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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Snowden, Manning e Assange são nossos novos herois


HONG KONG-CHINA-US-SECURITY-INTELLIGENCE
Eles revelaram algo que não só os EUA, mas todos os grandes poderes estão fazendo.

Publicado originalmente no Common Dreams. O autor, o esloveno Slavoj Zizek, é filósofo e teórico crítico, professor da European Graduate School e de insituições americanas como a Universidade de Columbia, e  Universidade de Michigan. 
 

POR SLAVOJ ZIZEK

Todos nos lembramos do rosto sorridente do presidente Obama, cheio de esperança e confiança, em sua primeira campanha: “Yes, we can!” — nós podemos nos livrar do cinismo da era Bush e trazer justiça e bem-estar para o povo americano. Agora que os EUA continuam suas operações secretas e expandem sua rede de inteligência e espionagem até mesmo na direção de seus aliados, podemos imaginar manifestantes gritando para Obama: “Como você pode usar os drones para matar?Como você pode espiar nossos aliados?” Obama murmura com um sorriso zombeteiro: “Yes, we can.”
Mas a personalização perde o sentido: a ameaça à liberdade revelada pelos whistleblowers tem raízes mais profundas, sistêmicas. Edward Snowden deve ser defendido não só por que seus atos envergonharam os serviços secretos dos EUA; ele revelou algo que não só os EUA, mas também todos os grandes (e não tão grandes) poderes – da China à Rússia, da Alemanha a Israel – estão fazendo (na medida em que são tecnologicamente capazes de fazê-lo) .
Seus atos forneceram uma base factual para as nossas suspeitas de que estamos sendo monitorados e controlados – a lição é global, muito além do padrão americano. Nós realmente não soubemos nada através de Snowden (ou Manning ) que já não presumíssemos que fosse verdade. Mas uma coisa é suspeitar de maneira geral, outra é obter dados concretos. É um pouco como saber que um parceiro sexual está traindo você – pode-se aceitar o conhecimento abstrato, mas a dor surge com os detalhes picantes, as fotos do que eles estavam fazendo etc.
K. Marx

Em 1843, o jovem Karl Marx afirmou que o ancien régime da Alemanha “apenas imagina que acredita em si mesmo e exige que o mundo imagine a mesma coisa”. Em tal situação, colocar a culpa em quem está no poder torna-se uma arma. Ou, como Marx continua: “A pressão deve ser mais premente adicionando-lhe a consciência da pressão, a vergonha deve ser mais vergonhosa ao ser divulgada”.
Esta, exatamente, é a nossa situação hoje: estamos diante do cinismo descarado dos representantes da ordem global existente, que só imaginam que acreditam em suas idéias de democracia, direitos humanos etc.
Em seu texto clássico “O que é o Iluminismo”, Kant contrasta o uso “público” e “privado” da razão — “privado” é , para Kant, a ordem institucional em que vivemos (o nosso estado, nossa nação… ), enquanto o “público” é a universalidade transnacional do exercício da razão: “O uso público da razão deve ser sempre livre e só ele pode trazer entendimento entre os homens; o uso privado da razão, por outro lado, pode muitas vezes ser muito limitado, sem particularmente impedir o progresso do entendimento. Por uso público da razão eu me refiro ao que um acadêmico faz perante o público leitor.”
E. Kant
Segundo Kant, o domínio do Estado é “privado” e contido por interesses particulares, enquanto indivíduos que refletem sobre questões gerais usam a razão de forma “pública”. Esta distinção kantiana é especialmente pertinente com a internet e outras novas mídias. Em nossa era da computação em nuvem, não precisamos mais de grandes computadores individuais: softwares e informações são fornecidos sob demanda e os usuários podem acessar as ferramentas ou aplicativos da web através de browsers.
Este maravilhoso novo mundo, no entanto, é apenas um lado da história. Usuários estão acessando programas e arquivos de software que são mantidos longe de salas climatizadas com milhares de computadores.
Para gerenciar uma nuvem é preciso um sistema de monitoramento que controla o seu funcionamento, e este sistema é, por definição, escondido dos usuários. Quanto menor e mais personalizado o item (smartphone) que eu tenho em mãos, e mais fácil de usar, mais sua configuração tem de confiar no trabalho que está sendo feito em outro lugar, num vasto circuito de máquinas que coordena a experiência do usuário. Quanto mais a nossa experiência é espontânea e transparente, mais ela é regulada pela rede invisível controlada por agências estatais e grandes empresas privadas, que seguem suas agendas secretas.
Uma lei secreta, desconhecida dos indivíduos, legitima o despotismo arbitrário daqueles que a exercem, como indicado no título de um recente relatório sobre a China: “Mesmo o que é segredo é um segredo na China.” Intelectuais incômodos que informam sobre a opressão política, catástrofes ecológicas, a pobreza rural etc ficam anos na prisão por trair um segredo de Estado. Como muitas das leis são confidenciais, torna-se difícil para as pessoas saberem como e quando as estão violando.


O que torna o controle de nossas vidas tão perigoso não é o fato de que perdemos nossa privacidade e que todos os nossos segredos íntimos são expostos ao Big Brother. Não existe agência estatal capaz de exercer tal controle – não porque eles não saibam o suficiente, mas porque sabem demais. A quantidade de dados é muito grande, e apesar de todos os programas para a detecção de mensagens suspeitas, os computadores são demasiado estúpidos para interpretar e avaliar corretamente, resultando erros ridículos em que pessoas inocentes são listadas como potenciais terroristas — e isso faz com que o controle estatal das comunicações seja mais perigoso. Sem saber por quê, sem fazer nada ilegal, todos nós podemos ser listados como potenciais terroristas.
Lembre-se da resposta lendária de um editor de um jornal do grupo Hearst à dúvida do dono de por que ele não tirava longas e merecidas férias: “Tenho medo de que se eu sair haverá caos e tudo vai desmoronar – mas eu tenho ainda mais medo de descobrir que, se eu sair, as coisas vão continuar normalmente sem mim, a prova de que eu não sou realmente necessário!” Algo semelhante pode ser dito sobre o controle estatal das nossas comunicações: devemos temer que não temos segredos, que as agências estatais secretas sabem tudo, mas devemos temer ainda mais que elas não consigam se sair bem nessa empreitada.


É por isso que os whistleblowers têm um papel crucial na manutenção da “razão pública”. Assange, Manning, Snowden são os nossos novos heróis, casos exemplares da nova ética que convém à nossa era de controle digital. Eles não são mais apenas os denunciantes das práticas ilegais de empresas privadas e autoridades públicas; eles denunciam essas próprias autoridades públicas quando elas se engajam no “uso privado da razão”.
Precisamos de Manning e Snowden na China, na Rússia, em todos os lugares. Há estados muito mais opressivas do que os EUA – apenas imagine o que teria acontecido a alguém como Manning em um tribunal russo ou chinês (provavelmente sem direito a julgamento público). No entanto, não se deve exagerar a suavidade dos EUA: é verdade, os EUA não tratam os prisioneiros com tanta brutalidade como a China ou a Rússia – por causa de sua prioridade tecnológica, os Estados Unidos simplesmente não precisam da abordagem brutal. Nesse sentido, os EUA são ainda mais perigosos do que a China na medida em que suas medidas de controle não são percebidas, enquanto a brutalidade chinesa é exibida abertamente.
Portanto, não é suficiente jogar um Estado contra o outro (como Snowden, que usou a Rússia contra os EUA): precisamos de uma nova rede internacional para organizar a proteção dos denunciantes e a disseminação de sua mensagem. Denunciantes são nossos heróis porque eles provam que, se quem está no poder faz o que faz, nós também podemos fazer. 


Fonte: DCM
Free ilustration by: militanciaviva!

IMPRENSA INTERNACIONAL FURA BLINDAGEM DA GLOBO



Enquanto no Brasil a Globo é blindada por outros meios de comunicação, que não noticiam as 
manifestações contra a emissora ou sua fraude fiscal, que em valores atualizados chega a R$ 1 bilhão, o jornal americano Los Angeles Times divulga pedido de desculpas e atos contra a empresa...

Por Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho

Um dos grandes trunfos da Globo é a blindagem que goza junto a outros meios de comunicação. A notícia sobre a fraude fiscal da emissora, cujo montante, incluindo a multa da Receita, chegaria a mais de R$ 1 bilhão em valores atualizados, jamais apareceu em nenhum dos órgãos amigos. Apenas a Folha deu, discretamente, e muito tempo depois da notícia estourar nas redes, uma matéria meia boca sobre o furto do processo, e mesmo assim diluindo o teor da matéria ao citar outros roubos e fraudes.
Neste final de semana, a emissora arriscou uma astuta jogada de marketing e pediu desculpas pelo apoio "editorial" que deu ao golpe de Estado. Nenhum outro jornal ou emissora abordou o assunto, apesar de ser um fato político importante. O pacto de silêncio em torno da Globo tornou-se um interessante case de estudo. E uma ameaça à democracia.
A estratégia dá resultado, porque o silêncio sempre foi a arma mais letal da mídia nacional. Que o diga Lima Barreto, cuja promissora carreira foi destruída pelo pacto de silêncio imposto pelos grandes jornais da época, furiosos com a denúncia que o escritor fez à imprensa em seu livro de estreia: Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Os jornalões revidaram não dando uma linha sobre o livro, e nunca mais Lima pode trabalhar na grande imprensa.
O livro narra, em primeira pessoa, as aventuras de Isaías Caminha no jornal O Globo, em cuja redação ele testemunha gritantes exemplos de sordidez jornalística e humana. O Globo real ainda não existia. Tratava-se de uma crítica velada ao Correio da Manhã, onde Lima trabalhara. Entretanto, as críticas do autor se encaixam perfeitamente no Globo de hoje!
Desde as manifestações de junho, e agravada pela denúncia deste blog pela sonegação bilionária da Globo, subiu aceleradamente o nível de consciência política da sociedade em relação ao papel das corporações mídiáticas na manutenção do status quo e do persistente atraso brasileiro. As mesmas corporações, porém, vem abafando qualquer tipo de protesto.
A Globo, embora diga que o bordão das ruas ("a verdade é dura, a globo apoiou a ditadura") a motivou a admitir que foi um erro o apoio que deu ao golpe de 64, jamais exibiu, na concessão pública que é seu principal ativo, o mesmo bordão, cantado por todo o Brasil. Não fez jornalismo. Merval Pereira, principal colunista política do jornal, volta e meia fala que as ruas pediram prisão para os mensaleiros, o que é uma mentira, visto que essa foi uma demanda minoritária, e que chegou apenas quando a extrema direita tentou tomar conta das manifestações. Muitos mais populares, e desde o início, foram as cantorias contra a Globo, e que jamais foram documentadas nos canais abertos, com exceção da Record.
A Globo também escondeu as manifestações posteriores que ocorreram em sua porta. Ao se referir somente às manifestações de junho, a emissora omite que estas se estenderam também pelos meses seguintes. As mais politizadas, e com mais foco, como as que aconteceram às portas da empresa em vários estados, se deram em julho, não em junho.
Aliás, todos os grandes jornais esconderam essas manifestações. Nenhum grande jornal, por exemplo, noticiou os protestos do último dia 30 de julho, o que apenas reforça a necessidade de democratizarmos a mídia brasileira. Eles formam uma quadrilha que só age coletivamente. Há um pacto secreto entre os principais grupos brasileiros de mídia que está fazendo um mal terrível à nossa democracia.
Só na imprensa internacional, no Los Angeles Times, encontro uma matéria que aborda os protestos contra a Globo e o seu pedido de desculpas.

TRE/PA condena Ana Júlia por conduta vedada


Decisão por três votos a um deixa a ex-governadora inelegível até 2020

 O TSE poderá que reverter esta decisão que, parece, se baseia numa ruptura surrealista,um equivoco jurídico gritante se tomado como fim  e base  a satisfação do interesse público. A punição da ex-governadora deve-se ao fato de ter repassado dinheiro público exatamente para onde e quem deveria, ou seja: para o povo, através das prefeituras.  
 
Confira a matéria abaixo publicada pelo portal ORM: 
 
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará condenou por três votos contra um a ex-governadora Ana Júlia Carepa (PT) e o seu então candidato a vice, Anivaldo Vale (PR), por conduta vedada a agentes públicos em período eleitoral, decidindo pela aplicação de multa de 200 mil e 100 mil UFIRs (Unidade de Referência Fiscal), respectivamente. 

Ana Júlia foi condenada por firmar convênios com municípios do interior e repassar verbas públicas em período vedado pela legislação eleitoral, ou seja, a partir de 3 de julho daquele ano. A multa a Ana Júlia equivale a R$ 500 mil e a Anivaldo, R$ 240 mil. 


Com a condenação, a ex-governadora ficará inelegível até 2020. A ação de investigação judicial eleitoral impetratada em 2010 contra Ana Júlia pela Coligação "Juntos com o Povo" voltou à pauta ontem, após pedido de vista do desembargador Agnaldo Corrêa, na sessão de 27 deste mês. Na ocasião, a juíza Eva Coelho já havia proferido o seu voto. Ela excluiu do processo Fernando Carneiro, José Júlio Lima e a Coligação Frente Popular Acelerá Pará, também citados na ação. 

Em seu voto vista, o desembargador Agnaldo Corrêa apresentou liminar de ofício com pedido de extinção do processo sem resolução do mérito, pela violação ao rito sumaríssimo. Argumentou que o entendimento da relatora havia se firmado com base em documentos apresentados após a audiência inicial da representação, quando todas as provas devem ser levantadas, ferindo à formalização. 

A relatora reagiu dizendo que a matéria havia sido plenamente discutida na Casa, com garantia de ampla defesa para os representados. Na discussão do mérito, o desembargador Agnaldo Corrêa manteve voto divergente da relatora, ao afirmar que os convênios e o repasse da verba federal aos municípios era de "interesse público não de interesse privado", por ter sido vinculado à lei estadual aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado, em 15 de setembro de 2010. "Não existiu partidarização. Todos os partidos receberam verbas dos convênios. O próprio PSDB, que é o cabeça da representação, se beneficiou. Tenho certeza que esta representação perdeu o objeto", ponderou o magistrado, mais uma vez foi vencido. 

Votaram com a relatora os juízes Ruy Dias de Souza Filho e Ezilda Pastana Mutran. O juiz João Batista Vieira dos Anjos se declarou impedido de votar e a juíza Célia Regina de Lima Pinheiro pediu para não participar do julgamento por não 
ter acompanhado a apreciação completa da matéria. A defesa de Ana Júlia Carepa sustenta que os repasses feitos aos municípios paraenses em 2010 não foram transferências voluntárias, mas imposição legal da Assembleia Legislativa do Estado. 

O advogado Cláudio Bordalo disse que, ao aprová-lo, a própria Alepa acrescentou dois artigos com valores destinados aos municípios e obrigação de repasse em cota única, para a conta específica das prefeituras, até 72 horas contadas da entrega dos respectivos planos de aplicação, sob pena de responsabilidade à ex-governadora. Bordalo disse que aguardará a publicação do acórdão do TRE para definir se entrará com embargo de declaração no próprio tribunal ou com recurso especial no TSE. "O entendimento do desembargador que divergiu da condenação se aproxima do da defesa", disse o advogado.

Fonte: O Liberal
Foto: Shirley Penaforte (Jornal Amazônia)

Entrevista: Valter Pomar fala de Jader, Ana Júlia e defende candidatura própria no Pará

“Estou seguro de que o PT tem condições de voltar a governar o Pará, e para conseguir isto o primeiro passo é ter candidatura própria e não cometer o equívoco de apoiar a candidatura do PMDB. Por isto, as posições que defendemos em âmbito nacional, também defendemos aqui no estado.”
 
Entrevista publicada no blog do Barata       
 
A declaração é de Valter Pomar (foto), o candidato da esquerda do partido a presidente nacional do PT, em eleições internas previstas para o próximo mês de novembro. Na noite desta quinta-feira ele participará do primeiro debate entre os candidatos a presidente nacional do PT, a ser realizado em Belém, no Hotel Sagres. 
Gráfico, qualificado pelo Senai, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, e historiador, formado e doutorado pela USP, a Universidade de São Paulo, Pomar foi secretário de Cultura, Esportes, Lazer e Turismo da Prefeitura de Campinas, de 2001 a 2004. Ele integra a direção nacional do PT desde 1997 e é o atual secretário executivo do Fórum de São Paulo, que reúne aos partidos progressistas e de esquerda da América Latina e Caribe. Valter Pomar é filho de Wladimir Pomar, fundador do PT, e neto do paraense Pedro Pomar, dirigente histórico do PC do B, o Partido Comunista do Brasil.
       
 Pomar repele a pecha de desastroso que aderiu ao mandato de Ana Júlia Carepa, a primeira governadora eleita pelo voto direto da história do Pará. “Não concordo que tenha sido um mandato desastroso. Mas certamente teria sido melhor, se não tivéssemos dado ao PMDB de Jader Barbalho tanto espaço”, enfatiza, ao defender que no Pará o PT tenha candidatura própria, na sucessão estadual de 2014. No plano nacional, seu compromisso é a reeleição da presidente petista Dilma Rousseff, “em condições dela fazer um segundo mandato melhor do que o atual”. “Isto significa, em nossa opinião, um mandato marcado pelas reformas estruturais: reforma política via Constituinte, Lei da Mídia Democrática, reforma tributária com taxação sobre as grandes fortunas, reformas urbana e agrária, um salto de qualidade e de financiamento para as políticas sociais, com destaque para saúde, educação e transporte”, assinala. Na leitura de Pomar, a necessidade de mudanças estruturais impõe desafios ao PT. “Nosso partido tem um passado do qual me orgulho e muitos êxitos presentes. Mas temos que ser o partido do futuro, um partido conectado com as necessidades de um Brasil que pede reformas estruturais, com as urgências de uma América Latina que exigem integração regional, com os dilemas de um mundo em crise que precisa se libertar da ditadura do capital. Para ser este partido do futuro, o PT precisa reconectar com sua base social”, adverte Pomar, na entrevista concedida ao Blog do Barata, que se segue.
Quais as propostas que inspiram sua candidatura a presidente nacional do PT?
Minha candidatura foi lançada pela chapa "A esperança é vermelha", para defender três idéias fundamentais: eleger Dilma em condições dela fazer um segundo mandato melhor do que o atual, alterar a estratégia e alterar o funcionamento do partido. O segundo mandato de Dilma tem que ser melhor do que o atual. Isto significa, em nossa opinião, um mandato marcado pelas reformas estruturais: reforma política via Constituinte, Lei da Mídia Democrática, reforma tributária com taxação sobre as grandes fortunas, reformas urbana e agrária, um salto de qualidade e de financiamento para as políticas sociais, com destaque para saúde, educação e transporte, etc. Para isto ser possível, precisaremos de aliados que estejam de acordo com estas reformas. Aliado que vota e se comporta como inimigo, não é aliado. Noutras palavras, defendemos não apenas uma tática para reeleger Dilma, mas uma estratégia para mudar estruturalmente o Brasil. A estratégia implementada a partir dos anos 1990, sob comando de José Dirceu, não é adequada para o Brasil de 2013 e os próximos anos. Aquela estratégia era baseada em alianças com partidos de centro-direita e com o grande capital, tolerância frente ao oligopólio da mídia e prioridade para o institucional. Precisamos de uma nova estratégia, democrático-popular e socialista, que priorize os aliados de esquerda, que enfrente a direita e o grande capital, que democratize a comunicação e dê prioridade para a mobilização e organização social.
Uma tática e uma estratégia distintas, exigirão muito mais do PT. Nosso partido tem um passado do qual me orgulho e muitos êxitos presentes. Mas temos que ser o partido do futuro, um partido conectado com as necessidades de um Brasil que pede reformas estruturais, com as urgências de uma América Latina que exigem integração regional, com os dilemas de um mundo em crise que precisa se libertar da ditadura do capital. Para ser este partido do futuro, o PT precisa reconectar com sua base social, com a classe trabalhadora, com a juventude, com as mulheres, os negros, o movimento ambiental, indígena, lgbt. Precisa recuperar sua autonomia e sua capacidade de dirigir os mandatos, os governos e as campanhas eleitorais. Precisamos de instâncias e dirigentes que respondam à base do Partido, não que atuem como "correias de transmissão" desta ou daquela liderança. E precisamos voltar a fazer política também nos anos ímpares, não apenas quando há eleições. Se não mudarmos o PT, e rápido, seremos tragados pela burocratização, pela degeneração, pela domesticação, pela institucionalização que nos ameaçam.
Como o senhor avalia o PT hoje, passados os dois mandatos do ex-presidente Lula e diante do desenrolar do governo da presidente Dilma Rousseff?
Os dez anos de governo Lula e Dilma foram globalmente positivos para o Brasil. Estamos melhores do que estávamos sob governo FHC e melhores do que estaríamos caso Serra ou Alckmin tivessem vencido as eleições de 2002, 2006 e 2010. Entretanto, melhoramos a vida do povo, mas não mudamos as estruturas mais gerais do país. É por isto, aliás, que o ritmo da melhoria vem caindo e os problemas vem crescendo: ou fazemos reformas estruturais, ou teremos regressão política, social e econômica. Qual o efeito disto sobre o PT? Por um lado, somos o maior e num certo sentido o melhor partido do Brasil. Mas, por outro lado, somos o maior partido num ambiente político em que os partidos são rejeitados por amplos setores da população. E somos o maior partido, num contexto em que os partidos são profundamente influenciados pelo poder econômico, o que causa sobre o PT fenômenos deletérios. Traduzindo em miúdos: o PT cresceu e ficou mais forte, mas ao mesmo tempo vem perdendo aceleradamente características que são fundamentais para um partido da classe trabalhadora, para um partido que precisa ser militante, para um partido que escolheu ser socialista.Sintetizando numa imagem: um jovem que hoje tem 20 anos olha o Brasil e vê desigualdade, olha a política e vê muita corrupção, olha a presidência e vê o PT lá há dez anos. Muito facilmente este jovem pode ser capturado pela idéia falsa, segundo a qual o PT é o culpado por tudo isto que está aí. Para evitar isto, precisamos de uma política certa e de um funcionamento diferente do atual.
Na sua ótica, quais as conseqüências, para o PT, das concessões feitas pelos governos Lula e Dilma Rousseff, em termos de alianças político-partidárias, em nome da governabilidade?
Vejo três consequências.
A primeira delas é a dos rendimentos cada vez mais decrescentes, para emprestar um termo de economista. As alianças com partidos de centro-direita, se é que algum dia foram efetivamente indispensáveis e úteis, hoje são certamente muito mais ônus do que bônus. E se o país muda pouco por causa disso, o PT é afetado negativamente. É preciso dizer claramente: parte da base de apoio nominal do governo comporta-se, de fato, como oposição.
A segunda consequência é sobre o desempenho eleitoral do PT. Em troca do apoio à candidatura presidencial, o PT tem feito concessões eleitorais que reduzem seu desempenho. Ganhamos três vezes a presidência da República e nossa bancada na Câmara mantém mais ou menos o mesmo tamanho. Em muitos estados, deixamos de ter candidatos a governador e apoiamos candidaturas de setores historicamente inimigos nossos, como é o caso do clã Sarney.
A terceira consequência é sobre nossa imagem. Uma fotografia com Paulo Maluf, por exemplo, perde mais do que votos. Afeta a credibilidade do partido, cria confusão em nossa base social e eleitoral. E para um partido de esquerda, coerência pode não ser tudo, mas é muita coisa.
É importante dizer que sou a favor de alianças. E alianças se faz com quem é diferente de nós. Especialmente alianças de segundo turno. Porém, alianças tem que ser feitas em torno de programas. Quando fazemos alianças estritamente pragmáticas, na verdade estamos nos aliando em torno do programa de nossos inimigos ou adversários.
O escândalo do mensalão, que tragou ilustres lideranças petistas, não esfarinhou de modo irreversível o discurso ético do PT, que está na gênese do partido, e o nivelou por baixo, igualando o partido a prática das legendas das quais pretendia se distinguir?
Este é o desejo da grande mídia e também é a impressão de metade da população, segundo pesquisa feita por nós mesmos. Mas se a essência fosse igual a aparência, não haveria ciência, certo? De cara, estou seguro de que o mensalão não existiu. O termo pegou, foi uma invenção digamos criativa daquele deputado Roberto Jefferson, que com ela queria nos acusar de um crime contra a Constituição. Mas como ele mesmo reconheceu, nunca houve pagamento mensal de ninguém, muito menos com o objetivo de comprar votos de parlamentares. Em segundo lugar, o PT é muito maior do que as atitudes efetivamente cometidas por alguns petistas, por mais importantes que estes petistas sejam e por mais graves que sejam suas atitudes. E que fique claro que eu considero gravíssima a adoção, por parte de alguns, de uma sistemática de financiamento igual aquela que o PSDB adotou em Minas Gerais. Independente de ser ou não crime, a promiscuidade com aquele Marcos Valério e seu modus operandi foi e é algo terrível e extremamente danoso para o PT. Em terceiro lugar, há que se considerar a vida real. Na vida real, o PT é o único dos grandes partidos que efetivamente defende acabar com o financiamento empresarial das campanhas eleitorais. Enquanto houver financiamento empresarial, haverá corrupção em grande escala, porque haverá facilidade para a ação dos corruptores. Também na vida real, foi no governo de petistas, Lula e Dilma, que o Estado brasileiro reconstruiu vários mecanismos importantes de combate à corrupção. Portanto, acho que perdemos muito, mas daí a esfarinhar e ficar igual aos partidos conservadores, vai uma grande distância. O PT não é igual a direita, nem mesmo quando setores do PT se esforçam neste sentido.
Sabe-se que a política é a arte da conciliação, mas nem por isso desobriga da dignidade. Sob essa perspectiva, há como justificar a aliança dos governos petistas, com o aval do próprio ex-presidente Lula, com quadros do jaez do ex-presidente Fernando Collor?
Eu não acho que a política é a arte da conciliação. A política é a luta pelo poder, e a luta pelo poder exige conflito e conciliação. Um partido como o PT, que deseja fazer mudanças profundas no Brasil, precisa de mais conflito e menos conciliação. Conciliação demais é igual a mudança de menos; e se é para mudar pouco, ou não mudar nada, para que mesmo que precisamos do PT?
        Em análise atribuída ao ex-presidente Lula, na possibilidade da conjuntura inviabilizar a reeleição da presidente Dilma, a alternativa natural do PT seria alinhar-se com a eventual candidatura do governador Eduardo Campos. O senhor concorda com essa análise?
Lula nunca disse isto. Dilma será nossa candidata em 2014. E Eduardo Campos, a preços de hoje, será um dos candidatos da oposição contra nós. Derrotado em 2014, não sei o que Eduardo Campos fará em 2018. Mas o PT terá candidatura presidencial em 2018.
Qual o balanço que o senhor faz do PT no Pará, após o desastroso mandato da ex-governadora Ana Júlia Carepa?
Não concordo que tenha sido um mandato desastroso. Mas certamente teria sido melhor, se não tivéssemos dado ao PMDB de Jader Barbalho tanto espaço. Estou seguro de que o PT tem condições de voltar a governar o Pará, e para conseguir isto o primeiro passo é ter candidatura própria e não cometer o equívoco de apoiar a candidatura do PMDB. Por isto, as posições que defendemos em âmbito nacional, também defendemos aqui no estado.

Hipocrisia tem limites: o mega milionário ruralista Caiado é contra o trabalho escravo. Mas só o de cubano.

O deputado Ronaldo Caiado, hoje, na Câmara dos Deputados, acusou o governo brasileiro e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de estarem patrocinando o trabalho escravo ao trazer médicos cubanos para o Brasil.
hipocrisiaa Curioso, o pensamento (?) do senhor Caiado.
Quando se tratou de votar a Proposta de Emenda Constitucional do trabalho escravo, que previa a expropriação de propriedades onde pessoas fossem mantidas em escravidão, ele foi contra.
““Podemos até decretar prisão perpétua nesses casos, mas não podemos colocar em risco o direito de propriedade.”, disse.
Ou seja, o deputado dizia que era melhor perder a liberdade, e por toda a vida, que a propriedade.
Será que os cubanos vão ficar em pior situaçao que os 26 trabalhadores resgatados na fazenda de seu primo Enivaldo Caiado, atirados em barracas de lona no chão e aos quais era servida comida imunda e água suja?
O deputado Caiado, pasmem, é médico. E, claro, pecuarista.
Deveria, portanto, entender os velhos versos de Geraldo Vandré, em “Disparada”.
“Porque gado a gente marca/ Tange, ferra, engorda e mata/Mas com gente é diferente”
Ou deveria ser, Dr. caiado.
Blog do Porter

Por que os americanos não podem viver sem guerra?

capt
Simples: a economia do país é voltada para os conflitos, e não para a paz.
Por que os Estados Unidos fazem tanta guerra?
Este o título de um artigo publicado dias atrás no site Common Dreams, que o Diário acompanha e recomenda. O melhor do pensamento progressista e de vanguarda do mundo moderno está concentrado no Common Dreams.
O artigo citado é de autoria do jornalista Chidanand Rajghatta, colunista e editor de assuntos internacionais do jornal Times, da Índia.
Ele nota que mesmo sob um presidente em cuja plataforma a paz era um dado importante – Obama – os Estados Unidos não deixaram de fazer guerra sobre guerra.
O ponto de Rajghatta é simples: o país não pode viver sem guerra. “É um país feito para a guerra. Pequeno detalhe: até 1947, o Departamento de Defesa foi chamado Departamento de Guerra”, diz o colunista.
Ele faz uma contabilidade macabra. Os Estados Unidos fizeram cerca de 70 guerras desde sua independência, 234 anos atrás. Pelo menos 10 delas eram grandes conflitos.
Ele cita na defesa de sua ideia o comediante George Carlin, que vinte anos atrás endereçou um olhar divertidamente devastador para a primeira guerra do Iraque.
“Nós gostamos de guerra”, disse Carlin. “ Nós somos bons nisso! Nós não somos bons em nada mais … não conseguimos construir um carro decente ou uma televisão que preste, não damos uma boa educação para as crianças e nem cuidados de saúde para os idosos, mas podemos encher de bombas qualquer país … “
Clap, clap, clap.
De pé.
Mais recentemente, uma observação semelhante foi feita pelo colunista americano Paul Farrel.
“A economia dos Estados Unidos é uma economia de guerra”, escreveu Farrel. “Não é uma economia industrial. Não é uma economia agrícola. Não é uma economia de serviços. Não é nem mesmo uma economia de consumo.No fundo, nós amamos a guerra. Queremos guerra. Precisamos dela. Saboreamo-la. Prosperamos na guerra. A guerra está em nossos genes, no fundo de nosso DNA. A guerra excita o nosso cérebro econômico. A guerra dirige o nosso espírito empreendedor. A guerra emociona a alma americana. Oh, admitamos , temos um caso de amor com a guerra.”
Clap, clap, clap, mais uma vez.
De pé.
 

Por Paulo Nogueira no DCM

Família de Víctor Jara procura justiça nos EUA

A família do cantor e ativista político chileno Víctor Jara diz ter descoberto o mistério envolvendo a morte que aconteceu há 40 anos, durante o golpe militar de 1973, quando Augusto Pinochet derrubou o então presidente Salvador Allende.

A defesa deve se dar por leis norte-americanas de violações aos direitos humanos cometidas em outros países. A família tentará provar a sua teoria em um tribunal federal de Jacksonville, Flórida.


Na quarta-feira, foi apresentada uma ação civil contra o ex-tenente do exército chileno Pedro Barrientos Núñez alegando que ele ordenou aos soldados que torturasse Jara e que ele mesmo tenha atirado contra a cabeça do canto, enquanto jogava "roleta russa" em um vestiário do Estádio Chile.

A ação diz que outro oficial reconheceu o cantor ao ser levado ao vestiário, mas não identifica os nomes das testemunhas. 

A viúva do cantor, Joana Jara, e suas filhas, pediram indenizações não especificadas por danos e prejuízos.

 A representante legal da família disse que Barrientos foi notificado pessoalmente na noite anterior quando saia de sua casa na Flórida, onde vive como cidadão norte-americano. 
 
As tentativas de contato telefônico para comentar o caso não deram resultado. 

Fonte: Associated Press/Agência Estado/Free ilustration by: militânciaviva!.

O 7 de setembro e as viúvas da ditadura



Há sucessivas semanas que a internet foi tomada por uma onda de boatos sobre protesto convocado pelo grupo autodenominado Anonymous em (bem) mais de uma centena de cidades brasileiras no próximo dia 7 de setembro, aí incluídas as principais capitais, com atenção especial para Brasília, mais precisamente para o palanque em que estará a presidente Dilma Roussef durante o tradicional desfile militar que ocorre na capital federal anualmente.
Mas o que há de novidade em protestos de rua? Desde junho deste ano, passaram a ocorrer às pencas dia sim, dia também, ainda que com menor frequência e tamanho de julho em diante.
Mais um, portanto, não faria diferença se não fosse o fato de que, de repente, grupos ligados a oficiais militares da reserva e até a parlamentares assumidamente de direita como deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) passaram a convocar suas tropas virtuais para uma pretensamente apocalíptica e gigantesca manifestação contra o governo no próximo sábado.
Com efeito, as comemorações do 7 de setembro dos últimos anos vêm sendo marcadas por ondas de protestos, mas nunca diretamente contra o governo federal e nunca encabeçadas diretamente por grupos de extrema-direita como esses que, agora, adotam um discurso grandiloquente e ameaçador concomitantemente com preocupação que vem sendo detectada por este blog no governo federal e em importantes políticos do PT e de partidos aliados.
Paralelamente, simpatizantes do governo passaram a espalhar nas redes sociais e na blogosfera memes (peças gráficas com mensagens políticas) e posts diversos denunciando possíveis “atentados” que estariam sendo premeditados pela direita para ocorrer no próximo Dia da Independência.
Não houve, até agora, uma manifestação clara do grupo Anonymous em relação às ameaças de grupos tidos e havidos como compostos por “viúvas da ditadura” e lideranças políticas de extrema-direita contrárias a movimentos sociais, sobretudo aos grupos de mulheres, homossexuais, negros, sindicalistas e todo aquele que professe uma visão socialista ou até mesmo socialdemocrata.
Nesse contexto, inclusive para serenar espíritos, seria oportuno que a Presidência da República determinasse aos chefes das Forças Armadas que fizessem um pronunciamento oficial repudiando chamamentos que lhes têm sido feitos no sentido de reeditarem o movimento que culminou no golpe de 1964, até porque tais chamamentos podem ser encontrados em incontáveis páginas pela internet de forma inclusive criminosa, haja vista que pregam uma ação antidemocrática e ilegal no Estado de Direito vigente.
O que me cumpre dizer, ao fim, é que há várias e várias semanas que venho conversando com pessoas importantes ligadas ao governo, ao PT e a partidos aliados e tais interlocutores não descartam que a extrema-direita possa ter preparado alguma coisa preocupante para ocorrer no próximo dia 7.
Em anos anteriores, o barulho da extrema-direita no 7 de setembro tem se misturado ao da extrema esquerda, que não critica só governos do PT, mas também os do PSDB, do PMDB e de outros partidos que considera “de direita”. Apesar disso, as extremidades da política vêm marchando juntas, contentando-se em fazer número a qualquer preço, tapando o nariz para o oposto ideológico que estiver ao lado, tanto pela esquerda como pela direita.
Todavia, a apropriação do próximo 7 de setembro pela direita poderá afastar os partidos de extrema-esquerda, como PSOL, PSTU e PCO de manifestações com nítido caráter político que estão sendo convocadas inclusive com apoio explícito de lideranças políticas e militares como as supracitadas. Ao menos é que se espera desses partidos, para os quais não pegaria lá muito bem marcharem ao lado de um Jair Bolsonaro.
Seja lá como for, mais uma vez o que se teme é o imobilismo do governo e dos partidos e movimentos sociais que o sustentam diante de um tipo de recurso político que tem uma longa e antiga história neste país, sobretudo nos idos de 1964, quando as ruas foram o embrião de uma agressão à democracia que dispensa maiores detalhes.
Este post está sendo publicado a 48 horas da manhã do próximo sábado. Tempo mais do que suficiente para que a presidente da República DETERMINE às Forças Armadas que se manifestem oficialmente contra o uso de seu nome e de sua imagem nos delírios golpistas de viúvas da ditadura de todas as idades, estratos sociais e regiões do país e que, a cada dia que passa, parecem mais e mais inconformadas com a democracia vigente no país. 
 
 
No Blog da Cidadania

Presidente do Metrô de São Paulo admite existência de cartel



Luiz Antonio Carvalho Pacheco fez a declaração a deputados das comissões de Infraestrutura e de Comissão de Transportes e Comunicações da Assembleia Legislativa de São Paulo
Agência Brasil

O presidente do Metrô de São Paulo, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, que assumiu o cargo há pouco mais de dois meses, admitiu nesta quarta-feira (4) a existência de cartel (acordo ilegal, firmado entre empresas para evitar a concorrência e elevar preços de produtos e serviços) e falou que não teve interesse em ler as denúncias sobre o Metrô. 
 
 “Nunca tive acesso a essa documentação. E não tive curiosidade”, disse Pacheco, acrescentando que a documentação envolvendo o Metrô tem 1,6 mil páginas.
Pacheco fez a declaração a deputados das comissões de Infraestrutura e de Comissão de Transportes e Comunicações da Assembleia Legislativa de São Paulo que o ouviram sobre as denúncias de formação de cartel, superfaturamento e pagamento de propina a agentes públicos que envolvem o Metrô.
De acordo com o presidente, o cartel que foi formado durante as licitações de obras no Metrô é internacional. “Toda a área metroviária é uma área muito fechada. São poucas empresas”, disse. Segundo ele, a indústria ferroviária no país só foi formada há pouco tempo e, até então, quaisquer informações que chegavam sobre infraestrutura ferroviária era fornecida pelas mesmas empresas que formavam o cartel. “Se elas, por ventura, estivessem organizadas na forma de um cartel internacional, as informações que nos chegam são as informações que elas têm. Não existia outro parâmetro para que o Metrô ou a CPTM [Companhia Paulista de Trens Metropolitanos] pudessem ter informações”.
Segundo Pacheco, o parâmetro só começou a mudar quando as empresas coreanas, chinesas e espanholas começaram a entrar no mercado brasileiro – o que, de acordo com ele, fizeram com que os preços caíssem.
Além de admitir a existência de cartel, Pacheco também admitiu que as empresas vencedoras de contratos do Metrô tenham subcontratado as empresas que saíram derrotadas das licitações. “No contrato específico da Linha 2-Verde, as empresas que perderam os contratos foram subcontratadas. Isso é público”, disse. Ele criticou os aditamentos (acréscimos ou alterações) que são feitos aos contratos, como os que ocorreram em vários dos contratos que foram firmados pela companhia. “Infelizmente, isso ocorre em contratos de forma geral. Mas isso é uma praga. Não sei o que levou a esses aditamentos”.
De acordo com Pacheco, a providência tomada pela companhia foi aprovar, por meio da diretoria, que em todas as licitações a partir de agora seja proibido subcontratar empresas que tenham participado do processo licitatório. O governo paulista, de acordo com ele, também entrou com uma ação judicial contra a Siemens pedindo o ressarcimento dos valores que foram desviados com as licitações. Pacheco também disse que os contratos são atualmente objeto de investigação dos órgãos competentes, tais como Ministério Público, Polícia Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a corregedoria e a procuradoria do governo estadual.
Segundo Pacheco, a companhia mantém hoje quatro contratos em andamento com a Siemens que estão sob investigação. Um deles, que se refere a uma licitação de sistema de sinalização de trens e controle de alimentação elétrica para a Linha 2-Verde do Metrô, está sendo investigado pelo Cade. O contrato, segundo ele, foi homologado em abril de 2005. “É um contrato no valor de R$ 143,6 milhões. Ele foi executado e hoje tem uma pendência de entrega de alguns equipamentos sobressalentes e existe uma retenção de um saldo a pagar no valor R$ 1,2 milhão”, disse. No mesmo contrato, explicou, houve aditivos para aumentar o prazo e também para acréscimo no valor do contrato da ordem de R$ 18 milhões.
Os demais três contratos do Metrô com a Siemens, segundo o presidente do Metrô, se referem à modernização de 25 trens, estabelecido em R$ 466 milhões, que ainda está em fase de execução; à instalação de dez subestações (duas delas entregues) e do pátio de manobra da Linha 1-Azul, de R$ 76 milhões, também em fase de execução; e, por último, de fornecimento e implantação de um sistema de alimentação elétrica auxiliar nas estações Vila Prudente e Oratório, estipulado em R$ 88 milhões, assinado em agosto de 2012.
A audiência com o presidente do Metrô foi bastante tumultuada. Teve início às 14h30 e terminou por volta das 19h10. O debate foi praticamente todo concentrado entre os deputados do PT (oposição) e do PSDB (situação), que chegaram a discutir aos gritos. O pedido de que fossem feitas cópias de documentos que foram apresentados pelo presidente do Metrô gerou mais tempo de discussão entre os deputados do que o tempo que foi destinado para que ele explicasse sobre as irregularidades.
Os deputados de oposição ao governo paulista tentam implantar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as denúncias de irregularidades no Metrô. Até o momento, a oposição conseguiu obter 27 das 32 assinaturas necessárias para a abertura da CPI. A maioria dos deputados da Alesp é aliada ao governo paulista.
O deputado estadual João Caramez, do PSDB, avalia que não é o momento para que uma CPI seja aberta na Casa. “Nós, da situação, achamos que não é o momento porque [o caso] está sendo investigado e não temos elementos suficientes para poder fazer arguições”, disse.
De acordo com Caramez, os deputados da base do governo paulista não são contra a investigação. “Somos a favor [das investigações]. Se houve qualquer conluio, de algum agente público, com certeza, será punido”, falou. Para ele, a Alesp está cumprindo o seu papel por meio das comissões permanentes que têm convocado ou convidado pessoas para falarem sobre o caso, embora estas não tenham o mesmo poder da CPI.
O presidente da Comissão de Infraestrutura da Alesp, o deputado Alencar Santana Braga (PT), defende a criação de uma CPI na Casa. “O poder de investigação é por meio de uma CPI. A comissão [permanente] pode fazer determinada apuração e acompanhamento, mas não tem o poder de investigação das autoridades policiais como a CPI tem”, disse.
Para o deputado petista, a CPI deveria ser instaurada já. “Se este não é o momento, qual é o momento? Se está mais do que latente as denúncias e se o próprio presidente do Metrô assume que o cartel existiu, qual o momento melhor? Quem fala o contrário, de fato não quer investigar”, disse Santana.

DIA 6 PLENÁRIA COM VALTER POMAR EM BELÉM - "DESAFIOS E RUMOS DO PT"



Comissão do Senado dos EUA aprova ação militar na Síria

EU  QUERO SANGUE !

Por 10 votos a 7, Comissão de Relações Exteriores aprovou projeto para intervenção

Sangue,sangue,sangue!!!

WASHINGTON - A Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA aprovou nesta quarta-feira, 5, uma resolução para a intervenção militar na Síria. 
Povo sírio aguarda mais dor, sofrimento e horror com a ação militar terrorista de Obama e seu exercito carniceiro

O projeto, aprovado por 10 votos a 7, dá a autorização para o presidente Barack Obama realizar uma ação militar limitada, sem enviar tropas americanas ao território sírio ou ultrapassar 90 dias de ataque.
Comissão do Senado aprova ação militar na Síria - Susan Walsh/AP
Comissão do Senado aprova ação militar na Síria
O texto modifica a proposta enviada pelo presidente americano no sábado, quando ele anunciou que buscaria autorização do Congresso, depois de quase uma semana de movimentação que indicava uma ação iminente. Além do limite de tempo e da proibição de tropas, a proposta de resolução aprovada também exige que o governo apresente ao Congresso sua estratégia para que uma "solução política" seja alcançada na Síria.
 
O texto terá que ser votado pelo plenário do Senado na próxima semana, quando acaba o recesso parlamentar.
Obama justifica que uma ação na Síria é essencial para impedir que armas químicas sejam usadas novamente. Washington afirma ter provas de que o governo do presidente sírio, Bashar Assad, usou gás sarin no ataque de 21 de agosto, no qual 1.429 pessoas morreram.
Essa foi a primeira vez que legisladores votaram por autorizar uma ação militar desde outubro de 2002, quando o presidente George W. Bush foi autorizado a invadir o Iraque.
Milhares de crianças inocentes árabes perderão suas vidas, como as da foto, pois serão novamente assassinadas pelas bombas dos norte-americanos

Na Câmara, está em andamento audiência pública na Comissão de Relações Exteriores com os secretários de Estado, John Kerry, de Defesa, Chuck Hagel, e o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Martin Dempsey.

Assista ao vídeo da votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado americano:
 


Número considerável de parlamentares dos partidos Democrata e Republicano levantam dúvidas sobre a eficácia da ação pretendida por Obama e os riscos que ela envolve, entre os quais uma possível reação de Assad que pode arrastar os americanos para a guerra civil síria.



Cláudia Trevisan, correspondente em Washington/Estadão/ Imagens e textos nelas contidos militanciaviva!

Dilma cancela envio de equipe que prepararia sua visita aos EUA

Comitiva viajaria no sábado para cuidar de hospedagem, transportes, agenda e acordos a serem assinados com o presidente Obama

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff mandou cancelar o envio da equipe que embarcaria no próximo sábado para Washington para preparar sua visita de Estado em outubro. A suspensão ocorre após Dilma ameaçar, nos bastidores, recusar o convite do presidente Barack Obama por causa das suspeitas de espionagem sofrida pelo governo brasileiro.
A equipe precursora, formada por agentes de segurança, diplomatas e cerimonial da Presidência, faz o primeiro reconhecimento para a visita, analisando questões de logística, hospedagem, transporte, rotas e instalações em geral – e também a agenda prevista e os acordos que podem ser assinados.
Normalmente, a antecedência não é tão grande, mas a viagem era tratada como especial por questões de segurança.
O suspensão da equipe precursora não significa que a viagem está já cancelada – há tempo suficiente para remarcá-la, já que a visita acontece apenas em 23 de outubro –, mas é uma demonstração, para o governo americano, do nível de desagrado no Palácio do Planalto.
A irritação da presidente com a revelação de que ela pode ter tido mensagens eletrônicas monitoradas continua grande, a ponto dela estar, segundo assessores, sem disposição de conversar com Obama em São Petersburgo, onde ambos participam da reunião do G20.
De acordo com um assessor, Dilma informou que, para que a presidente fosse convencida da importância de confirmar a viagem era preciso, por exemplo, que os EUA pedissem desculpas pelas espionagens, se retratassem e assegurassem que não vão mais fazer isso - o que é bastante improvável que aconteça, dado os sinais negativos do governo Obama até agora.
A decisão definitiva sobre o cancelamento deverá aguardar que os americanos apresentem suas novas justificativas – dessa vez, exigidas por escrito. Setores do governo ainda defendem a viagem, mas Dilma espera uma resposta bastante diferente da recebida até agora. “Frustrante” e “decepcionante” foram os adjetivos usados pelo governo brasileiro para descrever o resultado da recente missão política do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, que ouviu apenas “nãos” e vagas promessas de um grupo de trabalho entre os dois países – proposta não aceita pelo Brasil. 

Lisandra Paraguassu e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

Obama à procura de um cúmplice

Tarado por sangue inocente

Ataque unilateral à Síria: Obama decidiu ser mais seguro comprar o Congresso do que avançar só.

por Paul Craig Roberts

Enquanto continua a reclamar poderes ditatoriais para iniciar uma guerra por conta própria, Obama adiou seu ataque unilateral à Síria ao receber uma carta de mais de 160 membros da Câmara dos Deputados recordando-o que levar o país à guerra sem aprovação do Congresso é ofensa punível com o impedimento (impeachment). Além disso, teve de adiar quando viu que nenhum país poderia servir como cobertura para um crime de guerra, pois nem mesmo o governo fantoche britânico e os estados fantoches da NATO apoiariam a anunciada agressão militar da América contra a Síria.
No ataque à Líbia Obama conseguiu escapar sem um OK do Congresso porque utilizou fantoches da NATO e não forças militares dos EUA. Aquele estratagema permitiu a Obama afirmar que os EUA não estavam diretamente envolvidos.
Agora que a falta de cobertura e o desafio do Congresso levou o aspirante a tirano Obama a adiar seu ataque à Síria, o que se pode esperar?
Se Obama fosse inteligente – e evidentemente alguém que indica Susan Rice como sua conselheira de segurança nacional não é inteligente – ele simplesmente deixaria o ataque à Síria desvanecer-se e morrer até o Congresso retornar do recesso em 9 de Setembro para enfrentar os problemas insolúveis do défice orçamental e do tecto da dívida.
Uma administração competente perceberia que um governo incapaz de pagar as suas contas sem a intensa utilização das máquinas de impressão está com demasiada perturbação para se preocupar com o que está a acontecer na Síria. Nenhuma administração competente arriscaria um ataque militar que pudesse resultar numa conflagração do Médio Oriente e uma ascensão nos preços do petróleo, piorando portanto a situação econômica enfrentada por Washington.
Mas Obama e a sua coleção de incapazes demonstraram não terem competência. O regime também é corrupto e todo o edifício repousa sobre nada, excepto mentiras.
Agora que a Casa Branca percebeu que Obama não pode cometer um crime de guerra sem cobertura, eis o que provavelmente podemos esperar. A argumentação mudará da utilização ou não de armas químicas por Assad e tornar-se-á que o Congresso não deve minar o prestígio e a credibilidade dos EUA deixando de apoiar o presidente Obama, o homem frontal para guerras de agressão americanas.
A Casa Branca subornará, seduzirá e intimidará o Congresso. 
O argumento do regime será que o prestígio e a credibilidade da América estão em causa, portanto o Congresso deve apoiar o presidente. O presidente e o secretário de Estado fizeram declarações inequívocas acerca da culpabilidade de Assad e da sua determinação em puni-lo. Dada a insanidade de Washington, o modo como Washington pune Assad por (alegadamente) matar sírios com armas químicas é matar sírios com mísseis de cruzeiro.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Padilha já costura alianças para disputar governo de SP



Por Marina Dias
 
Nas últimas semanas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem se reunido com lideranças do PT em São Paulo para discutir as estratégias e o cronograma inicial de sua pré-candidatura ao governo paulista.
O principal ponto tratado até agora são as alianças partidárias que devem conferir ao petista mais tempo nos programas de rádio e de TV. Padilha é considerado um nome novo na política do Estado mas foi escalado para negociar pessoalmente algumas das parcerias.
 
 
O ministro da Saúde tem boa relação com o presidente nacional do PDT e ex-ministro do Trabalho no governo Dilma, Carlos Lupi, e já se comprometeu a procurá-lo o quanto antes e iniciar as conversas sobre as alianças para 2014. O PP, do deputado federal Paulo Maluf, também será um dos alvos de Padilha. O PT em São Paulo quer amarrar ainda as alianças com PR e PCdoB.
As reuniões, que envolvem deputados federais e estaduais do PT, além do presidente estadual do partido, Edinho Silva, e de seu sucessor a partir de novembro, Emidio de Souza, são realizadas geralmente na capital paulista e durante os intervalos de agenda do ministro.
No último fim de semana, o ministro encarou um "intensivão", com reuniões na noite de sábado (31) e no domingo (1). Padilha tem percorrido o país na divulgação – e defesa – do programa "Mais Médicos", que traz profissionais estrangeiros para trabalhar em diversas regiões do Brasil.
 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos principais defensores da candidatura do ministro da Saúde. O nome de Padilha se consolidou quando o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que não iria concorrer ao governo de São Paulo a pedido da presidente Dilma Rousseff, como antecipou Terra Magazine.
Segundo o ex-presidente, a tese que foi usada com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nas eleições municipais de 2012, deve funcionar igualmente no próximo ano. "Um homem novo, um rosto novo. As pessoas estão cansadas dos mesmos políticos", costuma dizer Lula a interlocutores.
Ressalvas

 O programa "Mais Médicos", uma das grandes apostas do governo federal, deve ser trabalhada, segundo petistas, como a bandeira da gestão de Padilha. Dentro do partido, ainda há resistência ao nome do ministro para concorrer ao governo paulista examente por quem considera que ele não tem uma grande marca à frente do Ministério da Saúde. Essa também era uma preocupação de Lula.
No entanto, nas últimas semanas, Padilha foi aconselhado a costurar o apoio inclusive dentro do PT e continuar dando publicidade positiva ao "Mais Médicos". A intenção é tentar algumas parcerias com Haddad na capital para criar volume e "ter o que apresentar" a partir do início do ano que vem, quando o ministro deve deixar a pasta para se dedicar à campanha ao Palácio dos Bandeirantes. 
 
 
Terra Magazine

Acusação de caixa 2 derruba presidenta do Psol no Rio

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Janira Rocha alega que comunicou o presidente da Assembleia Legislativa e o procurador sobre o caso.
Denúncia atrapalha filão que partido tentava atingir com construção de imagem limpa.
Problema seria resolvido se as siglas buscassem o financiamento público de campanha.

por Helena Sthephanowitz 

Dois ex-funcionários da presidenta estadual do Psol e deputada estadual Janira Rocha procuraram na Assembleia Legislativa (Alerj) a também deputada Cidinha Campos (PDT-RJ) para vender um dossiê sobre a ex-chefe por R$ 1,5 milhão. 
Cidinha Campos
 Cidinha fingiu negociar e marcou uma data na semana seguinte. Avisou a polícia e os dois foram presos em flagrante, com o material apreendido, que inclui cópias de relatórios, recibos e gravações.
As acusações são sobre exigir parte do salário dos funcionários, chamada cotização, e também caixa dois de campanha com dinheiro do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev), do qual foi diretora.
O ex-funcionário Marcos Paulo Alves declarou que ganhava de salário R$ 7.200 e devolvia R$ 4 mil. “Porque fazia a cotização, dizia que era para os nossos projetos, para as nossas coisas e no final não tinha nada disso”, disse.
No material apreendido havia uma gravação na qual Janira aparece falando: "Eu não faço nada dentro desse mandato que eu possa me envergonhar. Pode até ser que tenha algumas coisas que são feitas aqui, como a única que é a cotização, que não é legal lá fora, entendeu? Mas isso não me envergonha, eu não estou roubando dinheiro para mim, entendeu?"
Em outra gravação, ela aparece admitindo ter usado dinheiro do Sindicato do Previdenciários, do qual era diretora, para a campanha eleitoral: "A gente pode botar no relatório que o dinheiro foi para atividades políticas, mobilizadoras. Não pode dizer, ah, foi para construção do Psol, foi para disputa para eleger deputado. Isso não pode, isso é crime. Então é um crime tanto do sindicato como um crime nosso, né? Crime eleitoral...", disse.
 
Janira renunciou à presidência do PSOL fluminense e à liderança do partido na Assembleia enquanto os fatos são investigados. O Psol abriu pedido de expulsão dos dois ex-assessores.
Ela se defende, dizendo que os dois funcionários foram demitidos no início de junho. No dia 15 de agosto ela disse que foi procurada por emissários dos ex-assessores que ameaçaram divulgar o dossiê se a dupla não fosse recontratada. Afirmou que recusou e fez a denúncia de extorsão ao Ministério Público, onde prestou depoimento no dia 29 de agosto. Disse também que comunicou o fato ao presidente da Assembleia, Paulo Melo (PMDB), e ao procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira.
Quanto às gravações, Janice afirma: "Pinçaram uma fala minha e colocaram como se isso fosse sistemático. É mentira. A outra acusação [sobre o sindicato] apareceu a partir de um debate sobre dar dinheiro ou não a sindicatos, e também fizeram parecer que eu faço uso dessa prática. Também não é verdade (...) estou de consciência tranquila. Não é nada que resista a uma boa perícia”, disse.
Essa confusão toda desarranja o marketing que o Psol fluminense vinha fazendo em cima do filão anticorrupção. "Até tu?", dirão os manifestantes indignados.
Se os partidos que realmente são contra as atuais regras de financiamento de campanha se unissem em torno da reforma política pelo fim do financiamento privado com mais vigor, em vez de apenas procurarem tirar vantagem dos deslizes dos outros que chegam ao noticiário, o sistema político e de cidadania sairia ganhando.