O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Requião: O grande capital não quer derrubar a Dilma

PT votou a urgência urgentíssima para vender o pré-sal à Chevron !​

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) participou nessa segunda-feira 02/08, em São Paulo, no 
Instituto Barão de Itararé, do lançamento do livro “Cultura do silencia e democracia no Brasil – 
ensaios em defesa da liberdade de expressão (1980-2015)”, do professor Venício A. de Lima.Requião tinha acabado de denunciar o caráter pigal da prisão do prisioneiro José Dirceu, 
que acabou devidamente transferido para o jornal nacional.
Diante de uma plateia de blogueiros sujíssimos e do professor Fábio Konder Comparato, Requião 
soltou o verbo com desenvoltura que não se vê num petista (no Senado ou fora dele).
Alguns trechos do pronunciamento de Requião (a transcrição não é literal):

- Eu acreditava que o Lula era um intelectual orgânico. Mas descobri que não é. Ele foi um 
representante dos sindicatos para para intermediar os interesses do povo com o grande capital.

- Um dia eu contei para o Lula como tratei a Comunicação no Paraná. Cortei todas as verbas de 
publicidade. Investi na tevê estatal, a TV Educativa, e fiz um acordo com Hugo Chávez para 
distribuir o sinal pela Telesur.

- Lula ouviu, pareceu muito interessado, e me disse: vai ali e diga ao Dirceu.

- Dirceu ouviu e disse, mas, Requião, o Governo já tem uma tevê: é a Globo.

- Eles achavam que com o velho esquema do FHC, das verbas publicitárias do Governo, eles iam 
conquistar a Globo.

- Essa mídia técnica do Lula (e da Dilma – PHA) só favorece os grandes grupos de mídia !

- Através do Fernando Henrique (que entende muito de corrupção na China e da compra de 
reeleição – PHA) a banca já disse que a Dilma é honrada e séria.

- E é !

- O capital financeiro quer é operar os espaços para seu projeto – não quer derrubar a Dilma.

- Quer é espaço para o Cerra entregar o pré-sal.

- Como é que a Petrobras não tem competência para explorar o pré-sal ? Aquilo ali em cada dez 
furos você acha petróleo em dez !

- O projeto do Cerra de entregar o pré-sal à Chevron, como está no WikiLeaks, só não passou no 
Senado porque eu, o PCdoB e o Lindberg Farias instalamos no Senado um clima de terror !

- E o líder do PT Senado, o Delcídio Amaral, o Delcídio !, assinou o projeto de urgência 
urgentíssima para votar e aprovar o Cerra, para vender o pré-sal à Chevron !

- O líder do Governo assinou ! E muitos petistas se recusaram a assinar um documento para 
derrubar a urgência urgentíssima do Delcídio !

- Eles entregaram a Petrobras a homens do mercado. Que vão fazer com a Petrobras o que São 
Paulo fez com a Sabesp e o Jaime Lerner (e o Daniel Dantas) fez com a Sanepar.

- Diminuir os investimentos, e entregar ! 

- A Petrobras está sendo administrada com a lógica do mercado.

- E o Levy proibiu o BNDES de emprestar dinheiro à Petrobras !

- Essas empresas da Lava Jato … o Governo deveria estatizar elas todas. Prende os corruptos e 
deixa as empresas de pé !

- Eu também sou a favor da estatização completa da Petrobras.

- O grande capital não quer a ruptura com a Dilma. Eles querem fazer ela sangrar !

- E nós não podemos defender os erros da Dilma. Ajuste ? Sim, era necessário. Mas, isso aí é 
arrocho e arrocho, não !

- O jogo do grande capital não é prender o Lula nem derrubar a Dilma. E eu ponho a minha mão 
no fogo por ela.

- A base de apoio ao Eduardo Cunha é supra-partidária. E ele só foi eleito por culpa do PT, que 
resolveu adotar uma posição fisiológica, hegemônica.

- Governo de coalizão ? Sem essa ! Não vou defender o PMDB, mas o que está aí não é culpa de 
coalizão nenhuma.

- A coalizão do Governo é com o grande capital !

- O Fernando Henrique vendeu o Bamerindus ao HSBC por R$ 1. E o Bradesco comprou o 
Bamerindus por US$ 5 bilhões !

- Quer melhor que isso ?

- A coalizão não escolheu o Levy ! Quem escolheu foi ela !

- O que ganhou a eleição foi o discurso da Dilma contra o que o Aécio ia fazer. E ela chega lá e 
faz o que o Aécio ia fazer !

- O objetivo não pode ser derrubar a Dilma.

- Mas mudar a política da Dilma.

- O Ibope dela está em 7,16% !

- Precisa explicar mais ?

- A tese que unifica os brasileiros progressistas hoje é a defesa da Petrobras, o nacionalismo !

- Quem quer quebrar a Petrobras hoje é seu novo Conselho de Administração.

- Que quer administrar a Petrobras como se fosse uma empresa privada !

- O Serra tem cobertura do Levy e do Governo – senão, o Delcídio não votava com ele !

- Eu quero o monopólio absoluto da Petrobras !
Em tempo: sobre a edificante operação da “venda” do Bamerindus ao HSBC, não perca o capítulo 
do Príncipe da Privataria, do Palmério Dória, que trata da desinteressada relação do dono do 
Bamerindus com o Fernando Henrique. Tão desinteressada que cabia numa mala cheia de dinheiro ! – PHA

Paulo Henrique Amorim
PT votou a urgência urgentíssima para vender o pré-sal à Chevron !​

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) participou nessa segunda-feira 02/08, em São Paulo, no 

Instituto Barão de Itararé, do lançamento do livro “Cultura do silencia e democracia no Brasil – 
ensaios em defesa da liberdade de expressão (1980-2015)”, do professor Venício A. de Lima.Requião tinha acabado de denunciaro caráter pigal da prisão do prisioneiro José Dirceu
Diante de uma plateia de blogueiros sujíssimos e do professor Fábio Konder Comparato, Requião 
soltou o verbo com desenvoltura que não se vê num petista (no Senado ou fora dele).
Alguns trechos do pronunciamento de Requião (a transcrição não é literal):

- Eu acreditava que o Lula era um intelectual orgânico. Mas descobri que não é. Ele foi um 
representante dos sindicatos para para intermediar os interesses do povo com o grande capital.

- Um dia eu contei para o Lula como tratei a Comunicação no Paraná. Cortei todas as verbas de 
publicidade. Investi na tevê estatal, a TV Educativa, e fiz um acordo com Hugo Chávez para 
distribuir o sinal pela Telesur.

- Lula ouviu, pareceu muito interessado, e me disse: vai ali e diga ao Dirceu.

- Dirceu ouviu e disse, mas, Requião, o Governo já tem uma tevê: é a Globo.

- Eles achavam que com o velho esquema do FHC, das verbas publicitárias do Governo, eles iam 
conquistar a Globo.

- Essa mídia técnica do Lula (e da Dilma – PHA) só favorece os grandes grupos de mídia !

- Através do Fernando Henrique (que entende muito de corrupção na China e da compra de 
reeleição – PHA) a banca já disse que a Dilma é honrada e séria.

- E é !

- O capital financeiro quer é operar os espaços para seu projeto – não quer derrubar a Dilma.

- Quer é espaço para o Cerra entregar o pré-sal.

- Como é que a Petrobras não tem competência para explorar o pré-sal ? Aquilo ali em cada dez 
furos você acha petróleo em dez !

- O projeto do Cerra de entregar o pré-sal à Chevron, como está no WikiLeaks, só não passou no 
Senado porque eu, o PCdoB e o Lindberg Farias instalamos no Senado um clima de terror !

- E o líder do PT Senado, o Delcídio Amaral, o Delcídio !, assinou o projeto de urgência 
urgentíssima para votar e aprovar o Cerra, para vender o pré-sal à Chevron !

- O líder do Governo assinou ! E muitos petistas se recusaram a assinar um documento para 
derrubar a urgência urgentíssima do Delcídio !

- Eles entregaram a Petrobras a homens do mercado. Que vão fazer com a Petrobras o que São 
Paulo fez com a Sabesp e o Jaime Lerner (e o Daniel Dantas) fez com a Sanepar.

- Diminuir os investimentos, e entregar !

- A Petrobras está sendo administrada com a lógica do mercado.

- E o Levy proibiu o BNDES de emprestar dinheiro à Petrobras !

- Essas empresas da Lava Jato … o Governo deveria estatizar elas todas. Prende os corruptos e 
deixa as empresas de pé !

- Eu também sou a favor da estatização completa da Petrobras.

- O grande capital não quer a ruptura com a Dilma. Eles querem fazer ela sangrar !

- E nós não podemos defender os erros da Dilma. Ajuste ? Sim, era necessário. Mas, isso aí é 
arrocho e arrocho, não !

- O jogo do grande capital não é prender o Lula nem derrubar a Dilma. E eu ponho a minha mão 
no fogo por ela.

- A base de apoio ao Eduardo Cunha é supra-partidária. E ele só foi eleito por culpa do PT, que 
resolveu adotar uma posição fisiológica, hegemônica.

- Governo de coalizão ? Sem essa ! Não vou defender o PMDB, mas o que está aí não é culpa de 
coalizão nenhuma.

- A coalizão do Governo é com o grande capital !

- O Fernando Henrique vendeu o Bamerindus ao HSBC por R$ 1. E o Bradesco comprou o 
Bamerindus por US$ 5 bilhões !

- Quer melhor que isso ?

- A coalizão não escolheu o Levy ! Quem escolheu foi ela !

- O que ganhou a eleição foi o discurso da Dilma contra o que o Aécio ia fazer. E ela chega lá e 
faz o que o Aécio ia fazer !

- O objetivo não pode ser derrubar a Dilma.

- Mas mudar a política da Dilma.

- O Ibope dela está em 7,16% !

- Precisa explicar mais ?

- A tese que unifica os brasileiros progressistas hoje é a defesa da Petrobras, o nacionalismo !

- Quem quer quebrar a Petrobras hoje é seu novo Conselho de Administração.

- Que quer administrar a Petrobras como se fosse uma empresa privada !

- O Serra tem cobertura do Levy e do Governo – senão, o Delcídio não votava com ele !

- Eu quero o monopólio absoluto da Petrobras !
Em tempo: sobre a edificante operação da “venda” do Bamerindus ao HSBC, não perca o capítulo 

do Príncipe da Privataria, do Palmério Dória, que trata da desinteressada relação do dono do 
Bamerindus com o Fernando Henrique. Tão desinteressada que cabia numa mala cheia de dinheiro ! – PHA

Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

História - O médico medieval Aécio de Amida


Médico grego nascido em Amida, Mesopotâmia, próximo de Tigris, e estudou medicina em Alexandria, onde desenvolveu adiantados estudos sobre ginecologia e câncer de mama e escreveu uma histórica enciclopédia médica de 16 livros, essencialmente uma coleção de conhecimentos de medicina até então e não suas idéias como um médico.

Estudou medicina em Alexandria e se tornou o médico de tribunal em Bizâncio e um dos principais médicos oficiais da casa imperial. Superstição e jogo de misticismo eram em grande parte seus remédios, como recomendar a castração dos epilépticos. Em sua enciclopédia médica, Tetrabiblios, em 16 livros, não demonstrou sua competência como doutor, produzindo escritos que literalmente uma coleção de informações de autores anteriores como Rufus de Ephesus, Antyllus, Leonides, Soranus e Philumenus, e compilou de várias fontes, especialmente de Galeno.

Oito livros do original grego foram impressos em Veneza (1534) e uma tradução latina completa por Janus Cornarius (1500-1550) se apareceu a Basel (1542) e foi adquirida por Thomas Rymer Jones (1810-1880), o primeiro Professor de Anatomia Comparativa do King's College London. Também estudou a menstruação afirmando que começava aos 14 anos e terminava aos 40 ou pouco mais tarde.

Nesse seu escritos estavam os melhores tratados antigas sobre doenças de ouvido, nariz, garganta e dentes e, mais exaustivamente, sobre doenças de olhos na literatura da antiguidade. Foi pioneiro em escritos sobre difteria e tratamentos de aneurismas por ligação de vasos. Provavelmente morreu em Bizâncio e depois dele, desafortunadamente, durante cerca de 1300 anos não se teve interesse significativo pelos problemas ginecológicos em geral.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/

Prisão de Dirceu serve como cortina de fumaça para esconder atentado contra Instituto Lula



Marcio Sotelo: Prisão de Dirceu pode ter sido para encobrir atentado ao Instituto Lula e promover ato contra Dilma.

Por Lúcia Rodrigues para o site Caros Amigos

A prisão do ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, detido pela Polícia Federal na manhã desta segunda, 3, em Brasília, na 17° fase da operação Lava Jato, batizada de Pixuleco, não se justifica,
segundo o ex-procurador de Estado, Márcio Sotelo Felippe.

 
“É um ato arbitrário e injustificável. Não há necessidade de prisão. Ele cumpre pena no regime semiaberto. Tem endereço certo. Não há nenhuma justificativa para essa prisão, a não ser para promover o espetáculo de um estado policialesco, que criminaliza a política”, frisa.
O jurista não descarta a hipótese de que a medida tenha sido posta em prática para desviar a atenção do atentado à bomba contra o Instituto Lula e ajudar na mobilização da manifestação convocada pela oposição contra a presidente Dilma, marcada para o próximo dia 16. “São especulações razoáveis.”
A decisão com a ordem para a prisão de Dirceu foi assinada eletronicamente pelo juiz Sérgio Moro às 11h38 da segunda-feira passada, 27, há exatamente uma semana.
No despacho, além da prisão do ex-ministro, Moro salienta outras medidas relacionadas a ele e a associados, como buscas e apreensões.
Na operação, a Polícia Federal também prendeu o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo Oliveira e Silva, e seu ex-assessor, Roberto Marques, o Bob.
A ordem de prisão também determinou o bloqueio dos ativos mantidos em conta e investimentos bancários dos três acusados, além da empresa de Dirceu. Outros três acusados e a TGS Consultoria e Assessoria em Administração também foram atingidos por essa determinação.
Dirceu é acusado de ter recebido propinas que teriam sido disfarçadas na forma de consultorias prestadas por sua empresa de assessoria JD. A empresa já está desativada.
Os presos deverão ser conduzidos para Curitiba, onde corre o processo da Lava Jato

Atentado contra Lula acende alerta vermelho


:
A bomba jogada contra entidade liderada pelo ex-presidente da República, na noite de quinta-feira, revela perigos que rondam o cenário político.
Tudo leva a crer que o ato terrorista teve origem em alguma franja da direita, animada pelo clima de ódio antipetista diuturnamente alimentado pelos principais meios de comunicação e líderes da oposição.
A escalada é notável, transitando das agressões verbais nas redes sociais para o terreno do enfrentamento físico.
O primeiro sinal veio com a coação de ex-ministros em restaurantes paulistanos, além de ataques irregulares contra sedes do PT.
No início da semana, o presidente fluminense do partido e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, tomou um empurrão que o jogou ao chão enquanto dava entrevista a alguns jornalistas.
Sentindo-se à vontade, de mãos livres para fazerem o que bem entendem, extremistas do conservadorismo agora aumentam a altura do sarrafo e miram na principal liderança da esquerda brasileira.
Seria irresponsabilidade afirmar que o atentado contra o Instituto Lula, cujos objetivos parecem ser intimidação e propaganda, representa prova de que a oposição de direita esteja saindo da institucionalidade para a violência.
Mas é cristalino que o discurso do reacionarismo, estimulando clima de caça às bruxas contra o petismo, identificando-o como campo político a ser aniquilado por todos os meios, está na origem da atual onda de truculência.
Basta ver a audácia dos que resolveram escolher Lula como alvo de suas intentonas. Não se trata mais de situações casuais e fortuitas, mas de operação planejada e armada, o que indica proliferação e recrudescimento de grupos dispostos ao terror.
Também chama atenção a reação frágil e intimidada do governo federal a respeito de fato tão relevante.
Ataque desta natureza contra um ex-presidente da República, ainda mais da estatura de Lula, sem o qual jamais a atual administração teria sido eleita e reeleita, exigiria resposta de alta intensidade, através de todos os canais possíveis.
Para começo de conversa, as investigações deveriam ser imediatamente federalizadas e caberia, à chefe de Estado, chamar rede nacional de rádio e televisão, com o intuito de proclamar claramente o repúdio ao ódio fascista e a determinação de empenhar todos os esforços para impedir sua difusão na sociedade.
A claudicante contraposição petista ao atentado da rua Pouso Alegre, no mais, revela as sequelas de uma estratégia conciliatória que foi incapaz de preparar o governo, os partidos de esquerda e os movimentos sociais para uma etapa como a atual, de radicalização do confronto entre projetos de nação.
Ao deixar intacto o monopólio da mídia, o petismo cevou seus piores inimigos, que agem como máquinas de animação e mobilização das entranhas mais apodrecidas do país, na busca de onda restauradora que possa colocar enterrar, a qualquer preço, o processo de mudanças iniciado com a eleição de Lula em 2002.
Mantendo ares de normalidade, o governo e o PT banalizam a gravidade dos acontecimentos, desorganizam sua própria militância e abrem alas para o conservadorismo seguir em seu movimento ascensional, que já combina hegemonia institucional com disputa das ruas e, agora, o recurso à violência.
A história, aliás, está repleta de exemplos sobre o que se passa quando as forças progressistas e democráticas comportam-se como avestruzes.
Ofensivas reacionárias, afinal, não costumam ser detidas com bom-mocismo, falta de audácia e encolhimento.

Os “paradoxos” de Moro e o aviso de Wadih Damous: “A resposta virá”

 

O jornalista Webster Franklin fez uma pergunta, no Jornal GGN, que deveria estar sendo feita em peso pela mídia hegemônica, se esta não fosse corrompida e venal até a raiz do cabelo. A pergunta é singela e obrigatória: Por que Sérgio Moro não investiga Furnas?.


Webster recorda, em seu artigo, que o doleiro e delator Youssef declarou, em 2014, que dinheiro desviado de Furnas tinha sido destinado a Aécio Neves. Vejam que, diferente de outras ocasiões, Youssef neste caso não foi vago (assista ao vídeo no final destas Notas Vermelhas). Em sua delação premiada ele não diz que ACHA que o dinheiro era para a campanha de Aécio, ele afirma que o dinheiro era para o pagamento de propinas que o PP dividia com o PSDB, fruto do “compartilhamento” de uma diretoria de Furnas durante o governo do ínclito FHC, citando nominalmente o então deputado Aécio Neves. Youssef aponta ainda a irmã de Aécio Neves como operadora do esquema. Mas Sérgio Moro revelou sua alma tucana de duas formas. Em primeiro lugar, durante a campanha eleitoral de 2014 a operação Lava Jato “vazou” diversas citações a membros do PT ou do governo visando prejudicar a campanha à reeleição de Dilma Rousseff e guardou a sete chaves a citação de Youssef que envolvia Aécio Neves, que só foi divulgada em março de 2015. Em segundo lugar, Moro afirmou que a corrupção de Furnas não lhe dizia respeito por não se tratar de desvios ligados à Petrobras. Agora, em relação à Eletrobrás, o mesmo Sérgio Moro diz que este assunto é de sua responsabilidade em “decorrência da conexão e continência dos demais casos da Operação Lava Jato”. Ou seja, como registra a jornalista (e laureada estudante de Direito, registre-se) Dayane Santos, do Portal Vermelho, a “interpretação para fatos semelhantes é completamente diferente”. Em declaração às Notas Vermelhas, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da OAB-RJ, disse que “Este é mais um dos paradoxos arbitrários dos tantos cometidos pelo Juiz Lava Jato”.

A alma tucana de Sérgio Moro - Democracia ameaçada

Imaginem os leitores se Youssef tivesse dito o seguinte: que dinheiro foi desviado de Furnas para ser entregue a Luís Inácio Lula da Silva e que Frei Chico (irmão de Lula) era o operador do esquema. Seria uma hecatombe. Colunistas amestrados, manchetes garrafais, reportagens especiais em tom dramático em todas as TVs e Rádios (inclusive na inacreditável Agência Brasil) iriam escarafunchar cada detalhe da vida do irmão do Lula. E qual vocês acham que seria a atitude do juiz comendador da Globo? Alguém acredita de fato que ele iria alegar, neste caso, que Furnas não está no âmbito das investigações da Operação Lava a Jato?

Wadih Damous: A resposta virá


Em momentos como estes as coisas devem ser ditas o mais claramente possível: A condução parcial e politicamente dirigida da operação Lava Jato é escandalosa e só não desperta a indignação coletiva pela eficaz e unânime blindagem da mídia hegemônica. Esta blindagem só pode ser rompida com uma também eficaz, unânime e vigorosa denúncia, por parte das forças democráticas, do perigo que tal atitude representa para a legalidade democrática. Deixar que a justa bandeira do combate à corrupção seja empunhada por quem só tem em mente conduzir uma “santa cruzada” para criminalizar um partido ou uma corrente política, pode contar com eventual apoio de parcelas da população, mas trará, em curto prazo, consequências danosas e duradouras não só para a esquerda, mas para todos os democratas e patriotas. Segundo Wadih Damous, no entanto, a resposta a isso não tardará: “Está sendo articulado por todo o Brasil um amplo grupo de juristas, advogados e estudantes de direito para denunciar os abusos e desmandos que ameaçam o Estado de direito e a democracia”.


 

Como um governo fraco se enfraquece mais pela incapacidade de ser forte

A covardia da presidenta Dilma e do fraco ministro cardozo da Justiça, é a carne que alimenta e estimula a escalada da violência jurídica, midiática e política no Brasil.
Confira a matéria do Tijolaço, abaixo.
 Fernando Brito

É impressionante a incapacidade de reação do Governo brasileiro aos atropelos à democracia que estamos assistindo.
Em país algum do mundo, atirar uma bomba –  não importa se caseira ou não – contra o escritório de um ex-presidente da República provocaria apenas umas “tuitadas” de solidariedade.

 

Pense o querido leitor se não estaria, minutos depois, no local, uma turma do FBI se a bomba tivesse sido arremessada, nos Estados Unidos, contra o Centro Carter ou a Fundação Clinton?
Aqui, porém, temos um Ministro da Justiça (perdão!) que apenas gaguejou que “pode ser” que haja motivação política.
E a Presidenta da República diz que “”jogar uma bomba caseira na sede do Instituto Lula é uma atitude que não condiz com a cultura de tolerância e de respeito à diversidade do povo brasileiro”.
Com todo o respeito, Presidenta, é muito mais que isso.
É crime.
Como pretender que a população se indigne com isso se os governantes, que tem o dever, o poder e os meios para responsabilizar quem fez isso se mostram incapazes de se indignar e agir?
Quem tem mais de 50 anos lembra das bombas “caseiras” que começaram a explodir em modestas bancas de jornais, depois no gabinete de um vereador do MDB no Rio, depois na Ordem dos Advogados do Brasil e, afinal, no colo dos próprios criminosos, no Riocentro?
Volta e meia cito o trecho dos Lusíadas que ouvi de Brizola tantas vezes: “Que, vindo o Castelhano devastando/As terras sem defesa, esteve perto/De destruir-se o Reino totalmente/Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.”
O Governo brasileiro, eleito por um partido e uma liderança política, parece ter vergonha de usar a força da democracia contra os selvagens.
Porque atirar bombas é ato de selvageria, de banditismo, ação criminosa que não apenas “não condiz” com a cultura de tolerância do Brasil, mas é uma violação a ser punida, de imediato e sem reservas, para que não se reproduza.
Como o Governo não o faz, os imbecis do golpismo já se aventuram a dizer que a bomba fez “um buraquinho ridículo” na porta de metal do Instituto Lula.
Não é ridículo atirar bombas.
Ridículo é ter medo delas.

COERÊNCIA NÃO É SINÔNIMO DE INTRANSIGÊNCIA




No final do século XIX e início do XX, os socialistas franceses Jean Jaurès (à esq.) e Jules Guesde protagonizaram um acalorado debate no seio da esquerda. Enquanto o primeiro defendia uma eventual participação dos socialistas num "governo burguês" para fazer frente aos setores mais reacionários da sociedade francesa, Guesde classificava essa postura como "traição" ao proletariado. (Por causa das posições maximalistas de Guesde, que se proclamava um marxista intransigente, o próprio Karl Marx chegou a dizer que ele, Marx, não era marxista...)

Jaurès considerava que o poder dos monarquistas, militaristas e católicos ultramontanos era ainda muito forte na França e que por isso deveria ser combatido em aliança com as forças liberais e progressistas. Ele lembrava o Affaire Dreyfus (à dir.), o caso do oficial judeu falsamentente acusado de espionagem e cujo processo opôs, de um lado, republicanos, socialistas e radicais franceses e, de outro, o Exército, a Igreja Católica e os nostálgicos do ancién regime.

O moderado Jaurès era, contudo, coerente: antimilitarista convicto, liderou campanhas contra o crescente rufar de tambores e a tentação patrioteira. Foi assassinado por um nacionalista em 31 de julho de 1914. Menos de um mês depois, a Europa mergulhou no conflito que iria arrastar no sangue e na lama das trincheiras as esperanças civilizatórias da Belle Époque.

Ironicamente, o intransigente Guesde (à esq.) mudou de opinião e integrou um governo de "união nacional". Ele se convertera ao nacionalismo, na espectativa de que a guerra levaria o país à revolução social - uma espécie de leninismo de gabinete (alguns diriam de fancaria).

Qualquer semelhança entre a trajetória do guesdismo - da intransigência ao oportunismo - a de certos dirigentes de esquerda de outros tempos e meridianos não é mera coincidência...





"A depender de governo e oposição, caos social vai se aprofundar"

                                                                                                                                                                                                 Vladimir Kush, 1965, Russian painter


Entrevista do historiador Marcelo Badaró Mattos ao jornalista Gabriel Brito, do Correio da Cidadania
Para fazer um balanço do primeiro semestre deste tenso ano político, o Correio da Cidadania entrevistou o historiador Marcelo Badaró Mattos, em meio a um recesso parlamentar que parece guardar brigas de peso para agosto. Além de afirmar que a tendência é vermos a piora do quadro recessivo, o entrevistado analisou o ‘fenômeno’ Eduardo Cunha e diminuiu o peso de eventuais desdobramentos da Operação Lava Jato.


“A pauta reacionária de Cunha e seus aliados - a redução da maioridade penal, a regressão nos direitos reprodutivos, a tentativa de dirigir os currículos educacionais e as práticas pedagógicas por um viés claramente reacionário etc. - é perfeitamente funcional ao esforço de disciplinamento e apassivamento de uma força de trabalho submetida a um processo de exploração/expropriação e opressão ampliadas”, afirmou o professor da Universidade Federal Fluminense.
Sobre as investigações de propinas em contratos de obras públicas realizadas por grandes empreiteiras, Badaró diz que “a Lava Jato serve tanto aos interesses da oposição, que mantém em pauta a denúncia da corrupção petista e o fantasma do envolvimento de Lula e Dilma, quanto ao esforço petista de se apresentar como vítima de um complô tucano, com ramificações no judiciário e na Polícia Federal”.
Dessa forma, a sociedade só poderia vislumbrar um movimento de rejeição ao ajuste fiscal com a formação de um polo totalmente crítico ao governo e suas políticas nocivas aos direitos trabalhistas, algo já verificável na realidade. “As medidas adotadas nos primeiros seis meses do segundo mandato de Dilma representam um alinhamento, em momento que a crise reduz as margens para qualquer compensação social”, diz ele, que apesar de não descartar retrocessos institucionais, acredita que o impeachment “não está colocado no imediato, pois no que diz respeito aos interesses do grande capital o governo tem sido exemplarmente fiel”.
A entrevista completa pode ser lida a seguir.
Correio da Cidadania: Qual o balanço que você faz do primeiro semestre na política e economia brasileiras, especialmente no que se refere às posturas que vêm sendo adotadas pelo governo e pela sua mandatária?
Marcelo Badaró: O governo Dilma, através da coalizão partidária liderada pelo PT, foi reeleito após uma disputa muito polarizada, com uma campanha que procurava imputar ao principal adversário – Aécio Neves, do PSDB – a ameaça de uma política econômica recessiva, de mais privatizações e retirada de direitos dos trabalhadores. Exatamente o que Dilma reeleita, já a partir de dezembro do ano passado, começou a executar, demonstrando que suas promessas de campanha não eram nada mais que... Promessas de campanha. Sem dúvida, Aécio Neves e a coalizão liderada pelo PSDB teriam feito o mesmo se tivessem sido eleitos.
Isso se explica em grande medida pelo quadro de acentuação dos impactos da crise capitalista na economia brasileira. Diante da retração das taxas de lucro, especialmente do chamado “setor produtivo”, o capital encontra como saídas a busca de mais rendimentos “financeiros” e, ao mesmo tempo, a ampliação da taxa de exploração sobre os trabalhadores, expropriando-os de direitos.
Nos dois casos, como gestor da dívida pública/taxa de juros e como espaço de regulação legal das relações capital/trabalho, o papel do Estado é fundamental. Os governos liderados pelo PT, desde 2003, nunca titubearam em alinhar-se com os interesses do capital em todas as questões decisivas que até aqui enfrentaram e não seria diferente agora.
As medidas adotadas nos primeiros seis meses do segundo mandato de Dilma representam exemplarmente esse alinhamento, em um momento em que a crise reduz as margens para qualquer tipo de compensação social. A elevação da taxa de juros (com a dívida pública ultrapassando a fatia de 50% do orçamento federal destinado a seu pagamento, juros e rolagem), a retirada de direitos trabalhistas, os cortes do orçamento nas áreas sociais (especialmente na educação, mostrando a hipocrisia do slogan da “Pátria Educadora”), são todas políticas que confirmam essa avaliação.
Correio da Cidadania: O que justifica a ‘força’ de Eduardo Cunha neste período?
Marcelo Badaró: Para além da autonomia relativa da dinâmica parlamentar brasileira - em que um presidente da Câmara pode ser eleito por fazer mais promessas de vantagens pecuniárias e mordomias para deputados - há dois elementos que me parecem importantes para entender o papel atual desse personagem, que ingressou na vida política sob o apadrinhamento de P.C. Farias.
No plano da superfície do jogo político, Cunha representa os impasses do “presidencialismo de coalizão”, como costumam chamar os cientistas políticos, em que os presidentes eleitos, sem maioria parlamentar exclusiva de seu partido, estabelecem alianças nos moldes mais fisiológicos (apoio em troca de cargos nos diversos escalões do Executivo, empresas estatais, agências reguladoras etc., além de liberação de “emendas parlamentares” e apoio às propostas corporativas das “bancadas” setoriais, como os “ruralistas” ou os “evangélicos”).
Ele é a expressão de uma “base aliada” que quer maximizar seus ganhos e benefícios nessa lógica do “é dando que se recebe”. Por outro lado, e indo além desse aspecto, a pauta reacionária de Cunha e seus aliados - a redução da maioridade penal, a regressão nos direitos reprodutivos, a tentativa de dirigir os currículos educacionais e as práticas pedagógicas por um viés claramente reacionário etc. - é perfeitamente funcional ao esforço de disciplinamento e apassivamento de uma força de trabalho submetida a um processo de exploração/expropriação e opressão ampliadas.
Não à toa, mesmo com todas as chantagens políticas ao Planalto, a pauta da retirada de direitos dos trabalhadores é toda encaminhada positivamente por Cunha e os seus.
Correio da Cidadania: O que espera do retorno do recesso parlamentar, em agosto, quando várias brigas políticas, voltadas aos mais diversos interesses, parecem anunciadas? O que ocorrerá, mais especificamente, a seu ver, com o PMDB, que não abraçou o rompimento de Cunha com o governo?
Marcelo Badaró: O PMDB, desde a redemocratização, é um partido que orbita sempre em torno do Executivo, cumprindo o papel de fornecer a maioria parlamentar necessária, em todo um mandato ou nos momentos-chave, em troca do controle de determinadas fatias da máquina pública. No quadro atual, ampliar a chantagem sobre o Executivo para obter fatias maiores do seu “botim” faz sentido, mas romper completamente com o governo só se justificaria se a correlação de forças se alterasse a ponto de uma queda de Dilma, o que não parece ser o “plano A” das classes dominantes neste momento.
Correio da Cidadania: Acredita que os desdobramentos da Operação Lava Jato, que parecem atingir cada vez mais quadros políticos de peso, poderão arrefecer os ânimos e produzir “acordos de paz”?
Marcelo Badaró: Apesar da novidade de um processo policial/judiciário de investigação da corrupção chegar aos corruptores, não acredito que a Operação Lava Jato terá papel determinante nos desdobramentos do quadro político brasileiro atual. Ela serve tanto aos interesses da oposição, que mantém em pauta a denúncia da corrupção petista e o fantasma do envolvimento de Lula e Dilma, quanto ao esforço petista de se apresentar como vítima de um complô tucano, com ramificações no judiciário e na Polícia Federal.
Correio da Cidadania: O que espera das manifestações, à esquerda e à direita”, agendadas para agosto?
Marcelo Badaró: As manifestações de março demonstraram, entre outras coisas, que a direita política, pela primeira vez desde os tempos do governo Goulart, resolveu assumir o papel de promover mobilizações de rua como estratégia política. No que foi apoiada/financiada pelos novos/velhos aliados externos (os links dos “líderes” da “nova” direita brasileira com organizações estadunidenses têm sido demonstrados em diversas análises) e, principalmente, insuflada pelo enorme esquema de cobertura televisiva das Organizações Globo e outros veículos de comunicação empresariais. Algo que representa, sim, uma ameaça séria de retrocesso político, que não podemos desprezar.
No entanto, o fracasso das chamadas posteriores de mobilização daquelas mesmas forças demonstrou que não é fácil reproduzir muitas vezes aquele modelo. Por outro lado, por parte das forças que apoiam o governo, é mais difícil ainda mobilizar bases sociais organizadas da classe trabalhadora com a paradoxal proposta de combater as políticas de “austeridade” implementadas pelo governo liderado pelo PT e, ao mesmo tempo, defender esse mesmo governo de supostas ameaças golpistas vindas da direita.
Manifestações verdadeiramente à esquerda dependem da criação de um polo autônomo em relação ao governo, e resolutamente crítico da direita reacionária, que combata com consequência todas as medidas que retiram direitos dos trabalhadores e os cortes no orçamento social, apontando para a necessidade de romper com a lógica da dívida e desnudando o sentido de classe (a favor do capital) do governo Dilma e da oposição de direita.
Correio da Cidadania: O que caberia no momento aos grupos e movimentos favoráveis a um projeto alternativo? Quais seriam esses grupos e qual a possibilidade de partirem para uma ação conjunta?
Marcelo Badaró: Neste momento, em que acontecem greves de servidores públicos federais e setores estaduais, como as Universidades baianas (após as greves de profissionais da educação em diversos estados, com destaque para o Paraná), o primeiro passo é cerrar fileira em apoio a esses movimentos, que indicam uma primeira e importantíssima onda de resistência às políticas de austeridade.
O passo seguinte é a construção necessária e difícil de uma greve geral no país. Em meio a esses processos de luta poderiam emergir movimentos, processos organizativos e lideranças capazes de criar um polo combativo e classista a unificar o sindicalismo e outros movimentos sociais da classe trabalhadora do campo e da cidade.
Do ponto de vista das bases sociais, o desafio é aglutinar os trabalhadores organizados - não apenas no pequeno setor mais autônomo e combativo do sindicalismo brasileiro, mas disputando as bases dos burocratas sindicais, governistas ou não - com os amplos setores da classe não representados pelo movimento sindical, que manifestaram de forma muito explícita seu descontentamento durante as “jornadas de junho” de 2013.
Correio da Cidadania: Como acredita que caminhará este mandato de Dilma, no médio e longo prazo, em especial com os ventos de impeachment pairando vez ou outra nos debates?
Marcelo Badaró: A depender das forças políticas que apoiam o governo e da oposição de direita, a tendência é de aprofundamento das políticas de austeridade, que já estão conduzindo o país ao desastre social - com a rápida elevação das taxas de desemprego, a queda nos rendimentos do trabalho e o desmanche dos serviços públicos, estrangulados pelos cortes de verba. A hipótese do impeachment não pode ser descartada, especialmente se o crescimento do descontentamento com tal desastre social for dirigido pela perspectiva da direita e apresentado como um mero resultado da “corrupção” petista.
No entanto, ela não está colocada no plano imediato, pois no que diz respeito aos interesses imediatos do grande capital o governo Dilma tem sido exemplarmente fiel. Como disse um amigo, diante do anúncio de mais um período de recorde de lucros de um grande banco: “é por essas e por outras que não vai ter impeachment”.
Do lado das forças do trabalho, a interrupção do ciclo da austeridade dependerá essencialmente de uma nova onda de lutas sociais, capazes de gerar um outro polo organizado da classe trabalhadora, que apresente-se como alternativa de classe às políticas do capital.

PMDB turbina a crise para ampliar sua capacidade de extorsão


eduardo cunha e renan -pozzebom/agencia brasil
Parte da crise política do governo Dilma, atravessa pela coalizão com mega e teras achacadores.

por Ariel Goldstein*
 
A recente declaração do vice-presidente Michel Temer, pertencente ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sobre que este partido, o principal aliado do PT no Congresso, vai lançar seu próprio candidato para as eleições presidenciais de 2018, e à oposição declarada do Eduardo Cunha — Presidente da Câmara dos Deputados e líder pemedebista — contra o governo, é mostra das novas dificuldades para a coalizão governamental.
A aliança pragmática entre os dois partidos foi formada desde o início com base em benefícios mútuos, onde o PMDB trouxe sua ampla representação regional no parlamento, chave para a aprovação de projetos e para garantir a governança no “presidencialismo de coalizão”, e os governos de Lula e Dilma davam cargos a este partido no Estado e ministérios.
Este foi o intercambio pragmático estabelecido a partir de 2005 entre o PMDB e o PT, guiado pelas necessidades deste último para preservar a sustentabilidade do governo e evitar a repetição de padrões de alianças com partidos menores, que tinham levado ao “mensalão”, a grande crise causada por denúncias de corrupção no início do governo Lula em 2005.
Com as manifestações em junho de 2013 como ponto de viragem, e o interesse de Rousseff para traduzir as demandas por mudança na reforma política, começaram a se mostrar as tensões desta “parceria pragmática”, uma vez que o PMDB procurou evitar mudanças no sistema por causa de que na fragmentação do Parlamento atual, na lista aberta de candidatos a deputados e nas doações de campanhas privadas, residem as bases de reprodução de seu poder político.
As novas tensões entre os dois partidos também são uma expressão de uma grave crise que começou na campanha eleitoral de 2014 e que ainda não tem sido resolvida.
Nessa campanha, com a polarização entre Aécio Neves, o candidato do PSDB, e Dilma, verificou-se um ódio antipetista sem precedentes nos últimos anos, e o triunfo eleitoral estreito de Rousseff não oficiou como um momento de forte legitimação do seu governo.
Desde então, mobilizações a favor e contra se tem multiplicado, sendo palco de disputa entre aqueles que exigiram o “impeachment” da Dilma e aqueles que procuraram expressar o seu apoio na rua ao governo.
Por sua vez, o ajustamento econômico ortodoxo que está sendo implementado por Joaquim Levy, o ministro da Economia, restringe o âmbito de ação do governo e cria uma dissolução das expectativas de melhora no curto prazo, o está produzindo decepção e críticas nos próprios partidários do governo, incluindo o ex-presidente Lula, que tem observado que o governo não está criando esperança para o futuro.
O PMDB, partido pós-ideológico e pragmático por excelência, percebe a fraqueza do governo e começa a construir movimentos possíveis para ficar do lado dos vencedores, caso eles não sejam os líderes do atual governo.
Por sua vez, tenta de várias maneiras aprofundarem a crise do governo de Dilma, Incluindo as iniciativas que a presidente levanta e extorquindo para aumentar o seu espaço no governo como contrapartida do seu apoio.
Quanto mais fraco esteja o governo de Dilma, mais o PMDB poderá se beneficiar com sua capacidade de extorsão.
Como qualquer crise, esta poderia ser uma oportunidade para redefinir o perfil da coalizão do governo, mas isso não seria fácil, considerando que os outros aliados potenciais estão à sua direita e têm menos influência, nem há muito sucesso com as chamadas governamentais para a rua.

*Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe, Universidad de Buenos Aires. Autor do livro De la expectativa a la confrontación: O Estado de S. Paulo durante el primer gobierno de Lula, disponible online: http://www.sanssoleil.es/argentina/producto/de-la-expectativa-a-la-confrontacion/


Marcello Reis, do Retardados Online, é um dos propagadores do ódio e da violência

O atentado terrorista contra o Instituto Lula é filho da permissividade com que manifestações de ódio vem sendo tratadas no Brasil.

por : Paulo Nogueira

O atentado terrorista contra o Instituto Lula é filho da permissividade com que manifestações de ódio vem sendo tratadas no Brasil.
A impunidade leva a novos degraus.
Primeiro você xinga, calunia, massacra nas redes sociais. Depois, começa a jogar bombas.
O Brasil tem que adotar uma política de tolerância zero com o ódio.
Em Nova York, nos anos 1990, o então prefeito Michael Bloomberg revolucionou o combate à criminalidade com a adoção da tolerância zero.
O sujeito que fazia xixi em área pública, se não coibido, depois estava cometendo pequenos furtos, e depois sabe-se lá o que ele faria.
O papel da extrema direita na disseminação do ódio impune, em geral pela mídia, é central.
Veja o que algumas pessoas falaram a respeito do atentado.
No Twitter, Danilo Gentili escreveu que Lula forjou o ataque, e que o máximo que ele conseguiu foi as pessoas lamentarem que ele não estivesse lá na hora.
Piada?
Na verdade, crime. Gentili acha que pode fazer uma acusação grave dessas sem nenhuma consequência.
E não dá para culpá-lo. Ele foi processado por racismo por um negro depois de mandá-lo comer bananas.
O juiz disse que não havia ofensa.
Felipe Moura Brasil, blogueiro da Veja que ultrapassou qualquer limite da sanidade, também disse que Lula inventou a bomba.
“A melhor defesa para o PT é se atacar”, escreveu ele no Twitter.
Lobão fez o que se espera de Lobão.
Numa sociedade civilizada, você não pode fazer uma acusação tão grave, e com tamanha dose de ódio irracional, e não responder por isso criminalmente.
Mas é o que acontece no Brasil de hoje.
A Justiça é o que é, mas mesmo assim os promotores do ódio e os assassinos de reputação têm que ser processados.
No mínimo, eles enfrentarão aborrecimentos. E terão que arcar com despesas de advogados.
O que não pode acontecer é nada.
Neste sentido, Lula merece aplausos por decidir processar o diretor de redação da Veja e os repórteres que assinaram a matéria sobre a delação que não existiu.
Romário deveria fazer o mesmo 
Talvez a perspectiva de um passivo jurídico elevado leve as empresas jornalísticas a refrear seus 
aloprados.
O Brasil não haverá de ser para sempre a terra do valetudo jornalístico. Uma hora a opinião pública exigirá penas duras para assassinos de reputação homiziados na mídia.
Aconteceu em países avançados, e acontecerá também no Brasil.
Agora mesmo, nestes dias, a revista americana Rolling Stone enfrenta uma ação de indenização de 7,5 milhões de dólares por haver relatado um estupro numa universidade com uma série de erros factuais.
No plano das coisas previsíveis, até o momento em que escrevo não aparecera nenhuma manifestação de solidariedade a Lula de FHC, de Aécio e do PSDB.
Mas o que importa agora é reprimir os agentes do ódio. Tolerância zero com eles.
Ou o Brasil acaba com o ódio ou o ódio acaba com o Brasil.
É tempo de fazermos a escolha.

O ALVO AGORA É O DESMONTE DO ESTRATÉGICO PROGRAMA NUCLEAR BRASILEIRO?

PGR encontrou-se nos EUA com ex-sócia de concorrentes da Eletronuclear


Com o devido cuidado para não embarcar em teorias conspiratórias, vamos a alguma coincidências ligadas ao suposto escândalo na Eletronuclear envolvendo o Almirante Othon Luiz Pereira da Silva.
Ao longo de sua carreira, Othon acumulou um conhecimento único sobre um mercado que, no comércio mundial, equivale a US$ 100 bilhões/ano. Como consultor, teria condições de levantar valores dezenas de vezes superiores aos R$ 4,5 milhões – que teria recebido ao longo de seis ano, conforme despacho do juiz Sérgio Moro, acolhendo denúncia dos procuradores do Ministério Público Federal.
É possível que seja culpado, é possível que não. O fato objetivo é que sua detenção afeta profundamente o programa nuclear brasileiro, um dos maiores feitos tecnológicos do país.

A gravidade do fato chama mais a atenção sobre a maneira como a força tarefa da Lava Jato chegou a ele.
Seu nome surgiu em uma segunda delação do presidente da Andrade Gutierrez Dalton Avancini. Procuradores exigiram que Dalton apresentasse fatos novos, já que seu depoimento não acrescentava muito ao que já se sabia sobre a Petrobras. A partir da reformulação de sua delação, deflagrou-se a Operação Radioatividade, para investigar suspeitas na área nuclear.
Segundo o repórter Fausto Macedo, do Estadão, “Avancini disse que “ouviu dizer” que havia uma promessa de propina para o militar” (http://migre.me/qZRVL). Segundo o Jornal Nacional, Avancini disse “não saber de efetivamente houve algum repasse de propina a alguém” (http://migre.me/qZSdt).
No seu despacho, o juiz Moro relaciona uma série de pagamentos a empresas de propriedades das filhas de Othon.
Há enorme desproporção entre as supostas propinas e os contratos que teriam beneficiado as empreiteiras. Para contratos que ascendem a mais de um bilhão de reais, o inquérito apura R$ 109 mil pagos pela Camargo Corrêa, R$ 371 mil pela Techint, e R$ 504 mil pela OAS a um escritório de propriedade das filhas de Othon. E constata que a OAS não fez nenhum dos negócios apontados nas investigações (http://migre.me/qZSox).
Uma dos supostos benefícios teria sido a retomada das obras de Angra 3 – uma decisão exclusiva da Presidência da República, do Ministério da Defesa e do Estado Maior das Forças Armadas.
Moro reconhece que os pagamentos podem ter causa lícita, “pela prestação de serviços reais de assessoria ou consultoria ou por eventuais direitos de patentes, pelo menos considerando as conhecidas qualificações técnicas de Othon Luiz”.
Procuradores atestaram que o escritório presta serviços de tradução. Traduções técnicas, ainda mais em áreas da complexidade da nuclear, custam caro.
No entanto, alega “um possível conflito de interesses que coloca em suspeita esses pagamentos." (http://migre.me/qZS64) Por conta desse possível conflito de interesses, coloca na cadeia o mais relevante cientista militar brasileiro, desde o Almirante Álvaro Alberto e compromete uma tecnologia crítica para o país.
Os caminhos que levaram a Othon
Como se chegou a Othon?
Há uma disputa histórica de autoridades norte-americanas contra o programa nuclear brasileiro. A tecnologia de enriquecimento de urânio foi uma conquista histórica, que envolveu muito sigilo, inclusive a existência de fundos secretos, para possibilitar adquirir equipamentos e peças passando ao pargo do controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Nos primeiros dias de fevereiro passado, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot 
seguiu para os Estados Unidos acompanhando procuradores da Lava Jato.
A ida de Janot e da força tarefa da Lava Jato causou estranheza, expressa por nosso articulista André Araújo, um profundo conhecedor do jogo político internacional e dos mecanismos internos da real politik norte-americana
“O que vai fazer nos EUA a Procuradoria-Geral da República do Brasil? Vai ajudar os americanos na acusação contra a Petrobras? Mas a Petrobras é parte do Estado que lhes paga os salários, está sendo atacada no estrangeiro, eles vão lá ajudar os autores das ações?
Quem deveria ir para os EUA é a Advocacia-Geral da União, orgão que funciona como defensora dos interesses do Estado brasileiro. A AGU poderia ir aos EUA para ser auxiliar da defesa dos advogados da Petrobras porque, salvo melhor juizo, um Estado não vai ao estrangeiro acusar a si mesmo ou ajudar outro Estado a lhe fazer acusações. Quem processa a Petrobras indiretamente está processando o Estado brasileiro.
Fora do Brasil só há um ente que representa o Brasil, o Estado brasileiro, representado pelo Poder Executivo (art.84 da Constituição). Só o Poder Executivo representa o Brasil no exterior, a PGR não é um Estado separado do Brasil.
Quem representa o Brasil em Washington é a Embaixada do Brasil, a quem cabe os contatos com o Governo americano e suas dependências, a Embaixada deveria estar atenta para proteger a Petrobras nos EUA” (http://migre.me/qZSB1).
Em resposta, a Secretaria de Comunicação Social da PGR informou que “o PGR Rodrigo Janot tem agenda separada, não relacionada a esse processo, e manterá encontros no FBI, no Banco Mundial e na OEA" (http://migre.me/qZSEG)

Apesar da nota da Secom, uma das pessoas visitadas foi Leslie Caldwell, procuradora-adjunta 
encarregada da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos 

Leslie tem ampla experiência em apurações criminais, tendo participado dos trabalhos que terminaram na denúncia da Enron e da Arthur Andersen. Debita-se a ela a destruição de 85 mil empregos por seu estilo implacável, de não saber punir pessoas preservando empresas.
Obama a indicou para o cargo no dia 15 de maio de 2014.
Ocorre que desde 2004 ela era sócia do escritório Morgan Lewis de Nova York, atuando na área de contenciosos (http://migre.me/qZT2S).

Uma das especialidades do escritório é justamente o setor de energia (http://migre.me/qZT62), especificamente nas relações entre setor privado e governo. O sócio Brad Fagg é apresentado como advogado principal para a maioria das instalações comerciais norte-americanas. Sob a liderança de Brad – diz o site do escritório – os clientes ganharam mais de US$ 2 bilhões em decisões na área pública.

O mercado nuclear experimentou um renascimento, a ponto do escritório ter aberto uma filial em Londres para orientar os investidores interessados no setor, depois da desregulamentação do setor de energia no Reino Unido em 2004 (http://migre.me/qZU4M).
O escritório se apresentava como representante de um grade número de empresas que ocupam praticamente todos os segmentos de combustível nuclear, desde a mineração de urânio e enriquecimento para a fabricação de combustíveis.
Não é crível supor que Janot tenha participado de uma conspiração internacional. É mais certo que o açodamento e a desinformação tenham feito Janot tornar-se inadvertidamente um instrumento de um jogo geopolítico internacional, no qual o interesse do país foi jogado para terceiro plano.

PAÇHAÇADA MIDIÁTICA: JUIZ PRENDE O PRESO QUE JÁ ESTAVA PRESO

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247 - O líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado, criticou nesta segunda-feira, 3, a prisão do ex-ministro José Dirceu na 17ª fase da Operação Lava Jato.
Sibá Machado classificou o ato como uma "perseguição declarada ao PT". "O juiz Sérgio Moro trabalha com suposições, vai à imprensa, faz show. E a Polícia Federal acompanhando esse show. Isso está virando uma aberração ao estado de direito", afirmou o líder petista. "Está caminhando para um golpe político da caneta."
Segundo o deputado, o juiz Sérgio Moro trabalha para "institucionalizar um golpe e para prejudicar o PT". "Existe um olhar diferente para os mesmos fatos. O Dirceu já estava em prisão domiciliar. Não tinha motivo. É uma orquestra para colocar povo na rua. O juiz Moro faz show calculado, pensado, para que isso se desenrole dessa maneira", afirmou. 
Em coletiva de imprensa na manhã desta segunda, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que o "fato novo" que levou José Dirceu à prisão foi a delação premiada de Júlio Camargo, que teria admitido aos investigadores o pagamento de propina ao ex-ministro. Antes, os indícios da participação de Dirceu no esquema vieram da delação do empresário Milton Pascowitch, informou o procurador. Segundo ele, depois do depoimento de Júlio Camargo, os investigadores tiveram "provas suficientes" para efetuar a prisão de José Dirceu.
"Temos claro que Dirceu era aquele que tinha a responsabilidade de definir os cargos na administração de Lula", disse ainda o procurador, citando, como exemplo, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.
Sem especificar valores que teriam sido recebidos por Dirceu, o delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo citou, porém, que a quantia seria superior a R$ 20 milhões. Alguns repasses eram feitos "em espécie, mensalmente", não apenas à JD Consultoria, mas a "pessoas ligadas a José Dirceu", afirmou.