Portos paraenses são saída para logística do país
Alexandre Carvalho, do Sindicato dos Operadores
Portuários do Pará solta o verbo e avalia desafios ao setor: movimentação vem
diminuindo, apesar de sermos a melhor opção e solução nacional para logística (Foto: Bruno
Carachesti)
|
Entre realidade e
prática, um enorme e caro abismo. De um lado, o Pará com sua riqueza
hidrográfica única. De outro, os grandes mercados consumidores, ainda
inalcançáveis, apesar de toda essa vantagem natural, por conta da falta
de investimentos em infraestrutura portuária. “Nossos portos são os mais
bem localizados para a saída dos produtos nacionais. Atraindo esta
carga para o Estado, os produtores seriam os mais beneficiados, ganhando
muito em competitividade”, afirma Alexandre Carvalho, presidente do
Sindicato dos Operadores Portuários do Estado do Pará (Sindopar), sobre
os principais entraves e desafios ao futuro do setor portuário paraense,
cuja movimentação vem diminuindo. A edição do Anuário dos Operadores
Portuários do Estado do Pará (2014/2015), lançada no final de fevereiro,
aponta: o setor enfrenta dificuldades para liderar as atividades dos
portos do país, responsáveis pelo escoamento de 95% da produção
brasileira. “A carga não tem ‘pezinhos’. Temos que fazer com que ela se
movimente até o porto”, pondera. Confira a entrevista abaixo:
P: Várias vezes senhor já declarou que o setor portuário do Pará é instigante...
P: Várias vezes senhor já declarou que o setor portuário do Pará é instigante...
Mapa da Hidrovia Marabá á Barcarena |
Na Europa o abastecimento é feito por uma espécie de cabotagem, por água, e também por ferrovias. Eles não têm um modal principalmente rodoviário. Imagine a maior carga carregada por estrada: um bitrem de 42 toneladas. Você tem um caminhoneiro, ou dois, ou três... Hoje a lei diz que o motorista não pode mais dirigir direto. Piorou ainda mais o custo! Então vamos colocar uma carreta puxando 42 toneladas: tem motor, óleo... Se resolvermos, por exemplo, o problema do derrocamento do Pedral do Lourenço, que é uma obra federal, pode-se pegar todos os commodities do norte do Mato Grosso e trazer pra cá pela Hidrovia do Tocantins.
Sem a estratégica derrocada do Pedral do Lourenço, todas as soluções sempre serão paliativas
Aí você tem uma balsa com 20 mil toneladas e um carregador apenas, empurrando. O que você acha desse custo? Não tem como comparar! No anuário há uma frase que pode até soar arrogante, mas não é.
Este é o Pedral do Lourenço. A sua derrocada é a obra fundamental que ajudará á projetar o Pará rumo ao século XXI e XXII como potência exportadora e solução nacional estratégica, voltada a difícil questão da logística. |
Os portos do Pará são a solução para o Brasil, sobretudo os de Vila do Conde. Qualquer porto brasileiro está abaixo de nós. O mais próximo é o de Itaqui, no Maranhão. O de Santos [SP], por exemplo, tem que navegar a costa brasileira toda para então ter um custo aproximado do que nós temos. Por isso a afirmação. Se toda essa carga tivesse um modal mais eficiente para trazer a carga para cá, seríamos, sim, a solução para o Brasil.
P: Então o que falta?
R: As obras de infraestrutura. O
Pedral, a Ferrovia Norte-Sul. Não tenho problema em criticar a União.
Ela deve soluções ao Pará, a verdadeira solução da logística brasileira.
Veja só a Ferrovia Norte-Sul: começaram no sul! Não pode, né? Deveriam
ter iniciado por aqui, onde há mais capacidade de embarque para
produtos. O setor inteiro entende essa ordem de necessidade: Pedral do
Lourenço; a BR-163 [Santarém-Cuiabá], que ainda precisa de 170
quilômetros de estrada para chegar a Santarém, 112 quilômetros para
chegar em Miritituba [PA]. É uma coisa impressionante, mesmo se a gente
tivesse uma vocação rodoviária, como a União entende... Eu não acho
isso. Acho que a nossa vocação é hidroviária e marítima, mas se a União
acha que não, por que não se conclui a BR-163? E por último, a Ferrovia
Norte-Sul. A carga não tem ‘pezinhos’. Temos que fazer com que a carga
se movimente até o porto. Se a gente abre essas possibilidades de
melhores logísticas para a carga, ela vem toda para cá. Toda!
P: Qual o entrave para que essas obras se concretizem?
P: Qual o entrave para que essas obras se concretizem?
R: Falta maior articulação da nossa bancada federal. Não estamos falando de obras estaduais. Se a bancada se debruçasse sobre os problemas de logística do país e o que a gente pode oferecer, o tanto de empregos que podem ser gerados a partir disso...
Nota do Mviva
Confira aqui o quadro eleitoral definido durante as últimas eleições em 2014. A muito incompetente bancada do Pará onde - salvo raras ereções - a vaidade, a desunião, a malandragem de gravata e capital impera e opera contra os interesses do povo paraense.
Estado mais populoso da região Norte, o
Pará definiu seus 17 deputados federais, entre 216 candidatos. Delegado
Eder Mauro (PSD) obteve a primeira colocação na disputa, com 7,08% dos
votos, correspondendo a 265.983 eleitores.
Os outros quatro candidatos mais votados, na sequência, são: Nilson Pinto (PSDB), Edmilson Rodrigues (Psol), Lucio Vale (PR) e Beto Faro (PT). O Pará responde por 3,6% do eleitorado nacional, com quase 5,2 milhões de eleitores, distribuídos por 144 municípios. No quadro abaixo, confira a lista dos eleitos
Governador
Para o governo do estado, o eleito só foi definido em segundo turno de votação. Após uma disputa acirrada no primeiro turno onde Helder Barbalho (PMDB) teve 49,88%; e Simão Jatene (PSDB), com 48,48%. No segundo turno o tucano Jatene acabou vencedor do pleito, também por pequena margem.
Já para o Senado Federal, Paulo Rocha (PT) garantiu sua vaga com 46,3% dos votos. Rocha foi eleito deputado federal em 1990 e reeleito por mais três mandatos consecutivos.
Os outros quatro candidatos mais votados, na sequência, são: Nilson Pinto (PSDB), Edmilson Rodrigues (Psol), Lucio Vale (PR) e Beto Faro (PT). O Pará responde por 3,6% do eleitorado nacional, com quase 5,2 milhões de eleitores, distribuídos por 144 municípios. No quadro abaixo, confira a lista dos eleitos
Governador
Para o governo do estado, o eleito só foi definido em segundo turno de votação. Após uma disputa acirrada no primeiro turno onde Helder Barbalho (PMDB) teve 49,88%; e Simão Jatene (PSDB), com 48,48%. No segundo turno o tucano Jatene acabou vencedor do pleito, também por pequena margem.
Já para o Senado Federal, Paulo Rocha (PT) garantiu sua vaga com 46,3% dos votos. Rocha foi eleito deputado federal em 1990 e reeleito por mais três mandatos consecutivos.
É bem verdade que estamos falando de algo que não trará retorno para o Estado em termos de arrecadação de impostos, afinal toda a carga que vem para cá é desonerada, por conta da Lei Kandir.
A bancada paraense, especialmente a de oposição, se revela para o conjunto da sociedade paraense cada vez mais enjaulada em sua mediocridade; não foca numa agenda positiva onde, por exemplo, a derrubada da famigerada Lei Kandir e uma revolução em nível de logística, estejam permanentemente na ordem do dia.
A província: o minério paraense mandado 'de graça' para fora do Estado, gerando divisas e riqueza lá fora e crateras aqui |
Falei que os EUA usam 6% do PIB em logística, que a Europa usa 8%. Aqui no Brasil a gente usa 13%. A soja é um exemplo: um produto que o mundo inteiro importa, um dos commodities mais disputados do mundo.
E hoje você não vende ou compra a soja, você compra ou vende a logística, porque o preço da soja é muito pequeno. Aí a pergunta: quem é mais competitivo? Quem usa 6% do PIB na logística ou quem usa 13%? É disso que falamos, muito claramente.
P: Haverá um esgotamento de vias
para esse transporte, de modo que a concretização dessas obras se torne
algo que precisará ocorrer de qualquer jeito?
R: Não só acredito como nós já chegamos a esse ponto. Todo ano, em época de safra, é aquele monte de caminhão se amontoando nos portos de Paranaguá [PR] e Santos [SP], situação que traz prostituição infantil, degradação ambiental... Se as cargas viessem para cá, seria da água para a água, não teria caminhão! É da balsa para o navio. Quando eu digo que o Pará é a solução para o Brasil, é porque somos.
P: Como melhorar isso?
R: Só queremos estrutura para
carregar carga. Não adianta vir o maior caminhão do Brasil, porque o
custo é absurdo. Isso tem que mudar. A Lei dos Portos deveria ter sido
mais estudada. A Secretaria Nacional de Portos precisa nos ajudar a
fazer com que essas obras saiam pelo DNIT [Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes]. Deus já nos deu o que ninguém poderia
nos dar: localização privilegiada. Agora falta a nossa parte: derrocar o
Pedral do Lourenço, fazer a BR-163, fazer o dever de casa.
P: O modal rodoviário é mais caro, mas interessa mais ao empresariado, não?
P: O modal rodoviário é mais caro, mas interessa mais ao empresariado, não?
R: A questão está na bancada das construtoras que fazem obras. São elas quem fazem as estradas. Choveu, furou, quebrou: a construtora faz de novo.
O primeiro projeto do derrocamento foi feito pela Universidade Federal do Pará, com 70 metros de largura, por cinco de profundidade. Perfeito! Depois pediu-se para fazer 140 metros por seis de profundidade.
'POLITICAGEM' EXPLÍCITA.
Mas o de 70 metros resolvia e foi licitado! Empresa ganhou concorrência, estava tudo pronto para derrocar, mas pediu-se o cancelamento da licitação. Alterou, execraram os paraenses que fizeram o estudo... veio novo estudo na Universidade Federal do Paraná. Não deu para entender. Na nova licitação ninguém apareceu.
Pedral do Lourenço |
Mas o que estava pronto, licitado, resolvia! Tem estreitos em Breves menores que isso, e as balsas passam! A gente precisa falar mais disso.
(Diário do Pará)
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