O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fazendeiros atacam índios em Sidrolândia, há baleados


Dor, luto e tristeza: os jagunços e pistoleiros fazem a festa. Só uma intervenção de Deus...
Poucas horas depois de enterrar o guerreiro Oziel Gabriel, o povo Terena sofre mais um ataque. Desta vez, Joziel Gabriel Alves recebeu um tiro nas costas de pistoleiros da Fazenda São Sebastião. São estas as pessoas que matam as lideranças.
É a favor destes fazendeiros que o Governo Federal está atentando contra os direitos indígenas.

Depois de cinco dias de tensão, fazendeiros e índios entraram em confronto, na tarde de hoje, em Sidrolândia, a 79 quilômetros de Campo Grande. O clima de tensão desta vez chegou a Fazenda São Sebastião e há baleados.
A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou que, pelo menos um índio, identificado como Joziel Alves foi baleado e está no Hospital Municipal da cidade.
Segundo informações preliminares, Joziel teria sido alvejado pelo capataz da fazenda São Sebastião na tarde desta terça-feira (4). Outros indígenas teriam sido baleados, mas a informação não foi confirmada.
Proprietários rurais de Sidrolândia garantem que o clima de tensão na região extrapolou, e teve início um verdadeiro conflito armado entre donos de propriedades e indígenas. De acordo com os fazendeiros, o conflito ocorreu após três novas invasões de propriedades, que teriam ocorrido na tarde de hoje, após uma assembleia geral dos líderes terenas.
Houve troca de tiros entre indígenas e fazendeiros durante a tarde, e os proprietários rurais prometem uma "retaguarda" na Fazenda Furnas, segundo eles a única da região que ainda não foi invadida.
O novo confronto ocorreu cinco dias após o confronto entre índios e policiais durante a desocupação da Fazenda Buriti. Naquele, o índio Oziel Gabriel, de 32 anos, morreu após ser baleado. Outros três índios foram baleados e um segue internado na Santa Casa de Campo Grande.
O confronto aconteceu a dois dias dos índios terenas serem recebidos em Brasília pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT). O encontro foi confirmado hoje pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ao administrador da Funai em Campo Grande, Marco Aurélio Tosta.
Os líderes terenas pretendiam manter o clima pacífico, mas adiantaram que não poderiam segurar os guerreiros da tribo. Os índios reivindicam a ampliação da reserva Buriti de 2 mil para 17,2 mil hectares.

Estudantes da Amazônia terão bônus de 10% na nota

Estudantes da Amazônia terão bônus de 10% na nota (Foto: Cézar Magalhães)
Marlene Freitas
Estudantes da própria Universidade Federal do Pará (UFPA) e de cursinhos planejam realizar uma manifestação, na próxima sexta-feira, para questionar as mudanças no vestibular de 2014 da UFPA, que adotará exclusivamente as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 
Os estudantes reclamam que a decisão foi tomada pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) sem qualquer debate ou consulta prévia. Ontem, a presidente da Comissão Permanente de Processos Seletivos e reitora em exercício, Marlene Freitas, esclareceu os detalhes do novo processo seletivo.
Segundo Marlene, o sistema de cotas e os processos seletivos especiais da instituição serão mantidos, bem como o exame de habilidades específicas para graduações das áreas de arte. Para compensar o aumento da concorrência, segundo a assessoria de imprensa da UFPA, Marlene Freitas revela que o Consepe aprovou a criação de um bônus para todos os alunos que fizeram todo o ensino médio em escolas - públicas ou privadas – da Amazônia. O bônus será de 10% na média geral do candidato no Enem. Se ele obteve 500 pontos, por exemplo, ficará com 550 para efeito de classificação na UFPA.
Ela reafirmou que a decisão do Consepe, tomada na última segunda-feira, 3, visa prioritariamente garantir a viabilidade econômica do processo seletivo, que correria risco com a sanção da Lei 12.799, em maio. “A Lei sancionada pela presidente Dilma (Rousseff) garante gratuidade para estudantes de baixa renda que, ao mesmo tempo, tenham cursado ensino médio em escola pública ou tenham tido bolsa integral em escolas privadas. Isso representa uma parcela enorme de alunos. Como nosso vestibular é autocusteado, toda a organização, elaboração, aplicação são pagas através das taxas de inscrição”, diz.
INSCRIÇÃO
A partir deste ano, a universidade abre mão de aplicar sua própria prova e passa a utilizar o Enem como fase única para ingresso em seus cursos superiores. Por conta disso, os candidatos estão isentos de pagar uma segunda taxa de inscrição e poderão se inscrever automaticamente no vestibular da UFPA através da internet. 
A decisão gerou protesto de alunos, que alegam que não foram consultados, e temem aumento na concorrência de estudantes de outros Estados. “Apesar de ter sido uma reunião extraordinária, nós avisamos com antecedência e convocamos os alunos. Apesar, disso apenas um deles apareceu. Eu senti falta realmente”, afirma. 
Outra novidade é a destinação de parte das vagas da UFPA ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) , do Ministério da Educação (MEC). “De 10% a 20% do total de vagas serão destinadas aos alunos do Sisu. É um processo seletivo todo organizado pelo MEC e oferece ao candidato ter até duas opções de curso em qualquer das instituições superiores do país que participam do sistema. Desta forma, ele pode concorrer com a nota do Enem no Sisu e no processo seletivo da UFPA”, explica Marlene.
Estudantes farão protesto contra decisão
O conselheiro da classe estudantil Rubens Camelo ressaltou que recebeu no último dia 27 um e-mail informado que haveria uma reunião do Consepe, mas a convocação oficial teria sido feita em cima da hora. “Eles fizeram a convocação na última sexta-feira (31), um dia depois do feriado, quando estávamos em um congresso pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e logo não ia ter acesso ao e-mail”.
No entanto, Rubens disse que está mais preocupado com os estudantes que irão ingressar na universidade a partir deste novo processo seletivo, pois se prevalecer a nota do Enem candidatos do país inteiro poderão disputar a vaga na UFPA. “Vai acontecer o mesmo que na Ufam (Universidade Federal do Amazonas), onde 90% dos alunos do curso de Medicina são das regiões Sul e Sudeste. Em Roraima, este percentual é de 87%”.
PREOCUPAÇÃO
Nas salas de cursinhos pré-vestibulares, a preocupação é com o conteúdo programático. A estudante Fernanda Carvalho, 20, disse que não concordou com a utilização exclusiva da nota do Enem. Segundo ela, este sistema desfavorece os alunos que moram no Pará. “Vai ficar mais difícil para a gente e mais fácil para os que forem de outros Estados, onde a Educação é mais eficiente”.
O diretor do DCE da UFPA, Renato Assunção, informou que uma manifestação está programada para a próxima sexta-feira, às 9 h, para questionar as mudanças no vestibular 2014. “Nós iremos nos mobilizar no hall da reitoria e pedir explicações. A nossa critica é que a universidade não debateu a mudança previamente. Convocou a reunião em cima da hora para evitar que a classe estudantil participasse”, reclamou Renato.
Além do DCE, Renato confirma a participação de estudantes de escolas públicas e também de cursinhos para participar do ato na reitoria. “Já soubemos que algumas escolas estão se mobilizando para vir de ônibus para cá”.


(Diário do Pará)

Por que a internet em Cuba é cara?

Os Jovens estudantes cubanos são as principais vítimas do apartheid digital imposto contra seus avós pelos EUA.



Os jornais noticiam o início do funcionamento de 118 centros públicos de acesso à internet em Cuba.
Também informam que isso foi possível pelo início do funcionamento de um cabo submarino de fibras óticas que liga a ilha à Venezuela.
E destacam, também, que o preço da conexão é caro, entre US$ 0,60, para sites do país, e US$ 6 a hora, para os do exterior, o que afasta grande parte da população de seu uso.
O que nenhum deles conta é que o preço é por causa da distância – 1.630 km – que os sinais têm de percorrer até se ligarem, via Venezuela, à rede mundial de telecomunicações.
E que essa “lonjura” se deve ao fato de que os EUA não permitem que se faça a conexão por seus cabos, que passam justamente ao largo da costa cubana. Qualquer empresa que se aventurar a isso vai sofrer as consequências do embargo econômico e será proibida de operar em território americano. Isso já aconteceu quando o Governo americano proibiu a Nokia, a Alcatel e a Siemens de venderem aparelhos de telefonia celular à ilha.
 
Os Estados Unidos estão a apenas 160 km de Cuba, e como é preciso instalar repetidores a cada 100 km de cabo, multiplicar por dez o tamanho do cabo encarece imensamente a conexão.
Que só podia ser feita, até agora, por satélite.
 
Então, quem censura mesmo a internet em Cuba?

Obama adia assinatura de tratado da ONU sobre comércio de armas

 

O secretário estadunidense de Estado, John Kerry (foto acima), disse nesta terça-feira (4) que o presidente Barack Obama assinará o Tratado das Nações Unidas sobre comércio de armas, mas o fará quando forem esclarecidas dúvidas sobre a tradução do texto.


Grupos conservadores dos Estados Unidos, como a Associação Nacional do Rifle (NRA, por sua sigla em inglês) se opõem à assinatura do acordo, cujo processo de adesão começou nesta segunda-feira (3).
Personalidades e instituições que apoiam o tratado internacional esperavam que Obama o assinasse hoje, porque isso seria um exemplo para outros países que são grandes exportadores de equipamentos militares, informa o jornal The Hill.
Kerry disse que os Estados Unidos dá as boas-vindas à abertura do novo convênio para assinatura, mas argumentou que assessores da administração Obama estão preocupados porque algumas traduções do documento têm diferenças nos conceitos legais.
Acrescentou que o mandatário o assinará quando essa situação se resolva de forma satisfatória.
O chefe da diplomacia estadunidense explicou que o instrumento legal não viola de jeito nenhum a Segunda Emenda da Constituição estadunidense, que garante o direito dos cidadãos à posse de armas.
A NRA enfatiza que o pacto internacional está dirigido a confiscar as armas de fogo que estão em poder dos cidadãos estadunidenses, e uma maioria dos senadores já disseram que se opõem ao acordo, o que dificulta sua ratificação pelo senado, necessária segundo as leis estadunidenses.
Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar em exportação de armas, com 30% das vendas mundiais, e a Rússia o segundo, com 24%.
De 2007 a 2011, a Ásia e a Oceania importaram 44% das armas, seguidos pela Europa (19%), Oriente Médio (17%), América (11%) e África (9%), destaca um relatório recente do Instituto de Estocolmo de Investigações sobre a Paz Internacional de Suécia.
A Índia foi o maior importador mundial de armas, 10% de todas as importações, seguidos pela Coreia do Sul, (6%), Paquistão (5%), China (5%) e Singapura (4%), segundo a instituição sueca.

Fonte: Prensa Latina

O CACHORRO CUCARACHA DE TIO SAM - PARCERIA ENTRE COLÔMBIA E OTAN TEM APOIO DOS FALCÕES DO PENTAGONO

OS GRINGOS ESTÃO CHEGANDO! - O CAVALO DE TROIA É A COLÔMBIA

A secretária adjunta dos Estados Unidos para a América Latina, Roberta Jacobson, declarou, nesta segunda-feira (3), que os EUA apoiam a entrada da Colômbia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). 

 

Após a enxurrada de críticas dos demais países latino-americanos, o governo colombiano esclareceu, nesta terça (4) que a intenção do país é ser parceiro da organização e não membro.


Efe
Otan
“Denuncio os planos de guerra que a Otan quer trazer para a América do Sul. Temos que denunciar através da Unasul e da Celac, e o governo da Colômbia tem que refletir sobre isso”, alertou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O ministro colombiano de Defesa, Juan Carlos Pinzón, esclareceu, nesta terça (4), que “o governo da Colômbia trabalha para se converter em um sócio em questão de cooperação" da Otan, mas descarta a adesão ao organismo.

Leia também:
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Colômbia prepara entrada na Otan; presidentes na AL são contra

“A Colômbia não pode e não quer entrar na Otan e sim percorrer o caminho para ser parceiro na cooperação como são Austrália, Nova Zelândia, Japão, entre outros países”. Ainda de acordo com o ministro, “o que se quer com a Otan é estabelecer um acordo de cooperação mútua de modo que o país possa se beneficiar de ajudas em questões econômicas, educacionais e de defesa”, alegou.

Apoio dos EUA

Os Estados Unidos declararam seu apoio a uma aproximação da Otan com o país. "Nosso objetivo é apoiar a Colômbia como membro capaz e fonte de muitas organizações multilaterais, o que pode incluir a Otan", afirmou Jacobson, destacando que a palavra final caberia à Organização.

Roberta destacou a afinidade entre EUA e Colômbia, lembrando da atuação conjunta há mais de uma década no Plano Colômbia. 
Ao comentar a aproximação do país latino-americano com a organização militar, ela disse ver como um reflexo da capacidade de a Colômbia se relacionar em escala global, “seja como aliado no Conselho de Segurança da ONU, seja buscando coordenação com a Otan”.

Anti-imperialismo

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (foto acima), reiterou as críticas a este acordo que, em sua opinião, constitui uma ameaça à paz da região: “lamentamos muito esta decisão da Colômbia e estamos de acordo com a proposta do presidente Evo Morales de convocar uma reunião de emergência da Unasul, pois um país do continente dizer que quer ser membro da Otan coloca em risco a estabilidade da região. Sabemos que esta organização deveria ter desaparecido há tempos”.

Ao lembrar que a Aliança foi criada durante a Guerra Fria, Maduro lembrou que a Unasul está construindo uma doutrina militar para o continente. “Denuncio os planos de guerra que a Otan quer trazer para a América do Sul. 
 
Temos que denunciar através da Unasul e da Celac, e o governo da Colômbia tem que refletir sobre isso”, afirmou.

O presidente boliviano Evo Morales (foto acima), que pediu nesta segunda (3) para a Unasul se pronunciar, observou que “quando internamente os EUA já não podem dominar países, governos, povos anti-imperialistas, como é possível que a Colômbia peça para ser parte da Otan? Para quê? Para agredir a América Latina, para submeter a América Latina, para que a Otan nos invada como invadiu a Europa e a África?”, insistiu.

Já o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, reiterou que “a América Latina não pode se abrir a governos e forças armadas de outros continentes, 
 
seria uma loucura, seria trair Bolívar e os libertadores de nossos povos”.

Da Redação do Vermelho,
Vanessa Silva com agências

terça-feira, 4 de junho de 2013

OS NOVE MAIORES ÁLBUNS DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK


“Para se chegar ao resultado fiz uma compilação de listas publicadas por sites, jornais, revistas e suplementos culturais especializados em música. O objetivo da pesquisa era identificar, baseado nestas listas, quais eram os mais importantes discos de rock de todos os tempos. Participaram do levantamento o canal de música VH1, os jornais “The Guardian” e “The Telegraph”, os sites “NPR Music”, “All­Music”, “Aol Music” e “Amazon”, e as revistas “Slate” e “Rolling Stones”. Eis, em or­dem classificatória, os nove álbuns selecionados.

Carlos Willian Leite,  Revista Bula
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band — Beatles
Lançado em junho de 1967 pela Parlophone Records, na Inglaterra, e pela Capitol, nos Estados Unidos, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” é o oitavo álbum lançado pe­los Beatles e o mais influente da história da mú­si­ca. Ocupa a 1ª posição na lista dos 200 álbuns definitivos do Ro­ck and Roll Hall of Fame, que relaciona os melhores álbuns já produzidos em toda a história da música de acordo com os critérios da National As­so­ciation of Recording Merchandisers. E a 1ª posição da lista dos 500 Greatest Albums of All Time, da revista “Rolling Stone”.
Dark Side of the Moon — Pink Floyd
Lançado em março de 1973 pela Harvest Records, na Inglaterra, e pela Capitol, nos Estados Unidos, “Dark Side of the Moon” é considerado a obra-prima da banda de rock inglesa Pink Floyd. Marco do rock progressivo é o álbum que ficou por mais tempo na Billboard 200, tendo permanecido 795 semanas consecutivas. O álbum ocupa a 2ª posição na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame, e a 43ª posição da lista dos 500 Greatest Albums of All Time, da revista “Rolling Stone”.

Matéria Completa, ::AQUI::

E-JETS - O NOVO JATO EXECUTIVO COM INSPIRAÇÃO MILITAR ATINGE 1.212 KM/H


S-1 também está sendo projetado para lidar com decolagem e pouso em pistas muito curtas .
A empresa americana Saker construiu um avião executivo com inspiração militar que quase atinge a barreira da velocidade de propagação do som, de 1.234 km/h, de acordo com informações do site Gizmag.
O avião Saker S-1, jato com dois lugares, pode atingir a velocidade de 1.212km/h.

 O S-1 também está sendo projetado para lidar com decolagem e pouso em pistas muito curtas e subir a uma velocidade de 4.267 metros por minuto.

Segundo a Saker, a aeronave terá um alcance máximo de 2.575 km e capacidade de 1,8 mil litros de combustível. No entanto, dois galões externos com capacidade para 380 litros cada podem ser adicionados para aumentar o alcance do jato para 3.540 km.
 A empresa Gulfstream havia mostrado durante a 12ª Mostra e Convenção de Aviação Executiva Europeia (Ebace), em maio, na Genebra (Suíça), o jato executivo G550, que também atinge altas velocidades - até 954 km/h.






Fonte e Fotos:Portal Terra

A ENTREVISTA DE LULA - O PRINCIPAL LIDER SUL AMERICANO FALA AOS PERUANOS

 Lula
O diagnótico sobre a mídia é perfeito, mas faltou ação.
Vai ficando engraçado...
Para você saber o que Lula ou Dilma realmente pensam, você tem que ler entrevistas de jornais estrangeiros.
Por razões mais que justificadas, nenhum dos dois confia nas boas intenções da grande mídia nacional.
 
Agora vemos Lula falar sobre a mídia a um jornal peruano que, ele sabe, não irá distorcer suas palavras ou editá-las tendenciosamente.
Algumas coisas na entrevista de Lula chamam a atenção. Primeiro, a admissão de seu problema com a mídia.
Espirituosamente, como de hábito, Lula diz que quando é atacado pela mídia dizem que é uma crítica, e quando ele critica dizem que é um ataque.
O talento de Lula como frasista, amplamente traduzido em votos e aprovação pela voz rouca das ruas, é subestimado pelos doutores gramaticais que povoam o ambiente jornalístico e político nacional.
Na entrevista, Lula afirma também, com uma ponta de orgulho, que nunca deixou de colocar publicidade em veículos que o atacavam.
Bem, aí a questão é um pouco mais complexa.
Lula perdeu a oportunidade, em seus oito anos de presidência, de corrigir uma aberração provocada por uma invenção abjeta de Roberto Marinho, os infames BVs (bônus por volume).
Os BVs são uma propina legalizada pela qual a Globo mantém agrilhoadas as agências de publicidade. Muitas delas simplesmente dependem do BV, aliás pago antecipadamente, para não quebrar. Isso quer dizer que as agências vão veicular seus anúncios na Globo, para receber a comissão, ou propina, salvadora.
É um artifício tão abjeto quanto a reserva de mercado de que gozam as empresas jornalísticas, livres da competição capitalista que tanto reclamam para os outros.
Você pode e deve perguntar: mas e os anunciantes, por que ficam calados com o BV? Afinal, é o dinheiro deles que está sendo usado para que a Globo libere o BV para as agências.
Este é um ponto que tende a ser mais e mais debatido. Nos dias em que a Globo tinha audiências de 60%, 70%, 80%, nenhum anunciante ousava correr o risco de entrar na lista negra da emissora.
Isso muda, naturalmente, quando as audiências, sob o impacto da internet, vão se reduzindo brutalmente.
O anunciante temia ficar de fora do Fantástico com 60% de audiência. Mas e do Fantástico com menos de 20%, e caindo, e caindo, e caindo?
O mercado vai fazer com o BV o que a administração de Lula poderia ter feito ao longo de oito anos. Enterrá-lo, em nome da moralidade e da concorrência justa.
Mas Lula não fez o que deveria fazer, em parte por seu caráter conciliador. Em vez disso, preocupou-se em comparecer ao enterro de Roberto Marinho, decretar luto nacional e elogiá-lo numa nota pública.
A omissão de Lula, na questão da publicidade oficial, resultou em 6 bilhões de reais anunciados com dinheiro do contribuinte na Globo em dez anos – inercialmente e absurdamente.
O espírito conciliador, se vê bem nesse caso, é o mais superestimado dos defeitos, porque inibe transformações vitais.
E então chegamos à parte mais importante da entrevista. Com toda razão, Lula lembra que tevê é concessão pública. Deveria ser usada para elevar culturalmente os brasileiros, e não para promover o poder e a fortuna da família Marinho.
Também não poderia ser usada como ‘partido político’, como afirmou Lula.
Perfeito.
Mas o que ele fez como presidente para evitar isso?
A conciliação cobrou também aí um preço alto – pago pela sociedade, aliás. 


Paulo Nogueira no DCM

ASSANGE APONTA A SUA ESPADA PARA O CORAÇÃO DO GOOGLE, O NOVO DRAGÃO DO PENTAGONO

 

“Malignamente seminal” - Assange escreve sobre “A Nova Era Digital”, de Eric Schmidt e Jared Cohen

 

POR JULIAN ASSANGE no New York Times.

O livro A Nova Era Digital mostra um modelo surpreendentemente claro e provocante do imperialismo tecnocrático segundo dois de seus principais curandeiros, Eric Schmidt e Jared Cohen, que constroem uma nova linguagem para os Estados Unidos como potência mundial do século 21. Esse idioma reflete a união cada vez mais estreita entre o Departamento de Estado e o Vale do Silício, personificado pelo Sr. Schmidt, o presidente-executivo do Google, e o Sr. Cohen, um ex-assessor de Condoleezza Rice e Hillary Clinton, que atualmente é diretor de Ideias do Google.
Os autores se reuniram na Bagdá ocupada em 2009, quando o livro foi concebido. Passeando entre as ruínas, os dois ficaram animados com o fato de que a tecnologia de consumo tenha transformado uma sociedade arrasada pela ocupação militar dos EUA. Eles decidiram que a indústria de tecnologia pode ser uma poderosa agente da política externa americana.
O livro faz proselitismo do papel da tecnologia na reformulação de povos e nações do mundo, à semelhança da superpotência dominante, queiram eles ser reformulados ou não. A prosa é concisa, o argumento é confiante e a sabedoria – banal. Mas este não é um livro concebido para ser lido. É uma declaração para forjar alianças.
A Nova Era Digital é, sobretudo, uma tentativa do Google de posicionar-se como visionário diante da geopolítica da América – e uma empresa que pode responder a pergunta: “Para onde a América deve ir?”. Não é surpreendente que um elenco respeitável de belicistas do mundo deu seu selo de aprovação a este símbolo do soft power ocidental. Henry Kissinger tem um lugar de destaque, juntamente com Tony Blair e o ex-diretor da CIA Michael Hayden, deitando louvores antecipados ao livro.
Henry Kissinger

 
Os autores alegremente assumem o fardo de nerds brancos. Uma lista liberal e conveniente de gente de pele escura aparece: pescadoras congolesas, designers gráficos em Botswana, ativistas contra a corrupção em San Salvador e masai analfabetos criadores de gado no Serengueti são todos obedientemente convocados a demonstrar as propriedades progressivas do Google Phone.
Os autores oferecem uma versão habilmente banalizada do mundo de amanhã: as engenhocas de décadas serão muito parecidas com as que temos agora – apenas mais bacanas. O “progresso” é impulsionado pela propagação inexorável do consumo das tecnologias americanas sobre a superfície da terra. Todo dia, um milhão ou mais de dispositivos móveis do Google são ativados. 
O Google irá se interpor e, portanto, o governo dos Estados Unidos, entre as comunicações de todos os seres humanos, menos na China (China malvada). 
Commodities acabam de se tornar mais maravilhosas; jovens profissionais urbanos dormem, trabalham e compram com mais facilidade e conforto; a democracia é insidiosamente subvertida pelas tecnologias de vigilância e o controle é entusiasticamente rebatizado de “participação”; e nossa atual ordem mundial de dominação sistematizada, a intimidação e a opressão continuam.
Os autores são amargos sobre o triunfo egípcio de 2011. Eles repudiam a juventude egípcia, afirmando que “a mistura de ativismo e arrogância nos jovens é universal.” Revoltas inspiradas digitalmente significam que revoluções serão “mais fáceis de começar”, mas “mais difíceis de terminar.” Por causa da falta de líderes fortes, o resultado, diz Kissinger aos autores, será governos de coalizão que terminam em autocracias. Eles dizem que não haverá “mais primaveras” (mas a China está nas cordas).
Os autores fantasiam sobre o futuro dos grupos revolucionários “com poucos recursos”. A nova “safra de consultores” vai “utilizar dados para construir e ajustar uma figura política”.
Os discursos “dele” (o futuro não é tão diferente) serão alimentados “através de softwares com complexas extrações de análises e tendências”, enquanto “o mapeamento de sua função cerebral” e outros “diagnósticos sofisticados” serão utilizados para “acessar os pontos fracos de seu repertório político”.
O livro espelha os tabus e obsessões institucionais do Departamento de Estado. Ele evita críticas significativas a Israel e à Arábia Saudita. Ele finge, extraordinariamente, que o movimento de soberania latino-americana, que tem liberado muitos povos das plutocracias e ditaduras apoiadas pelos Estados Unidos nos últimos 30 anos, nunca aconteceu. Referindo-se ao envelhecimento de “líderes” na região, o livro não diferencia a América Latina de Cuba. E, claro, detona teatralmente os bichos papões favoritos de Washington: a Coréia do Norte e o Irã.


Schmidt e Cohen

O Google, que começou como uma expressão da cultura estudantil independente californiana – uma cultura decente, humana e divertida -, encontrou o mundo grande e mau e está jogando suas fichas nos elementos tradicionais de poder de Washington, do Departamento de Estado e da Agência de Segurança Nacional.
Apesar de representar uma fração infinitesimal de mortes violentas no mundo, o terrorismo é um alvo favorito dos círculos políticos dos Estados Unidos. Esse é um fetiche que também merece atenção, e “O Futuro do Terrorismo” recebe um capítulo inteiro. O futuro do terrorismo, nós aprendemos, é o ciberterrorismo. A sessão de indulgente alarmismo prossegue, incluindo um cenário de filme catástrofe, em que ciberterroristas assumem o controle de sistemas americanos de controle de tráfego aéreo e enviam aviões para colidir com edifícios, fecham as redes de energia e lançam armas nucleares. Os autores, em seguida, disparam contra ativistas digitais.
 
Eu tenho uma perspectiva muito diferente. O avanço da tecnologia da informação pelo Google anuncia a morte da privacidade para a maioria das pessoas e muda o mundo na direção de autoritarismo. Essa é a principal tese do meu livro Cypherpunks. Mas enquanto o Sr. Schmidt e o Sr. Cohen nos dizem que o fim de privacidade vai transformar as “autocracias repressivas” em “alvo dos seus cidadãos”, eles também dizem que os governos em democracias “abertas” vão ver isso como um “dom” que lhes permitirá “responder melhor” às preocupações dos cidadãos e clientes. Na realidade, a erosão da privacidade individual no Ocidente e a do poder vão criar abusos inevitáveis, aproximando as sociedades “boas” das “más”.
 
A seção sobre “autocracias repressivas” descreve, com desaprovação, várias medidas de fiscalização: legislação para inserir softwares em portas traseiras para espiar os cidadãos, monitoramento das redes sociais e o recolhimento de informações de populações inteiras. Tudo isso já está sendo feito nos Estados Unidos. Na verdade, algumas dessas medidas foram criadas pelo próprio Google.
A dica está na cara deles, mas os autores não podem vê-la. Eles emprestaram de William Dobson a idéia de que os meios de comunicação, em uma autocracia, “permitem uma imprensa de oposição, enquanto opositores do regime entenderem onde estão os limites”. Mas essas tendências estão começando a surgir nos Estados Unidos. Ninguém duvida dos efeitos das investigações na Associated Press e na Fox. Mas tem havido pouca análise do papel do Google. Tenho experiência pessoal nessa área.
Bradley Manning, heroi do século XXI
O Departamento de Justiça admitiu em março que estava em seu terceiro ano de uma investigação criminal contínua do Wikileaks. Depoimentos na Justiça dizem que o alvo eram “os fundadores, proprietários ou gerentes de WikiLeaks”. Um suposta fonte, Bradley Manning, enfrenta um julgamento de 12 semanas a partir de amanhã, com 24 testemunhas de acusação que irão depor em segredo.
Este livro é uma obra malignamente seminal, em que nenhum autor tem a linguagem para expressar o mal centralizar titânico que está sendo construído. “O que a Lockheed Martin foi para o século 20,” eles nos dizem, “as empresas de tecnologia e segurança cibernéticas serão para o 21.” Sem nem mesmo entender como, eles têm atualizado e implementado perfeitamente a profecia de George Orwell. 
 
Se você quiser uma visão do futuro, imagine Google Glasses bancados por Washington em rostos humanos – para sempre. Fanáticos do culto da tecnologia de consumo encontrarão pouco para inspirá-los aqui. Mas essa é uma leitura essencial para qualquer um que lute pelo futuro, tendo em vista um imperativo simples: conheça seu inimigo.

O desgaste do governo Dilma com os movimentos sociais




No Blog do Luis Nassif

Porque o governo Dilma está se desgastando com os movimentos de direitos humanos

Jornal GGN - O governo Dilma Rousseff atravessa uma fase inédita de desgaste nas relações com organizações de direitos humanos.
Ministra Gleisi Hoffman
São dois os focos principais de desgaste: a Ministra-Chefe da Casa Civil Gleisi Hoffman e a Ministra-Chefe da Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SNDH) Maria do Rosário.
Ministra Maria do Rosário
Gleise é responsável direta por pelo menos dois dos principais incidentes que afetaram o governo Dilma nas últimas semanas: os conflitos com os índios em Mato Grosso do Sul; e as ações do Ministério Público para embargar o Maracanã.
Em ambos os casos, o agente deflagrador da crise foi sua intransigência para qualquer forma de negociação.
Para acompanhar a Copa do Mundo e das Confederações, foi criado grupo interministerial e multidisciplinar incumbido de analisar os aspectos de segurança dos estádios. A legislação em vigor obrigava a que 4% dos assentos dos estádios fossem destinados a deficientes ou pessoas com dificuldade de locomoção (idosos, obesos, grávidas). Com base na lei, o Ministério Público Federal entrou com uma ação para obrigar o Maracanã a garantir esse percentual.
A ação foi interrompida por uma Medida Provisória que reduziu o percentual de 4% para 1%, exclusivamente para os estádios que estão sendo reformados para a Copa.
O grupo de trabalho tentou negociar com Gleise. Admitia-se que 4% era muito, mas 1% era insuficiente. Tentou-se negociar em 2%.
Foi uma reunião em que a Casa Civil não cedeu em um milímetro. Tanto Gleise quanto o representante da Advocacia Geral da União adotaram uma postura arrogante e intransigente em relação às solicitações.
Argumentou-se que, em caso de atropelo, debandada dos estádios, haveria a necessidade de preservar espaços de fuga para os deficientes e incapazes e 1% era um percentual muito baixo. Em vão. O representante da AGU foi desafiador. Quando indagado como ficariam as grávidas respondeu que estariam na cota destinada aos deficientes. Quando informado do risco de novas ações contra os estádios respondeu que a prioridade dada aos jogos seria suficiente para derrubar qualquer ação de Primeira Instância.
Dias depois, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro entrou com uma ação pedindo o embargo da inauguração do Maracanã por outros motivos. Foi derrubada mas repercutiu internacionalmente.
Como resultado, haverá os estádios da Copa desobrigados de manter 4% de vagas para deficientes, os demais estádios obrigados a manter. E a sensação, para os grupos de defesa dos deficientes, da total insensibilidade do governo em relação aos seus vulneráveis.
As ossadas de Perus
O mesmo desgaste acomete a área da Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SNDH). Apesar do empenho da própria presidente da República em levantar os crimes da ditadura, a Ministra Maria do Rosário mostrou-se omissa em relação à mais evidente prova dos desmandos da ditadura: as ossadas encontradas no Cemitério de Perus.
A responsabilidade dos trabalhos ficou a cargo da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, dirigida pelo advogado paulista Marco Antônio Barbosa. Durante anos, a Comissão manteve-se omissa. Não cuidou de nenhuma providência em relação às ossadas, não cuidou de nenhum trabalho para identificar desaparecidos, relegou para segundo plano os familiares das vítimas, permitiu que fungos e ratos avariassem os ossos.
O abandono foi tal que as famílias das vítimas precisaram juntar dinheiro do próprio bolso para contratar peritos argentinos que pudessem levar o trabalho adiante. Mesmo recebendo extenso relatório do Ministério Público Federal sobre a falta de responsabilidade da Comissão, Maria do Rosário nada fez.
A única participação de Maria do Rosário e Marco Antônio Barbosa foi aparecer para as fotos, no dia em que se abriram as caixas depositadas no Cemitério do Araçá.
Fernando Haddad tentou mitigar

 
O único alento para as famílias foi quando o prefeito de São Paulo Fernando Haddad convocou uma reunião com a Ministra, os familiares, a Comissão dos Desaparecidos e procuradores da República e anunciou a criação de uma comissão de monitoramento dos trabalhos, organizada pelo município.
Dias atrás, a SNDH soltou um edital para a contratação de convênio com um grupo multidisciplinar incumbido de definir a estratégia para os trabalhos com os mortos e desaparecidos. Não há o que se definir, está tudo definido, mapeado e há legistas argentinos contratados e bancados exclusivamente pelas próprias famílias. Valor do convênio: R$ 1,3 milhão. Não se sabe quem serão os beneficiados. Certamente não serão os trabalhos realizados pelos familiares dos mortos e desaparecidos.

O LATIFÚNDIO MULTINACIONAL

Os grandes bancos já controlam, mediante o sistema constituído dos fabricanteS de agrotóxicos, como a Monsanto, intermediários, exportadores, importadores e compradores locais,  usinas de beneficiamento, bolsas de futuros, silos e armazéns, o mercado mundial de alimentos. Agora, associados aos governos dos países centrais, estão avançando sobre as terras onde ainda há áreas férteis disponíveis. Só existem dois continentes com essa possibilidade: a África e a América do Sul.                A China, cujo espaço territorial é quase todo árido e fragmentado em centenas de milhões de áreas reduzidíssimas, exploradas for famílias numerosas, está hoje à frente dessa  conquista territorial nos dois grandes continentes. Seu rival histórico, e que sofre da mesma dificuldade geológica, o Japão, mais antigo nesse movimento, disputa as mesmas áreas. Sobre o assunto, no que se refere à China, vale a pena conhecer o estudo de Dambisa Moyo, Winner Take All ( O vencedor leva tudo). No caso da  China não se trata só de empreendedores privados, mas de operação conduzida pelo Estado, como controlador direto de toda a economia do país. Muitos se preocupam com a compra, direta, de jazidas minerais pelos chineses, mas se esquecem do mais estratégico bem da natureza, que é a terra e, com ela, a comida. Ao juntar a agricultura à mineração (a China comprou uma serra inteira ao Peru, uma das maiores reservas de cobre) os chineses buscam controlar o solo rico do planeta.
          Empresas multinacionais, além das organizações chinesas e japonesas, estão adquirindo as áreas disponíveis nas margens dos rios africanos, onde é fácil a irrigação. O mesmo ocorre na América do Sul, e mais no Brasil, onde segundo informações oficiosas, já foram investidos 60 bilhões de dólares na compra de terras. Os chineses usam argentinos como laranjas, para constituir firmas agropecuárias de fachada. O projeto chinês é importar tudo o que produzir para seu  próprio consumo.
            Ainda agora, na discussão, entre o governo e as Farc, na Colômbia,  soube-se que lá na há titularidade regular das terras. Bastou que o governo e os guerrilheiros se dispusessem a discutir, em primeiro lugar, o problema da terra, para que o presidente Santos fosse contestado pelas oligarquias, por meio do ex-presidente Uribe.
            No caso da África, os compradores se entendem diretamente com os governantes, muitos deles notórios corruptos. Os pobres não têm como resistir aos governos e são expulsos, dando lugaar a trabalhadores chineses. No mundo neoliberal, esse movimento de ocupação estrangeira, impelido pelo agro-negócio, é a globalização do latifúndio.  Se, no Brasil, não houver uma reação forte e estratégica, seremos,  súditos dos novos donos das terras. E chegará o dia em que só as recuperaremos com sangue.

O governo Dilma versus os indígenas



Meio milênio de agressões sofridas na terra que era deles
Um artigo do ativista Egon Heck.
Meio milênio de agressões sofridas na terra que era deles
O artigo abaixo, do indigenista Egon Heck, foi publicado originalmente no blog dele.

A bola vai rolar. A Copa das Confederações está à porta. O Papa está por chegar. A Copa do Mundo está  na marca do pênalti. As Olimpíadas estão no horizonte próximo.  É por aí que se move o governo.  É para esses ralos que vai o precioso dinheiro do povo.
Mas é no campo dos ruralistas, do agronegócio, que está sendo definido o  jogo contra os índios, as terras indígenas e os recursos naturais (madeira, minérios etc).
E o governo decidiu reforçar o time do contra. Já o vinha fazendo há mais tempo. Lula disfarçava defender os índios, mas acabava fazendo gol contra.
Dilma entrou de sola. Nada de ficar perdendo tempo ouvindo os índios, demarcando terras. Time mesmo é o do agronegócio. Nesse aposta. Eles  se consideram os donos da bola.
Preparar-se para os grandes eventos não é apenas honrar compromissos de criar infraestrutura, estádios, transporte rápido dos aeroportos aos estádios, segurança.
É também garantir os direitos humanos, cumprir a Constituição, demarcar as terras indígenas (cujo prazo já expirou há mais de 20 anos), é se reger pela legislação internacional da qual o Brasil é signatário.
Um olhar mais atento para o atual momento histórico, em especial com relação aos povos indígenas no Brasil, nos remete a um cenário escabroso.
Dá a impressão de que o governo está incluindo mais uma modalidade nas competições: quem são os maiores genocidas das últimas décadas.
O governo parece já ter definido seus candidatos, nos quais está investindo pesadamente. O agronegócio, as grandes mineradoras e empresas petrolíferas estão no páreo.
É a atualização do holocausto de mais de 100 milhões de indígenas nas Américas nestes pouco mais de quinhentos anos.
Mais de cinco milhões pertencentes a mais de mil povos foram sacrificados no altar do projeto colonial no Brasil, e que se atualiza a cada ano.
Olhando para as últimas décadas de existência da Funai, percebemos vários momentos de manifestação da  insatisfação de funcionários do órgão indigenista oficial, especialmente quando atingidos por medidas políticas de demissão por defenderem os índios e contrariarem fortes interesses no governo.
É o caso, por exemplo, da demissão de 39 funcionários do órgão, em 1980, pelo então presidente da Funai, coronel Paulo Moreira Leal.
Agora é anunciado que a presidenta Dilma irá intervir na direção do órgão e que a Câmara dos Deputados já aprovou uma CPI da Funai.
A quem interessam essas iniciativas?
O que é inédito é a manifestação dos funcionários contrários ao descalabro e agressões aos direitos indígenas vindos dos diversos poderes, em especial do próprio governo, que teria a função de cumprir a Constituição demarcando as terras indígenas e não o contrario.
Em maio, um abaixo assinado dizia o seguinte: “Nós, servidores da Fundação Nacional do Índio, vimos a público repudiar a forma como o atual Governo vem tratando os povos indígenas e, consequentemente, a Funai, no desrespeito às suas atribuições legais para a promoção e defesa dos direitos dos povos indígenas e, sobretudo, no tocante aos processos de demarcação de Terras Indígenas”.
A isso se juntam manifestações como a do indígena e doutor em antropologia Gersen Baniwa: “Um plano indigenista para o Brasil passa pela existência de um Projeto de Nação do Brasil. Quando observamos a difícil situação de vida dos povos indígenas, com as permanentes violações de seus direitos básicos como o direito ao território e à saúde, concluímos que ou o país ainda não definiu seu projeto de nação; ou já definiu e neste projeto não há lugar para os povos indígenas”.


DCM