O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
O CIRCO DO HANGAR, IDEIA DOIDIVANA: E A CELPA?

Por Eduardo Bueres
Governo do Estado soltou nota dando conta que, as portas do Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia serão abertas nesta quarta-feira, 12, às 9h30, quando o local "passará por vistoria" e que, uma alta comissão formada por representantes da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Procuradoria Geral do Estado (PGE), Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil seção Pará (OAB-PA) e técnicos do Centro de Perícias Científicas "Renato Chaves" estará no local verificando a situação das instalações, quando deveriam, caso fossem coerentes, estar focando na prestação jurídica das contas e movimento fiscal da O.S.
Governo do Estado soltou nota dando conta que, as portas do Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia serão abertas nesta quarta-feira, 12, às 9h30, quando o local "passará por vistoria" e que, uma alta comissão formada por representantes da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Procuradoria Geral do Estado (PGE), Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil seção Pará (OAB-PA) e técnicos do Centro de Perícias Científicas "Renato Chaves" estará no local verificando a situação das instalações, quando deveriam, caso fossem coerentes, estar focando na prestação jurídica das contas e movimento fiscal da O.S.
Se essa 'marmota' banana-latina pega moda, então o emprego dessa verdadeira tropa de choque civil-militar deveria estender-se, dirigindo-se, imediatamente, após a tomada deste conjunto de prédios vazios, á sede da Rede Celpa...
Que fica logo ali perto, na Av. Magalhães Barata, já que, a concessionária - que foi privatizada e vendida durante o governo Almir Gabriel - tem atazanado a vida de toda a população, com exceção aos prédios onde funcionam os grandes centros comerciais e edifícios granfinos da Avenida Dondóca de Sousa Franco, que possuem geradores próprios.
O golpe praticado contra a maioria da população que paga e mantém regiamente suas contas em ordem, é praticado no formato de uma série infinita -e descarada- de 'apagões' sem quaisquer prévios avisos ou pedidos de desculpas á quem merece todas as satisfações: o povo paraense, dono das maiores reservas de energia hídrica do mundo, cujo usufruto é o sofrimento imposto pela Celpa e pelo modelo idiota da lei Kandir.
Sem falar que os telefonistas e atendentes da CELPA responsáveis em ouvir e encaminhar as reclamações dos desprotegidos usuários, ficam localizados em outras esferas da federação, onde?, sabe-se lá onde...
As avarias provocadas nas redes domesticas, quando as famílias tem seus alimentos estragados; pela falta de água (movidas a bombas elétricas); os prejuízos aos estoques perecíveis dos pequenos comerciantes e médios empreendedores; a fragilização na segurança pública, ceifando a vida de muitos, quando se sabe que, a escuridão, dificulta o reconhecimento do bandido e facilita a sua fuga...
Os estragos e a ruína na saúde de famílias já que, os ventiladores, são mais que refrigeradores mecânicos da temperatura tropical: são sinônimos e aliados imprescindíveis, na periferia e nas classes mais humildes, baixa e média, dos cidadãos que não tem condições de possuir ar refrigerado, e o usam como arma eficaz na luta contra o mal da dengue, e da febre amarela, entre outros...
São prejuízos irreparáveis que, o tecido da justiça em formato de grande mutirão, feito esse que acompanhará o augusto secretário, ainda não foi criado nem visto em nosso Estado em defesa dos pobres.
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| sapato alto |
promovendo e socializando a aplicação da justiça e da lei; momento em que, poderia ser proposto a aplicação de um "gatilho" legal, na forma da lei, por iniciativa do poder legislativo que, seja capaz de gerar indenizações, reais, sem a ação dos chicaneiros togados a serviço do grupo, ao conjunto da sociedade prejudicada em seu patrimoniado e vida.
A Polícia Militar do Pará que, lacrou e ocupou o Hangar, desde o início da noite da última sexta-feira (7), a pedido da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e os Treze (?) policiais militares que permanecem no local e possuem outros deveres, possivelmente, estão desviados de suas funções uma vez que as praças, prédios e monumentos públicos tem a proteção garantida pela Guarda Municipal.
Infelizmente quem paga o soldo deste grupo de combate e o povo, o que esta errado, pois que, deveria ser descontado do salário do novo secretário estadual de cultura que, ousou praticar um gesto digno dos tempos da ditadura militar. Imagine se esse homem fosse escolhido ministro da defesa?
Infelizmente quem paga o soldo deste grupo de combate e o povo, o que esta errado, pois que, deveria ser descontado do salário do novo secretário estadual de cultura que, ousou praticar um gesto digno dos tempos da ditadura militar. Imagine se esse homem fosse escolhido ministro da defesa?
domingo, 9 de janeiro de 2011
CABANAGEM II
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Por: Edyr Augusto Proença
O dia de hoje devia ser mais comemorado. Sete de janeiro de 1835 foi a data da explosão da revolta conhecida como Cabanagem, única, no Brasil, onde o povo realmente teve o poder nas mãos. Ao contrário, nome de rua é a 13 de maio, ali no Comércio, data de sua rendição. A data é importante para mim. Em 1985, 150 anos a revolta, o governo de Jáder Barbalho resolveu fazer uma comemoração digna. Alguns meses antes li a respeito e resolvi escrever uma peça. Já havia alguns anos desde Foi Boto, Sinhá, meu primeiro trabalho. Cacá Carvalho havia passado por aqui com Antunes e seu Macunaíma. Assisti várias vezes aquelas cenas lindas, com muita gente no palco. Também havia assistido Danton, o elogio da revolução, de um cineasta polonês Andrei Vajda, acho, com Gerard Depardieu. Havia lido muitas coisas sobre a Revolução Francesa. Estava, vamos dizer, empolgado com o assunto. Obtive com o Professor Clóvis Moraes Rego todo o material necessário para a pesquisa. Conversei muito com o poeta Rui Barata, que me visitava no escritório da Rádio Clube e adiante, na Rádio Cidade Morena. Ele me dizia para não tomar partido. Toda revolução dita sua própria moral, dizia. Meu amigo Rohan Lima resolveu produzir. Geraldo Sales e o Experiência. Têka Sallé para dança. Antonio Carlos Maranhão compôs uma valsa, linda, gravada no Rio de Janeiro por Fafá de Belém, especialmente. Conseguimos a boa vontade do Governador, através de Acyr Castro, então Secretário de Cultura e daí em diante, um empréstimo do Banpará, não lembro ao certo, talvez, de 80 mil cruzeiros, assinado pelo Dr. Hamilton Guedes. Ensaiamos por alguns meses no último andar de ensaios do Teatro da Paz. No penúltimo, Teka Sallé e seus bailarinos, incluindo Ronald Bergman. Estreamos no dia 7 de janeiro. Na manhã, o Governador inaugurou o monumento de Niemeyer homenageando os cabanos. O que não esperávamos, aconteceu na véspera. Domingo, praça da República lotada de foliões e blocos carnavalescos (sim, brincava-se carnaval desde o primeiro domingo de janeiro, nas praças, naquela época), recebo uma ligação. Nosso ator mais importante, que permeava todas as cenas fazendo comentários, Sidnei Pinon, havia se retirado do elenco, insatisfeito por não ter seu nome em destaque no cartaz da peça, onde preferimos colocar autores, diretores e patrocinadores. Havia uma solução. Edgar Castro, jovem ator, em outro papel, quase figuração, sabia o texto decorado. Alberto Silva, na época um garotinho, sempre presente, também sabia, mas ainda não era ator. Ensaiamos por muitas horas e estreamos. Banda de música na porta, autoridades, teatro lotado, espetáculo lento. Foi tudo bem. Após, Pascoale di Paolo, que estava prestes a lançar seu livro sobre o assunto, me entregou uma prova que guardo até hoje. Ficamos em cartaz por três meses no Teatro da Paz. Uma façanha. Não consigo lembrar o nome de todos. Grandes nomes. Henrique da Paz, Andréa Rezende, Sonhão, Paulo Fonseca, Rui Cabocão, Cleodom Gondim, o rapaz que fez Angelim que agora não lembro o nome. Tanta gente linda. Gosto do texto até hoje. Quando Edmilson foi prefeito, ouvi alguns comentários querendo remontar, mas foi apenas papo de mesa de bar. Hoje, 7 de janeiro, lembrei dos Cabanos. Ah, mais importante, para verem como estávamos engatinhando no que diz respeito a patrocínio cultural: ao final de três meses, devolvemos 80 mil cruzeiros que o Banpará nos havia emprestado. Isso mesmo.
Por: Edyr Augusto Proença
O dia de hoje devia ser mais comemorado. Sete de janeiro de 1835 foi a data da explosão da revolta conhecida como Cabanagem, única, no Brasil, onde o povo realmente teve o poder nas mãos. Ao contrário, nome de rua é a 13 de maio, ali no Comércio, data de sua rendição. A data é importante para mim. Em 1985, 150 anos a revolta, o governo de Jáder Barbalho resolveu fazer uma comemoração digna. Alguns meses antes li a respeito e resolvi escrever uma peça. Já havia alguns anos desde Foi Boto, Sinhá, meu primeiro trabalho. Cacá Carvalho havia passado por aqui com Antunes e seu Macunaíma. Assisti várias vezes aquelas cenas lindas, com muita gente no palco. Também havia assistido Danton, o elogio da revolução, de um cineasta polonês Andrei Vajda, acho, com Gerard Depardieu. Havia lido muitas coisas sobre a Revolução Francesa. Estava, vamos dizer, empolgado com o assunto. Obtive com o Professor Clóvis Moraes Rego todo o material necessário para a pesquisa. Conversei muito com o poeta Rui Barata, que me visitava no escritório da Rádio Clube e adiante, na Rádio Cidade Morena. Ele me dizia para não tomar partido. Toda revolução dita sua própria moral, dizia. Meu amigo Rohan Lima resolveu produzir. Geraldo Sales e o Experiência. Têka Sallé para dança. Antonio Carlos Maranhão compôs uma valsa, linda, gravada no Rio de Janeiro por Fafá de Belém, especialmente. Conseguimos a boa vontade do Governador, através de Acyr Castro, então Secretário de Cultura e daí em diante, um empréstimo do Banpará, não lembro ao certo, talvez, de 80 mil cruzeiros, assinado pelo Dr. Hamilton Guedes. Ensaiamos por alguns meses no último andar de ensaios do Teatro da Paz. No penúltimo, Teka Sallé e seus bailarinos, incluindo Ronald Bergman. Estreamos no dia 7 de janeiro. Na manhã, o Governador inaugurou o monumento de Niemeyer homenageando os cabanos. O que não esperávamos, aconteceu na véspera. Domingo, praça da República lotada de foliões e blocos carnavalescos (sim, brincava-se carnaval desde o primeiro domingo de janeiro, nas praças, naquela época), recebo uma ligação. Nosso ator mais importante, que permeava todas as cenas fazendo comentários, Sidnei Pinon, havia se retirado do elenco, insatisfeito por não ter seu nome em destaque no cartaz da peça, onde preferimos colocar autores, diretores e patrocinadores. Havia uma solução. Edgar Castro, jovem ator, em outro papel, quase figuração, sabia o texto decorado. Alberto Silva, na época um garotinho, sempre presente, também sabia, mas ainda não era ator. Ensaiamos por muitas horas e estreamos. Banda de música na porta, autoridades, teatro lotado, espetáculo lento. Foi tudo bem. Após, Pascoale di Paolo, que estava prestes a lançar seu livro sobre o assunto, me entregou uma prova que guardo até hoje. Ficamos em cartaz por três meses no Teatro da Paz. Uma façanha. Não consigo lembrar o nome de todos. Grandes nomes. Henrique da Paz, Andréa Rezende, Sonhão, Paulo Fonseca, Rui Cabocão, Cleodom Gondim, o rapaz que fez Angelim que agora não lembro o nome. Tanta gente linda. Gosto do texto até hoje. Quando Edmilson foi prefeito, ouvi alguns comentários querendo remontar, mas foi apenas papo de mesa de bar. Hoje, 7 de janeiro, lembrei dos Cabanos. Ah, mais importante, para verem como estávamos engatinhando no que diz respeito a patrocínio cultural: ao final de três meses, devolvemos 80 mil cruzeiros que o Banpará nos havia emprestado. Isso mesmo. sábado, 8 de janeiro de 2011
MEMÓRIA DE FOGO: CABANOS,CABANOS, DESVELEM-SE...

Do Pagina Crítica
"Jamais compreendereis a terrível simplicidade das minhas palavras
porque elas não são palavras: são rios, pássaros, naves...
no rumo de vossas almas bárbaras."
Mário Quintana (Epístola aos novos bárbaros, em Baú de espantos, Record, 1986).porque elas não são palavras: são rios, pássaros, naves...
no rumo de vossas almas bárbaras."
Quem são estes rostos por trás das sombras que se movem, em escrupuloso silêncio, enquanto a Belém de 7 de janeiro de 1835 ainda dorme o sono dos injustos?
A historiografia dos vencedores os chamarão - para todo o sempre - como os malvados. Mas serão efetivamente más as mãos escravas ou semi-escravas que portarão a chama da rebeldia e da desconstrução da ordem iníqua e criminosa que há séculos nos sangrava?
Eram tapuios, índios, filhos, netos, tataranetos dos guerreiros massacrados às margens do rio grande, quando os invasores enfim revelaram que traziam a morte e a desgraça em seus alforjes coloniais.
Eram negros, muitos negros, escravos e sempre escravos, que viram se abrir uma janela pela qual poderiam, enfim, romper as cadeias da ordem escravagista que os dizimava.
Eram brancos, donos de terras e de gentes, cansados do jugo espoliador que daqui tudo sugava sem deixar nada em troca.
Mas, todos eles, com raras exceções, permaneceram anônimos, submetidos à alcunha de malvados, sanguinários, bandidos.
É hora, 176 anos depois, de rasgar o véu de silêncio que os aprisiona.
É hora de gritar seus nomes e de nominar ruas e praças em homenagem à coragem de uma geração trucidada pela ordem do alto e de fora, que tanto tempo depois ainda insiste em tratar os povos da Amazônia como brasileiros de segunda classe.
Que ressoem os tambores!
Que retubem todos os atabaques!
Venham, cabanos!
Desvelem-se, mostrem, finalmente, seus rostos.
Das entranhas dos processos montados para punir os revolucionários, pela pena nada imparcial de Domingos Antônio Raiol (Motins Políticos, 3º volume, p. 1013-1014), uma pequena amostra dos que integraram as fileiras da mais importante revolução popular no Brasil dos Oitocentos:
"(...) os seguintes réus: Eduardo Francisco Nogueira Angelim, presidente intruso e chefe dos rebeldes, Francisco Pedro Vinagre, também presidente intruso e chefe dos rebeldes, Antonio dos Santos Vasques, português e ajudante-d'ordens do governo intruso, Antônio Leocádio, capitão do estado-maior dos rebeldes, André, carapina, preto forro que foi escravo do tenente-coronel Prestes, Bendito de Aquino, preto fôrro, comandante do ponto do hospital de caridade, Benedito José, 1º tenente de artilharia dos rebeldes, Crispim dos Santos, carafuz, 2º tenente de artilharia dos rebeldes, Francisco Fernandes de Macedo, capitão reformado, diretor do arsenal de guerra, Francisco Veado, mulato, sapateiro, Filipe dos Santos, capitão dos rebeldes, Geraldo Nogueira Gavião, tenente-coronel comandante das expedições, Inácio Vieira Lima, secretário do governo intruso, Inácio Furtado, Jerônimo Furtado, João Fernandes Caraipuna, comandante dos rebeldes, José Leocádio, calceta, comandante do hospital, José Agostinho Vinagre, irmão de Francisco Vinagre, Lourenço Ferreira, filho do tambor-mor, comandante do Fortim, Manuel Antônio Nogueira, irmão de Eduardo, chefe de expedições, Manoel Cavalcante, capitão ajudante-d'ordens de Eduardo, Manuel da Silva Paraense, Manoel Pedro dos Anjos, tenente-coronel de Muaná, Manoel Sabino Lopes, coronel comandante, Raimundo de Oliveira Vinagre, chefe de expedições, Tomás Lourenço Fernandes, coronel comandante de armas, Vicente Ferreira da Silva, primo de Eduardo, Antôno Faustino, carafuz, major d'artilharia, Francisco Xavier da S. Paio, comandante do ponto do Chapéu-virado, João Evangelista Paranauaçu, comandante do ponto da Estrada, João Nepomuceno, major comandante, João Manuel Rodrigues Piroca-cana, coronel de artilharia, João Manuel do Espírito-Santo, preto Diamante, José Anastácio da Cruz, capitão comandante, Manuel Garcia, encarregado do troco, Manuel Henriques, tenente-coronel d'artilharia, Albino José Ato Rodrigues, tenente-coronel de cavalaria, Alexandre José Cardoso, tenente de artilharia, Auto Lourenço, comandante do Chapéu-virado, Antônio José de Oliveira Pantoja, comandante do porto das Mercês, Bonifácio José da Costa, tenente-coronel de cavalaria, Bernardino Mundurucu, comandante de uma barca artilhada, Dionísio Ferreira, major comandante do Fortim, Domingos Ramos, comandante do rio Maguari, Estevão da Silva, capitão de artilharia, Esequiel José de França, capitão de artilharia, Félix José Custódio, 2º tenente de artilharia, Francisco Pedro Leal, comandante do ponto da Memória, Jorge de Araújo, alferes de artilharia, Jeremias dos Santos, comandante de Valdecães, João Amorim, comandante do ponto da Olaria, João Antônio de Faria, 2º comandante da guarda municipal, João Salvaterra, capitão de artilharia, João Francisco da Silva, tenente quartel-mestre, João Venâncio, preto ouríves, tenente-ajudante e comandante do ponto da Pedreira, José Antônio Maciel, comandante do Fortim, José Agostinho de Oliveira, major comandante, João Francisco Terra, capitão de artilharia, José Paulino da Silva, comandante do Castelo, José Henriques, comandante do ponto de Valdecães, José Ferreira Pestana, comandante do ponto do Carmo, José Custódio Coutinho, comandante do ponto de Benjamim, José Francisco Ferreira, capitão de artilharia, Isidoro José Pereira, 3º comandante da guarda municipal, Luís Antônio Cordeiro, 2º comandante da mesma, Macário José Teixeira, comandante da estrada da Olaria, Manoel dos Santos, segundo-tenente de artilharia, Manuel Domingos Machado, tenente-coronel comandante da Pedreira, Marcos José, capitão comandante do Fortim, Nicolau José, inspetor comandante do Mosqueiro, Pedro de Sousa, tenente de artilharia, Quintiliano Barbosa, Romão da Graça, Rufino Barbosa, comandante do Castelo, Rufino da Silva Campos Jacarecanga, oficial maior da secretaria de governo, Roberto de Oliveira Pantoja, tenente secretário de artilharia, Elias de tal, mulato fôrro de Genipaúba, Florindo, mulato, Silvério, preto fôrro, sapateiro. (Alguns dêstes presos já se acham mortos, porém não consta em juízo.). O escrivão os lance no rol dos culpados e passe ordem para serem presos os que ainda não estejam; recomende os outros na prisão, e prepare estes autos para subirem ao júri do distrito. Pará, 26 de junho de 1837. Matias José da Silva e Cunha."
Garimpado no blog do Edmilson Rodrigues
A DERROTA DO PT NO PARÁ: DE QUEM É A CULPA?
Pere Petit *
Em 2006 elegemos a primeira governadora do Estado do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, que liderou a vitoriosa Frente Popular Muda Pará. Essa vitória representou a mais importante conquista do PT no nosso estado ao liquidar o domínio tucano-pefelista (PSDB-DEM), que durante os seus doze anos no governo destruíram as finanças públicas, pioraram o sistema público de saúde, segurança e educação, além de sucatear, para depois privatizar, a rede pública de energia (CELPA), defenderam os interesses dos madeireiros, do agronégocio, e perseguiram os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária e as reformas urbanas.
Em 2006 elegemos a primeira governadora do Estado do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, que liderou a vitoriosa Frente Popular Muda Pará. Essa vitória representou a mais importante conquista do PT no nosso estado ao liquidar o domínio tucano-pefelista (PSDB-DEM), que durante os seus doze anos no governo destruíram as finanças públicas, pioraram o sistema público de saúde, segurança e educação, além de sucatear, para depois privatizar, a rede pública de energia (CELPA), defenderam os interesses dos madeireiros, do agronégocio, e perseguiram os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária e as reformas urbanas.
Nossa vitória nas urnas gerou uma grande expectativa na maioria da população paraense, pois governamos exitosamente a capital do estado, Belém, por oito anos (1997-2004). Governamos o Brasil desde 2003 e iríamos governar o Pará, um dos estados mais ricos (em recursos naturais) e ao mesmo tempo mais pobres e desiguais da federação.
Chegamos às eleições de 2010 com a esperança da vitória de Dilma para suceder Lula, e o medo de perder o governo estadual para o PSDB por culpa dos altos índices de rejeição que tinha Ana Júlia entre a maioria dos eleitores, especialmente na Região Metropolitana de Belém. Esses temores se confirmaram já no primeiro turno quando Simão Jatene chegou perto de conseguir 50% dos votos validos e superou Ana Júlia em mais 450 mil votos com uma diferença percentual, ao seu favor, de 13% dos votos válidos. No final, segundo turno, Simão Jatene foi eleito governador ao obter 1.860.799 (55,74%) e Ana Júlia 1.477.609 (44,26%).
Apesar do crescimento no número total de eleitores, Ana Júlia obteve, no segundo turno de 2010, 200 mil votos a menos dos logrados em 2006, sendo derrotada a sua candidatura na maioria dos municípios paraenses, entre eles Belém e Ananindeua, e também em dois dos principais municípios administrados por petistas: Santarém e Parauapebas.
As derrotas das candidaturas petistas ao governo estadual e ao Senado com Paulo Rocha, a vitória de Serra em Belém e em importantes municípios administrados pelo PT, ainda que Dilma fosse a mais votada no Pará, obriga ao conjunto do partido que reflita sobre as causas internas (atuação do partido e do governo, política de alianças, “marketing eleitoral”), e externas (aliados e opositores) dessas derrotas, pois apesar de ter ampliado o número de deputados federais (3 para 4) e deputados estaduais (6 para 8), esse acréscimo também foi preocupante porque foi logrado, em parte ou em grande medida, a um custo ético-político muito preocupante.
Não podemos deixar de lamentar que o Pará fosse o único estado no qual o PT não conseguiu reeleger o seu governo. Certamente isso não foi por méritos exclusivos dos opositores ao governo petista, pois a direita entrou nas eleições com menos recursos e dividida (briga entre Jatene e Almir pelo controle do PSDB e pela escolha do candidato ao governo); as principais lideranças do DEM no estado deixaram em 2010 o “mundo da política” não participando do processo eleitoral; o PMDB, após a ruptura com Ana Júlia, apresentou um candidato a governador para ser derrotado com o intuito de negociar depois no segundo turno, com o provável vencedor espaços no futuro governo além de outras benesses.
Avaliando a atuação da DS no governo
A seguir vamos resumir algumas das causas que talvez nos ajudem a entender a derrota eleitoral de Ana Julia e do PT no Pará em 2010 as quais poderiam ser unificadas em três blocos: a) análise da ação de governo; b) relação da cúpula do governo com o PT (e grupos e militantes petistas) e relações com os partidos aliados; c) estratégia eleitoral.
Considero, em primeiro lugar, que a derrota manifestou a falta de orientação estratégia do governo liderado por Ana Júlia e a cúpula da DS para tentar imprimir uma feição democrático-popular ao governo estadual, fazendo apenas tímidas mudanças para reverter a situação de extrema miséria em que vive boa parte da população paraense e escassas melhoras na saúde e na educação pública.
Essa falta de orientação estratégica e, portanto, de uma definição precisa de metas e prioridades acabou favorecendo que muitas Secretarias atuassem quase que autonomamente orientando muitas das suas ações a preparar a campanha eleitorais dos seus responsáveis e dos seus “padrinhos políticos” mas que atender as demandas das regiões, municípios e da maioria da população.
A idéia de avançar na criação de uma nova base socioeconômica no Pará baseada na transformação de matérias-primas no próprio estado não teve quase nenhum impacto real na vida dos paraenses nos últimos quatro anos. Os avanços na área ambiental alcançados nos dois primeiros anos foram gradativamente perdidos pelos interesses eleitoreiros de setores do governo.
A relação com os movimentos sociais foi, no geral, de cooptação e/ou de repressão. Essa foi a relação que se manteve, por exemplo, com os movimentos sociais e sindicatos mais ativos como o Sintepp e o MST.
A política de comunicação do governo estadual foi um desastre e a maioria da população ficou desconhecendo o que estava fazendo de “bom” e diferente dos governos do PSDB-DEM (por exemplo: melhoras na segurança pública; Bolsa Trabalho para cerca de 70 mil jovens; milhares de postos de tra-balho criados através de concurso público; descentralização administrativa; melhora dos salários dos servidores públicos), entretanto a mídia nacional e local e os partidos a oposição e futuros ex-aliados (PMDB, sobretudo), não perdiam nenhuma chance em aproveitar as falhas de gestão do governo para ir criando a idéia de um governo inoperante, corrupto, sem “obras para mostrar”, que “perdeu para Manaus ser sede da Copa do Mundo de Futebol”, que a sua policia “agride professores em greve”, permitindo que fosse criando no imaginário de muitas pessoas a idéia de “Ana Júlia nunca mais”.
As principais lideranças da tendência Democracia Socialista (DS) utilizaram e abusaram do uso da máquina administrativa para tentar se consolidar como “grupo no poder” e favorecer, assim, seus próprios interesses político- eleitorais em detrimento dos interesses do conjunto do partido e das forças políticas e organizações sociais que apoiaram a eleição de Ana Júlia em 2006.
Objetivos menores
Se Lula e o PT nacional tiveram como eixo da sua política de alianças o objetivo central de eleger Dilma presidenta, aqui no Pará a cúpula do governo parecia que tinha como eixo da sua estratégia político-eleitoral eleger um deputado federal e outro estadual para a DS, esperando que o troca-troca, os milhões a serem gastos na campanha, as “formiguinhas” e o maior tempo na TV e rádio fossem capazes de reverter a rejeição de Ana Júlia e derrotar Simão Jatene. “Perderam o governo”, mas, pelo menos (!!!), esse objetivo foi logrado e hoje a DS tem, pela primeira vez no Pará, dois deputados: um federal (Puty, ex-Chefe da Casa Civil) e um estadual (Edilson Moura, ex-Secretario de Cultura).
No percurso acabaram com a aliança com o PMDB e deixaram a maioria dos petistas muito preocupados com a expectativa de manter por mais quatro anos no governo um grupo de pessoas que pretendem (ou pretendiam) transformar o PT numa mera sigla eleitoral e seus militantes em cabos eleitorais, tentando ampliar a sua influência no partido (na ausência de um projeto coletivo político-ideológico que unificasse seus militantes e simpatizantes), através de nomeações de cargos no governo e apoios eleitorais atuais ou futuros. Sem esquecer que essas estratégias e práticas tradicionais dos partidos de direita, estão se tornando cada vez mais habituais no seio do PT e em outros partidos de esquerda, inclusive entre alguns ex-petistas paraenses que migraram para o PSOL.
Mas não foram apenas os de “fora” que tiveram que sofrer ou suportar o tratamento dispensado pelo comando da DS no governo. Membros da sua tendência que não compartilharam a estratégia de eleger os seus dois deputados definidos como prioritários foram sendo progressivamente afastados do governo (entre eles, Carlos Guedes, Charles Alcântara e Edilza Fontes).
Um exemplo paradigmático da nefasta relação da cúpula do governo com as outras correntes petistas e partidos formalmente aliados, foi o apoio da DS e da estrutura do governo estadual à reeleição, em 2008, do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), histórico anti-petista, que disputou, entre outros, com o candidato do PT, Mário Cardoso. No segundo turno, derrotado o petista, a DS ajudou a derrotar o candidato Priante (PMDB), e o desacreditado Duciomar Costa foi reeleito. Priante daria o troco em 2010 apoiando no segundo turno a Simão Jatene.
A estratégia eleitoral da CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente que hegemoniza a direção estadual do PT no Pará, tampouco deveria ser seguida pelos nossos futuros candidatos. Primeiro ao impedir que o PT escolhesse dois candidatos ao Senado quando ainda existiam muitas dúvidas a respeito da aplicação da Lei da Ficha Limpa que afetaria a candidatura de Paulo Rocha. Depois chamando as petistas a fazerem “dobradinha” com Jader Barbalho, dobradinha que não foi correspondida e Jader ficou em segundo lugar na frente de Paulo Rocha. As tendências da CNB, não muito diferente das atitudes pragmáticas e práticas da DS, defenderam a reeleição de Ana Júlia e optaram por ficar com a suas Secretarias e espaços no governo estadual para apoiar aos seus candidatos a deputado federal e estadual.
A derrota do governo liderado por Ana Júlia é, sem dúvida, um grande passo atrás para os interesses da maioria do povo paraense, pois o PSDB governará, mais uma vez, em favor dos interesses dos grupos economicamente dominantes do estado. Corresponde agora, aos militantes do PT, às direções do partido, aos seus deputados, prefeitos e vereadores a organizar a oposição de esquerda ao governo conservador liderado pelo Jatene e ao desacreditado prefeito de Belém, Duciomar Costa.
Para obter êxito nesta caminhada é fundamental renovar ética e politicamente o PT e recuperar o caráter estratégico e coletivo da atuação do nosso partido, em detrimento, portanto, dos interesses individuais ou eleitorais de determinadas lideranças petistas que hoje controlam o partido ou controlaram a ação político-eleitoral do governo de Ana Júlia. Sem uma mudança de rumo, sem fortalecer a nossa atuação nas escolas e universidades, nos movimentos sociais e sindicatos do campo e da cidade, corremos sérios riscos de ver diminuída a nossa força eleitoral no Pará nas eleições municipais de 2012, pondo em risco, portanto, as nossas chances de derrotar à direita, junto com os nossos aliados, nas eleições de 2014.
* historiador catalão formado na Universidade de Barcelona e mestre em História da América Contemporânea pela Universidade Central da Venezuela, é doutorando em História Econômica pela Universidade de São Paulo e professor do departamento de História da Universidade Federal do Pará.
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* historiador catalão formado na Universidade de Barcelona e mestre em História da América Contemporânea pela Universidade Central da Venezuela, é doutorando em História Econômica pela Universidade de São Paulo e professor do departamento de História da Universidade Federal do Pará.
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Trabalho Publicado | |||||||||||||||||||
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O PT NO GOVERNO DO PARÁ
Por: João Claudio Arroyo
Conquistamos a opção eleitoral da maioria dos paraenses em 2006, quando a aliança neoliberal liderada partidariamente pelo PSDB não conseguia mais esconder dos setores médios e populares a sua incapacidade em dar respostas efetivas, mesmo com o poder comunicativo que dispunha.
Além disso, a vacilação do PMDB em apresentar-se à sociedade com face própria, proporcionou à candidatura petista um apoio determinante para a vitória nas urnas.
Somou-se ainda uma conjuntura nacional onde o eleitorado, pela primeira vez, mostrou-se firmemente independente da opinião, das elites, publicada nos jornais e telejornais de encomenda. E, mesmo depois de um massacre na mídia o projeto petista crescia no eleitorado médio e popular que passou a perceber o avanço que o modelo de desenvolvimento em implantação trazia para a sociedade, mesmo sendo crítico ao episódio do “mensalão”.
Este sentimento nacional se expressou no Pará, onde também se somou à lembrança positiva da experiência do governo petista na prefeitura de Belém. Compondo um somatório de processos que desautoriza qualquer conclusão simplista visando conferir glórias a um ou outro fator.
A relação PT X Governo, no Pará, reproduziu a fórmula nacional que além da natural apartação política, institucional e operacional também separa o sentido e função do partido da elaboração estratégica do desenvolvimento da sociedade que assim, acontece apenas no espaço de governo submetida a uma lógica de forças econômicas, institucionais e jurídicas específicas.
No Pará, esta concentração da elaboração estratégica nos espaços mais restritos do governo alijou quadros experientes técnica e politicamente empobrecendo principalmente o potencial de realização estratégica em áreas cruciais como educação, saúde e infraestrutura, por exemplo.
Vale frisar que, do ponto de vista teórico, o plano de governo era de alto nível, potencialmente capaz de responder aos grandes gargalos do desenvolvimento do estado, somando na perspectiva da promoção da cidadania participativa.
No entanto, mais uma vez, o partido ficou quieto “para não causar problemas” e, mesmo no governo, a elaboração estratégica se impunha por força da institucionalidade sem se construir como pacto político efetivo entre as forças vivas que o compunham.
Os condôminos do governo, mesmo os petistas, passaram a trabalhar sem uma unidade estratégica construída, vivendo do dia-a-dia, sem uma provocação estratégica capaz de mobilizá-los, nem nas áreas fundamentais.
Mas, de volta ao dilema, é preciso frisar que a ausência da motivação estratégica é produto da cultura do não-debater, do não-refletir, do não-pensar que foi domando o mundo petista, aliás, construído em sua origem sobre o dever de questionar. E, sem este combustível, a inteligência e a criatividade foi sendo preterida em favor da obediência.
Mesmo assim, nesta colcha de retalhos, importantes saldos merecem destaque para que jamais esqueçamos que, no conjunto da obra, potencialmente, somos nós os que possuímos condições de responder estruturalmente a construção de uma sociedade amazônida moderna.
O “projeto” sintetizado pelos Parques Tecnológicos e a reconstrução do Idesp, o avanço de concepção e técnica no trato com a crucial questão territorial e a abertura na relação com os movimentos sociais merecem um acompanhamento cidadão, um exercício vivo de Controle Social para que não tenhamos retrocessos.
Portanto, o primeiro passo é aceitar que a derrota eleitoral não é só uma derrota política, como a que produziu uma aliança formal gigante e uma força política nanica. Esta é a derrota de um modelo de gestão política, que apartou a militância da elaboração político-estratégica, que reduziu as tendências em estruturas famintas apenas por cargos, que nos tirou do diálogo aberto com a sociedade sobre o modelo de desenvolvimento para nos colocar nas manchetes tristes dos jornais das elites.
Este pode ser o primeiro passo para a grande vitória de conquistarmos, não apenas governos, mas sobretudo a sociedade, a partir de nosso exemplo prático, para a construção de uma sociedade baseada na solidariedade e na autonomia do Controle Cidadão sobre o Estado.
Que venha 2012.
Copiado do ART-Esquerda
TORTURA: ASSISTA AQUI O QUE O MUNDO CIVILIZADO JAMAIS ESQUECERÁ
Nenhum general nos fará esquecer o que as nossas mulheres e companheiros passaram: choques na língua, na genitália, ataques de cães, perfurações a bala...
No documentário "Brazil, a report on torture" ("Brasil, o relato de uma tortura"), parte do grupo de 70 ativistas da luta armada que foram trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971, relata e encena práticas como pau de arara, choque elétrico, espancamento e afogamento.
O objetivo era denunciar no exterior o que ocorria nos porões da ditadura brasileira.
O filme foi realizado em 1971, em Santiago, no Chile, para onde os brasileiros foram banidos. O documentário foi uma iniciativa dos cineastas americanos Haskel Wexler e Saul Landau, que estavam no Chile para produzir material sobre o presidente Salvador Allende e souberam da presença dos brasileiros.
As lições contidas nesses relatos devem fazer parte constante das nossas memórias para que, fatos tão hediondos como a tortura, praticados por aqueles que deveriam nos proteger - que, em vez disso, fecharam o Congresso Nacional, abaionetaram a Democracia e se achavam acima de Deus - nunca mais voltem a se repetir.
Hoje esse bando de criminosos que comandavam as rodadas macabras aplicando choques elétricos na língua e genitália das camaradas e companheiros nos porões sombrios das ratazanas, posam de velhinhos frágeis e bonzinhos e, são muito bem amparados com gordos salários pelo Estado que lhes concedeu uma premiação de anistia, indevidamente.
Essa injustiça precisa ser revista em nome da civilização e aqui, não condenamos os militares e a instituição Forças Armadas que, pertencem ao Povo e a ele deve obediência. A lei não alcançará quem á ela nada deve.
O clamor se faz pelo necessário ao julgamento legal que merecem passar todos os torturadores, que alijaram-se,moral e eticamente do direito as benesses da anistia ampla e irrestrita, auto concedida, ainda, por força e coação psicológica das suas armas, enquanto que, do outro lado, as suas vitimas e familiares, sequer, conseguem saber em que vala comum jazem os restos de seus entes queridos que ousaram lutar para libertar o Brasil dos golpistas.
Hoje esse bando de criminosos que comandavam as rodadas macabras aplicando choques elétricos na língua e genitália das camaradas e companheiros nos porões sombrios das ratazanas, posam de velhinhos frágeis e bonzinhos e, são muito bem amparados com gordos salários pelo Estado que lhes concedeu uma premiação de anistia, indevidamente.
Essa injustiça precisa ser revista em nome da civilização e aqui, não condenamos os militares e a instituição Forças Armadas que, pertencem ao Povo e a ele deve obediência. A lei não alcançará quem á ela nada deve.
O clamor se faz pelo necessário ao julgamento legal que merecem passar todos os torturadores, que alijaram-se,moral e eticamente do direito as benesses da anistia ampla e irrestrita, auto concedida, ainda, por força e coação psicológica das suas armas, enquanto que, do outro lado, as suas vitimas e familiares, sequer, conseguem saber em que vala comum jazem os restos de seus entes queridos que ousaram lutar para libertar o Brasil dos golpistas.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
PMDB: URUBUS NA CARNIÇA !
Por: Eduardo Bueres
O egoísmo e ambição política desenfreada em torno de cargos estratégicos no novo governo Dilma e nos demais poderes da República, poderá transformar o PMDB num poderoso organismo político e gestor financeiro que tentará levar a cabo e transformar em realidade aquilo que há anos ficou dissimulado como sendo apenas um programa partidário: a tomada indireta do poder politico no Brasil e, por extensão, no próprio continente sul americano.
Conter o tsunami monstruoso desferido por essa federação (PMDB) é o grande desafio que a nova presidente tem pela frente.
O PMDB, que se caracterizou, juntamente com o PP,PTB,PR,DEM, entre outros, por impor o seu balaio de contribuição em nível de políticas neoliberais subdesenvolvidas, levadas a cabo há anos, contaminou e infectou todo um processo histórico onde, o Brasil redemocratizado poderia ter avançado, por varias décadas, debelando a praga da corrupção, do compadrio, do tráfico de influencia e do câncer do coronelismo.
A sigla apresenta-se, agora, antes de mostrar trabalho e mais esperta do que nunca, após ter aprendido, acumulado e tirado lições importantes, no novo Brasil pós Lula, como o aliado mais troiano de toda a história republicana nacional.
Sem a menor dissimulação seus principais lideres colocaram em marcha o programado plano para adquirir, mediante oferta de apoio e sustentação política ao novo governo Dilma Rouseff, as suas grandes extensões de cobiças expressadas na fissura que sempre foram possuidores: apoderar-se, no momento certo, do comando de cargos estratégicos e, indiretamente da república. O objetivo atual consiste em: criar um grande governo pmdbista biônico, por dentro de um governo petista que foi eleito nas urnas.
Dilma que é 'boa de briga' destacou o calejado Palocci para conter a fúria e a ganância da turba.
A presidenta que fique, literalmente, em 'alerta vermelho' pois que, seu governo sequer começou e muitos ventos nessa linha ainda estarão por chegar. Que Deus a proteja e ao Brasil: que ela não sofra, jamais, um atentado.
Como se não tivesse nada a ver com esse negócio de estabilidade monetária, controle e monitoramento constante da inflação (coisa que não passaria de um mero compromisso republicano com o conjunto de medidas delicadas e sutis que regem a economia do País), os mandarins do PMDB informaram, 'sem papas na língua', que: caso não sejam atendidos, poderão 'revisar' o valor proposto pelas autoridades responsáveis da área econômica para o novo teto do salário mínimo, projetado pelo governo do PT. Como se chama isso, em bom português?
O descaramento é forte já que, todo o Brasil e o mundo entendeu que o gesto não é, em absoluto, um ato de justiça social, ou um 'mimo' partido de bondosos senhores para com a grande massa de assalariados e emergentes da nova classe de batalhadores tupiniquins que, recentemente, lograram comprar terrenos e casas em conjuntos populares, pequenos lotes agrícolas no Sul, Centro Oeste, Norte e Nordeste do Brasil com financiamento da Caixa Econômica, através do projeto Minha Casa Minha Vida, com verbas do PAC, em parceria com banqueiros ricos e companhias estrangeiras, um fenômeno que se intensificará nos anos que virão...
Trata-se do velho e conhecido "toma lá,da cá", franciscaníssimo!. A coisa é grave.
Até parece que, para a minoria de caciques e coronéis que comandam essa grande organização politica e o controle das casas legislativas, a estabilidade sócio -econômica, o compromisso com a consolidação e o espraiamento da justiça social, é um tipo de patriotismo anti-moderno, ultrapassado que, deve buscar se estabelecer em outras regiões do planeta que padeçam diante do temor da disparada dos preços dos produtos alimentícios e das matérias-primas, já que, aqui no Brasil, graças a eles, pmdbistas, é claro, não corremos mais esse risco.
Dessa forma, todos poderão abastecer seus sonhos de origem, e, ao mesmo tempo, obter abundantes vantagens.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
PICARETAGEM DESNUDADA
MINISTRO BRASILEIRO PERDE A PACIÊNCIA E ENVIA TEXTO ESPINAFRANDO COM O PIG-VEJA, LAVANDO A ALMA DA MAIORIA DOS BRASILEIROS.
Por: Jorge Hage Sobrinho*
"Sr. Editor,
Apesar de não surpreender a ninguém que haja acompanhado as edições da sua revista nos últimos anos, o número 52 do ano de 2010, dito de "Balanço dos 8 anos de Lula", conseguiu superar-se como confirmação final da cegueira a que a má vontade e o preconceito acabam por conduzir.
Qualquer leitor que não tenha desembarcado diretamente de Marte na noite anterior haverá de perguntar-se "de que país a Veja está falando?".
E, se o leitor for um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, haverá de enxergar-se um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular.
Se isso se aplica a todas as "matérias" e artigos da dita Retrospectiva, quero deter-me especialmente às páginas não-numeradas e não-assinadas, sob o título "Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo". Ali, dentre outras raivosas adjetivações (e sem apontar quaisquer fatos, registre-se), o Governo Lula é apontado como "o mais corrupto da República".
Será ele o mais corrupto porque foi o primeiro Governo da República que colocou a Polícia Federal no encalço dos corruptos, a ponto de ter suas operações criticadas por expor aquelas pessoas à execração pública? Ou por ser o primeiro que levou até governadores à cadeia, um deles, aliás, objeto de matéria nesta mesma edição de Veja, à página 81?
Ou será por ser este o primeiro Governo que fortaleceu a Controladoria-Geral da União e deu-lhe liberdade para investigar as fraudes que ocorriam desde sempre, desbaratando esquemas mafiosos que operavam desde os anos 90, (como as Sanguessugas, os Vampiros, os Gafanhotos, os Gabirus e tantos mais), e, em parceria com a PF e o Ministério Público, propiciar os inquéritos e as ações judiciais que hoje já se contam pelos milhares? Ou por ter indicado para dirigir o Ministério Público Federal o nome escolhido em primeiro lugar pelos membros da categoria, de modo a dispor da mais ampla autonomia de atuação, inclusive contra o próprio Governo, quando fosse o caso? Ou já foram esquecidos os tempos do "Engavetador-Geral da República"?
Ou talvez tenha sido por haver criado um Sistema de Corregedorias que já expulsou do serviço público mais de 2.800 agentes públicos de todos os níveis, incluindo altos funcionários como procuradores federais e auditores fiscais, além de diretores e superintendentes de estatais (como os Correios e a Infraero).
Ou talvez este seja o governo mais corrupto por haver aberto as contas públicas a toda a população, no Portal da Transparência, que exibe hoje as despesas realizadas até a noite de ontem, em tal nível de abertura que se tornou referência mundial reconhecida pela ONU, OCDE e demais organismos internacionais.
Poderia estender-me aqui indefinidamente, enumerando os avanços concretos verificados no enfrentamento da corrupção, que é tão antiga no Brasil quanto no resto do mundo, sendo que a diferença que marcou este governo foi o haver passado a investigá-la e revelá-la, ao invés de varrê-la para debaixo do tapete, como sempre se fez por aqui.
Peço a publicação."
Jorge Hage Sobrinho
*Ministro-Chefe da Controladoria-Geral da União
Original no Vermelho
LUIZ CARLOS PRESTES,LEGADO REVOLUCIONÁRIO!
Em seu 113º aniversário de nascimento, preservemos seu legado revolucionário!
Por: Anita Leocadia Prestes*
Luiz Carlos Prestes nasceu em 3 de janeiro de 1898, em Porto Alegre (RS), e faleceu em 7 de março de 1990, no Rio de Janeiro, aos 92 anos de idade. Desde muito jovem, Prestes revelou indignação com as injustiças sociais e a miséria de nosso povo, mostrando-se preocupado com a busca de soluções efetivas para a situação deplorável em que se encontrava a população brasileira, principalmente os trabalhadores do campo, com os quais tivera contato durante a Marcha da Coluna (1924-27), que ficaria conhecida como a Coluna Prestes. Muito antes de tornar-se comunista, Prestes já era um revolucionário. Sua adesão aos ideais comunistas e ao movimento comunista apenas veio comprovar e confirmar sua vocação revolucionária, seu compromisso definitivo com a luta pela emancipação econômica, social e política do povo brasileiro. Como revolucionário, Prestes foi um patriota - um homem que dedicou sua vida à luta por um Brasil melhor, por um Brasil onde não mais existissem a fome, a miséria, o analfabetismo, as doenças, a mortalidade infantil e as demais chagas que continuam a infelicitar nosso país.
Comunista convicto
A descoberta da teoria marxista e a adesão ao comunismo representaram, para Prestes, o encontro com uma perspectiva, que lhe pareceu factível, de realização dos anseios revolucionários por ele até então alimentados, principalmente durante a Marcha da Coluna. A luta à qual resolvera dedicar sua vida encontrava, dessa forma, um embasamento teórico e um instrumento para ser levada adiante - o Partido Comunista. O Cavaleiro da Esperança, uma vez convencido da justeza dos novos ideais que abraçara, tornava-se também um comunista convicto e disposto a enfrentar toda sorte de sacrifícios na luta pelos objetivos traçados.
No processo de aproximação ao PCB, Prestes rompeu de público com seus antigos companheiros - os jovens militares rebeldes conhecidos como os “tenentes” -, posicionando-se abertamente a favor do programa da “revolução agrária e antiimperialista” defendido pelos comunistas brasileiros. Seu Manifesto de Maio de 1930 consagra o início de uma nova fase na vida do Cavaleiro da Esperança. A partir daquele momento, Prestes deixava definitivamente para trás os antigos compromissos com o liberalismo dos “tenentes” e enveredava pela via da luta pelos ideais comunistas que passariam a nortear toda sua vida.
Pela primeira vez na história do Brasil, uma liderança de grande projeção nacional, a personalidade de maior destaque no movimento tenentista, - na qual apostavam suas cartas as elites oligárquicas oposicionistas, na expectativa de que o Cavaleiro da Esperança pusesse seu cabedal político a serviço dos seus objetivos, aceitando participar do poder para melhor servi-las -, recusa tal poder, rompendo com os políticos das classes dominantes para juntar-se aos explorados e oprimidos, para colocar-se do lado oposto da grande trincheira aberta pelo conflito entre as classes dominantes e as dominadas, entre exploradores e explorados. Prestes tomava o partido dos oprimidos, abandonando as hostes das elites comprometidas com os donos do poder, não vacilando jamais diante dos grandes sacrifícios que tal opção lhe acarretaria.
Caminho da luta
Tratava-se de um fato inédito, jamais visto no Brasil. Luiz Carlos Prestes, capitão do Exército, que se tornara general da Coluna Invicta, que fora reconhecido como liderança máxima das forças oposicionistas ao esquema de poder vigente no Brasil até 1930, talhado, portanto, para transformar-se no líder da “revolução” das elites oligárquicas, numa liderança política confiável dessas elites, usava seu prestígio para indicar ao povo brasileiro um outro caminho – o caminho da luta pela reforma agrária radical e pela emancipação nacional do domínio imperialista, o caminho da revolução social e da luta pelo socialismo.
Como foi sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que se esforçariam por criar uma História Oficial deturpadora tanto de sua trajetória política quanto da história brasileira contemporânea.
Exemplo para os jovens
Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os donos do poder, o que se verifica pelo fato de sua vida e suas atitudes não deixarem de serem atacadas e/ou deturpadas, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político. Num país em que praticamente inexiste uma memória histórica, em que os donos do poder sempre tiveram força suficiente para impedir que essa memória histórica fosse cultivada, presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo passado pode servir de exemplo para os jovens de hoje.
Luiz Carlos Prestes dedicou 70 anos de sua vida à luta por um futuro de justiça social e liberdade para o povo brasileiro. Luiz Carlos Prestes foi um revolucionário, um comunista e um internacionalista, que jamais vacilou na luta pelos ideais socialistas e pela vitória da revolução socialista no Brasil e em nosso continente latino-americano. Prestes foi um defensor conseqüente dos países socialistas, tendo à frente a URSS. Esteve sempre solidário com as Revoluções Cubana e Nicaragüense. O legado revolucionário de Luiz Carlos Prestes deve ser preservado e desenvolvido pelas novas gerações de brasileiros e latino-americanos. Este é o objetivo principal do Instituto Luiz Carlos Prestes (www.ilcp.org.br) recentemente criado no Rio de Janeiro.
SAI LULA, FICA O LULÍSMO
Renato Godoy de Toledo
Há 8 anos a esquerda brasileira obtinha o maior êxito eleitoral de sua história. Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, o primeiro operário a assumir o posto, o Brasil iniciou um período de crescimento econômico e ampliação de programas assistenciais.
Em termos sociais, a classe C passou a ser majoritária no país, com mais de 20 milhões de pessoas saindo da pobreza. Esse feito do governo foi atingido de forma habilidosa, sem qualquer grande mudança na política econômica desenhada no período neoliberal e sem descontentar o sistema financeiro e empresarial.
O país apresentou uma inserção diferente no cenário geopolítico internacional, tendo Lula como um líder eminente dos países emergentes e reconhecido como um dos maiores chefes políticos do mundo.
A popularidade do mandatário atingiu nível recorde. Segundo os principais institutos de pesquisa, Lula chega ao fim de seu mandato com 83% de aprovação e apenas 4% de rejeição. O que mostra, na prática, que até mesmo a maior parte do 44% que apoiaram Serra na última eleição aprovam o governo petista.
Após mais de uma década mobilizada em torno da palavra de ordem “Lula-lá”, a esquerda brasileira demorou a adaptar-se à nova realidade. O maior setor dela, capitaneado pelo PT, foi leal ao governo durante oito anos. No entanto, correntes da esquerda petista romperam com a legenda e fundaram o Psol, após dois anos de críticas à política de alianças e os rumos econômicos levados a cabo pelo governo.
Outro fator que abalou a estrutura de apoio ao governo foram as crises éticas do chamado “mensalão” e da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa, ainda no primeiro mandato. Com esse desgaste, José Dirceu e Antonio Palocci foram afastados do Planalto, deixando Lula como o principal articulador de todas as áreas do governo. Nesse processo, fica mais claro a existência de um novo e controverso fenômeno político batizado de lulismo, que deve ser o tema dos principais debates na academia no próximo período.
“De esquerda e de direita”
O termo lulismo ganhou mais força nos meios acadêmicos após o artigo do cientista político André Singer, no final de 2009, intitulado “Raízes sociais e ideológicas do lulismo”. Ex-porta-voz e secretário de imprensa do Palácio do Planalto (2003-2007), Singer considera que o lulismo é composto por elementos de esquerda e de direita. Sua principal base eleitoral, o subproletariado – trabalhadores de baixíssima renda –, deseja uma melhoria nas condições de vida, mas preza pela manutenção da ordem e delega a tarefa de executor das mudanças a uma autoridade política.
Em entrevista concedida ao Brasil de Fato em maio de 2010, o cientista político apontou que essa base preza tanto por mudanças quanto pela ordem. “O subproletariado tem uma visão conservadora, mas não no sentido de rejeitar mudanças. Ele deseja mudanças importantes. Mas ele quer que essas sejam feitas sem prejuízo da ordem. Ou seja, essa valorização do conflito político que o PT fez é rejeitada pelo subproletariado, que espera mudanças feitas de cima para baixo, por meio de uma autoridade de Estado reforçada e sem ameaça à ordem. É essa configuração que leva a pensar na mistura de elementos de esquerda e de direita”, definiu Singer.
Apesar da inevitável comparação, Singer evita a aproximação entre o lulismo e o getulismo, por considerar que ambos são fenômenos recentes, em termos históricos, e precisam de constantes reavaliações.
Já o sociólogo Rudá Ricci, diretor do Insituto Cultiva, considera o lulismo como um fenômeno “vinculado à tradição aberta pelo getulismo”. “Trata-se de um paradigma da política nacional e não um mero governo. Desse ponto de vista, penso ser um erro comparar estes últimos oito anos com os governos FHC, Itamar Franco, Collor ou Sarney. Estes foram apenas governos, alguns responsáveis e engajados no desenvolvimento do país, outros nem tanto. O lulismo é mais que um governo. É uma nova organização política, um pacto desenvolvimentista. A oposição tenta reduzir essa importância. Os fatos políticos dizem mais que discursos. Afinal, onde está a oposição ao lulismo? Assim como o getulismo foi uma sombra por mais de cinquenta anos, o lulismo o será no próximo período. Isto se a criatura não retornar em 2014”, aponta.
Ricci afirma que esse pacto desenvolvimentista inserido pelo lulismo desnorteou a oposição e dilacerou o sistema partidário brasileiro, em uma das “tramas mais inteligentes” da história republicana brasileira.
O analista político Wladimir Pomar enxerga o lulismo como um fenômeno multifacetado, com força social mas com certas fragilidades, como ficou evidenciado no processo eleitoral de 2010, quando Lula não conseguiu transferir toda a sua popularidade à sua candidata Dilma Rousseff. “O lulismo só desempenhará um papel ativo na ampliação e consolidação da democracia política e na conquista de novos direitos econômicos e sociais se ganhar consciência. O que não se consegue com dádivas e concessões de cima para baixo, mas com o aprendizado da luta pela conquista de reivindicações e direitos”, aponta.
Pomar afirma ser responsabilidade do PT dialogar com essa base para que o lulismo seja uma força de esquerda no próximo período. “O lulismo poderá determinar a política brasileira dos próximos anos se o PT tiver uma atuação clara e constante para fazer os lulistas viverem as experiências de lutas por novas conquistas econômicas, sociais e políticas, dando-lhes consciência e organicidade, num processo que só os partidos são capazes de realizar”, avalia.
FONTE: BRASIL DE FATO
ÁGUA É UM BEM UNIVERSAL !
Gilson Sampaio
Nossas elites têm horror a tudo que seja nativo. Vivem se gabando de comprar contrabando na extinta Daslu e agora na Tãnia Bulhões, também é feita de trouxa quando se jacta de beber somente água importada dos alpes suíços … de São Lourenço.
Dizem os pensadores que a água será motivo de muitas guerras num futuro não muito longínquo. Em Honduras, privatizaram os rios e as demais águas.
É bom ficar de olho no aquífero guarani.
Proteger a água como bem público
por deputados do Parlamento Europeu
Declaração escrita sobre a proteção da água como bem público apresentada ao Parlamento Europeu em 10 de Novembro de 2010 pelos pelos deputados Giommaria Uggias (Italia), François Alfonsi (França), Véronique De Keyser (Bélgica), João Ferreira (Portugal) e Niccolò Rinaldi (Italia).
Para ser aprovada e constar como uma posição do Parlamento, a declaração precisa de recolher um mínimo de 369 assinaturas de deputados.
Apela-se aos deputados europeus para subscrição desta declaração e convidam-se os visitantes do portal a enviar também este apelo.
Texto da Declaração: O Parlamento Europeu,
– Tendo em conta o artigo 123.º do seu Regimento,
A. Considerando que as Nações Unidas reconheceram o direito humano universal à água e ao saneamento (Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas A/64/L.63/Rev.1),
B. Considerando que muitos cidadãos europeus não gozam do direito à água como "um bem comum para a humanidade" (Resolução P6_TA(2006)0087), devido à privatização e à mercantilização da água,
C. Considerando que a privatização conduziu à desigualdade e à exclusão, levando muitas vezes a aumentos sensíveis das tarifas da água, ao excesso de fugas nas redes de distribuição, a interrupções do fornecimento e a uma gestão pouco fiável, de tal forma que, em alguns casos, a gestão dos serviços regressou ao sector público,
1. Reitera que "a gestão dos recursos hídricos não deve ser sujeita às regras do mercado interno" (Resolução P5_TA(2004)0183);
2. Solicita às instituições europeias e aos Estados-Membros que desenvolvam todos os esforços para garantir que a totalidade dos cidadãos, sem exclusões, possa gozar do direito à água e ao saneamento;
3. Insta a Comissão a rever a legislação pertinente, em especial no que diz respeito à contratação pública e às concessões, a fim de garantir que a propriedade e a gestão da água, bem como das empresas de distribuição, permaneçam no sector público;
4. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente declaração, com a indicação do nome dos respectivos signatários, às instituições da União, bem como aos governos e parlamentos dos Estados-Membros.
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