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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

China apontou radar de mísseis para navio japonês

O ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, disse nesta terça-feira que uma embarcação chinesa em águas próximas às ilhas cuja posse é disputada pelos governos japonês e chinês, direcionou um radar, geralmente usado para guiar mísseis, contra um navio das forças de defesa japonesas no dia 30 de janeiro.
Onodera disse também que houve um outro incidente em 19 de janeiro, quando um navio chinês pode ter direcionado o mesmo tipo de radar contra um helicóptero SDF.

"Um passo em falso e isso poderia ter levado a uma situação extremamente grave", declarou Onodera aos jornalistas em Tóquio, acrescentando que o Ministério de Relações Exteriores enviou seu protesto a Pequim por meio de canais diplomáticos. "Trata-se de um caso muito incomum", afirmou ele.

A revelação do incidente ocorreu durante uma disputa territorial sobre algumas ilhas no Mar da China Oriental, chamadas de Senkakus pelos japoneses e de Diaoyu, pelos chineses. A questão tem prejudicado as relações entre os dois países.
Fonte: Estadão

Embraer fecha nova parceria para a produção de aviões não tripulados


 
A Embraer anunciou nesta terça-feira (5) a entrada da Avibras no capital da Harpia Sistemas, sua parceria na área de defesa e segurança para aeronaves não tripuladas com a israelense Elbit.
Com o acordo, a Avibras assumiu 9% de participação na Harpia, reduzindo a fatia da AEL Sistemas para 40%. O restante é continua sendo detido pela Embraer Defesa e Segurança, que também tem 25% da AEL. A Elbit controla 75% da AEL, enquanto a Embraer possui fatia de 25 por cento na empresa.
 
Segundo a Embraer, a Harpia passará a contar com o projeto do avião não tripulado Falcão em sua linha de produtos. A aeronave está sendo desenvolvida pela Avibras para uso pelas Forças Armadas brasileiras. O avião tem como objetivo ser capaz de realizar missões de reconhecimento e vigilâncias terrestre e marítima, entre outras tarefas.
"A sinergia das competências técnicas e industriais das três associadas da Harpia, somada ao legado de alto conteúdo tecnológico nacional do Projeto Falcão, resultarão em uma solução de alta competitividade no Brasil e no Exterior", disse em comunicado o presidente da Avibras, Sami Hassuani.
 
Fonte: Uol Notícias/Geo Política Brasil


O conselheiro federal da OAB pelo Rio de Janeiro, Wadih Damous, afirmou hoje (5) que o ex-deputado Rubens Paiva, morto durante a ditadura militar, foi "mais uma vítima da crueldade e da covardia de assassinos e torturadores pagos com o dinheiro público".  
A afirmação foi feita após Damous tomar conhecimento da divulgação de relatório da Comissão Nacional da Verdade onde é apontado que o ex-deputado Rubens Paiva foi morto nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna), no Rio de Janeiro.
Segundo Wadih, o documento revela uma verdade conhecida desde a morte de Rubens Paiva: "o parlamentar foi assassinado nas dependências dos órgãos de repressão" destacando que com a eficiente atuação da Comissão, a verdade murmurada torna-se verdade oficial. Essa e outras revelações mostram como foi importante a criação da Comissão da Verdade, ainda que tardiamente". A divulgação do relatório foi feita pelo coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles.

Cláudio Fonteles
Segundo Wadih, o documento revela uma verdade conhecida desde a morte de Rubens Paiva: "o parlamentar foi assassinado nas dependências dos órgãos de repressão" destacando que com a eficiente atuação da Comissão, a verdade murmurada torna-se verdade oficial. Essa e outras revelações mostram como foi importante a criação da Comissão da Verdade, ainda que tardiamente". A divulgação do relatório foi feita pelo coordenador da Comissão Nacional da Verdade, .
Fonteles chegou a esta conclusão sobre o assassinato do ex-deputado nas dependências do DOI-Codi ao analisar um documento encontrado no Arquivo Nacional, em Brasília, em que agentes do DOI-Codi do Rio descrevem como Rubens Paiva foi localizado e preso. O ex-deputado, que teve o mandato cassado pelo Ato Institucional nº 1, foi levado por agentes da ditadura militar para prestar depoimento em 20 de janeiro de 1971 e, desde então, é considerado desaparecido.
A versão oficial apresentada pelas Forças Armadas é a de que Paiva fugiu quando era levado para reconhecer uma casa no Rio. O documento recém-revelado, porém, com data de 25 de janeiro de 1971, não faz nenhuma menção à suposta fuga de Paiva, que segundo o Exército teria ocorrido na madrugada do dia 22 de janeiro. Para o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, isso desmente a versão da fuga, sustentada até hoje pelas Forças Armadas.




Fonte: JB


A VOLTA DE STALINGRADO



Depois de mais de 50 anos, a cidade de Volgogrado voltará a se chamar Stalingrado (“cidade de Stálin”), nome do local onde teve lugar uma das batalhas mais sangrentas da II Guerra Mundial, que marcou a virada decisiva do conflito, com o Exército Vermelho iniciando a contra-ofensiva que levaria à derrota do III Reich em 1945. Os russos perderam nada menos que 27 milhões de homens na guerra. O nome da cidade foi trocado em 1961, em plena campanha de “desestalinização” de Nikita Kruschóv, mas hoje, mesmo depois do fim da União Soviética, não dá para negar o caráter simbólico da cidade na luta contra o nazi-fascismo. O argumento corrente de que o nome da cidade homenageia um tirano sanguinário cedeu lugar às reivindicações dos veteranos e de muitos outros de que a memória do papel histórico da cidade é mais importante do que a lembrança do “pai dos povos”. O Parlamento russo aprovou a mudança nos 70º aniversário da derrota dos nazistas em Stalingrado, depois de meses de cerco impiedoso.        

Há 70 anos, Batalha de Stalingrado selava derrota do nazismo


Do opera mundi

Estava encerrada a mais feroz, renhida e sangrenta batalha militar que a História da humanidade conheceu

Faz exatos 70 anos. Em 31 de janeiro de 1943, o marechal Friedrich Von Paulus, comandante do VI Exército alemão, comunicava sua capitulação incondicional ao general Vassili Chuikov, comandante do Exército Vermelho em Stalingrado. Os remanescentes do exército alemão renderam-se em 2 de fevereiro; 91 mil homens, entre eles 22 generais.

Estava encerrada a mais feroz, renhida e sangrenta batalha militar que a História da humanidade conheceu. A Batalha de Stalingrado quebrou a espinha dorsal da poderosa máquina de guerra nazista e do Terceiro Reich e provocou uma dramática guinada à Segunda Guerra Mundial.
Por causa dos soldados do Exército Vermelho, o mundo se livrou naquele momento do nazi-fascismo. Caso tivesse saído vitoriosa, a sombra da Alemanha nazista pairaria por muitas e muitas décadas sobre povos e nações, com todo o seu horror ideológico e racial.

Por volta de setembro de 1942, a soma das conquistas de Adolf Hitler era estarrecedora. O Mediterrâneo havia se tornado praticamente um lago do Eixo, com a Alemanha e a Itália dominando a maior parte da costa setentrional, desde a Espanha até a Turquia e a costa meridional da Tunísia até cerca de 100 quilômetros distante do rio Nilo.

As tropas da Wehrmacht mantinham guarda desde o cabo setentrional da Noruega, no Oceano Ártico, até o Egito; da ocidental Brest no Atlântico até a parte sul do rio Volga, às bordas da Ásia Central. Regimes fascistas pré-existentes e governos fantoches faziam o jogo do Reich nazista. França, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, os Bálcãs, a Grécia e outras mais já haviam sido engolidas pelas Panzer Divisionen.


Hitler parecia estar em situação confortável. Os submarinos alemães estavam afundando 700 mil toneladas por mês de barcos britânicos e norte-americanos no Oceano Atlântico, mais do que se poderia substituir nos estaleiros navais dos Estados Unidos, Canadá e Escócia, então em franco progresso. Além disso, as tropas nazistas do 6º Exército do marechal Friedrich von Paulus haviam alcançado o Volga, exatamente ao norte de Stalingrado em 23 de agosto.

Dois dias antes, a suástica tinha sido hasteada no monte Elbruz, o ponto mais alto das montanhas do Cáucaso (5.642 metros). Os campos petrolíferos de Maikop, que produziam anualmente 2,5 milhões de toneladas de petróleo, haviam sido conquistados em 8 de agosto. No dia 25, os blindados do general Kleist chegaram a Mozdok, distante apenas 80 quilômetros do principal centro petrolífero soviético, nas imediações de Grozny e a cerca de 150 quilômetros do mar Cáspio.

Stalingrado
Então, em 31 de agosto, Hitler ordenou que o marechal-de-campo List, comandante dos exércitos do Cáucaso, reunisse todas as forças existentes para o assalto final a Grozny, a fim de se apoderar de todos os ricos campos petrolíferos da região. O líder alemão determinou que o 6º Exército e o 4º Exército Panzer se lançassem para o Norte, ao longo do Volga, cercando e sufocando Stalingrado, em um vasto movimento envolvente que lhe permitisse avançar de leste e de oeste contra o centro da Rússia, tomando, finalmente, Moscou.
Ao almirante Raeder, no final de agosto, Hitler disse que a União Soviética "era um 'lebensraum' (espaço vital), à prova de bloqueio" o que lhe ensejava voltar-se para os ingleses e norte-americanos, que "seriam obrigados a discutir os termos da paz". Com essas conquistas vitais, o "Reich de mil anos" estaria garantindo sua subsistência e permanência. Isso porque teriam controle das vastas estepes da Ucrânia, ubérrimas, a fazer brotar um infindável celeiro dourado de trigais e os abundantes campos de ouro negro a besuntar de energia a máquina bélica e industrial alemã.
Veja imagens da Batalha de Stalingrado:


As imagens mais longínquas de minha meninice datam dessa época. Lembro-me de meu pai, cercado de amigos, debruçados sobre um mapa da Europa estendido sobre a mesa, lupa em punho, rádio em ondas curtas. Esta mesma cena provavelmente estaria se repetindo em milhões de outros lares pelo mundo afora. Anos mais tarde, meu pai, um jovem revolucionário imbuído de ideais socialistas, que no começo dos anos 1930 tinha abandonado a Polônia de governo pró-nazi e anti-semita para vir ao Brasil, relatava a agonia e o horror com que acompanhavam a expansão irrefreável do império nazista.
Riscos do nazismo
Quando os cabogramas anunciaram que a infantaria alemã havia atravessado o Don silencioso em direção a Stalingrado, o assombro se instalou. E se a Alemanha nazista derrotasse a União Soviética?
A ideologia da supremacia racial ariana de Hitler se abateria sobre grande parte do mundo. Negros, eslavos, indígenas, árabes, mestiços, mulatos, amarelos, sub-raças e escória social, trabalhariam sob o tacão de ferro do nazismo, como semi-escravos, para a glória da raça superior. Povos inteiros, judeus, ciganos, seriam aniquilados em nome da limpeza étnica. Comunistas, socialistas e liberais seriam confinados em campos de concentração e de lá não sairiam vivos.
O colonialismo na África e Ásia ganharia alento. As liberdades seriam espezinhadas e governos lacaios em todos os quadrantes se encarregariam de organizar gestapos em cujos porões um elenco monstruoso de torturas ao som da Deutschland Über Alles seria levado a cabo contra os inimigos do regime. As conquistas sociais dos trabalhadores estariam esmagadas. O progresso, as artes, as ciências sofreriam abalo.
Além disso, Werner von Braun e seus assistentes em Penemunde teriam aperfeiçoando as mortíferas bombas voadoras de longo alcance com ogivas nucleares e outras máquinas bélicas de alta tecnologia a pender como espada de Dâmocles sobre qualquer país que ousasse desafiar o Reich alemão. E se alguma nação pretendesse enfrentar os interesses do Grande Império Germânico novas ondas de panzers ou de bombas V1 e V2 desencadeariam ‘blitzkriegs’ preventivas para aniquilar pelo terror qualquer tentativa.
Assim, quando o jovem general Konstantin Rokossovsky (foto à esquerda), levando a cabo as instruções táticas da Operação Uranus ordenadas diretamente de Moscou e arquitetadas pelos generais Alexander Vasilievsky e Vasily Volsky, conseguiu romper, em 19 de novembro, o anel de aço que cercava Stalingrado, a esperança reacendeu.
No entanto, a cidade estava sitiada, os seguidos bombardeios da Luftwaffe haviam-na reduzido a escombros. Dia após dia o cerco se apertava.
No final de novembro, a zona urbana foi invadida e veio a ordem terminante: defender a todo custo as fábricas Outubro Vermelho e Barricadas, que produziam os carros de assalto, a Fábrica de Tratores que construía os blindados T-34 e a estação ferroviária central onde as matérias primas eram desembarcadas.

A Batalha

Iniciou-se então a mais feroz, a mais encarniçada, a mais renhida e sangrenta, a mais dramática das batalhas militares que a História da humanidade conheceu.
O terreno coberto de destroços impedia qualquer ação de blindados e a proximidade dos contendores tornava impraticável a cobertura aérea. Só restava calar baionetas e passar a travar a luta.

Casa a casa, corpo a corpo, em cada centímetro de chão a luta se dava. Para ilustrar a tenacidade com que se combatia, basta lembrar que a plataforma semidestruída da estação de trens mudou de mãos sete vezes em um único dia. Os operários da Outubro Vermelho empunharam armas e estabeleceram uma muralha de fogo em torno da fábrica. Jamais se havia visto tantas cenas de heroísmo, bravura e coragem, de lado a lado, naquele cenário lúgubre das ruínas da cidade. Nunca antes soldados haviam lutado com tanto denodo para conquistar e defender.

Em 30 de janeiro de 1943, décimo aniversário da subida de Hitler ao poder, o führer fazia uma solene proclamação pelo rádio: "Daqui a mil anos, os alemães falarão sobre a Batalha de Stalingrado com reverência e respeito, e se lembrarão que a despeito de tudo, a vitória final da Alemanha foi ali decidida".

Veja imagens feitas durante discurso de Hitler em 1943:


Três dias depois, em 2 de fevereiro, o marechal-de-campo Von Paulus assinava diante do general Vassili Chuikov, comandante das tropas do Exército Vermelho em Stalingrado, a rendição do 6º Exército alemão.

A transmissão da capitulação foi feita em Berlim, através da rádio alemã, pelo general Zeitzler, chefe do Alto Comando da Wehrmacht (OKW) precedida do rufar abafado de tambores e da execução do segundo movimento da Quinta Sinfonia de Beethoven.

A maior e a mais épica das batalhas da 2ª Guerra Mundial que tivera início em 26 de junho havia chegado ao fim. Foram feitos prisioneiros pelos soviéticos 94,5 mil soldados alemães dos quais 2,5 mil oficiais, 24 generais e o próprio marechal Von Paulus. Foram mortos cerca de 140 mil soldados da Wehrmacht e 200 mil homens do Exército Vermelho. Os soviéticos tomaram do exército inimigo 60 mil veículos, 1,5 mil blindados e seis mil canhões. A espinha dorsal do exército nazista e do Terceiro Reich estava irremediavelmente quebrada.

Celebração

Os mesmos milhões de lares que tinham vivido momentos de apreensão e pavor explodiram de emoção. Hitler havia mordido o pó da derrota. Corações e mentes voltaram-se para glorificar os heróis combatentes do Exército Vermelho e honrar os que tombaram no campo de batalha pela liberdade.

A admiração pela extraordinária façanha impunha a pergunta: o que levou aquele contingente de centenas de milhares de jovens a lutar com tal fúria e obstinação? Certamente, além do apelo da Grande Guerra Patriótica, por livrar o solo pátrio do invasor, havia outro ingrediente.
Leia mais:

A leitura das lancinantes cartas aos familiares escritas no front deixava evidente a determinação de defender as conquistas da Revolução de Outubro, por cuja consolidação seus pais, 25 anos antes, haviam derramado sangue enfrentando e derrotando o exército branco e tropas invasoras de catorze 14 países mobilizados para sufocar no nascedouro a revolução bolchevique.

Logo após a vitória em Stalingrado, o Exército Vermelho arrancou impetuoso rumo à capital do Reich nazista, abrindo em sua passagem os portões macabros de Auschwitz-Birkenau. As tropas anglo-americanas desembarcam na Normandia em 6 de junho de 1944. No dia 2 de maio de 1945, soldados do destacamento avançado do general Ivan Koniev hasteiam a bandeira soviética no mastro principal do Reichstag.

Cinco dias depois, numa pequena escola de tijolos vermelhos em Reims, França, na madrugada de 8 de maio de 1945, o almirante Friedeburg e o general Jodl assinam, em nome do que restou da máquina de guerra nazista, diante do general Ivan Susloparov pela União Soviética, e do general Walter Bedell Smith pelos aliados, a rendição incondicional. Os canhões cessaram de troar e as bombas deixaram de cair. Um estranho silêncio pairou sobre o continente europeu pela primeira vez desde 1º de setembro de 1939. O mundo estava livre da sanha nazi-fascista.


Postado por Claudio Camargo

Redução do Fundeb custará mais de R$ 400 milhões ao Estado


O Pará é o Estado que mais sofreu prejuízos com a redução do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), abalizada no final do ano passado por uma portaria interministerial conjunta (n° 1495-A de 28/12/2012), assinada pelos Ministérios do Planejamento e da Educação.  Durante a apresentação da mensagem do Executivo Estadual à Assembleia Legislativa (Alepa), na última terça-feira, 5, o governador Simão Jatene informou que o Estado terá que arcar, este ano, como consequência dessa redução, com uma despesa que deve superar os R$ 400 milhões.
Ao destacar a melhoria do ensino e a valorização do professor nos últimos anos, o governador lembrou que manter equiparação do piso salarial ao piso nacional da categoria, garantida pela gestão ano passado, exige um grande esforço do Estado. Simão Jatene informou que a remuneração inicial do professor de nível superior, que é maioria, é de R$ 3.909,95, sendo que a média de vencimentos pagos à categoria é de R$ 4.569,00, uma das sete maiores do país. “Enquanto a projeção para este ano da receita do Fundeb é de R$ 1,63 bilhão, a folha de pessoal vinculada ao Fundo é de mais de R$ 2 bilhões, exigindo que além do aporte constitucional o Estado tenha que, anualmente, arcar com essa despesa, que é crescente”, frisou.
“Isso quer dizer que, além dos recursos que supostamente o Estado já deve aportar porque integra o Fundeb e, como tal, seria a fonte do pagamento dos professores, o governo tem que ir além e compensar com mais verbas. Apesar de garantir a formação do Fundo, o próprio incentivo federal não mais garante o pagamento dos gastos, impondo ao  Estado a destinação de um ‘plus’. Este ano, a estimativa é de que esse aporte chegue à marca dos R$ 400 milhões. É o preço de se investir no futuro, do qual não pretendemos nos desviar”, acrescentou o governador.
Segundo a secretária de Estado de Administração, Alice Viana, a o déficit entre a folha prevista para este ano e a receita do Fundeb é, precisamente, de R$ 408.830.200,57. “Ao estabelecer um novo piso nacional para os professores, o governo federal não levou e conta a situação de cada Estado, de cumprir ou não com esse piso. Com os reajustes salariais tanto na educação básica quanto no ensino superior, desde janeiro a diferença entre a receita do fundo e despesa real do Estado é de 27%”, calculou, destacando que o Pará foi um dos primeiros Estados a questionar a medida. “Ainda no ano passado encaminhamos um documento ao MEC informando esta situação”.
Compromisso – Durante a apresentação da mensagem na Alepa, o chefe do Executivo Estadual destacou, ainda, que o Fundo de Participação dos Estados (FPE), um dos impostos usados para fornecer recursos ao Fundeb, sofreu uma queda real de 2,3%. Apesar das perdas, Jatene ressaltou que graças ao reequilíbrio fiscal o Pará fechou o ano com um crescimento de 24,9% na arrecadação própria, o que permitiu que a gestão estadual cumprisse com todos os compromissos.
“De uma forma geral é o crescimento da arrecadação própria que vem permitindo ao Governo do Estado honrar tanto as folhas de pagamento quanto os investimentos necessários ao desenvolvimento do Estado”, reforça Alice Viana. Além do Pará outros seis Estados foram afetados diretamente com a medida: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Piauí. A perda conjunta dos sete Estados com a portaria alcançará quase R$ 1 bilhão, sendo o Pará responsável por cerca de um terço desse prejuízo.
Agência Pará

Grupos religiosos invadem a TV k




“A jornalista Keila Jimenez, da Folha, informa hoje que “o líder religioso Valdemiro Santiago (foto acima), da Igreja Mundial do Poder de Deus, pode tornar-se proprietário de duas redes de TV”. O seu grupo já estaria finalizando a compra da rede CNT, por cerca de R$ 500 milhões.
 “Na semana passada, representantes do religioso estiveram no Rio negociando com dirigentes das Organizações Martinez, proprietária da CNT. A rede possui atualmente, entre emissoras próprias, retransmissoras e afiliadas, 48 praças que levam o seu sinal pelo país”.
Ainda segundo a jornalista, Valdemiro também negocia a compra de Rede 21, do Grupo Bandeirantes. “Locatária há quase cinco anos de 22 horas diárias no 21, a Igreja Mundial está acertando um novo contrato com a Band, que envolvendo o arrendamento do canal e, mais adiante, a compra com abatimento do valor já investido na emissora. O negócio gira em torno de R$ 700 milhões”. Para viabilizar estas milionárias aquisições, Valdemiro Santiago já tem pedido a cerca de 100 mil fiéis uma “doação emergencial” de R$ 200 cada.

As informações de Keila Jimenez são apavorantes. Atualmente, vários grupos religiosos já dominam boa parte da programação da tevê aberta no país. Esta invasão é perigosa e atenta contra a Constituição Federal, que fixa que o Brasil é uma nação laica. O Ministério das Comunicações, porém, não toma qualquer atitude. Depois do fato consumado, fica ainda mais difícil qualquer tipo de ação reguladora. Esta passividade não é por falta de aviso. Reproduzo abaixo excelente artigo de João Brant, do Coletivo Intervozes, publicado no Observatório da Imprensa.
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Em nome de Deus?
Por João Brant em 24/02/2011 na edição 630
Ligar a televisão no horário nobre e ver um líder religioso utilizando o espaço para pregar e buscar fiéis é algo que parece fora do lugar. E é. Não por ser uma manifestação religiosa, algo que é parte da cultura brasileira, mas por tornar evidente que um espaço público está sendo utilizado para fins privados.
O mundo todo discute como equilibrar os direitos à liberdade de expressão e à liberdade de crença, previstos em diversas Constituições, inclusive na brasileira. Há várias questões aí envolvidas. Primeiramente, manifestações religiosas devem ou não ser permitidas em veículos de comunicação que são concessões públicas, como rádio e TV? Se sim, deve ser permitido também o proselitismo religioso, ou seja, a prática de tentar "vender seu peixe" e conquistar fiéis?
Na busca de respostas, é preciso pensar como esse tipo de manifestação ajuda ou afeta a liberdade de crença – que é maior do que a liberdade religiosa e inclui até o direito de não se ter religião. E lembrar que, para outras manifestações similares, como o proselitismo político, já há um consenso sobre a necessidade de regras claras para que espaços públicos não sejam tomados por grupos específicos.
Apropriação indevida
No caso das religiões, deve-se perguntar, também, como garantir às distintas manifestações de fé o mesmo direito, já que não chegam a 2% as denominações religiosas presentes no Brasil que têm espaço em meios de comunicação. Deve-se também impedir que esses espaços sejam usados para ataques a outras religiões, como os que sofrem as denominações de matriz africana.
E há questões estruturais também fundamentais. Deve-se permitir canais inteiramente controlados por grupos religiosos, o que é proibido na maioria das democracias? Deve-se permitir o arrendamento de espaço – ou mesmo de canais inteiros – no rádio e na TV? Será que essa prática não configura uma verdadeira grilagem eletrônica, pela apropriação privada de um espaço público? Sejam quais forem as respostas, o nome de Deus não pode ser usado como álibi para evitar esse debate no Brasil.” 

Altamiro Borges, Blog do Miro

O ESTRANHO CASO DO GENERAL




 Conheci o general Lino César Oviedo em 1997 ou 1998, quando eu o entrevistei para as “páginas vermelhas” da ISTOÉ. Lembro-me de que em sua casa havia várias fotos dele fardado como um típico caudilho latino-americano, montado num cavalo branco, feito um Napoleão do Chaco. 
Na época, fazia pouco tempo que Oviedo tinha sido afastado do comando do Exército paraguaio, acusado de tentar um golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy. Absolvido da acusação pela Justiça, Oviedo ganhou a convenção do Partido Colorado, derrotando José Maria Argaña, candidato de Wasmosy. Mas em seguida, uma corte marcial criada ad hoc por Wasmosy condenou Oviedo a dez anos de prisão pela tentativa de golpe, tirando-o da disputa pelo Palácio de López.

Oviedo era cria do “coloradismo”, sistema nascido nos anos 1940 e consolidado a partir de 1954 pela ditadura do general Alfredo Stroessner. Era um modelo em que o partido se confundia com o Estado, os funcionários públicos eram obrigados a pertencer ao Partido Colorado e a repressão comia solta. De tempos em tempos, ocorriam eleições fraudulentas para referendar El Supremo. Esse esquema deixou de ser útil e ruiu em 1989, por pressão dos EUA, depois do fim das ditaduras militares na Bolívia, Argentina, Brasil, Uruguai e Chile. Stroessner foi deposto por seu próprio genro, o general Andrés Rodríguez, que virou presidente. Oviedo participou ativamente do golpe contra seu ex-protetor. O stronismo caiu, mas o coloradismo continuou no poder, corrupto e repressivo como sempre, mas agora disfarçado de democracia.

Oviedo quando voltou ao Paraguai e foi preso, em 2005
Na convenção do Partido Colorado que escolheria o candidato presidencial às eleições de 1993, Oviedo usou a máquina para favorecer Wasmosy, derrotando o favorito José María Argaña. Wasmosy e Oviedo governaram o Paraguai em condomínio; o general como comandante do Exército. Mas em 1996 Oviedo rompeu com Wasmosy, que o afastou. Inconformado, o general apelou para a caserna, mas fracassou – principalmente devido às pressões do Mercosul e da embaixada americana em Assunção, que ameaçaram o país caso o golpe se consolidasse. Afastado, preso e impedido de ser o candidato presidencial dos colorados em 1998, Oviedo criou uma facção e lançou mão de um “poste” para substituí-lo, Raúl Cubas, que ganhou facilmente a eleição e libertou o padrinho do cárcere. Como os colorados não queriam largar o osso, o partido se reunificou e Argaña, que se tornara o candidato de Wasmosy, saiu como vice na chapa de Cubas. Mas Argaña e os oviedistas não se entendiam. Em 1999, Argaña foi assassinado a tiros em seu carro quando se dirigia ao trabalho, no centro de Assunção. Cubas e Oviedo foram acusados como mandantes do crime; a agitação ganhou as ruas. O presidente foi deposto e os dois se exilaram na Argentina e depois no Brasil. Oviedo acabou preso em Foz do Iguaçu, sendo depois enviado a Brasília. Libertado tempos depois, o Paraguai pediu sua extradição, o que foi negado por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu sua condição de "vítima de perseguição política".

José María Argaña: assassinato foi uma farsa
Como viríamos a descobrir, os eventos envolvendo o general Oviedo e o Paraguai não apenas fariam inveja a qualquer ficcionista latino-americano como seriam capazes de deixar Gabriel García Márquez e sua Macondo no chinelo. Em 2003, Oviedo – já então exilado no Brasil – apareceu na redação da ISTOÉ com um dossiê que, dizia ele, provava que o atentado contra Argaña tinha sido uma farsa montada por seus adversários para incriminá-lo e afastá-lo do poder. Quiseram me mandar para o Paraguai para investigar, mas eu achava que era fria, pois conhecia a “ficha corrida” de Oviedo. Então, enviamos os documentos que ele mostrou para legistas independentes. Em seguida, eu e os jornalistas Alan Rodrigues e Mário Simas Filho zarpamos para o Paraguai para fazer a reportagem. Quase caí para trás quando os legistas confirmaram a versão de Oviedo: Argaña já estava morto quando foi baleado. Nunca se soube se ele morreu de causas naturais – havia a versão de que ele tinha morrido de infarto num motel com uma amante – ou se foi assassinado por seus próprios partidários, que depois montaram o teatro do atentado. Ficamos meses trabalhando no caso. Frente a tal realidade, eu percebi que jamais teria talento para ser um ficcionista...   

Oviedo, novamente candidato ao Palácio de López 
Oviedo permaneceu cinco anos no Brasil; em 2005 ele decidiu voltar ao Paraguai para acertar contas com a Justiça de seu país. Nós, os “três mosqueteiros”, como ele nos apelidou, o acompanhamos em sua volta ao Paraguai, onde ele foi preso assim que desembarcou do avião. Ficou detido num quartel até 2007, quando a Justiça lhe concedeu liberdade condicional. Candidato a presidente em 2008, foi derrotado por Fernando Lugo. Líder da terceira força política do país, a Unace (União Nacional dos Cidadãos Éticos), Oviedo teve um papel fundamental no “golpe branco” contra o presidente Lugo no ano passado. Tentava novamente chegar ao Palácio de López, mas morreu sábado num acidente de helicóptero. Seus correligionários já estão falando em “atentado”. Não me surpreenderia. Nada é impossível no Paraguai.  



O VOTO DE FIDEL




O líder da revolução cubana havia votado em sua própria casa nas três eleições realizadas desde que adoeceu, em 2006, mas foi às urnas neste domingo. Sobre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está internado em Havana, ele disse: "Está muito melhor  Está se recuperando. Temos que curá-lo. Chávez é muito importante para seu país e para a América Latina"
Opera Mundi - O ex-presidente cubano Fidel Castro votou na eleição geral de domingo (03/02) e conversou por mais de uma hora com admiradores e jornalistas cubanos em Havana, na sua primeira aparição pública prolongada desde 2010.
Fidel havia votado em sua própria casa nas três eleições realizadas desde que adoeceu, em 2006.
Curvado e com a barba branca, Fidel, de 86 anos, foi visto na TV estatal depositando seu voto na urna, no final da tarde. Usava camisa xadrez branca e casaco azul claro.
O locutor da TV disse que ele conversou sobre os esforços do governo para reformar a economia, sobre a integração latino-americana, sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e outros assuntos.
Ele elogiou a grande participação popular na eleição. "O povo é realmente revolucionário, realmente tem se sacrificado. Não precisamos provar isso, a história irá provar. Cinquenta anos de bloqueio (econômico norte-americano), e ele não desistiu".
Os cubanos foram às urnas para eleger 612 deputados da Assembleia Nacional e mais de mil delegados das assembleias provinciais, num processo comandado pelo Partido Comunista Cubano.
O presidente Raúl Castro e outros líderes também foram mostrados na televisão depositando seus votos e comentando a importância da eleição como sinal de apoio às reformas no país e à independência de Cuba em relação aos EUA.
Assista a vídeo com breve entrevista de Fidel:
 

Dos EUA, Lyoto - o Dragão do Pará - fala sobre luta com Dan Henderson: 'Quero mostrar umas surpresas'

Dragão disse que preparação em Los Angeles o deixou mais focado e mais forte para o combate

A menos de três semanas para o confronto entre Lyoto Machida e Dan Henderson, o baiano radicado no Pará concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal ORM, direto de Los Angeles, nos EUA, e mandou o recado: 'Eu quero reconquistar o cinturão, levar de volta para Belém'. 
O combate está marcado para o dia 24 de fevereiro, no UFC (Ultimate Fighting Championship) 157, no Honda Center, em Anaheim (EUA). Com moradia fixa em Los Angeles desde quando derrotou o também americano Ryan Bader, no dia 4 de agosto de 2012, Lyoto disse que está ainda melhor para este confronto e explicou o motivo: 'Aqui nos Estados Unidos a gente consegue focar só na luta e treinar com gente muito forte, que também está se preparando para lutas no UFC e outros eventos fortes. 
O nível do treino é muito alto. Aqui eu só treino. Acho que sem dúvida isso ajuda na luta.' Veja abaixo imagens do Dragão em Los Angeles! O foco nos treinos e na luta tem sido mesmo o diferencial da preparação Machida, como ele mesmo frisou: 'Aqui quase não tenho vida social. Vou para a academia treinar, depois me alimento, volto a treinar e descanso. A rotina é bem disciplinada, ainda mais nos 3 meses antes da luta. Em Belém, a vida social é mais agitada, o que pode tomar algumas horas de treino.' Assim, a preparação do Dragão, que conta com alguns nomes como Glover Teixeira, Roger Gracie, Gaúcho, Rafael, Cobrinha, além dos técnicos Kenny Johnson, Rafael Cordeiro e o seu irmão mais velho Chinzô Machida, pode fazer com que o lutador suba ao octógono com um 'jeitão' diferente. 'Olha, a gente sempre tem que tentar fazer algo diferente e no nosso camp a gente está treinando variações de golpes, movimentações. Vai depender um pouco do desenrolar da luta, mas quero mostrar umas surpresas.' Sobre 'Hendo', como Dan Henderson é conhecido no meio da luta, seus pontos fortes também foram estudados por Lyoto. 'Assim, a gente trabalhou tudo. A luta agarrada, que é o forte do Dan Henderson, as defesas de queda, muito chão'. O combate entre Machida e 'Hendo' pode garantir quem será o próximo lutador a buscar o cinturão da categoria, que pertence hoje a Jon Jones. Aliás, perguntado sobre a atual fase da categoria e do UFC como um todo, o estrategista Lyoto respondeu: 'A categoria vai ficar mais aquecida com a chegada de grandes lutadores do Strikeforce. Com certeza vai elevar o nível das lutas do UFC, o que é o mais importante para os fãs.' Para finalizar a entrevista, o lutador, que promete levar o nome de Belém de volta à galeria de campeões do UFC, declarou: 'Desde que entrei no UFC eu busco o cinturão. Eu quero reconquistar o cinturão, levar de volta para Belém. Eu espero lutar bem contra o Dan Henderson e vencer'. O Dragão será o único brasileiro na 157ª edição do UFC, que terá como destaque a luta feminina entre as californianas Ronda Rousey e Liz Carmouche. 



Portal ORM

As verdades científicas de Silas Malafaia


O show de obscurantismo e loucura na entrevista do pastor com Marília Gabriela.
Eu nunca fui fã de Marília Gabriela. Acho-a uma espécie de Jô Soares de calças. Celebridades e subcelebridades são recebidas candidamente em seu programa com perguntas do tipo: “E esse coração, como vai?” Ao que o cidadão ou cidadã responde: “Ah, Gabi, eu tô me namorando”. E segue daí.

Mas Gabi brilhou em seu encontro com o pastor Silas Malafaia. O homem ajuda em sua verborreia alucinada, mas as pontuações da apresentadora foram certeiras. Se ela se aplicasse assim com todos os entrevistados, seria melhor que Piers Morgan. Ainda que Malafaia seja um alvo fácil, ela conseguiu manter uma tensão permanente, sem descambar, respondendo a boa parte das bobagens inacreditáveis que ele repete todo dia a seus fiéis, algumas das quais mostradas pelo SBT.
O pensador inglês Bertrand Russel ilustra o caso de Malafaia perfeitamente:  “O grande problema do mundo é que os tolos e fanáticos são sempre cheios de certeza, enquanto os sábios são cheios de dúvidas”.
Malafaia é uma besta apocalíptica preenchida de certezas absolutas. Daqui a 40 ou 50 anos, diz ele, vamos ver como vai ficar o mundo depois de tantos casais homossexuais adotarem crianças. A homofobia de Malafaia é apenas o pedaço mais visível de uma montanha de idiotices. O fato de ele ter uma igreja lhe dá autoridade divina para versar sobre todas as questões fundamentais.
Ele não inventou nada. Isso é da natureza das religiões organizadas (que são, na definição de Christopher Hitchens em seu livro Deus Não é Grande, “violentas, irracionais, intolerantes, aliadas do racismo, do tribalismo e do ódio, investidas de ignorância, hostis ao questionamento e às mulheres e coercivas com as crianças”).
O Silvio Santos da intolerância
O Silvio Santos da intolerância
Malafaia, um homem rico, cuja organização não recolhe impostos, se apoia na Bíblia para espalhar sua diatribe. Disse que “nenhuma verdade cientifica da Bíblia até hoje foi derrubada”. Era uma oportunidade de entender a ciência por trás de dilúvios e arcas com casais de animais, mares divididos ao meio por um senhor com cajado, pessoas que viram pedra ao olhar para trás, água transformada em vinho, ressuscitamentos, gente que anda sobre a água, virgens que têm filho etc etc etc.
Não é à toa que Serra se aliou a Malafaia, como escreveu o blogueiro Guy Franco aqui no Diário. É um obscurantismo sem freios, um reacionarismo tacanho, envelopado na “defesa da família”. Ele fala muito bem. Ele fala alto. Ele é ignorante e autocondescendente (“islamismo é de um radicalismo muito horroroso para o que a gente chama de religião”, mandou ver. Então ficamos combinados que ele não é radical).
O ponto alto da noite foi seu ideário homofóbico (“Ninguém nasce gay. É um comportamento; “se houver pastor homossexual, ele perde o cargo”; “a minha questão é o direitos que eles querem em detrimento da sociedade”; e por aí vai). Mas Malafaia é maior do que isso. Sua igreja enche, seus livros vendem, seus cofres têm mais dinheiro. Não há sinal de que, a alturas tantas de um de seus sermões, seus seguidores vão cair em si, parar de dar dízimo e cuidar da vida. Como o próprio diz, vamos ver como vai ficar o mundo, daqui a 40 ou 50 anos, quando as besteiras de Silas Malafaia terão virado verdades científicas para milhares de pessoas.

Segundo o irmão, Muhammad Ali pode morrer logo

Segundo o irmão, Muhammad Ali pode morrer logo (Foto: Divulgação)

Segunda-Feira, 04/02/2013
Uma lenda do esporte mundial pode estar vivendo seus últimos dias. Em entrevista ao tabloide inglês The Sun, Rahman Ali, irmão do ex-pugilista Muhammad Ali, disse que o estado de saúde do ex-campeão mundial dos pesados é grave, e ele corre risco de morrer dentro de poucos dias.
O estado da lenda do boxe é tão crítico, garante o irmão, que ele sequer reconhece mais as pessoas.
Sem muitas esperanças, ele deu a entender que seria melhor se o sofrimento do irmão terminasse logo. “Ele vai para o céu, não tenho dúvida. Se o funeral dele fosse amanhã todos os homens de estado do mundo apareceriam. Ele tocou a todos, do rico ao pobre. Ele me disse antes de ficar muito doente que não sente dor. É melhor que ele vá agora”, completou Rahman.


(DOL com informações de Band)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

OS "BOLCHEVIQUES" DA UNIÃO EUROPEIA


Um documento aprovado pela União Europeia, depois de diferenciar liberdade de imprensa de liberdade de expressão, defende explicitamente a formação de conselhos independentes de mídia, com composição socialmente diversificada, para investigar reclamações e propor multas, publicação de retratações e até cassação do status jornalístico. Se fosse proposto aqui, seria acusado de instrumento bolchevique de controle da mídia e o outras sandices que já se tornaram senso comum.
Depois de Leveson, a União Europeia
Por Venício A. de Lima em 20/01/2013 na edição 731 do Observatório da Imprensa
Sob o ensurdecedor silêncio da grande mídia brasileira, foi divulgado em Bruxelas, na terça-feira (22/1), o relatório “Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”, comissionado pela vice-presidente da União Europeia, Neelie Kroes, encarregada da Agenda Digital [ver aqui a íntegra do relatório, acesso em 23/1/2013].
Preparado por um grupo de alto nível (HLG) presidido pela ex-presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga, e do qual faziam parte Herta Däubler-Gmelin, ex-ministra da Justiça alemã; Luís Miguel Poiares Pessoa Maduro, ex-advogado geral na Corte de Justiça Europeia; e Ben Hammersley, jornalista especializado em tecnologia, o relatório faz trinta recomendações sobre a regulamentação da mídia como resultado de um trabalho de 16 meses que começou em outubro de 2011. As recomendações serão agora debatidas no âmbito da Comissão Europeia.
O relatório
O relatório, por óbvio, deve ser lido na íntegra. Ele começa com um sumário das principais conclusões e recomendações e, na parte substantiva, está dividido em cinco capítulos que apresentam e discutem as bases conceituais e jurídicas que justificam as diferentes recomendações: (1) por que a liberdade da mídia e o pluralismo importam; (2) o papel da União Europeia; (3) o mutante ambiente da mídia; (4) a proteção da liberdade do jornalista; e, (5) o pluralismo na mídia.
Há ainda um anexo de 12 páginas que lista as autoridades ouvidas, as contribuições escritas recebidas e os documentos consultados. A boa notícia é que quase todo esse material está disponível online.

Para aqueles a favor da regulamentação democrática da mídia – da mesma forma que já havia acontecido com o relatório Leveson – é alentador verificar como antigas propostas sistematicamente taxadas pela grande mídia e seus aliados da direita conservadora de autoritárias, promotoras da censura e inimigas da liberdade de expressão, são apresentadas e defendidas por experts internacionais, comissionados pela União Europeia.
Fundamento de todo o relatório são os conceitos de liberdade de mídia e pluralismo. 
Está lá:
“O conceito de liberdade de mídia está intimamente relacionado à noção de liberdade de expressão, mas não é idêntico a ela [grifo meu]. A última está entronizada nos valores e direitos fundamentais da Europa: ‘Todos têm o direito à liberdade de expressão. Este direito inclui a liberdade de ter opiniões, de transmitir (impart) e receber informações e ideias sem interferência da autoridade pública e independente de fronteiras’ (…).

“Pluralismo na mídia é um conceito que vai muito além da propriedade. Ele inclui muitos aspectos, desde, por exemplo, regras relativas a controle de conteúdo no licenciamento de sistemas de radiodifusão, o estabelecimento de liberdade editorial, a independência e o status de serviço público de radiodifusores, a situação profissional de jornalistas, a relação entre a mídia e os atores políticos etc. Pluralismo inclui todas as medidas que garantam o acesso dos cidadãos a uma variedade de fontes e vozes de informação, permitindo a eles que formem opiniões sem a influência indevida de um poder [formador de opiniões] dominante.”

Encontram-se no relatório propostas como: (1) a introdução da educação para a leitura crítica da mídia nas escolas secundárias; (2) o monitoramento permanente do conteúdo da mídia por parte de organismo oficial ou, alternativamente, por um centro independente ligado à academia, e a publicação regular de relatórios que seriam encaminhados ao Parlamento para eventuais medidas que assegurem a liberdade e o pluralismo; (3) a total neutralidade de rede na internet; (4) a provisão de fundos estatais para o financiamento da mídia alternativa que seja inviável comercialmente, mas essencial ao pluralismo; (5) a existência de mecanismos que garantam a identificação dos responsáveis por calúnias e a garantia da resposta e da retratação de acusações indevidas.
Pelo histórico de feroz resistência que encontra entre nós, vale o registro uma proposta específica. Após considerações sobre o reiterado fracasso de agências autorreguladoras, o relatório propõe:

“Todos os países da União Europeia deveriam ter conselhos de mídia independentes, cujos membros tenham origem política e cultural equilibrada, assim como sejam socialmente diversificados. Esses organismos teriam competência para investigar reclamações (…), mas também certificariam de que as organizações de mídia publicaram seus códigos de conduta e revelaram detalhes sobre propriedade, declarações de conflito de interesse etc. Os conselhos de mídia devem ter poderes legais, tais como a imposição de multas, determinar a publicação de justificativas [apologies] em veículos impressos ou eletrônicos, e cassação do status jornalístico.”

E no Brasil?

A publicação de mais um estudo oficial sobre regulamentação da mídia, desta vez pela União Europeia, menos de dois meses depois do relatório Leveson na Inglaterra, revela que o tema é pauta obrigatória nas sociedades democráticas e não apenas em vizinhos latino-americanos como a Argentina, o Uruguai e o Equador, mas, sobretudo, na Europa.

No Brasil, como se sabe, “faz-se de conta” que não é bem assim e o tema permanece “esquecido” pelo governo, além de demonizado publicamente pela grande mídia como ameaça à liberdade de expressão.
Quem se beneficia com essa situação? Até quando seguiremos na contramão da história?

[Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012-2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros]