


Irlanda |
A grave crise econômica que vem assolando o planeta desde 2008 colocou em xeque o Consenso de Washington, mas os mercados financeiros continuam agarrados às velhas fórmulas, sangrando países e povos para manterem suas margens de lucros. Enquanto isso, jovens protestam nas ruas da Europa contra a submissão dos governos ao deus-mercado. Quando pedem "democracia real, já" indicam que, em vez da TINA, querem a TIA: There is an alternative (há uma alternativa). Abaixo, um artigo sobre o tema publicado no jornal francês Libération:
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Uma contra-revolução silenciosa em curso na Europa
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Portugal |
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Espanha |
Está para ser aprovado no Parlamento Europeu um pacote de seis propostas legislativas para uma nova política econômica da União Europeia. Enquanto isso, os governos europeus subscreveram em março um ‘pacto para o euro.’
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Parlamento europeu |
O pacto para o euro, seguindo a proposta Merkel-Sarkozy de estabelecer um pacto de competitividade, visa, nomeadamente, aumentar a flexibilidade do trabalho, para evitar aumentos de salários e reduzir os gastos com a proteção social.
Essas medidas são tomadas em nome de um argumento de aparente bom senso. Os Estados não podem pedir ajuda à União se não houver regras. Mas, na ausência de qualquer debate democrático sobre as políticas econômicas a adoptar, as atuais medidas acabam por enfraquecer os parlamentos nacionais em benefício dos Ministérios das Finanças e da tecno-estrutura europeia. E de que ajuda se trata? Os montantes emprestados pela União são obtidos nos mercados a juros relativamente baixos e emprestados aos Estados que estão em dificuldades a taxas de juros muito mais elevadas. É
o povo que paga o preço mais alto com a implementação de planos de austeridade drástica, arruinando qualquer hipótese de recuperação econômica. Prova disso é o exemplo patético da Grécia, agora no seu terceiro plano no espaço de um ano, que viu a sua dívida e o seu déficit crescerem ao ritmo do empobrecimento da população.
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Grécia |
o povo que paga o preço mais alto com a implementação de planos de austeridade drástica, arruinando qualquer hipótese de recuperação econômica. Prova disso é o exemplo patético da Grécia, agora no seu terceiro plano no espaço de um ano, que viu a sua dívida e o seu déficit crescerem ao ritmo do empobrecimento da população.
Enquanto isso, os bancos podem continuar a refinanciar-se junto do Banco Central Europeu (BCE) com taxas ridículas, e a emprestar aos estados com juros muito mais altos. Assim, em fevereiro, as taxas a dois anos para a Grécia ultrapassaram os 25%. Não são as pessoas que recebem ajuda, são os bancos e os bancos europeus, em particular!
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Londres |
Mas, dizem-nos, não havia outra opção. É preciso ‘assegurar os mercados.’ Reconhecemos aqui o argumento final, o famoso ‘Tina’, que foi, a seu tempo, empregue por Margaret Thatcher: ‘There is no alternative.’ Na verdade não há alternativa, se continuarmos a submeter-nos aos mercados financeiros. Este é o ponto cardeal e o ponto de partida de qualquer política. Como tal, para a votação do Parlamento Europeu marcada para junho, esperamos que os partidos da esquerda europeia se recusem claramente a votar em propostas com consequências dramáticas para a população.
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Alemanha |
As dívidas públicas são, em grande parte, ilegítimas e, portanto, uma auditoria pública da dívida permitirá decidir o que será reembolsado ou excluído. O BCE deverá poder, sob supervisão democrática europeia, financiar os déficits públicos conjunturais. Uma reforma fiscal ampla, tanto em nível nacional como europeu, permitirá encontrar espaço de manobra à ação pública. Tais medidas requerem, portanto, vontade política para romper com o domínio dos mercados financeiros sobre a vida econômica e social. Esta vontade política, de momento, não existe. Será preciso impô-la. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, falou de uma ‘revolução silenciosa’ a propósito das medidas tomadas pela União Europeia. Preferimos falar de contra-revolução, mas, ao passo que Durão Barroso rejubila, nós só podemos lamentar o quase-silêncio, especialmente da França, sobre estas questões que são, no entanto, capitais. Como gritam os manifestantes da praça Puerta del Sol: ‘Não é uma crise, é uma ladroagem.’ Essas políticas encostam a União Europeia à parede: está na hora de inventar outra coisa.”
(*) Thomas Coutrot é co-presidente da Attac França; Pierre Khalfa, co-presidente da fundação Copérnico; Verveine Angeli, sindicalista; e Daniel Rallet, sindicalista. Artigo originalmente publicado no jornal francês Libération, em 7 de Junho de 2011.
Publicado no esquerda.net
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