O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

NÃO HÁ MOTIVO PARA PRENDER JOÃO SANTANA: UM PUBLICITÁRIO NA JUSTIÇA DO ESPETÁCULO:




ALEX SOLNIK

Prender João Santana sem culpa formada, sem flagrante, sem que tenha interferido em investigações, 
sem que sua liberdade implique em perturbação da ordem cheira a mais uma transgressão grosseira 
da constituição de 1988, sob os olhares complacentes dos ministros do STF, seus guardiões oficiais 
contra a qual ao menos nós, os jornalistas, devemo-nos levantar.
Não há motivo para prender Santana. Esse é o ponto. Ele não matou, não roubou, não bateu em 
ninguém. Não é ladrão nem malfeitor. É jornalista e publicitário, dos mais competentes do mundo. 
Não pode ser demonizado por ter sido muito bem remunerado por seu trabalho legítimo.
Se há suspeitas a respeito da forma como recebeu dinheiro, ele não pode ser preso para confirmá-las. 
No estado de direito, primeiro as acusações têm que ser provadas e muito bem provadas para que, 
depois de julgamento, virem absolvição ou culpa. E só depois vem a prisão. Do jeito que está, a 
prisão vem antes. O carro na frente dos bois.
Muita gente temia, desde o início da Lava Jato que ela se transformasse numa nova República do 
Galeão, um país com suas próprias leis que tinha o objetivo explícito de fragilizar para depois 
derrubar Getúlio Vargas. Pois ela está ficando cada vez mais parecida.
Contra esses desmandos devemo-nos levantar antes que seja tarde. Não podemos encarar essa ordem 
de prisão contra João Santana como coisa normal. Não é. Prender jornalistas e publicitários é ato de 
regimes de exceção. Prender antes de julgar é ato de regimes de exceção.
Ou estamos numa democracia e atos como a ordem de prisão contra João Santana devem ser 
revogados ou os atos como esse são válidos e não estamos numa democracia.

O “ERRO” DE DATAS LIGANDO A ODEBRECHT AO INSTITUTO LULA OBEDECE A UM PADRÃO DA GLOBO JATO



PF “suspeita” de construção de prédio que existia há 10 anos

por Kiko Nogueira
A Polícia Federal está produzindo, na Lava Jato, um arsenal de ilações e acusações que, com 
freqüência cada vez maior, atropelam os fatos. Um relatório da nova fase, cujo ápice foi a prisão do 
marqueteiro João Santana e da mulher, diz que Lula deve ser investigado por causa do “possível 
envolvimento em práticas criminosas”.
Quais práticas? A Odebrecht teria financiado a “construção e o planejamento” da sede do Instituto 
Lula no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Foi recolhida uma planilha de uma mulher que mantinha 
“vínculo empregatício” com a empreiteira, denominada ”Posição Programa Especial Italiano”.
Ali está a anotação “Prédio (IL)” e um número (12.422.000). No relatório policial, lê-se que “pode 
ser uma alusão ao Instituto Lula”. Mais: no celular de Marcelo Odebrecht havia uma menção a 
“prédio novo” em 22 de outubro de 2010.
O delegado Filipe Hille Pace aponta no documento que “é importante que seja mencionado que a 
investigação policial não se presta a buscar a condenação e a prisão de ‘A’ ou ‘B’. O ponto inicial do 
trabalho investigativo é o de buscar a reprodução dos fatos.”
Na verdade, o objetivo é outro e, se os fatos não estiverem de acordo, que sejam distorcidos. Em 
2010, o Instituto Lula não existia. Foi fundado em 2011 no lugar onde ficava um certo Instituto 
Cidadania. O sobrado é de 1991.
A equipe de vazamentos da Lava Jato sabe que contar com a mídia amiga é fundamental. Não é 
preciso muito esforço para provocar o efeito desejado. Basta juntar as palavras Odebrecht e Lula 
para fazer as manchetes. Inclua uma cifra, ou algo que pareça uma cifra, e uma vontade irrefreável 
de aparecer, e o serviço está pronto.
Não foi a primeira vez e não será a última em que coisas simples como datas não batem. Você 
precisa ser muito inocente para acreditar que é um erro casual. A ideia é fazer caber na narrativa que 
Moro está criando, com a ajuda dos suspeitos de sempre.
Há poucos meses, o pedido do Ministério Público Federal na operação que resultou na prisão do 
pecuarista José Carlos Bumlai declarava, textualmente, o seguinte:
“Em 3/02/2005, pouco tempo depois de BUMLAI auxiliar na obtenção de empréstimo em favor do 
Partido dos Trabalhadores, quando ainda estava inativa, a SÃO FERNANDO AÇUCAR E ALCOOL 
LTDA (CNPJ Nº 05.894.060/0001-19) recebeu R$ 64.664.000,00 de crédito do BNDES . A empresa 
voltaria a obter créditos do BNDES em 12/12/2008, quando recebeu investimentos de 
aproximadamente R$ 388.079.767.”
Trocando em miúdos, fala-se de um empréstimo em 2005, pouco tempo depois de Bumlai dar 
dinheiro ao PT.
Acontece que os 64 milhões são de 2009. Por que o “deslize” de situar o caso em 2005? Para fazer 
caber na história de que Lula estava por trás das maracutaias no auge do mensalão.
“Os personagens são basicamente os mesmos do mensalão, José Dirceu e Pedro Correa. E agora 
temos essa tipologia de concessão de empréstimos que jamais são quitados”, disse o procurador 
Diogo Castor de Mattos na tradicional coletiva.
Os dados estavam disponíveis no site do BNDES, neste link. Por que ninguém checou?
Porque não se trata de checar nada, mas de juntar peças de um quebra cabeça que, frequentemente, 
não se encaixam. O importante é que se forme, no final das contas, o monstro de duas cabeças 
chamado Lula e Dilma.

STF NEGA AÇÃO DO CONSELHO DE ÉTICA CONTRA MANOBRA DE CUNHA


Ministra Rosa Wber, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta terça-feira, 23, o mandado de Segurança impetrado pelo presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), contra manobra do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para atrasar a tramitação do seu processo de cassação; ação pedia a anulação da decisão do vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), que invalidou a última sessão do Conselho de 2015, quando o relatório de Marcos Rogério (PDT-RO), pela continuidade do processo contra Cunha, foi aprovado por 11 a 9. 

Brasília 247 - A ministra Rosa Wber, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta terça-feira, 23, o 
mandado de Segurança impetrado pelo presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos 
Araújo (PSD-BA), contra manobra do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para atrasar 
a tramitação do seu processo de cassação.
A ação do presidente do Conselho pedia a anulação da decisão do vice-presidente da Câmara, Waldir 
Maranhão (PP-MA), que invalidou a última sessão do Conselho de 2015, quando o relatório de 
Marcos Rogério (PDT-RO), pela continuidade do processo contra Cunha, foi aprovado por 11 a 9.
A expectativa do colegiado era retomar os trabalhos de onde a comissão parou, em dezembro do ano 
passado. Já superada a primeira fase, de votação do relatório preliminar, havia começado o prazo 
para a apresentação da defesa formal de Cunha –10 dias úteis.
Também nesta terça, a defesa de Cunha entrou com um recurso no STF pedindo que a primeira 
turma, da qual o ministro Luís Roberto Barroso faz parte, analise a decisão do magistrado que, 
semana passada, negou a suspensão do processo de cassação do peemedebista. _____________________________________________________________

EXCLUSIVO: MÍRIAN DUTRA DIZ QUE GLOBO FOI BENEFICIADA COM DINHEIRO DO BNDES AO ‘EXILÁ-LA’ E PROVOCA FURIA A DOS MARINHOS


Mirian Dutra. Ela cita também ‘concessão de TV em Minas’ para ex-chefão de jornalismo da emissora

por Joaquim de Carvalho 

Esta é a primeira matéria da série sobre a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. O projeto foi 
financiado pelos leitores através de um crowdfunding na plataforma Catarse. Fique ligado.
Existem muitas maneiras de entender o que foi e como foi executado o projeto de poder que resultou 
na aprovação da emenda que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas 
duas são particularmente reveladoras.
Uma delas é traçar o perfil dos deputados acreanos que venderam o voto para mudar a Constituição 
por R$ 200 mil reais em 1997 (R$ 923 mil corrigidos pelo IGP-M até janeiro deste ano).
A outra maneira de buscar um quadro mais nítido do episódio da reeleição é entrevistando a 
jornalista Mirian Dutra Schmidt, que conhece Fernando Henrique Cardoso como poucos e viveu esse 
período como “exilada” na Europa, por ter um filho que ela diz ser dele.
Percorri os dois caminhos, e o que emergiu foi uma história que une as duas práticas. Uma delas é a 
da política do Brasil profundo, de fronteira, onde a moeda sonante é o argumento mais eficaz para 
mudar consciências.
A outra prática é a do Brasil central, com políticos e profissionais de comunicação que trocam o 
silêncio por prestígio ou poder e, no final das contas, acabam por transferir riqueza a grupos 
privilegiados.
Vamos começar esta série pelo episódio atual, Mirian Dutra, que deu entrevista à revista Brazil com 
Z (publicação para brasileiros que vivem na Europa) e falou pela primeira vez de seu relacionamento 
com Fernando Henrique Cardoso.
Mirian se formou em jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina e, em 1982, aos 22 anos 
de idade, ancorava em Florianópolis pela RBS (afiliada da Globo) o horário local do TV Mulher.
“Para mim, aconteceu tudo muito rápido. Eu era estudante, trabalhava na rádio Itapema e fui 
chamada para apresentar o TV Mulher, logo depois apresentava no jornal do almoço um quadro 
sobre turismo em Florianópolis”, diz Mirian.
Nesse período, casou-se com um fotógrafo e teve uma filha, Isadora. O casamento durou cerca de um 
ano. “Eu queria cobrir política, era minha paixão e pedi à Globo outro local para trabalhar. Me 
ofereceram apresentar o jornal local de Minas, mas eu queria política e fui para a Manchete em 
Brasília”, diz.
Ela chegou à capital da República em 1985, com 24 anos de idade e uma filha de um ano e meio. 
Seis meses depois, Antônio Britto deixou a TV Globo para ser porta-voz de Tancredo Neves, e, com 
os remanejamentos internos da Globo em Brasília, surgiu uma vaga para trabalhar no Bom Dia 
Brasil.
“Eu fui a primeira mulher a trabalhar no Bom Dia Brasil, porque o trabalho lá é difícil. Tem que 
levantar às 4 da manhã e dormir às 7 da noite. Eu era divorciada, mulher casada que trabalha no 
ritmo desses perde o casamento.”
O casamento da sucessora dela no Bom Dia Brasil, a jornalista Beatriz Castro, não resistiu seis 
meses.
Eram os dias de intensa cobertura em Brasília, por causa da doença e morte de Tancredo Neves e do 
início do governo José Sarney, o primeiro civil depois de 20 anos de ditadura militar, quando Mirian 
conheceu Fernando Henrique Cardoso no restaurante Piantella.
O Piantella, hoje propriedade do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, era reduto 
de políticos e jornalistas. Ali costumavam ocorrer às terças-feiras jantares que definiam a pauta do 
Congresso, primeiro com Ulysses Guimarães à frente, depois Luiz Eduardo Magalhães e, mais 
recentemente, Michel Temer.
Como bebida destrava a língua, para jornalistas era um prato cheio frequentar o Piantella. Mirian 
conta que estava jantando com colegas de profissão quando Fernando Henrique Cardoso chegou e 
foi convidado para se sentar à mesa.
Era 1985, e Fernando Henrique Cardoso estava cotado para disputar a prefeitura de São Paulo, o que 
viria a ocorrer. “Eu admirava o Fernando Henrique pelos livros que ele tinha escrito, mas não pintou 
nada, nada”, diz.
Na versão dela, depois de muitos telefonemas, com Fernando Henrique ‘dizendo que estava 
apaixonado’, os dois começaram a namorar. Em 1991, quando Collor cogitou levar Fernando 
Henrique para o Ministério das Relações Exteriores, Mirian o desaconselhou, por cobrir o governo.
“Ele chegou em casa às duas horas da manhã, depois da reunião em que o Mário Covas foi contra o 
PSDB entrar no governo, e disse: ‘Você acabou com a minha vida’”.


FHC com Covas: “Ele chegou em casa às duas horas da manhã, depois da reunião em que o Mário Covas foi contra o PSDB entrar no governo, e disse: ‘Você acabou com a minha vida’”

Alguns meses depois, segundo ela, Fernando Henrique repetiria algo nessa linha, ao dizer que Mirian não poderia levar adiante a gravidez anunciada. “Você pode ter filho de quem quiser, menos meu.”
Segundo Mirian, estava foi a última vez que os dois falaram como namorados. “Para mim, acabou. Vi o tipo de homem que era.”
Pergunto: mas Fernando Henrique era o pai da criança?
“Claro que é.”
Mas e os DNAs posteriores, que provam o contrário?
“Ele diz que fez os exames nos Estados Unidos e o correto teria ter sido feito na minha presença, com a coleta do meu sangue. Por que fez lá? Por que demorou tanto para fazer, se eu pedi que fizesse quando fiquei grávida?”
Mirian diz estar disposta a um novo exame e afirma que tentou convencer seu filho a fazê-lo.
“Mas ele não quis. O Fernando Henrique deu a ele o que eu, como jornalista, nunca poderia dar: estudo de graduação na Georgetown University, uma das mais conceituadas do mundo, 60 mil dólares por ano, no mínimo, bancou sua permanência lá, e depois deu um apartamento de 200 mil euros, cash, em Barcelona. Para o Tomás (nome do filho), está bem feito. Para que questionar?”
Aspectos privados da vida de Fernando Henrique, Mirian Dutra e do filho dela pertencem a eles, mas o assunto deixou a esfera da privacidade quando o então senador Fernando Henrique, líder do PSDB e um dos formuladores da política em Brasília, colocou em marcha a engrenagem de mídia para iludir a opinião pública.
“O Fernando Henrique me ligou várias vezes e me pediu que recebesse a revista Veja em Florianópolis, onde eu estava para ganhar o bebê, e dissesse que o filho era de outra pessoa. Era uma coisa meio esquisita. Quem eu era para aparecer na Veja?”
Uma fotógrafa da agência Somm, Suzete Sandin, que Mirian Dutra conhecia dos tempos da Universidade Federal de Santa Catarina, foi contratada pela revista para um freelance, e procurou Mirian, que aceitou posar.
“Uma repórter, que eu não conheço, acho que era de outra cidade, me procurou e vi que ela tinha uma única missão: pegar a declaração que o Fernando Henrique tinha passado para mim”, afirma.
Na coluna Gente da edição de 24 de julho de 1991, a de número 30 do 24º ano de Veja, é publicada uma frase atribuída a Mirian:
“O pai da criança, um biólogo brasileiro, viajou para a Inglaterra para fazer um curso e voltará para o Brasil na época do nascimento do bebê.”
E existe esse biólogo?
“Claro que não. Isso é mentira. Era o que Fernando Henrique queria ver publicado, e foi publicado”, diz hoje a arrependida Mirian.
“Minha mãe quase enlouqueceu e disse: ‘Você não pode fazer isso.’ Eu tinha contado para ela quem é o pai. A barra foi muito pesada e eu quase perdi a gravidez”!
Mirian revela que ouviria mais tarde de Paulo Moreira Leite, na época um dos editores executivos de Veja, que a ordem para apurar e publicar a nota tinha partido de Mario Sergio Conti, que tinha assumido pouco tempo antes a direção de redação da revista.
“Foi uma armação do Fernando Henrique com o Mario Sergio”, diz a jornalista.
Ela diz que esta foi a primeira das muitas vezes em que viu a sua gravidez (e posterior nascimento do filho) ser usada para angariar prestígio. O governo era de Collor e ainda se cogitava abertamente a possibilidade de Fernando Henrique disputar a presidência, embora desfrutasse de prestígio como poucos na política, sobretudo por sua relação com a imprensa. Mas, segundo Mirian, chegar à presidência era o projeto de vida dele.
“Ouvi dele muitas vezes que seria presidente, porque os políticos no Brasil não sabiam de nada, eram mequetrefes. É claro que um filho fora do casamento, de uma mulher que todo mundo em Brasília sabia que era a namorada dele, prejudicaria seus planos.”
O filho nasceu e Mirian foi perdendo espaço de vídeo na Globo. Por razões que não ficaram para mim muito claras, na entrevista de mais de três horas que fiz com ela, Mirian Dutra decidiu ir para Portugal e logo estava empregada numa emissora em que Roberto Marinho era sócio.
Fernando Henrique já era ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco e apontado como um nome forte para a sucessão no ano seguinte. Mirian chama sua saída do Brasil de um autoexílio, e diz que o diretor de jornalismo da Globo à época, Alberico de Souza Cruz, padrinho do seu filho Tomás, o ajudou muito nessa saída.
“Eu gosto muito do Alberico, e ele dizia que me ajudou porque me respeitava profissionalmente. Éramos amigos, conhecíamos segredos um do outro, mas eu fiquei surpresa quando, mais tarde, no governo de Fernando Henrique, ele ganhou a concessão de uma TV em Minas. Será que foi retribuição pelo bem que fez ao Fernando Henrique por me ajudar a sair do Brasil?”


Mírian sobre Alberico, antigo diretor da Globo: concessão de tv como retribuição de FHC?

No caso de Alberico, ela não passa da insinuação, mas quando o assunto é uma de suas irmãs, Margrit Dutra Schmidt, a jornalista é direta. Segundo Mirian, a irmã era dona da Polimídia, uma empresa de lobby em sociedade com o marido, Fernando Lemos, que cresceu nos anos 90, com a venda de serviços de gestão de crise.
“A minha irmã tinha as portas abertas em tudo quanto é lugar e era chamada de ‘a cunhadinha do Brasil.’ Agora soube que ela tem um cargo de assessora do Serra no Senado e não aparece para trabalhar. Eu não sabia, mas não fiquei surpresa. Este é o bando de gente para quem ela sempre trabalhou. E o Serra eu conheço bem.”
“Por que a imprensa não vai atrás dessas informações? A minha irmã, funcionária pública sem nenhuma expressão, tem um patrimônio muito grande. Só o terreno dela em Trancoso vale mais de 1 milhão de reais. Tem conta no Canadá e apartamentos no Brasil. Era a ‘cunhadinha do Brasil’”.
No que diz respeito a seu contrato com a Globo, nos anos que ela considera de exílio no exterior, Mirian quebra o silêncio e vai além das declarações protocolares. “Sabe o que eles fizeram comigo? Ensaboa mulata, ensaboa…”, diz, cantarolando a música de Cartola.
Segundo ela, quem ensaboava era Carlos Henrique Schroeder, atual diretor geral da Globo, na época o número 2 do jornalismo.


Schroeder, hoje diretor geral da Globo, era o encarregado de ‘ensaboar Mírian’
“Em 1997, eu estava cansada do trabalho que fazia em Portugal, sem nenhuma importância, e me apresentei para trabalhar no escritório em Londres. Na época, quem dirigia era o Ernesto Rodrigues e ele me disse, na cara: ‘Enquanto eu dirigir este escritório, nenhuma amantezinha vai trabalhar aqui.’”
Mirian diz que voltou para o Brasil e se reuniu com Evandro Carlos de Andrade, sucessor de Alberico na direção de jornalismo, e comunicou que ou voltaria para o Brasil, ou pediria demissão. “O Evandro disse, na frente do Schroeder e do Erlanger (Luís Erlanger, que dividia com Schroeder as funções de número 2 no jornalismo): “Ninguém mexe com essa mulher. Ela mostrou que tem caráter”, conta.
Schroeder foi então, conforme o relato de Mirian, destacado para ser uma espécie de padrinho dela na TV Globo. “Poxa, você conquistou o chefe”, disse ele.
Apesar disso, Mirian não desistiu da ideia de voltar para o Brasil. “Eu fui repórter do Jornal da Globo na época da Constituinte, fiz Jornal Nacional e estava na geladeira. Isso derruba qualquer um.”
Os planos de Mirian chegaram ao conhecimento dos amigos e um deles, Luís Eduardo Magalhães, que foi presidente da Câmara dos Deputados e líder de Fernando Henrique no Congresso, a convidou para um almoço.
“Sobre o Luís Eduardo, tem uma coisa interessante: eu era amiga dele antes do Fernando Henrique e fui eu que aproximei os dois.”
No almoço, Luís Eduardo levou o pai, o senador Antônio Carlos Magalhães, que ela também conhecia, e ouviu deles, mas principalmente de ACM, que não era hora de voltar, que Fernando Henrique disputaria a reeleição e ela deveria ter paciência.
“Foi quando entendi que eu deveria viver numa espécie clandestinidade. Se eu voltasse, não seria bem recebida e as portas se fechariam para mim”, conta.
Mirian tomou a decisão de comprar um apartamento em Barcelona e ir para lá, como contratada da Globo, e produzir matérias de lá. A empresa topou, mas, mesmo pagando a ela um salário de 4 mil euros (cerca de R$ 18 mil), não aprovou a realização de nenhuma pauta em muitos anos.
“Me manter longe do Brasil era um grande negócio para a Globo”, diz. “Minha imagem na TV era propaganda subliminar contra Fernando Henrique e isso prejudicaria o projeto da reeleição.”
Mas o que a empresa ganhou com isso?
“BNDES”.
Como assim?
“Financiamentos a juro baixo, e não foram poucos”.


A dupla esperta FHC e Roberto Marinho comemoram nova gráfica do Globo, financiada com dinheiro público

Mirian afirma que a demissão da TV Globo, em setembro do ano passado, foi o que a levou a decidir fazer um relato da sua vida.
Foi um episódio que ela considera cruel. Depois de 25 anos de Globo, entre afiliada em Santa Catarina e Brasília, recebeu um e-mail de José Mariano Boni de Mathis, diretor executivo da Central Globo de Jornalismo. Curto e seco, ele informou: seu contrato não será renovado.
“A partir daí, eu não era mais a Mirian da TV Globo e me senti livre para fazer o que sempre quis, mas não podia: desenterrar os ossos e enterrar de novo, era como publicar um diário. Mas vi que esse cadáver incomoda muita gente, e a repercussão foi maior do que eu imaginava. Agora eu tenho que ler até o artigo de uma jornalista que me conhece e sabe bem dessa história, a Eliane Cantanhede, que me compara ao caso da Luriam, Miriam Cordeiro. Esse pessoal perde a compostura quando é para defender seus amigos. Absurdo.”
No almoço com Luís Eduardo Magalhães, havia uma quarta pessoa, cujo nome prefere não revelar no momento. Era representante da TV Globo. Na quinta-feira passada, quando a Folha de S. Paulo publicou entrevista de Mirian, ela recebeu um telefonema de Mariano Boni.
“Ele queria saber quem era o representante da TV Globo no almoço em Brasília. Sabe o que respondi para ele? Você acha que eu vou contar para você? Acho que o microfone estava aberto e, se eu conheço a Globo, o Ali Kamel (diretor de jornalismo) estava ouvindo a conversa. O Boni disse: mas a Globo sempre foi muito correta com você. Disse que ele era cínico e falei outras coisas pesadas. Fui bem malcriada, e desliguei o telefone. A secretária do Boni me ligou várias vezes, e eu não atendi.”
O telefonema em que ela conversou com Boni foi por volta das 14 horas, no horário de Madri, onde hoje ela mora, 11 horas no fuso brasileiro. Duas horas depois, o Jornal Hoje repercutiu a entrevista de Mirian à Folha e o apresentador Evaristo leu uma nota da emissora, em que a direção afirma:
“Durante os anos em que colaborou com a TV Globo, Miriam Dutra sempre cumpriu suas tarefas com competência e profissionalismo.”
Mirian faz uma ironia com a declaração: “Quando vi, pensei que eu tivesse morrido. Elogio assim só em obituário. Mas sei qual é a intenção deles: me calar com elogio fácil.”
E qual a relação do seu exílio com o projeto de poder representado pela emenda da reeleição?
“Mostra o jogo pesado que foi a continuidade do governo de Fernando Henrique Cardoso. Só olhar para o que aconteceu no segundo governo: as privatizações mais selvagens. Não podia dar errado, a Mirian não podia atrapalhar os grandes negócios. Está na hora de quebrar a blindagem desse pessoal. Mas onde estão os jornalistas, que não investigam?”

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O QUE O CONJUNTO DA FACÇÃO FASCÍSTO MERCANTIL QUER TIRAR DE LULA JAMAIS CONSEGUIRÁ: O CHEIRO E O AMOR DO POVO


É porque ele se manteve de esquerda, porque se manteve fiel à sua classe


O covarde cerco a Lula
De Bresser Pereira, em seu facebook



Há meses que eu ouço frases como: "Quando vão chegar no Lula?", ou então, "Quando vão pegá-lo?". Porque, afinal, este é o objetivo maior do establishment brasileiro: atingir o maior líder popular do Brasil desde Getúlio Vargas. Não porque ele seja desonesto, mas porque ele se manteve de esquerda, porque se manteve fiel à sua classe de origem não obstante o clássico processo de cooptação de que foi objeto. Pois bem, o establishment chegou ao Lula. Não para incriminá-lo, mas para tentar desmoralizá-lo.

As duas manchetes de primeira página dos dois principais jornais de São Paulo de hoje são significativas. Na Folha leio que "Lula é investigado por suposta venda de MPs". Não há nada contra o ex-presidente na Operação Zelotes, a não ser a desconfiança de um delegado irresponsável. 

O maior líder civil brasileiro de todos os tempos,se emociona contidamente, sempre, ao interpretar a angustiosa esperança que brilha nos olhos do seu povo... Confiança: essa é a sua maior marca e símbolo dessa aliança.
 O que há nessa operação é o envolvimento de grandes empresas e de seus dirigentes em um escândalo de grandes proporções de pagamento de propinas para obterem MPs favoráveis. No Estado, por sua vez, a manchete é "Compra de sítio foi lavrada no escritório de compadre de Lula". Neste caso – o do uso por Lula e sua família de um sítio no qual construtoras se juntaram para realizar obras sem que houvesse pagamento – o caso é mais objetivo. Lula aceitou um presente que não deveria ter aceito.

As contribuições de empresas a campanhas eleitorais (que até a decisão do Supremo eram legais) são afinal presentes. Mas é impressionante como empresas dão ou tentam dar presentes mesmo a políticos – presentes dos quais elas não esperam nada determinado em troca; fazem parte de suas relações públicas. Eu sempre me lembro de como tentaram reformar a piscina da casa do Ministro da Fazenda em Brasília quando ocupei esse cargo em 1987. Minha mulher os pôs para correr. Era o que devia ter feito Lula, que havia acabado de sair do governo. Não o fez, e isto foi um erro político. A reforma não aumentava seu patrimônio, apenas lhe proporcionava mais conforto. Ele não trocou o reforma do sítio por favores às duas construtoras. Não há nada sobre isto na investigação sobre o sítio.
O Estado brasileiro está revelando capacidade de se defender – de defender o patrimônio público – ao levar adiante as operações Lava Jato e Zelotes. Dirigentes de empresas, lobistas e políticos envolvidos estão sendo devidamente incriminados e processados. A instituição da delação premiada revelou-se um bom instrumento de moralização. Mas está havendo abusos.



Houve e estão havendo abusos na divulgação de delações sem provas, houve abuso em prisões cautelares ou provisórias quando não havia razão para elas. E não é razoável o que se está fazendo com Lula. Só um clima de intolerância e de ódio pode explicar o cerco de que está sendo vítima.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Arthur: ‘é hora de sair da pauta do impeachment’

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A tese golpista do impeachment virou pó,faz tempo,,,
247 – O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), discursou contra a "pauta do impeachment" durante evento na capital amazonense com a participação do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, nesta quarta-feira 3. Os dois defenderam diálogo e "agenda positiva" entre governo e oposição para tirar o Brasil da crise.
Arthur Virgílio disse que "o Brasil não pode permitir que o ano de 2015, que foi infeliz, que o ano de 2016, que está sendo infeliz, que esses dois anos de crise contaminem negativamente 2017 e 2018 porque o Brasil não aguenta passar quatro anos em recessão". Ele ressaltou que "está na hora de fazermos um pacto nacional, em cima de projetos, propostas que são capazes de tirar o Brasil dessa crise".
"Se não sairmos dessa história de impeachment e de não impeachment... alguém quer criticar o governo, critique o governo, alguém quer elogiar o governo, elogie o governo, mas precisamos sair dessa pauta do impeachment, que paralisa o País, paralisa o Congresso, paralisa qualquer força criadora que nós possamos ter", discursou o tucano.
Ao agradecer a presença de Mercadante, o prefeito ressaltou que os dois, sempre em campos opostos, e às vezes com "muitas divergências", construíram "um respeito mútuo em que foi possível dialogar". O ministro esteve na capital para anunciar o novo ciclo do Plano de Ações Articuladas (PAR) para as escolas da região e promover uma reunião sobre o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa.
Em sua fala, Mercadante disse estar "muito comprometido" com a proposta de Arthur Virgílio, que mesmo sendo "uma voz combativa na oposição", sempre dialogou com quem esteve do outro lado, a exemplo dele mesmo. "Essa é a beleza da democracia", comentou.
O ministro disse ainda que "a oposição não pode querer o 'quanto pior, melhor'. Porque quem paga essa conta é todo o povo brasileiro, principalmente os que mais precisam". Ele elogiou a proposta de "agenda positiva" mencionada pelo tucano.
"Precisamos de propostas que ajudem a resolver os problemas da sociedade, que se avance para frente e não fique com essa atitude revanchista em relação ao passado, em relação à eleição. Acabou a eleição, o Brasil continua e nós precisamos trabalhar juntos", afirmou.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O duplo padrão da Polícia Federal no Helicoca e no “triplex do Lula”




O helicóptero dos Perrellas com 445 kg de cocaína: inocentados pela PF em 15 dias

por : Kiko Nogueira


Ninguém pode acusar a Polícia Federal de não dar show, especialmente para o público sedento de escândalos dos mesmos atores. O famoso triplex 164-A no Guarujá foi classificado pela PF como um imóvel com “alto grau de suspeita quanto à sua real titularidade”.
A delegada Erika Mialik Marena, da Lava Jato, aponta num relatório que “manobras financeiras e 
comerciais complexas envolvendo a empreiteira OAS, a cooperativa Bancoop e pessoas vinculadas a 
esta última e ao Partido dos Trabalhadores apontam que unidades do condomínio Solaris, localizado 
na Avenida General Monteiro de Barros, 638, em Guarujá-SP, podem ter sido repassadas a título de 
propina pela OAS em troca de benesses junto aos contratos da Petrobrás”.
O promotor Cássio Conserino, conhecido como “o promotor da Veja”, intimou Lula e a mulher 
Marisa Letícia a depor no dia 17 de fevereiro, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo.
Para todos os efeitos, o apartamento já é de Lula. O trabalho é confirmar a suspeita e não exatamente 
verificar a verdade. Lula terá de esclarecer. Mas a mensagem que se quer passar adiante, entre 
outras, é a do “aí tem”, objetivo já plenamente alcançado.
É de se perguntar onde estava essa, digamos, fome de bola de apropriação no episódio do Helicoca. 
Para refrescar sua memória: no dia 24 de novembro de 2013, um helicóptero com 445 quilos de pasta 
base de cocaína foi apreendido numa fazenda no Espírito Santo.
A aeronave pertencia à Limeira Agropecuária, do ex-deputado estadual Gustavo Perrella, da irmã 
dele, Carolina Perrella, e do pai, o senador Zezé Perrella, ex-presidente do Cruzeiro e amigo de 
Aécio Neves.



O piloto, Rogério Almeida Antunes, era funcionário da Limeira tinha um cargo na Assembleia 
Legislativa de Minas Gerais por indicação de Gustavo.
A droga veio do Paraguai, onde esteve quatro dias antes do flagrante. Passou pelo Campo de Marte, 
na capital paulista, e por Minas Gerais. A carga estava avaliada em 50 milhões de reais.
Nunca houve qualquer dúvida quanto a quem pertencia o helicóptero.
No entanto, o doutor Leonardo Damasceno, da PF de Vitória, em velocidade estonteante, inocentou 
os Perrellas de qualquer participação no crime. Damasceno chegou a essa conclusão em escassos 15 
dias, baseado, oficialmente, nas ligações telefônicas dos celulares capturados.
Zezé Perrella não foi sequer ouvido, nem para dizer que não tem nada a ver com nada. Não houve 
indignação popular seletiva, não houve vazamento e a cobertura foi escassa.
Meia tonelada de coca num helicóptero de um parlamentar jamais rendeu uma declaração pública 
das autoridades de que havia “alto grau de suspeita” com relação ao homem.
Seja no caso do triplex na praia, seja no do sítio, seja no barco, Lula é culpado a priori — e o esforço 
hercúleo da Polícia Federal é juntar pontos que provem isso, eventualmente sem provar muita coisa,

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ENTÃO LULA É O GÊNIO DO CRIME, O LEX LUTHOR DO ABC ??? KKKKK




por Pablo Villaça, em sua página no Facebook

Depois de ser investigado continuamente por quase 40 anos - uma investigação sempre estampadanas capas de jornais e revistas interessados, como de hábito, em defender os interesses das corporações que os bancam -, este Blofeld do sindicalismo conseguiu, graças ao seu brilhantismo maquiavélico, evitar que qualquer prova acerca de suas décadas e décadas de malfeitos fosse descoberta. Nem o próprio Hercule Poirot conseguiria detê-lo, tamanho seu cuidado na concepção de seus milhares de esquemas.
 
Mas tudo chega ao fim. E Lula, enriquecido além do possível depois de tanto roubar, finalmente 
tropeçou ao desistir de comprar um apartamento (que tolamente havia declarado previamente à 
Receita), ao visitar o sítio de amigos (estupidamente às claras, sem esconder de ninguém) e, 
principalmente, ao permitir que sua esposa comprasse um barquinho de pesca de menos de 5 mil 
reais (e pateticamente com nota fiscal no próprio nome).
Por sorte, os Woodward-Bernsteins que compõem a equipe da Foxlha conseguiram descobrir esta 
compra (sorrateiramente feita com emissão de nota fiscal no nome verdadeiro de dona Marisa) e - 
ainda mais chocante - comprovaram que o caminhoneiro que entregou o barquinho tinha nada menos 
do que 25 anos de profissão (como destacaram na chocante matéria que renderá a eles o Pulitzer por 
terem derrubado o ex-presidente).
É um alívio saber que nossa imprensa sabe priorizar o que merece destaque: a revista Veja, que um 
dia será eternizada em sua própria versão de Spotlight (título provisório: Boimatlight), fez uma 
matéria fabulosa cuja manchete resume, por si so, o imenso apuro jornalístico do veículo: 
"Publicitária presa disse ter ouvido ‘zum-zum-zum’ sobre tríplex de Lula no Guarujá".
Ah, o "zum-zum-zum", esta prova que consta de todos os Códigos Penais como a mais 
inquestionável das evidências.
O ZumZumZumGate, como será conhecido pelas gerações futuras, acertadamente ganhou as páginas 
do jornalismo brasileiro no lugar de helicópteros com 500 kg de cocaína, de certos aviões dos 
Estados de SP e MG que foram usados para voos particulares de amigos e da esposa de certos 
governadores, de testemunhos repetidos sobre o mineiro "chato das propinas" e, claro, de contratos 
sem licitação feitos pela gestão de Alckmin para comprar 200 milhões anuais de merenda escolar.
Nossos barões da mídia sabem que tucanos são pré-anistiados e, portanto, não fazem o leitor perder 
tempo lendo notícias que não levarão a nada. São gentis assim.
Por outro lado, quando o roteirista dos clássicos modernos O Candidato Perfeito e Até que a Sorte os 
Separe 3 declara que o governo federal "cerceia críticas", ninguém aponta a aparente contradição: 
seus filmes tiveram captação de recursos aprovada pela Ancine. E ainda bem que não fazem isso, 
pois poderiam acabar levando o leitor a acreditar que o governo NÃO está implantando uma ditadura 
comunista no país. Sim, ela está sendo implantada há 14 anos, mas isto é apenas prova da 
incompetência de seus líderes.
Como apreciador do bom jornalismo, fico encantado ao perceber como a imprensa brasileira foi de
“Lula era o cabeça do esquema na Petrobras” a “mulher de Lula comprou barquinho de 
pesca”. E fico esperando, ansioso, pelas manchetes que virão a seguir:
"Lula teria matado ao menos 200 minhocas ao longo dos anos; barquinho de pesca foi utilizado 
para atirar cadáveres na água."
"PF intima peixe para depor: “Lula matou e comeu minha família”; esposa teria ajudado a 
cozinhar os corpos."
"Esposa de Lula comprou vara de pescar; vendedor com 32 anos de profissão relembra: “Ela 
ainda pediu desconto”."

E aguardo, ansioso, pelo discurso que será feito pelo repórter da Foxlha ao receber seu segundo 
Pulitzer por sua matéria investigativa que provará que Lula mentiu ao afirmar ter pescado peixe de 
18 kg.
É claro que poderia haver outra explicação para tudo isso, mas hesito em abraçá-la, já que implicaria 
em aceitar algo revoltante:
Que o jornalismo brasileiro virou fanfiction tucana.

O dinheiro sujo da Tucanolândia: “Moita” tratou da máfia da merenda nos Bandeirantes

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DINHEIRO SUJO NA TUCANOLÂNDIA
47 – Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”, então braço-direito do secretário-chefe da Casa Civil do governo tucano de Geraldo Alckmin, Edson Aparecido, operava para a quadrilha da merenda escolar de sua sala no Palácio dos Bandeirantes.
O relatório policial da Operação Alba Branca revela que “Moita” caiu no grampo várias vezes dizendo a interlocutores “tô no Palácio”. Nas conversas, ele trata com integrantes da organização sob suspeita de fraudar licitações e superfaturar produtos agrícolas e suco de laranja destinados à merenda em pelo menos 22 prefeituras.
O presidente da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), Cássio Chebabi, delatou à polícia e ao Ministério Público que as propinas pagas eram equivalentes a 10% sobre o valor dos contratos. Acusa o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), e o secretário estadual de Logística e de Transportes, Duarte Nogueira, de se beneficiarem do esquema.
Segundo o secretário da Casa Civil, Edson Aparecido, a indicação de “Moita” para o cargo foi “do partido”. “O PSDB precisa se posicionar. Da nossa parte, o que tinha que ser feito do ponto de vista da responsabilidade jurídica nós fizemos e o caso está na Corregedoria”, disse.
No fim de semana, Alckmin disse que "Lula é a cara do PT, sem ética, sem limites", mas não falou do esquema de desvios da merenda, em seu próprio governo.
Leia aqui reportagem de Mateus Coutinho sobre o assunto.

FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL DESMONTA FARSA DA ORGANIZAÇÃO QUE TENTA INCRIMINA- LO

Lula mostra os documentos e prova a armação do “triplex do Guarujá”



POR FERNANDO BRITO 

Lula acabou, com antecedência, com as gracinhas do tal promotor Cássio Conserino, que o havia intimado a depor, como investigado, no arranjado “caso” do apartamento no Guarujá.
Mandou divulgar, pelo Instituto Lula, todos os documentos relativos à compra, em nome de Mariza Letícia, sua mulher, da cota na cooperativa que fez o projeto e depois o transferiu para a OAS.
Até seu próprio sigilo fiscal o ex-presidente quebrou, espontânea e publicamente, publicando sua declaração de bens no Imposto de Renda do ano passado.
O patrimônio representado pela cota está declarado, tintim por tintim.
Não há ocultação do apartamento, pela simples razão que não houve compra do apartamento.
E porque não houve? Porque não interessou comprar o que lhe foi oferecido.
O “crime” de Lula? Só se for ter ido “ver” o apartamento. Certamente não faltará jornal disposto a publicar isso: “Lula admite ter ido ver o triplex”.
É assim que funciona a canalhice midiática, com suporte em “investigadores” que partem do princípio – quem sabe autorreferenciado – de que todas as pessoas são desonestas.
Não obstante, a armação está completamente desmontada.
Embora, para a mídia, isso “não venha ao caso” e Lula vá continuar sendo acusado de “ver apartamento”, “ir ao sítio” e “andar de barquinho de lata”.
Isso se não disserem que alguma figura deu um Autorama para seu neto.
A ditadura judicial-midiática pretende “interditar” eleitoralmente Lula e, para isso, não se envergonha sequer de armar uma interdição de seus outros direitos civis, o de comprar ou não comprar algo que esteja dentro de suas posses e com seu próprio dinheiro.
E se você, meu amigo, encontrar o Lula numa feira, nem se atreva a oferecer pagar um copo de água de coco a ele.
Pode virar “oferecimento de vantagem indevida”…

Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa

Do Instituto Lula

Como os adversários de Lula e sua imprensa tentam criar um escândalo a partir de invencionices. Entenda, passo a passo, mais uma armação contra o ex-presidente.

Abril de 2005

Marisa Letícia Lula da Silva assina o “Termo de Adesão e Compromisso de Participação” com a Bancoop – Habitacional dos Bancários de São Paulo.
A cláusula 1a. do Termo de Adesão diz: “O objetivo da Bancoop é proporcionar a seus associados a aquisição de unidades habitacionais pelo sistema de autofinanciamento, a preço de custo”.

O que isso significa?
Que Marisa Letícia tornou-se associada à Bancoop e adquiriu uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico, na praia de Astúrias, em Guarujá, balneário de classe média no litoral de São Paulo.
Como fez para cada associado, a Bancoop reservou previamente uma unidade do futuro edifício. No caso, o apartamento 141, uma unidade padrão, com três dormitórios (um com banheiro) e área privativa de 82,5 metros quadrados.



Maio de 2005 a setembro de 2009
Marisa Letícia paga a entrada de R$ 20 mil, as prestações mensais e intermediárias do carnê da Bancoop, até setembro de 2009. Naquela altura, a Bancoop passava por uma crise financeira e estava transferindo vários de seus projetos a empresas incorporadoras, entre as quais, a OAS.
Quando o empreendimento Mar Cantábrico foi incorporado pela OAS e passou a se chamar Solaris, os pagamentos foram suspensos, porque Marisa Letícia deixou de receber boletos da Bancoop e não aderiu ao contrato com a nova incorporadora.
O que isso significa?
1) Que a família do ex-presidente investiu R$ 179.650,80 na aquisição de uma cota da Bancoop. Em setembro de 2009, este investimento, corrigido, era equivalente a R$ 209.119,73. Em valores de hoje, R$ 286.479,32. Portanto, a família do ex-presidentepagou dinheiro e não recebeu dinheiro da Bancoop.
2) Que, mesmo não tendo aderido ao novo contrato com a incorporadora OAS, a família manteve o direito de solicitar a qualquer tempo o resgate da cota de participação na Bancoop e no empreendimento.
3) Que, não havendo adesão ao novo contrato, no prazo estipulado pela assembleia de condôminos (até outubro de 2009), deixou de valer a reserva da unidade 141 (vendida mais tarde pela empresa a outra pessoa, conforme certidão no registro de imóveis).



Março de 2006 a março de 2015
Na condição de cônjuge em comunhão de bens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ao Imposto de Renda regularmente a cota-parte do empreendimento adquirida por sua esposa Marisa Letícia, de acordo com os valores de pagamento acumulados a cada ano.
A cota-parte também consta da declaração de bens de Lula como candidato à reeleição, registrada no TSE em 2006, que é um documento público e já foi divulgado pela imprensa.
O que isso significa?
Que o ex-presidente jamais ocultou seu único e verdadeiro patrimônio no Guarujá: a cota-parte da Bancoop.


Site do TSE: http://www.tse.jus.br/sadEleicao2006DivCand/listaBens.jsp?sg_ue=BR&sq_cand=23


2014-2015
Um ano depois de concluída a obra do Edifício Solaris, o ex-presidente Lula e Marisa Letícia, visitam, junto com o então presidente da empresa incorporadora OAS, Léo Pinheiro, uma unidade disponível para venda no condomínio.
Era o apartamento tríplex 164-A, com 215 metros de área privativa: dois pavimentos de 82,5 metros quadrados e um de 50 metros quadrados. Por ser unidade não vendida, o 164-A estava (e está) registrado em nome da OAS Empreendimentos S.A, matrícula 104.801 do cartório de imóveis de Guarujá.
Lula e Marisa avaliaram que o imóvel não se adequava às necessidades e características da família, nas condições em que se encontrava.
Foi a única ocasião em que o ex-presidente Lula esteve no local.
Marisa Letícia e seu filho Fábio Luís Lula da Silva voltaram ao apartamento, quando este estava em obras. Em nenhum momento Lula ou seus familiares utilizaram o apartamento para qualquer finalidade.
A partir de dezembro de 2014, o apartamento do Guarujá tornou-se objeto de uma série de notícias na imprensa, a maior parte delas atribuindo informações a vizinhos ou funcionários do prédio, nem sempre identificados, além de boatos e ilações visando a associar Lula às investigações sobre a Bancoop no âmbito do Ministério Público de São Paulo.
Durante esse período, além de esclarecer que Marisa Letícia era dona apenas de uma cota da Bancoop, a Assessoria de Imprensa do Instituto Lula sempre informou aos jornalistas que a família estava avaliando se iria ou não comprar o imóvel.
As falsas notícias chegam ao auge em 12 de agosto de 2015, quando O Globo, mesmo corretamente informado pela Assessoria do Instituto Lula, insiste em atribuir ao ex-presidente a propriedade do apartamento. Em evidente má-fé sensacionalista, O Globo chamou o prédio de Edifício Lula na primeira página de 13 de agosto.
O jornal mentiu ao fazer uma falsa associação entre investimentos do doleiro Alberto Youssef numa corretora de valores e o contrato da OAS com o agente fiduciário do projeto Solaris, com a deliberada intenção de ligar o nome de Lula às investigações da Lava Jato. O editor-chefe do jornal e os repórteres que assinam a reportagem estão sendo processados por Lula em grau de recurso. (http://www.institutolula.org/lula-entra-com-acao-contra-o-globo-por-conta-de-mentiras-sobre-triplex-no-guaruja)


26 de novembro de 2015
Marisa Letícia Lula da Silva assina o “Termo de Declaração, Compromisso e Requerimento de Demissão do Quadro de Sócios da Seccional Mar Cantábrico da Bancoop”.
Como se trata de um formulário padrão, criado na ocasião em que os associados foram chamados a optar entre requerer a cota ou aderir ao contrato com a OAS (setembro e outubro de 2009), ao final do documento consta o ano de 2009.
A decisão de não comprar o imóvel e pedir o resgate da cota já havia sido divulgada pela Assessoria de Imprensa do Instituto Lula, em mensagem à Folha de S. Paulo, no dia 6 de novembro.
O que isso significa?
Que a família do ex-presidente Lula solicitou à Bancoop a devolução do dinheiro aplicado na compra da cota-parte do empreendimento, em 36 parcelas, com um desconto de 10% do valor apurado, nas mesmas condições de todos os associados que não aderiram ao contrato com a OAS em 2009.
A devolução do dinheiro aplicado ainda não começou a ser feita.




Por que a família desistiu de comprar o apartamento?
Porque, mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra), as notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento.
A família do ex-presidente Lula lamenta que notícias falsas e ações sem fundamento de determinados agentes públicos tenham causado transtornos aos verdadeiros condôminos do Edifício Solaris.

Janeiro de 2016
A revista Veja publica entrevista do promotor Cássio Conserino, do MP de São Paulo, na qual ele afirma que vai denunciar Lula e Marisa Letícia pelos crimes de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, no curso de uma ação movida contra a Bancoop.
Trata-se de um procedimento que se arrasta há quase dez anos, do qual Lula e sua família jamais foram parte, e que é sistematicamente ressuscitado na imprensa em momentos de disputa política envolvendo o PT.
Além de infundada, a acusação leviana do promotor desrespeitou todos os procedimentos do Ministério Público, pois Lula e Marisa sequer tinham sido ouvidos no processo. A intimação para depoimento só foi expedida e entregue na semana seguinte à entrevista.
No dia 27 de janeiro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Triplo X, que busca estabelecer uma conexão entre o Edifício Solaris e as investigações da Lava Jato, reproduzindo dados da ação dos promotores de São Paulo.
Diferentemente do que fazem crer os pedidos de prisão e de busca apresentados ao juiz Sergio Moro pela força-tarefa da Lava Jato, as novidades do caso, alardeadas pela imprensa, já estavam disponíveis há meses para qualquer pessoa interessada em investigar esquemas de lavagem de dinheiro – seja policial, procurador ou jornalista “investigativo”.
A existência de apartamentos tríplex registrados em nome da offshore Murray e a ligação desta com a empresa panamenha Mossack Fonseca constam, pelo menos desde agosto passado, da ação que corre em São Paulo. Foram anexadas por um escritório de advocacia que atua em favor de ex-cotistas da Bancoop.
O mesmo escritório de advocacia anexou a identificação e os endereços dos supostos representantes da Murray e da Mossack Fonseca no Brasil.
Mesmo que tenham vindo a público agora, em meio a um noticiário sensacionalista, estes fatos nada têm a ver com o ex-presidente Lula, sua família ou suas atividades, antes, durante ou depois de ter governado o País. Lula sequer é citado nos pedidos da Força-Tarefa e na decisão do juiz Moro.
O que isso significa?
1) Que fracassaram todas as tentativas de envolver o nome do ex-presidente no processo da Lava Jato, apesar das expectativas criadas pela imprensa, pela oposição e por alguns agentes públicos partidarizados, ao longo dos últimos dois anos.
2) Que fracassaram ou caminham para o fracasso outras tentativas de envolver o ex-presidente com denúncias levianas alimentadas pela imprensa, notoriamente a suposta “venda de Medidas Provisórias”, plantada pelo Estado de S. Paulo no âmbito da Operação Zelotes.
3) Que aos adversários de Lula – duas vezes eleito presidente do Brasil, maior líder político do País, responsável pela maior ascensão social de toda a história – restou o patético recurso de procurar um crime num apartamento de 215 metros quadrados, que nunca pertenceu a Lula nem a sua família.
A mesquinhez dessa “denúncia”, que restará sepultada nos autos e perante a História, é o final inglório da maior campanha de perseguição que já se fez a um líder político neste País.
Sem ideias, sem propostas, sem rumo, a oposição acabou no Guarujá. Na mesma praia se expõem ao ridículo uma imprensa facciosa e seus agentes públicos partidarizados