São Paulo pode acelerar o processo de transformação do Brasil num país menos socialmente iníquo
Muito trabalho depois do sorriso da vitória
São Paulo venceu.
Nas urnas os paulistanos disseram não ao mundo velho, obsoleto,
cínico e inepto representado por Serra e os que gravitaram em torno de
sua candidatura a prefeito de São Paulo.
Em escala municipal, a cidade tem que enfrentar tenazmente o grande
drama do mundo moderno: a iniquidade social que tem feito com que tão
poucos desfrutem das coisas boas que o capitalismo pode trazer.
Falo do capitalismo puro, tal como pregado por Adam Smith, no qual a
ganância da plutocracia é neutralizada por um conjunto poderoso de
princípios morais que podes ser sintetizados numa frase. “O impulso em
admirar, e quase venerar, os ricos e os poderosos, e desprezar ou, ao
menos, negligenciar os pobres é a maior e mais universal causa da
corrupção de nossos valores”, escreveu Smith.
Com Serra e seu foco nos “ricos e poderosos” de que falou Adam Smith,
ou no “1%” da campanha do movimento Ocupe Wall St, São Paulo não teria
chance de se modernizar socialmente.
Haddad não é uma certeza, evidentemente. Mas é uma esperança que faz
sentido. São Paulo pode ser mais rápido que o Brasil como um todo — por
sua riqueza, por sua pujança, por seu dinamismo — na construção de uma
sociedade harmoniosa, nos moldes do que existe na admirável, exemplar
Escandinávia.
Se Haddad for competente, São Paulo pode começar a se transformar, sob ele, numa Dinamarca e, por sua força, acelerar a dinamarquização do país.
Os sinais disso serão vistos facilmente no correr dos longos dias,
caso Haddad seja um bom prefeito: menos miséria, menos gente nos faróis
esmolando, menos favelas deformando a cidade. Mais bicicletas nas ruas,
certamente.
É uma caminhada longa. Mas, para lembrar a sabedoria chinesa, toda
caminhada começa no primeiro passo. Romper com tudo que Serra significa
de atraso já é, em si, um primeiro passo.

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