIL


Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico corta estimativas e prevê que a economia da zona do euro irá contrair 0,4% este ano e outro 0,1% no ano que vem; para os Estados Unidos, a previsão é de crescimento de 2,0% no ano que vem; em contrapartida, o Brasil deverá crescer 4,0% em 2013, aceleramento significativo comparado à alta de 1,5% esperada para este ano.

Reuters – A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cortou suas previsões para o crescimento global nesta terça-feira, alertando que a crise da dívida na zona do euro é a maior ameaça à economia mundial.
À luz do cenário econômico ruim, a OCDE pediu que os bancos centrais se preparem para mais afrouxamento monetário excepcional se os políticos não conseguirem dar respostas críveis à crise da dívida.
O órgão sediado em Paris, em seu relatório semestral Perspectivas Econômicas, previu que a economia global crescerá 2,9% este ano, antes de expandir 3,4% em 2013. A estimativa marcou uma forte queda desde a última projeção da OCDE em maio, de 3,4% para este ano e de 4,2% em 2013.
A zona do euro está enfrentando dois anos de contração econômica, enquanto os Estados Unidos correm o risco de entrar em recessão se os parlamentares do país não chegarem a um acordo para evitar uma combinação de aumentos de impostos e cortes orçamentários que entrarão, caso contrário, em vigor no ano que vem.
Desde que o impasse em Washington seja superado, a maior economia do mundo irá crescer 2,0% no ano que vem, estimou a OCDE, cortando sua projeção de 2,6% em maio. "O abismo fiscal norte-americano é uma fonte muito importante de preocupação, mas o maior risco continua sendo a zona do euro", afirmou o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, em entrevista à Reuters.
Ao cortar suas estimativas, a OCDE prevê agora que a economia da zona do euro irá contrair 0,4% este ano e outro 0,1% no ano que vem, apenas retornando ao crescimento em 2014, com uma taxa de 1,3%. A OCDE alertou que condições financeiras divergentes dentro da união monetária europeia ameaçam dividi-la se as autoridades falharem em conter a crise da dívida.
No Brasil

Em contrapartida, a Organização prevê crescimento de 4,0% para o Brasil em 2013, um aceleramento significativo se comparado à alta de 1,5% esperados para o PIB deste ano pela OCDE. Para 2014, a entidade projeta que o País cresça ainda mais: 4,1%.
A taxa de crescimento prevista para o Brasil neste ano é a menor dos Brics – bloco formado por Rússia, Índia, China e África do Sul). A maior previsão de crescimento é a da China, 7,5%. Depois vêm a Índia (4,4%), a Rússia (3,4%) e a África do Sul (2,6%). Mesmo assim, os números apontam uma grande distância entre a situação brasileira e a de países europeus. 
 
 
Análise de Conjuntura

Estado terá que pagar diferença a professores

O governo estadual terá que elaborar folha de pagamento suplementar para assegurar a diferença do piso salarial dos professores aposentados, referente a janeiro e fevereiro deste ano. 
Decisão liminar do juiz da 3ª Vara da Fazenda, Marco Antônio Castelo Branco, garante o imediato pagamento aos aposentados, que ingressaram com ação judicial através do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp). 
A ação do Sintepp foi direcionada ao Instituto de Gestão Previdenciária do Pará (Igeprev), órgão responsável pelas aposentadorias dos servidores públicos do Estado. 
Em setembro de 2011 o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela constitucionalidade da Lei Nº 11.738/2008, que instituiu o piso nacional dos professores da educação pública, e determinou que a partir de 2012 o valor deveria ser assegurado pelos estados e prefeituras. Para professores da ativa e inativos o salário-base da categoria passou de R$ 1.121,34 para R$ 1.451.
Em março deste ano o Executivo estadual anunciou o cumprimento do novo piso salarial aos professores incluindo os aposentados. Porém, as duas parcelas da diferença salarial de janeiro e fevereiro não foram pagas aos inativos. A direção do Igeprev também justificou falta de dinheiro.
A decisão judicial de ontem vai beneficiar cerca de 15 mil professores inativos do Estado do Pará. A estimativa é de que o Igeprev terá que desembolsar quase R$ 15 milhões para assegurar a folha suplementar dos aposentados.


(DOL)

PMDB e PT anunciam bloco para disputa na AL

PMDB e PT anunciam bloco para disputa na AL (Foto: Marco Santos)

PMDB e PT formalizaram um bloco para disputar a presidência da Assembleia Legislativa (AL). Após a sessão ordinária da casa ontem, os deputados das duas bancadas se reuniram e, em seguida, o PT anunciou que decidiu abrir mão da candidatura do deputado Airton Faleiro para apoiar a candidatura de Martinho Carmona (PMDB). Faleiro deverá compor a chapa como candidato a primeiro-secretário. 
O restante da composição da chapa será articulado com as outras bancadas, à medida que se juntarem ao bloco já oficializado. O anúncio foi feito pelo líder da bancada petista Zé Maria Souza, após reunião. “O PT não tem interesse em apoiar candidato do PSDB. A perspectiva de formação do bloco PT-PMDB é de tornar a mesa diretora da AL mais independente, com uma gestão compartilhada, dando um equilíbrio à política estadual”, informou o líder petista.
As bancadas de PT e PMDB são as duas maiores da AL. Juntas somam 16 deputados estaduais. Com o provável apoio do deputado João Salame (PPS), podem contar 17 membros. Ficam faltando quatro deputados para se chegar à maioria dos 41 parlamentares que compõem a casa.
Carmona afirma que o bloco foi lançado para vencer a eleição e também para governar a casa em parceria. “O Pará não pode ter suas instituições controladas por um único grupo político. Isto é antidemocrático”, ressalta o candidato. Ele lembrou que em 2010 abriu mão de sua candidatura no PMDB para apoiar o nome do Manoel Pioneiro (PSDB) à presidência da AL.
“Abrimos mão da candidatura do PMDB no primeiro biênio e agora queremos saber por que esta casa não poder ser governada pelo Martinho Carmona?”, questionou o líder do PMDB Parsifal Pontes, referindo-se ao governo estadual.

GOVERNO
Segundo Pontes, a justificativa de que a composição com o PT desagrada ao governador Simão Jatene não é viável. “O PT nunca fez oposição raivosa ao governo nesta casa. Inclusive, ajudou a aprovar os empréstimos de quase R$ 2 bilhões para o governo fazer investimentos no Estado. Por que o governo não faz um gesto de apoio a esta chapa?”, novamente questionou o líder peemedebista.
Airton Faleiro e Carlos Bordalo lembram que o PT também ajudou a eleger o atual presidente do PSDB e que 40 deputados votaram em favor de sua eleição. Apenas o líder do PSol, Edmilson Rodrigues, se absteve.
O candidato do PSDB José Megale afirma que mantém sua candidatura à presidência da AL e assegura que seu nome já foi oficializado como candidato da base governista. “Não oficializei a candidatura da tribuna como o Martinho Carmona, mas fiz diretamente às bancadas, em conversa com os deputados”, ressaltou o líder tucano.
Ele disse ainda que a formação do bloco PMDB-PT já era esperada desde o início das articulações. “Já havia a expectativa dessa estratégia, mesmo quando o PT apresentou a candidatura do Airton Faleiro”.
Porém, Megale reafirma que ainda tem esperanças na formação de uma única composição para disputar a presidência da AL. Ele acredita que até a véspera da eleição ainda pode ser mudada a situação. “Ainda não nem data marcada para a eleição. Daqui pra lá pode haver muitas mudanças”, afirmou Megale.

(DOL)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Compensações ambientais de Belo Monte são exemplo para o mundo



Rio Xingu (PA) Nem todos deram a devida atenção, mas há um aspecto de fundamental importância no financiamento aprovado pelo BNDES para a hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu (PA).
Dos R$ 22,5 bilhões que serão financiados, R$ 3,2 bilhões serão usados para compensações dos impactos ambientais e sociais.
Esse valor é um exemplo para o mundo e desmente todo o discurso dos que se opõem à construção da usina. Belo Monte será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo e representará uma condição essencial para a redução do uso de combustíveis fósseis e poluentes na produção de energia.

Segundo o BNDES, esse é o maior valor de um empréstimo do banco na história concedido a um único projeto. O empreendimento todo está avaliado em quase R$ 29 bilhões.
E os R$ 3,2 bilhões também representam o maior valor já aprovado para iniciativas socioambientais, equivalente a 11,2% do total de recursos aplicados na usina. Para cada liberação de recursos, deverá ser comprovada a regularidade ambiental do projeto. Ou seja, o governo está absolutamente comprometido com a questão socioambiental, contrariando o discurso fácil de quem se opõe a Belo Monte.
 

O financiamento inclui ainda a aprovação de R$ 3,7 bilhões para compra de equipamentos dentro do Programa de Sustentação de Investimento (PSI). O projeto deverá criar 18,7 mil postos de trabalho diretos e 23 mil indiretos durante as obras.
A energia gerada por Belo Monte vai representar 33% da expansão de capacidade do país prevista entre 2015-2019, equivalente ao abastecimento de 18 milhões de residências (60 milhões de pessoas) ou ao consumo das regiões Sul e Nordeste juntas.


Análise de Conjuntura

BNDS ANUNCIA O MAIOR EMPRÉSTIMO JÁ CONCEDIDO: USINA DE BELO MONTE



Belo Monte leva o maior financiamento da história do BNDES: R$ 22,5 bilhões  

Valor evidencia necessidade de capitalização do banco estatal; por R$ 500 milhões, crédito não superou os limites da regulação bancária

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou ontem o maior empréstimo de sua história para um único projeto. O financiamento, com prazo de 30 anos, somará R$ 22,5 bilhões para o consórcio Norte Energia S.A., que investirá R$ 28,9 bilhões na hidrelétrica de Belo Monte. O consórcio venceu o leilão em março de 2010 e as obras começaram no primeiro semestre de 2011.Com Belo Monte, os cinco maiores projetos aprovados pelo BNDES, todos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), somam R$ 57,1 bilhões, considerando aprovações desde 2008.O valor anunciado ontem supera em mais que o dobro o financiamento à Refinaria Abreu e Lima, da Petrobrás, em Pernambuco, aprovado em 2009, no valor de R$ 9,9 bilhões. Já a construção da usina nuclear Angra III teve financiamento de R$ 6,1 bilhões, aprovado em 2010.Belo Monte também receberá mais do que a soma das duas usinas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia: Santo Antônio teve empréstimo de R$ 6,1 bilhões, aprovado em 2008, e Jirau teve R$ 9,5 bilhões, incluindo uma suplementação de R$ 2,3 bilhões aprovada em setembro passado, como adiantou o Estado.O total dos empréstimos nos cinco projetos poderá subir. A chefe do Departamento de Energia do BNDES, Marcia Leal, informou que há a possibilidade de Santo Antônio também receber adicional, se o projeto for ampliado. "Se ele tiver a capacidade de pagamento ampliada e necessitar de investimentos adicionais, não tem por que não", disse.Os valores bilionários evidenciam a necessidade de capitalização do BNDES. Seu patrimônio de referência, capital do banco usado para efeitos de limites de prudência bancária, encerrou o terceiro trimestre em R$ 92,228 bilhões. Um empréstimo para um só cliente não pode passar de 25% disso, R$ 23,057 bilhões.O empréstimo à Norte Energia S.A. está R$ 557 milhões abaixo do limite, mas, do total, R$ 9 bilhões serão repassados pelo banco BTG Pactual (R$ 2 bilhões) e pela Caixa (R$ 7 bilhões), o que reduz a exposição direta do BNDES. Como os repassadores assumem o risco, os R$ 9 bilhões ficam fora do limite.O uso de agentes financeiros é normal em financiamentos para projetos, na modalidade conhecida como project finance, destacou o diretor de Infraestrutura e Insumos Básicos do BNDES, Roberto Zurli. BTG Pactual e Caixa foram escolhidos pela Norte Energia S.A.Terceira maior. Ações socioambientais previstas na licença concedida pelo Ibama receberão R$ 3,2 bilhões do total. O Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Xingu receberá outro empréstimo, de R$ 500 milhões.Belo Monte terá capacidade instalada de 11.233 megawatts, terceira maior do mundo. A previsão é que comece a operar em fevereiro de 2015, com conclusão total em janeiro de 2019. Apesar das interrupções nas obras por decisões da Justiça e protestos, Zurli disse que o cronograma está mantido. O consórcio Norte Energia é formado pela Eletrobrás, Chesf, Eletronorte, Neoenergia, Cemig, Light e J. Malucelli Energia; pelos fundos de pensão Petros (da Petrobrás) e Funcef (da Caixa); pela Vale e pela siderúrgica Sinobrás. 
Vinicius Neder, de O Estado de S. Paulo

LULA NÃO É GORBATCHÓV


Mikhail Gorbatchov
Lembro-me, quando estive na Rússia em 1996 para fazer a cobertura da reeleição de Bóris Yeltsin, de como nós, jornalistas ocidentais, corríamos para cobrir a votação do ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchóv. Ao notar a escassez de interesse dos coleguinhas russos pelo ex-dirigente, perguntei o motivo a uma das únicas nativas presentes ao local onde ele votaria. “Gorbatchóv só interessa para vocês, ocidentais. Para nós, ele é uma farsa!”, disse ela em tom de aberto desprezo. Na época, fazia pouco tempo que Gorbatchóv deixara o poder (1991), abrindo caminho para o fim da União Soviética e a implosão do comunismo. Para os russos, fora um golpe mortal no orgulho nacional. Essa percepção era compartilhada pela maioria da população, tanto que Gorbatchóv teve míseros 1% dos votos e encerrou ali sua carreira política.   

A história, entretanto, certamente reservará a Gorbatchóv um papel de destaque. O último dirigente do Partido Comunista da União Soviética foi o grande responsável pelo fim da Guerra Fria ao promover reformas – a perestroika (reestruturação econômica) e a glasnost (abertura política) – para revitalizar o sistema instaurado na Rússia por Lênin e os bolcheviques em 1917. “Gorba” acabou destampando uma panela de pressão que levou ao fim do comunismo. Mesmo sabendo dos riscos, o líder soviético nunca recuou de sua determinação de abrir o regime e afrouxar o controle sobre os satélites soviéticos. Sem essa decisão, as revoluções de 1989, que varreram o stalinismo do Leste europeu, teriam tido o mesmo destino trágico das revoltas da Hungria, em 1956, e de Praga em 1968. Não por acaso, Gorbatchóv sofreu uma tentativa de golpe por parte da linha dura do PCUS em agosto de 1991, pouco antes da implosão da URSS.
Lula recebe o título Doutor Honoris Causa da Sci Po 
Algo semelhante ocorre no Brasil em relação ao ex-presidente Lula. Em recente artigo, o sociólogo Marcos Coimbra lembrou que apenas duas lideranças brasileiras são conhecidas internacionalmente: Lula e FHC. Mas a percepção da grande mídia e de nossos formadores de opinião sobre o reconhecimento internacional que ambos recebem é antagônica. Quando se trata do ex-presidente tucano, jornais, revistas e tevês registram as deferências com destaque e consideram “naturais” as celebrações de suas virtudes. Acham, inclusive, uma injustiça a baixa popularidade ostentada pelo “príncipe dos sociólogos”.

O flautista de Hamelin
Mas, quando se trata do ex-torneiro mecânico que chegou ao Palácio do Planalto, a coisa pega. Lula tem índices de popularidade inéditos na história republicana e é cada vez mais admirado no exterior – seja pela esquerda ou pela direita –, mas a mídia conservadora torce o nariz e ridiculariza cada vez que ele recebe alguma homenagem, não importa de quem. É como se todo mundo estivesse se deixando levar pelo flautista de Hamelin. Para os senhores da razão tupiniquim, Lula é tosco, manipulador, corrupto e empulhador. Sugerem que o povo não quer ver tais evidências porque é “comprado” pelo Bolsa Família, e que os estrangeiros são fascinados pela figura exótica do ex-líder sindical.


“Será que todo mundo – literalmente – está errado e a direita brasileira certa?”, pergunta Coimbra. “Só sua imprensa, seu porta-vozes e representantes sabem ‘quem é o verdadeiro Lula?’ O resto do planeta foi ludibriado pelas artimanhas do petista”?

Para a desgraça da direita, contudo, a semelhança termina aqui. Lula não é Gorbatchóv e sua popularidade continua intacta, apesar dos ataques virulentos e das tentativas recentes de ligá-lo a todos os malfeitos do país. O resultado das eleições deste ano, principalmente em São Paulo, explicam, além do preconceito, as razões para tanto ódio que a direita antediluviana local lhe dedica. 


Mas o lugar de Lula na História está reservado, se não ao lado de Gorbatchóv, com certeza num patamar muito superior ao de FHC. 
     

O caso Rosemary e a Lulofobia


Acima de tudo, ela é mais uma escada pela qual se tenta pegar novamente Lula.



Por: Paulo Nogueira, de Londres.

Lula é, certamente, o homem mais odiado pelo chamado 1%, para usar a já histórica expressão do Movimento Ocupe Wall St. (Para os 99%, o posto é de Serra, com o surgimento de uma concorrência potencial em Joaquim Barbosa, (o Batman).
É impressionante o júbilo com que é celebrada pelo 1% qualquer notícia que possa servir de munição contra Lula, o lulismo, o lulo-petismo e outras designações criadas pelos obsequiosos porta-vozes de um grupo pequeno mas barulhento que torce e trabalha para que o Brasil jamais se torne uma Dinamarca, ou uma Noruega, ou uma Finlândia.
São sociedades harmoniosas, não divididas entre 1% e 99%, como o Brasil. Apenas para registro, o Brasil campeão mundial da desigualdade – com todos os problemas decorrentes disso, a começar pela criminalidade – foi obra exatamente deste grupo.
O Estado brasileiro foi durante décadas uma babá do 1%. Calotes em bancos públicos eram sistematicamente aliviados em operações entre amigos – mas com o dinheiro do contribuinte. Cresci, como jornalista, nos anos 1980, com o Jornal do Brasil transformando dívidas com o Banco do Brasil em anúncios.
Este é apenas um caso.
O BNDES foi sequestrado, também, pelo 1%: a inépcia administrativa de tantas empresas familiares malacostumadas pela reserva de mercado era premiada com operações de socorro financeiro. Sempre com o dinheiro do contribuinte.
Apenas para registro também, lembremos que a reserva de mercado sobrevive ainda – não me pergunte por que – na mídia que tanto clama por competição, mas para os outros.
O 1% detesta Lula, não porque Lula tenha nove dedos, ou seja metalúrgico, ou fale errado, ou torça pelo Corinthians. Detesta Lula porque ele não representa o 1%. Se representasse, todos os seus defeitos seriam tratados como virtudes.
Não votei em Lula nem em 2002 e nem em 2006. Portanto, não tenho mérito nenhum na sua chegada à presidência e na consequente, e fundamental, mudança de foco do governo – ainda que cheia de erros — rumo aos 99%.
Mas não sou cego para não enxergar o avanço. O maior problema do Brasil – a abjeta desigualdade social – começou ao menos a ser enfrentado sob Lula.
Hoje, quando homens públicos em todo o mundo elegem a desigualdade social como o mal maior a debelar, parece óbvio que Lula tinha mesmo que prestigiar os 99% ao se tornar presidente.
Mas nenhum presidente na era moderna nacional viu o óbvio. Mesmo ao erudito poliglota Fernando Henrique Cardoso – de quem ninguém pode subtrair o mérito por derrubar a inflação – escapou o óbvio. Tente encontrar alguma fala de FHC, na presidência, sobre o drama da iniquidade social. Em qualquer uma das múltiplas línguas que ele domina. Zero.
É dentro desse quadro de colossal ódio a Lula que se deve entender a forma com quem está sendo tratado o caso de Rosemary Nóvoa de Noronha, indiciada por corrupção pela Polícia Federal em suas funções como chefe do escritório do gabinete da presidência em São Paulo.
Rosemary foi demitida imediatamente por Dilma, e agora vai responder pelas suas supostas delinquências, como um cruzeiro e uma plástica na faixa, pelo que foi noticiado.
Mas ela é personagem secundária na chamada Operação Porto Seguro. O protagonista é Lula. Nos artigos sobre a história, Lula ocupa o pedestal. “A mulher do Lula”, escreveu alguém, embora ela tenha sido secretária por muitos anos de José Dirceu. Foi para Dirceu, e não para Lula, que, segundo agentes policiais, ela ligou desesperada quando a PF chegou a seu apartamento na prosaica 13 de Maio, bairro das cantinas italianas em São Paulo. Nada existe de luxuoso no apartamento, ainda de acordo com a polícia.
Rosemary é uma escada pela qual, mais uma vez, se tenta pegar Lula. Estaria Lula envolvido na plástica suspeita de Rosemary? E no cruzeiro? O dinheiro terá vindo do valerioduto?
Chega a ser engraçado.
Tenho para mim o seguinte. Se os lulofóbicos dedicassem parte da energia que consomem em odiá-lo na procura honesta de formas de convencer os eleitores de que são mais capazes que Lula para combater a desigualdade social, eles já estariam no Planalto a esta altura, e do jeito certo, numa democracia: pelas urnas.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

MEDO DE TOMAR CALOTE - GREVE NO HOSPITAL METROPOLITANO


Médicos e enfermeiros paralisam nesta segunda (Foto: Cristino Martins/Ag. Pará)
(Foto: Cristino Martins/Ag. Pará)

Médicos e enfermeiros paralisam nesta segunda

Enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos do Hospital Metropolitano, em Belém, vão paralisar suas atividades nesta segunda-feira (26) para exigir o pagamento dos seus direitos trabalhistas pelo Idesma (Instituto de Saúde Santa Maria), OS que administra o hospital.
Com a proximidade do fim do contrato do Idesma com o governo do Estado, os trabalhadores já prenunciam o não pagamento de direitos trabalhistas e plantões acertados para o final do ano. “Os profissionais estão se antecipando para não ocorrer a mesma situação que houve com o fim do contrato passado, quando muitos médicos e enfermeiros ficaram sem receber indenizações, horas extras e outras garantias”, afirmou Lafayet Monteiro, da diretoria do Sindicato dos Médicos do Pará.
A categoria informou  que somente os casos graves serão atendidos e que o mínimo de 30% dos profissionais vai garantir o serviço.
A partir das 7h30, os trabalhadores vão fazer uma manifestação em frente ao Hospital Metropolitano às 7h30. Às 16h, está agenda uma assembleia geral com representantes da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) para discutir o assunto.
O Sindicato dos Enfermeiros e de Enfermagem também estarão presentes para discutir condições de trabalho dos enfermeiros.
O Sindicato dos Médicos também estará apoiando o movimento.

(Antonio Santos/DOL)

DESMISTIFICANDO A HISTÓRIA OFICIAL - GENGIS KHAN, O CIVILIZADOR


 

"Esse nobre rei era chamado Gengis Khan, que em seu tempo tinha tal renome que não havia em lugar algum, em região alguma, um soberano tão eminente em todas as coisas"
Geoffrey Chaucer,

O Conto do Fidalgo, in Os Contos da Cantuária (c. 1395)

Não me recordo quem cunhou a expressão - talvez tenha sido o Paulo Francis - "Fulano está à direita de Gengis Khan", significando que esse alguém tinha pendores togloditas e psicotapas, tipo Hitler, Videla, Pinochet, Stálin ou Pol Pot. Isso porque o líder mongol Gengis Khan (1162-1227) frequentemente foi associado à barbárie, à violência e à crueldade, como Átila, o Huno. 
 
Essa visão foi sedimentada no século XVIII pela percepção europeísta dos iluministas franceses. Estudos recentes, contudo, mostram uma realidade muito diferente: Gengis Khan criou um império que, embora feito à base de conquista - mas qual império poderia atirar a primeira pedra impunemente? -, unificou tribos nômades, favoreceu o comércio, criou o papel moeda e praticou a tolerância religiosa. O historiador e antropólogo Jack Weartherfod, de Minnesota, pesquisou profundamente a história de Gengis Khan e do império mongol e resgatou as conquistas dos mongóis para a civilização:

"Em uma conquista após a outra, o exército mongol transformou a guerra em um acontecimento internacional de múltiplas frentes, que se estendiam por milhares de quilômetros. As técnicas de luta inovadoras de Gengis Khan tornaram obsoletos os cavaleiros da Europa medieval com suas armaduras pesadas, substituídos por uma cavalaria disciplinada que se movimentava em unidades coordenadas. Em vez de confiar em fortificações defensivas, Gengis Khan fez uso brilhante da velocidade e da surpresa no campo de batalha, bem como aperfeiçoou a guerra de sítio a ponto de acabar com a era das cidades muradas. Gengis Khan não apenas ensinou seu povo a lutar através de distâncias incríveis, mas a manter a campanha por anos, décadas e, finalmente por mais de três gerações de luta incessante.

Em 25 anos, o exército mongol subjugou mais terras e povos do que os romanos em 400. Gengis Khan, justamente com seus filhos e netos, conquistou as civilizações mais densamente povoadas do século XIII. [...] O império de Gengis Khan conectou e amalgamou as várias civilizações em torno de si em uma nova ordem mundial. Quando de seu nascimento em 1162, o Velho Mundo consistia numa série de civilizações regionais, cada uma podendo afirmar desconhecer virtualmente qualquer civilização além de sua vizinha mais próxima. Ninguém na China havia ouvido falar da Europa, e ninguém na Europa havia ouvido falar da China e, até onde se sabe, nenhuma pessoa havia feito a jornada de um país ao outro. Quando da sua morte, em 1227, Gengis Khan havia ligado essas áreas por meio de contatos diplomáticos e comerciais que permanecem intactos até hoje.

À medida que destruía o sistema feudal de privilégio aristocrático e linhagem, Gengis Khan construía um excepcional sistema baseado no mérito individual, na lealdade e competência. Encontrou cidades mercantis desarticuladas e langorosas ao longo da Rota da Seda e organizou-as na maior zona de livre comércio da história. Baixou os impostos para todos e aboliu-os completamente para médicos, professores, padres e instituições educacionais. Estabeleceu um censo regular e criou o primeiro sistema postal internacional. Seu império não era de acumulação de riquezas e tesouros; em vez disso, distribuía amplamente as mercadorias obtidas em batalha para que pudessem retornar para a circulação comercial. [ ...] Em uma época em que a maioria dos governantes considerava-se acima da lei, Gengis Khan insistia em que as leis considerassem os governantes tão responsáveis quanto o pastor mais simples. Concedeu libertade religiosa dentro de seus domínios; no entanto demandou lealdade absoluta dos indivíduos conquistados de todas as religiões. Insistiu na soberania da lei e aboliu a tortura, mas armou campanhas importantes para encontrar e matar salteadores e assassinos terroristas. Gengis recusou-se a manter reféns e, em vez disso, instituiu a prática original de conceder imunidade diplomática para todos os embaixadores e emissários, incluindo aqueles de nações hostis contra as quais ele estava em guerra. [...]
The ocidental soldier - Mantos,  túnicas e meiões, foram substituídos
Aparentemente todos os aspectos da vida europeia - tecnologia, técnicas de guerra, roupas, comércio, alimentação, literatura e música - mudaram durante a Renascença como resultado da influência mongol. Além das novas formas de combate, novas máquinas e novos alimentos, mesmo os aspectos mais rotineiros da vida cotidiana mudaram na medida em que os europeus passaram a usar os tecidos mongóis, vestindo calças e casacos em vez de túnicas e mantos, tocar seus instrumentos musicais com o arco da estepe em vez de dedilhá-los e pintar seus quadros com um novo estilo. Os europeus chegaram a usar a exclamação mongol hurray como uma expressão entusiasmada de bravata e encorajamento mútuo. [...]

Kublai Khan, neto de Gengis Khan, com Marco Polo
Com a passagem dos séculos, os acadêmicos ponderaram as atrocidades e agressões cometidas por homens como Alexandre, César, Carlos Magno ou Napoleão contra suas realizações ou sua missão especial na história. No caso de Gengis Khan e os mongóis, entretanto, suas realizações foram esquecidas, enquanto que seus alegados crimes e brutalidade foram exagerados. Ele se tornou o estereótipo do bárbaro, do selvagem sanguinário, do conquistador implacável que apreciava a destruição por si só. Gengis Khan, a sua horda mongol, e em grande parte o povo asiático em geral tornaram-se criaturas unidimensionais, o simbolo de tudo que está além dos limites civilizados."

Jack Weatherford, Gengis Khan e a Formação do Mundo

Postado por Cláudio Camargo, em seu Blog

domingo, 25 de novembro de 2012

PORTA-VOZ DA DIREITA ASSUME DESEJO DE GOLPE

File:Brazil Nazi Flag.png
DITADURA NUNCA MAIS ! - ABAIXO OS NEO-FASCÍSTAS!

dO SITE Brasil 247

:

Uma das vozes da ultradireita no Brasil, brigadeiro Ivan Frota diz em entrevista concedida em Goiânia que “há uma forte vontade para tirar este governo sem-vergonha que está aí”. 
O presidente do Clube da Aeronáutica afirma que a Justiça no Brasil é comprada, que onda de violência em São Paulo é para desestabilizar o governo Alckmin e que Comissão da Verdade é "revanchismo inaceitável"
Hélmiton Prateado
(do Jornal Diário da Manhã)
O tenente-brigadeiro Ivan Frota nasceu em Fortaleza e foi criado em Ipameri, interior de Goiás, desde os dois meses de idade. Saiu daqui para estudar no Rio de Janeiro e se tornou oficial general da Força Aérea Brasileira. De passagem por Goiânia ele concedeu entrevista ao Diário da Manhã e falou sobre temas políticos e relembrou fatos do período militar.
Ivan Frota foi o primeiro aviador brasileiro a acumular mais de 3.000 horas de vôo em jato de caça. Sua tese de estudos para ingresso no Estado Maior da Aeronáutica se tornou o Projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). Foi candidato a deputado federal pelo PSD do Rio de Janeiro em 1994. Obteve pouco mais de 251 mil votos para presidente da República em 1998 pelo PMN e saiu da política após perder novamente uma eleição para deputado federal em 2002 pelo PTB no Rio Grande do Norte.
Na reserva desde 1993 ele agora preside o Clube da Aeronáutica, equivalente para os aviadores ao Clube Militar – do Exército – e ao Clube Naval, da Marinha. Preside também a Academia Brasileira de Defesa, instituição que pretende ser para os civis o equivalente ao Ministério da Defesa. Um gabinete paralelo que discute temas ligados a assuntos oficiais de segurança nacional.
Para Ivan Frota a Comissão da Verdade é um “revanchismo inaceitável e pouco inteligente, um erro de quem está comandando politicamente este país”. O brigadeiro considera que o período militar (1964-1985) não foi uma ditadura “pois o País tinha presidentes eleitos e Congresso funcionando”. Para ele o Ato Institucional nº 5 (AI-5) não invalidou a legitimidade dos governos que se valeram dele. A morte do jornalista Vladmir Herzog não merece ser discutida e torturadores e assassinos como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra devem ser perdoados e que não há prova de que ele tenha torturado e matado. “Quem tinha de ser julgado eram as Forças Armadas”.
Para o presidente do Clube da Aeronáutica os ataques promovidos por criminosos ligados ao PCC – Primeiro Comando da Capital - em São Paulo apresentam aspectos de estar a serviço de grupos políticos supostamente ligados ao PT ou a quem queira desestabilizar o governo de São Paulo que é do PSDB. Afirma que o ex-presidente Lula tem patrimônio de 2 bilhões de dólares, que a corrupção está campeando solta na política nacional e que “a Justiça é manipulada pelo governo, todo mundo nesse país se vende,”.
Diário da Manhã – Como o senhor avalia a Comissão da Verdade?
Ivan Frota – Acho um revanchismo inaceitável e pouco inteligente que o governo está cometendo um erro. O Brasil precisa pensar no futuro e colocar a verdadeira dimensão de um país de 200 milhões de habitantes e uma superfície de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Não podemos nos prender a coisas ultrapassadas como esse revanchismo barato que diz respeito a acontecimentos do tempo dos governos militares. Na realidade estamos vendo que indivíduos de representação daquela época, subversivos, indivíduos que funcionavam contra o governo instalado, hoje estão aí sendo presos e punidos pelo mensal, como o José Dirceu. Isto é uma constatação para a sociedade do nível de qualidade moral que esses indivíduos tinham naquela época e que estão mostrando que o que eles queriam era só tomar conta do poder para se locupletarem com o dinheiro público.
Diário da Manhã – Mesmo a presença de representantes do Judiciário e outras instituições dá legitimidade à comissão?
Ivan Frota – Sei que há até ministro do STJ que compõe a comissão, como outros membros. Não quero dizer que um ou outro seja revanchista, mas a criação da comissão para investigar só um lado, não investigar o outro, acho que é perda de tempo e desgaste para uma nação como é o Brasil que isto esteja acontecendo agora. Só finalidade negativa. Acho uma perda de tempo e que deva ser colocada uma pá de cal sobre isto, coisa que já deveria ter sido feita há muito tempo. A própria Lei da Anistia já tinha dado. Estão querendo simular outra coisa que já não existe mais, não há a menor razão de ser.
Diário da Manhã – A Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a Lei da Anistia e mandou que crimes de tortura e morte sejam julgados. Isto não igualmente não tem legitimidade?
Ivan Frota – A OEA é uma instituição comandada pelos Estados Unidos e que está se imiscuindo em assunto que não lhe diz respeito. Nós estamos sendo vítimas em nosso país de duas pressões contra a população brasileira. A primeira é esta pressão política do próprio governo que está instalado, que faz pressão contra o desenvolvimento do país. O atendimento às necessidades das forças armadas tem sido negado. As forças armadas brasileiras são as menos equipadas da América do Sul, porque ficam com medo de que equipando as forças armadas possa ser feita alguma revolução ou golpe, como foi em 1964. O que não está na cabeça dos militares nesse momento.
Diário da Manhã – Os militares não estão mais com cabeça para golpe?
Ivan Frota – Para novo golpe militar não. Mas há uma forte vontade para tirar esse governo sem vergonha que está aí, que está já há não sei quanto tempo tomando atitudes absurdas em relação a nosso país como essa comissão da verdade. O povo, de repente, vai se cansar de tudo isso e por mais que se compre a vontade popular, como está sendo feito nesses oito anos de governo do PT e mais esses dois anos da Dilma, foram todos dedicados a comprar a vontade do povo, com bolsa família e outras asneiras. Culminou com o mensalão que é comprar a vontade dos políticos também.
Diário da Manhã – Como se sente um oficial hoje em ter de bater continência e obedecer as ordens de uma mulher que foi terrorista e pegou em armas contra a ditadura militar?
Ivan Frota – Os militares são disciplinados e uma continência significa dar um bom dia, que qualquer pessoa o faz em sinal de respeito. São responsáveis e a disciplina está acima de tudo. Têm mantido esse nível e enquanto houver um governo constituído e apoiado em uma Constituição os militares vão manter sua obediência e respeito às autoridades constituídas.
Diário da Manhã – Como o senhor vê a postura do ex-presidente Lula?
Ivan Frota – O senhor Luiz Inácio Lula da Silva é um ser político. Apesar do baixo cultural ele é um indivíduo que tem um senso político excepcional e ele gosta de praticar essa política. Creio que ele saiu do governo para continuar a fazer política. Ele poderia até, com o apoio popular que tinha quando estava na presidência, ter postulado um terceiro mandato e até se perpetuar no governo. Ele não quis isto porque não é sua seara. Lula quando estava no governo nunca governou nada, o que ele fez foi delegar poder de mando para outros, como os ministros José Dirceu e Dilma Roussef. Ele fez política o tempo inteiro. Tudo o que ele assinou foi sem saber o que estava assinando. Ele adora fazer política e está fazendo. Conseguiu fazer o prefeito de São Paulo de uma forma inesperada com um rapaz sem qualidade nenhuma para a maior cidade do país.
Diário da Manhã – O ex-ministro Fernando Haddad, prefeito eleito de São Paulo, é doutor em filosofia pela USP. Para o senhor ele não tem qualidade nenhuma?
Ivan Frota – Eu não quero saber quem foi que deu diploma para ele. Eu avalio apenas seu desempenho político. Só teve fracasso nesse quesito e por isto foi escolhido. Não acredito que vá ter sucesso como prefeito. Seu comportamento político foi condenável em todos os aspectos, é muito fraco. Eu não sei o que o Lula está querendo com esse protegido seu. Até sei. Está querendo conquistar o maior segmento político do país, que o estado de São Paulo inteiro. Já conquistou a prefeitura agora quer o governo do estado. Essa movimentação se mostra com esses acontecimentos de crimes em série em São Paulo que estamos assistindo. A bandidagem não cresce de repente a não ser que estimulada por determinados objetivos e a política está por trás disso.
Diário da Manhã – O senhor está sugerindo que assassinatos, ataques a quartéis e presídios, além de incêndios em ônibus têm fundo político?
Ivan Frota – Essas ações de banditismo que estão ocorrendo em São Paulo só podem ser para desestabilizar o governo do estado de São Paulo. A quem interessa isto, senão os indivíduos que querem neutralizar a ação política do governador Geraldo Alckimin. Tenho certeza que há uma atividade política nisto aí e que se for comprovada será um escândalo maior que o mensalão. Agora não estão só roubando dinheiro, agora estão matando gente. É um negócio muito sério. De repente cresce em escala exponencial a atividade do banditismo e há alguma coisa por trás disso para desestabilizar o governo do estado. Não posso provar, mas a lógica nos leva essa conclusão. É só prestar atenção que verá isto. Só pode haver uma vontade política em desestabilizar esse governo.
Diário da Manhã - O senhor acredita em um retorno dos militares ao poder?
Ivan Frota – O que eu acho extremamente necessários é que consigamos eleger governos sérios, que queiram o desenvolvimento do país, que não permitam a balbúrdia e a roubalheira. Todos os presidentes militares terminaram sua vida sem riqueza e o presidente Lula tem uma fortuna de 2 bilhões de dólares, segundo a Revista Forbes. Como é que pode ser uma coisa dessas. O filho dele que era funcionário do jardim zoológico e está milionário. Ninguém consegue ganhar tanto dinheiro assim em tão pouco tempo. A corrupção está campeando solta nesses dois governos liderados pelo PT e o Lula é um exemplo disso. Enquanto isto ficam inventando coisas para julgar indivíduos que deram sua colaboração para evitar o comunismo triunfar no Brasil.
Diário da Manhã – Como o do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra?
Ivan Frota – É um exemplo. O Ustra está sendo um boi de piranha. Quem tinha que ser julgado eram as forças armadas, ele apenas cumpria ordens. Ele cumpriu seu dever porque ocupava um cargo.
Diário da Manhã – O Ministério Público Federal ofereceu denúncia e a Justiça acatou. Estão também de conluio com as esquerdas?
Ivan Frota – Que Justiça é esta? É uma Justiça comprada, manipulada pelo governo. Quem tem mais poder manipula. Nesse país todo mundo se vende.
FRASES
“Que Justiça é esta? É uma Justiça comprada, manipulada pelo governo. Quem tem mais poder manipula. Nesse país todo mundo se vende.
“Não podemos nos prender a coisas ultrapassadas como esse revanchismo barato que diz respeito a acontecimentos do tempo dos governos militares”.
“A OEA é uma instituição comandada pelos Estados Unidos e que está se imiscuindo em assunto que não lhe diz respeito. Nós estamos sendo vítimas em nosso país de duas pressões contra a população brasileira”.
“Há uma forte vontade para tirar esse governo sem vergonha que está aí, que está já há não sei quanto tempo tomando atitudes absurdas em relação a nosso país”
“Lula quando estava no governo nunca governou nada, o que ele fez foi delegar poder de mando para outros, como os ministros José Dirceu e Dilma Roussef. Ele fez política o tempo inteiro”.
“Essas ações de banditismo que estão ocorrendo em São Paulo só podem ser para desestabilizar o governo do estado de São Paulo. Tenho certeza que há uma atividade política nisto aí e que se for comprovada será um escândalo maior que o mensalão”.

Lula é comparado a Gandhi na Índia, mas oligarquia midiática brasileira censura consagração do ex-presidente no exterior

Lula e seus Prêmios

por Marcos Coimbra


É comum haver discrepância entre a imagem de uma liderança em seu país e no resto do mundo.

Nos regimes autoritários, os governantes tendem a ser mais bem quistos em casa, pois não permitem que seus compatriotas desgostem deles. Nas democracias, acontece o inverso, e é normal que sejam mais bem avaliados fora.  

Isso costuma decorrer dos alinhamentos partidários internos, que, para um estrangeiro, são pouco relevantes. Ou vem do sentimento traduzido pelo aforismo “Ninguém é profeta em sua terra”.

É mais fácil condescender com quem conhecemos menos.

No Brasil, são raríssimos os políticos que adquiriram notoriedade fora de nossas fronteiras. Só os brasilianistas conhecem a vasta maioria, que chegou, no máximo, à América do Sul e aos países de expressão portuguesa.

Lideranças brasileiras de fato conhecidas internacionalmente são duas: Fernando Henrique e Lula. Dilma está a caminho de ser a terceira.

O tucano é um exemplo daqueles cuja imagem interna e externa é marcadamente distinta.

Fora do Brasil, FHC é visto com olhos muito mais favoráveis que pela maior parte dos brasileiros. É evidente que tem admiradores no País, mas em proporção substancialmente menor que o daqueles que não gostam dele.

Tem, no entanto, reconhecimento internacional, que se traduz em homenagens, prêmios e convites para integrar colegiados de notáveis.

Sempre que é saudado no exterior, nossa mídia e os “formadores de opinião” de plantão registram com destaque o acontecimento, considerando-o natural e como a compreensível celebração de suas virtudes.

Acham injusta a implicância da maioria dos brasileiros para com ele. 

Lula é um caso à parte. A começar por ser admirado dentro e fora do país.

Como mostram as pesquisas, os números de sua popularidade são únicos em nossa história. Foi um governante com aprovação recorde em todos os segmentos relevantes da sociedade, em termos regionais e socioeconômicos.

Acaba de colher uma vitória eleitoral importante, com a eleição de Fernando Haddad, a quem indicou pessoalmente e por quem trabalhou. Feito só inferior ao desafio que era eleger Dilma em 2010.

No resto do mundo, é figura amplamente respeitada, à esquerda e à direita, por gregos e troianos. Já recebeu uma impressionante quantidade de honrarias.

Esta semana, foi-lhe entregue o prêmio Indira Gandhi, o mais importante da Índia, por sua contribuição à paz, ao desarmamento e ao desenvolvimento. Na cerimônia, o presidente do país ressaltou que Lula o merecia por defender os mesmos princípios que Indira e Mahatma Gandhi. O que representa, para eles, associá-lo à mais ilustre companhia possível.

Quem conhece a imagem que Lula tem quase consensualmente no Brasil e no estrangeiro deve ficar perplexo.

Será que todo mundo - literalmente – está errado e a direita brasileira certa? Só sua imprensa, seus porta-vozes e representantes sabem “quem é o verdadeiro Lula”? O resto do planeta foi ludibriado pelas artimanhas do petista?

É até engraçado ouvir o que dizem alguns expoentes da direita tupiniquim, quantos adjetivos grosseiros são capazes de encontrar para qualificar uma pessoa que o presidente da Índia (que, supõe-se, nada tem de “lulopetista”) coloca ao lado do Mahatma.

Só pode ser porque não conhece o que pensa aquele fulaninho, um dos tais que sabem “a verdade sobre Lula”. 

Fontehttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-premios-de-lula-por-marcos-coimbra